quinta-feira, 9 de maio de 2013

A moeda, o crédito, o financiamento e o juro - parte I - O sistema bancário

Moeda não é crédito nem financiamento.

Estas coisas são totalmente distintas  mas, na mente das pessoas comuns, parecem a mesma coisa.
Haver confusão na mente das pessoas apenas indica que a Economia não é senso comum mas que tem conceitos complexos e de difícil compreensão sem um estudo aprofundado. 
A Economia trata com uma realidade tão complexa e longe do senso comum que, mesmo nas pessoas com formação em economia, existe bastante dificuldade em compreender os conceitos "básicos".
No caso da moeda, que não existe na natureza não humana (é uma criação da humanidade), existe no senso comum uma confusão total com outras realidades como, no caso, o crédito e o financiamento.
Eu já escrevi muito sobre isto (que agreguei num índice - O sistema monetário) mas, como o Ricardo Mendes me voltou a colocar esta questão com a convicção de que estava certo e eu errado apresentando mesmo um vídeo com dois homens a falar que não têm a mais pequena noção do que estão a dizer, vou ter que me aplicar a fundo para tentar que o amigo leitor fique com um pouco mais de luz.

Fig. 1 - Por falar em Luz, no Sábado vão apanhar para aí uns 5-0 do Dragão, penso eu de que.

No entanto, o pior dos cegos é aquele que não vê porque não quer ver.  Pensando no que diz o Gordon Ramsay repetidamente (do Hell's Kitchen), enquanto estivermos em negação, nunca conseguiremos ver a verdade.
Então, se o amigo leitor quer acreditar com toda a força que moeda, crédito e financiamento são a mesma coisa, se quer continuar a ver o sistema financeiro como a mesma coisa que o sistema monetário e que ambos são criações do diabo, muito dificilmente poderá ver a verdade.
Não é fácil tomar consciência que a Terra anda à volta do Sol ou que o homem teve origem no macaco, mas temos que acreditar que, com esforço, é possível derrotar a ignorância.
Não podemos ficar como as testemunhas de Jeová (ou os católicos) que não querem ver que, se nós temos defeitos, Deus também tem efeitos (diz na Bíblia : "E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou."  Gen 1:27).
Para não ficar um texto muito pesado, neste poste vou apenas tratar do crédito, financiamento e taxa de juro e no próximo poste (Parte 2 - O sistema de preços.) vou tratar do sistema monetário e, finalmente, vou fazer a ligação entre os dois sistemas.

O que é o crédito e o financiamento.
O crédito e o financiamento são as duas faces da mesma faca.
Se eu empresto uma galinha ao meu vizinho, eu concedo um crédito (de uma galinha) passando a ser credor e ele aceita um financiamento (de uma galinha) passando a ser devedor.
Não pode haver financiamento sem crédito nem pode haver crédito sem financiamento e as suas quantidades são exactamente iguais.
Se o total de crédito concedido na economia são 100 galinhas, 3 porcos, 2 vacas e 100 alqueires de milho, o financiamento na economia são exactamente 100 galinhas, 3 porcos, 2 vacas e 100 alqueires de milho.

Fig.2 - A faca não pode existir com apenas um dos lados.

O juro.
Se eu concedo ao meu vizinho o crédito de 10 galinha, ele obtém um financiamento de 10 galinhas.
O meu problema é que se o meu vizinho for à bancarrota (por exemplo, vier uma seca), eu fico sem as minhas 10 galinhas. Então, eu quero que ele faça um "seguro de crédito" junto de uma seguradora que lhe cobra  um determinado quantitativo (o prémio do seguro), 1 galinha. 
Eu empresto 10 galinhas e, passado um determinado tempo, se tudo correr bem, o meu vizinho paga 10 galinhas a mim e 1 galinha à seguradora. Se tudo correr mal, o meu vizinho não paga nada mas a seguradora paga-me as 10 galinhas. Então, a seguradora assume o risco do crédito podendo ter um  um prejuízo de 10 galinhas (com a probabilidade p) ou um lucro de 1 galinha (com a probabilidade 1-p). Em termos esperados, a seguradora exige 1 galinha porque antecipa um risco de 9.091% de bancarrota total:
       1 x (1 - p) -10 x p = 0   => p = 9.091% (equivalência que faz o lucro esperado nulo).

Agora sou eu, o credor, a seguradora.
A ser assim, tendo emprestado 10 galinhas, se tudo correr bem, vou receber (como diz no contracto) 11 galinhas. Então, vou receber o capital (10 galinha) mais 1 galinha de juro.
Mas essa galinha não é nenhuma exploração do devedor pois pode pedir as galinhas a outro qualquer. O juro é apenas o prémio que a seguradora levava para assumir o risco. Agora, O risco fica por minha conta, se o devedor for à bancarrota, eu não recebo nada.
Em termos económicos, naturalmente que os devedores com mais risco terão que pagar uma taxa de juro maior senão, os devedores adoptarão estratégias demasiadamente arriscadas.

Haverá casos de juros exagerados (usura)?
Quando nós estamos a nadar no mar e começamos a afogar, se quem nos for salvar nos exigir uma avultada soma de dinheiro, nós somos obrigados a pagar para não morrermos. Parece que, se não conseguíssemos pagar uma pipa de massa, morreríamos afogados.
Mas não é isso que aconteceria.
Primeiro, tomávamos mais cuidado. Apenas nadávamos em dias de águas calmas, com bóias e próximo da costa -> não assumíamos tantos riscos.
Segundo, se morrêssemos, o socorrista não receberia nada. É o problema do monopolista que, apesar de querer cobrar um preço muito alto, vai ter que moderar o preço porque tem que vender para ter lucro.
Terceiro, apareceriam muitos nadadores-salvadores. Como a profissão de nadador-salvador seria muito lucrativa, apareceriam mais pessoas, em concorrência, capazes de socorrer os náufragos o que diminuiria o "preço" de sermos socorridos.

Quarto, íamos nadar onde houvesse maios salvadores. Como havendo concorrência, conseguíamos um salvamento mais barato, os banhistas juntavam-se onde houvesse mais nadadores e os nadadores juntavam-se onde houvesse mais pessoas: o mercado aglomerava-se em multidões de náufragos e de salvadores, todos em concorrência.

Fig. 3 - As mulheres boas aproveitam-se da situação de necessidade dos homens.
Mas se não houvesse preços diferenciados, as mulheres não se tratavam e as putas feias e gordas não tinham saida nenhuma.

No crédito/financiamento passa-me algo semelhante - É a taxa de juro real.
Se houver no mercado poucas pessoas a querer emprestar galinhas e muitas pessoas a precisar de pedir galinhas emprestadas, o juro virá superior ao prémio do seguro de risco, juro > 1/(1-p).
Se, pelo contrário, houver no mercado muitas pessoas a querer emprestar galinhas e poucas pessoas a precisar de pedir galinhas emprestadas, o juro virá inferior do prémio do seguro de risco, juro < 1/(1-p).
Esta diferença é a taxa de juro real, aquela que, sem risco, traduz um ganho (se for positivo) ou perda (se for negativo) patrimonial de quem concede o crédito com uma contrapartida em quem pede emprestado. Cada galinha que o emprestador perde, é uma galinha que o devedor ganha e vice-versa.
Não existe qualquer perda para a sociedade por a taxa de juro real ser alta ou baixa pois o ganho de uns é sempre a perda de outros. É apenas uma questão de re-distribuição.

É importante que a taxa de juro real varie ao longo o ciclo económico.
Vamos supor que a produção oscila ao longo dos anos (igualmente para todas as pessoas) e que não é possível constituir stocks (a arca frigorífica está avariada). No ano bom cada pessoa produz 600 galinhas e no ano mau produz apenas 130 galinhas.
Como as pessoas querem comer sempre o mesmo (1 galinhas por dia) e não podem constituir stocks, vão querer emprestar 235 galinhas no ano bom para terem 365 galinhas (130+235) no ano mau.
O problema é que no ano bom toda a gente quer emprestar galinhas e ninguém quer pedir galinhas empestadas e, no ano mau, ninguém tem galinhas em excesso para pagar o financiamento obtido no ano bom.
Então, a taxa de juro real do ano bom tem que ser muito inferior à taxa de juro do ano mau.
Por exemplo, vou fazer um contracto em que emprestando 10 galinhas no ano bom, vou receber 3 galinhas no ano mau (uma taxa de juro de -70%). Outro contrato pode dizer que, se eu emprestar 10 galinhas no ano mau, vou receber 30 galinhas no ano bom (um juro de 300%).
Se a taxa de juro fosse sempre igual, por exemplo, 0%/ano, o mercado de crédito/financiamento deixava de existir pois era muito elevado (não haveria devedores potenciais) nos anos bons e muito baixo nos anos maus (não haveria credores potenciais).

E qual é o objectivo dos bancos comerciais?
O seu objectivo é apenas comprar e vender galinhas mas a crédito/débito e fazer seguros de crédito.
Eu não quero risco pelo que, querendo emprestar uma galinha, vou ao banco e deposito-a.
Outra pessoa quer pedir uma galinha emprestada, vai ao banco e, mediante o pagamento do "prémio do seguro de crédito" (um juro que é crescente com o risco de bancarrota do devedor), o banco empresta-lhe a galinha.
Repito que eu podia emprestar a galinha directamente à pessoa que a quer emprestada e fazer eu o seguro (cobrar o juro). Mas, como o banco tem muito movimento, consegue diversificar o risco do negócio.

Vamos supor que 9% dos devedores vão à bancarrota.
Se eu empresto 10 galinhas, tenho 9% de probabilidade de o meu devedor ir à bancarrota e eu ficar sem nada.
Se 100 pessoas depositarem cada uma 10 galinhas no banco (juro zero) e o banco emprestar 10 galinhas a 100 clientes diferentes (um total de 1000 galinhas) cobrando um juro de 10% então, se 9 pessoas bancarrotarem (os tais 9%), o banco recebe 1001 galinhas podendo devolver 10 galinhas a cada depositante (o banco tem 1 galinha de despesas administrativas).
O depositante das galinhas recebe apenas 10 galinhas mas recebe-as sempre.
Se os devedores não pagarem ao banco, é o capital dos seus donos que responde pela perda. Mas também se pagarem todos, o lucro vai para o banqueiro.

Será preciso crédito para haver crescimento económico?
Afirmar isto é uma loucura semelhante à afirmação do Sócrates de que "produzir electricidade com o vento não custa dinheiro ao país" para depois fazer contractos em que enfia pipas de massa no bolso dos gajos dos vira-ventos. Se não custava nada, não era preciso fazer contracto que agora nos obrigam a pagar milhões todos os dias.

Vamos então ao crédito para o investimento.
Para haver crescimento económico tem que haver mais trabalho (mais pessoas e mais horas por pessoa) e mais capital.
Se eu sou agricultor, para produzir mais nas 70h/semana que trabalho, tenho que melhorar o meu sistema de rega e fazer socalcos que consigo investindo parte do meu tempo de trabalho nestas coisas.
A necessidade do crédito/financiamento deriva de a maior parte das pessoas não querer assumir riscos. Quer ser empregado por conta de outro com um ordenado fixo ao fim do mês e quer que as galinhas que emprestam voltem com certeza quando chegar a hora.
Por exemplo, eu podia ter uma empresa com 100 trabalhadores com 5000 galinhas de capital sem qualquer financiamento se cada um dos trabalhadores fosse dono de 1% do capital (cada trabalhador metia 50 galinhas na empresa). Mas isso tinha risco.
Como a grande maioria das pessoas quer um rendimento fixo, arranja um emprego (tenta) e deposita as suas galinhas num banco. Depois, há um empresário que pede as galinhas emprestadas ao banco, paga um juro que cobre o seu risco de bancarrota, e fica ele dono de 100% da empresa.

Vejamos os exemplos da privatização da TAP (dos ENVA ou da RTP).
Quando o Eframovich disse que dava 20 milhões € ao Estado, os 12 mil trabalhadores que vieram dizer que o preço era baixo, que a TAP era muito lucrativa, blá, blá, blá, blá e que o Passos estava a vender uma fortuna por tostões deveriam ter dito:
 - Nós damos esse dinheiro e a TAP fica nossa. Afinal só calha 1650€ a cada um.
O problema é que os salários passavam a ser variáveis: se a TAP desse prejuízo (como vai continuar a dar), eram eles que entravam na madeira e não nós contribuintes.
Repito a pergunta que fiz há uns meses àqueles comentadores que disseram que a TAP era muito lucrativa (onde se inclui o meu ex-amigo de não sei que universidade americana).
A TAP devolveu aqueles 100 milhões de euros ao Tesouro "necessários apenas porque estava no processo de privatização"? Não me parece.

Para haver crédito aos investidores, tem que haver poupança das famílias.
E não há. Ainda se acrescenta o facto da balança corrente estar equilibrada (não estou a dizer que isso é mau).
Não haver poupança das famílias é o problema mais grave da nossa economia (ver, Fig. 4). Como todos os anos parte do capital se torna obsoleto (estimado pelo WB em 18% do PIB) e a nossa poupança é de apenas 11% do PIB então, cada dia que passa o nosso trabalho torna-se menos produtivo porque os equipamentos ficam envelhecidos.
É bonito os esquerdistas virem para a televisão apregoar que "os salários têm que aumentar para aumentar o consumo" mas depois não há poupança, sem poupança não há investimento, sem investimento a produtividade do trabalho diminui e, conclui-se pela necessidade de os salários terem que diminuir. Não diminuem e o povo vai para casa ver os esquerdistas na televisão a apregoar que os salários têm que aumentar.

Fig. 4 - A poupança em Portugal está muito baixa (a depreciação do capital é de 18% do PIB e a poupança bruta é de 11% do PIB, dados: Banco Mundial)

Como se equilibra o mercado de crédito/financiamento?
A situação neutra é ter uma taxa de juro (sem risco) nula e a taxa de juro ser uma compensação pelo risco de bancarrota de cada devedor. Os devedores com mais risco terão que pagar mais juros (pelo menos é o que diz o contracto pois, em caso de bancarrotarem, não pagam nada) e os com menos risco terão que pagar menos juros.
No entanto, se houver muita poupança das famílias e poucas ideias de negócio (pouca propensão a investir), a taxa de juro desce abaixo de zero.
É esta a situação que vivemos actualmente e deve-se ao facto das famílias asiáticas, principalmente as chinesas, pouparem muito e o PIB da China estar a crescer muito (um PIB maior faz com que a poupança da china, em termos mundiais, fique maior). Então,  existe uma quantidade crescente de crédito disponível com origem na Ásia e nos países ocidentais (onde a poupança está historicamente baixa) não existem ideias para novos investimentos.
Somando a poupança do Japão com a da China e da Índia (que ainda é uma pequena economia mas está a crescer), entre 1980 e 2000 a poupança esteve estável em 15 PIBs portugueses ( a China subiu mas o Japão desceu) mas, desde 2000, a poupança destes 3 países duplicou para 30 PIBs portugueses (ver, fig. 5).

Fig. 5 - A poupança do Japão + China + Índia em PIBs portugueses (dados: Banco mundial)

O que precisa de muito capital é a indústria. Como na Europa não existem projectos industriais de monta, as oportunidades de investimento na Europa são poucas. Então, a tendência é uma diminuição da taxa de juro sem risco que, em termos reais, já está negativa independentemente de estarem dentro (a Alemanha) ou fora do Euro (o Reino Unido), ver Fig. 6.

Fig. 6 - Na Europa os juros (sem risco e sem inflação) estão negativos e o que Portugal paga é risco de bancarrota (dados, EUROSTAT)

Concluindo?
Tal como foi difícil meter na cabeça que o Sol não andava à volta da Terra porque era isso que se via todos os dias e meter na cabeça que a humanidade vem do macaco e não de Deus, também é difícil separar a da moeda da questão do crédito e financiamento.
Mas por ser difícil não quer dizer que quem confunde os conceitos está  está certo.
Neste poste não falei de nada que fizesse lembrar euros para verem que não são necessários para termos a economia a funcionar.
Se não falei de euros então, o sistema monetário (os euros) não tem nada a ver com o sistema bancário.
Nada, absolutamente nada. Antes de a humanidade ter inventado a moeda já existiam bancos (intermediários entre quem precisa poupar e quem precisa de pedir emprestado galinhas).

Os esquerdistas.
Tal como o vendedor da banha da cobra que explica como a banha consegue curar todas as maleitas, também existem Batistas da Silva, Sócrates e Galambas que explicam como funciona a economia mas que não percebem nada do assunto.
Quem sofre de uma doença terminal quer acreditar que a banha da cobra o vai corar mas não vai. Também quem vê o seu rendimento ameaçado quer acreditar que a culpa é do Passos Coelho e que o Seguro vai por outro caminho qualquer e que ficamos logo safos.
Mas como diz repetiamente o Gordon Ramsay,
 - Where did you get this fucking idea of "the other way"? That is bullshit, it looks like a crushed dick with dry bullshit on the top where you just pissed in the middle of fucking nowhere.

Fig. 7 - Vamos focalizar e concentrar porque, 6 anos de aplicação dessas teorias alucinadas e a conversa do "outro caminho" levaram o país à bancarrota.

Temos que meter as galinhas na cabeça.
Para compreendermos o crédito/financiamento e como funciona este mercado (em que o preço é a taxa de juro) temos que esquecer que existe dinheiro ou que o preço das coisas é em unidades monetárias.
Só depois de libertos das unidades monetárias é que nasce uma pequena esperança de que estes conceitos complexos e que não são do senso comum possam entrar na dick's head dos esquerdistas.

Fig. 8 - Nós somos esquerdistas e acreditamos que o PEC IV do Sócrates nos tinha salvo  e que quando o Seguro mandar, vai terminar com a austeridade e dar  inicio ao "outro caminho" que nos vai tornar a maior potência económica do Mundo.

Ver a Parte 2 - O sistema de preços.


 
Pedro Cosme Costa Vieira.

6 comentários:

Nuno disse...

Nesse caso quer dizer que usarmos euros ou escudos, vai dar exactamente ao mesmo?

Económico-Financeiro disse...

Estimado Nuno,
É exactamente igual usar como moeda euros, escudos ou ouro. No entanto, ser uma moeda exógena (ouro ou euros) coloca dificuldade no ajustamento da economia. Num dos próximos postes veremos essas dificuldades.
Um abraço,
pc

Blue Rider disse...

Penso que as perguntas certas são: quer dizer que regressarmos ao escudo vai custar exactamente o mesmo que ficarmos no euro?

Que agentes económicos vão sofrer, ou beneficiar mais, com uma saída do euro e um regresso ao escudo (que sofrerá uma desvalorização grande relativamente ao euro)? Como ficam as pessoas que tenham dívidas e empréstimos a pagar, e como ficam as pessoas sem dívidas que têm depósitos chorudos em euros?

Há risco de saída significativa de capitais, antecipando o regresso ao escudo? De que modo isso afectaria a economia (ou a recuperação económica)?

Se puder focar estes aspectos agradecia.

Nemo disse...

Pergunto se terá mesmo que haver poupança antes de haver investimento. Não poderá ser ao contrário? Eu invisto e, no futuro, tenho de gerar poupança para compensar esse investimento. Não é isso que acontece atualmente no sistema financeiro? Se os bancos centrais atuarem para diminuir as taxas de juro, vão aumentar o investimento e em princípio até vão diminuir a poupança! No entanto, no futuro, os empréstimos utilizados para os investimento e aí haverá poupança.

Económico-Financeiro disse...

Estimado Nemo,
O investimento não pode ser antes nem depois da poupança mas exactamente ao mesmo tempo.
Eu posso investir hoje (endividando-me) e poupar no futuro (pagando a divida)mas alguém tem que poupar hoje (aforrando) para eu investir hoje.
Portugal investiu nos anos 1995:2010 endividando-se porque pessoas outros países pouparam.
pc

Wyrm disse...

Agora sem galinhas explique lá como funciona o sistema de reservas fraccionárias...

E depois são os "esquerdistas" os alucinados...

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