quinta-feira, 23 de maio de 2013

Hoje é uma marretada na Ferreira Leite

A Ferreira Leite e a insutentável leveza da sua memória.
Quem ouve aquela velhadas pensa que está a escutar uma governanta exemplar que, enquanto foi Ministra da Finanças, manteve contas públicas direitinhas, que apenas se endividou a taxas de juro baixas e que reduziu mesmo o endividamento total da república.
Quando a madama de ferro portuguesa vem dizer, em altos berros, que a troika cobrar-nos 3%/ano é insustentável, rematando com a previsão de que, pelo caminho que vamos, o nosso destino é a bancarrota, leva logo a pensar que, no tempo dela, o caminho era outro.
Contenção, rigor, competencia acompanhado por crescimento económico.
Chega mesmo a dizer que "eu bem avisei mas ninguém me quis ouvir".
 
Fig. 1 - Pois certo, mas o que me interessa é que o povo continue ceguinho.
 
Mas eu sou mau.
Fui ao sitio do Instituto e Gestão da Dívida Pública (http://www.igcp.pt/), descarreguei a série temporal da dívida do Estado Português, estimei pelo MMQ a tendência e fiz um gráfico (ver, fig.2). Pensei que bastaria olhar para o dito gráfico para identifica o mandato da austera velhota de ferro mas devo ser ceguinho. Onde pára a D. Leiteira mais o austero Bagão Félix quando fez parelha com o Santanette?
 
Fig. 2 - Evolução da divida pública portuguesa, 2001-2013 (dados: IGCP)

Onde diabo se nota que uma senhora austera como aquela foi ministra das finanças?
Nota-se que em meados de 2011 há um salto na divida mas da senhora austera, nada.
Ou eu não vejo bem ou a austera senhora e o Bagão Félix acreditam que o nosso povinho é todo ceguinho como eu.
Para vermos o grande feito da madama e do Félix + Santanette, marquei os seus mandatos no meio dos do Guterres e do Sócrates (ver, fig. 3). Realmente, nem com um microscópio electrónico se vê quanquer diferença para a trjectoria do guterrismo socratismo.
Durante todos esses anos, a divida pública aumentou 8.76%/ano.

Fig. 3 - Não é possível a madama de ferro ter-nos endividado à mesma veloidade que os esquerdistas.

Diz a grande economista que 3%/ano é insustentável.
Já vimos que o problema da sustentabildiade da divida pública não deve estar no seu crescimento explosivo de 8.76%/ano pelo que deve estar na taxa de juro que pagamos. Afirmar a douta senhora que o empréstio da troika a 3%/ano é insustentável tem implícito que, quando a austera senhora foi ministra das finanças, o Estado Português se endividou a uma taxa de juro substancialmente menor.
Mas eu fiz mais uma maldade. Fui ao sitio do BCE buscar quais eram as taxas de juro que a madona pagava (a 10 anos que é um prazo menor que o da Troika). Para meu grande espanto, a Dr.a Ferreira Leite endividou o Estado Português à taxa de 4.45%/ano.
Até me benzi.
Então, 3%/ano é demasiado mas, na mão dela, 4.45%/ano já era perfeitamente aceitável.

E quanto foi o crescimento económico durante o seu mandato?
fiz mais uma trantantada. Fui ao sitio da eurostat e descarreguei os dados do crescimento do PIB daqueles 2 anos (nos 9 trimestres 2002:2-2004:2) da madama de ferro. A Eurostat só pode estar enganada porque o crescimento foi de 0.17%/ano.
Olha que grande caminho de crescimento que esta senhora trilhou.

Concluindo.
Falar e e dizer que se fazia isto e aquilo, não custa. O que custa é concretizar o que se diz (gritar?).
Enquanto a nossa comunicação social tiver jornalistas que estão mais preocupados em chamar pessoas que digam o que eles querem ouvir do que verificar a verdade do que as pessoas dizem, o nosso povinho vai sendo intoxicado.

Dr.a Ferreira Leite, responda-me a isto, p.f.
Achava sustentável, em 2002-2004, uma dívida pública a aumentar 8.76%/ano e a república pagar taxas de juro de 4.45%/ano?
Disse alguma vez, enquanto ministra das finanças, que um crescimento da dívida de quanse 9%/ano era insustentável e que algum dia teria que parar?
Pense agora comigo. Acabar com a tragectória de crescimento do endividamento do Estado não obrigará a Austeridade?
Ai já não se lembra do que disse ou fez?
Já fui a funerais em que o defunto, já cheirando mal, tinha um pensamento mais lúcido.

Fig. 4 - Senhor, [Ferreira Leite] já cheira mal, porque [já está morta há] quatro dias ... [mas Cavaco] clamou com grande voz: [Manuela], sai para fora. E [a] defunt[a] saiu [e começou logo a gritar: abaixo o Passos Coelho]. João 11:39-44

Pedro Cosme Costa Vieira

3 comentários:

Mundo Real disse...

Caro Pedro,
Lindo, mas tenho de confirmar para ter a certeza absoluta do que li, o gráfico da figura 3 em ordenadas representa a dívida em valores absolutos x1000€ ? e que mais à direita entre a última seta e o fim deve ler-se Passos/Gaspar ? À vista desarmada, diria que tendo como referência a recta dos 9% : 1) A dívida é sempre a aumentar; 2) Quando o traço está acima da recta a tendência é acelerar e quando está abaixo o inverso ?
Será que ... só desacelerou abaixo de 9% com .... Sócas ?
É mesmo uma dúvida existencial....

Económico-Financeiro disse...

Estimado Mundo Real,
É verdade que entre 2007 e 2009 (Sócrates) a divida públia registada cresce qualquer coisa menos que 9%/ano mas é desorçamentação que aparece em meados de 2011 (com a troika a verificar as contas surge aquele salto).
Mas pretendo mostrar que, seja em governos do PS, PSD ou PP, a divida está numa identica trajectória de crescimento insustentável.
pc

Hélio disse...

A nelita dirá (sobre o endividamento a 4,45% no seu reinado) que na altura a conjuntura inerna e externa não era igual à actual e bla bla bla... Viz., arranjará sempre uma desculpa que o que fez era o melhor e que PPC é que fede (e por acaso...),

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