quarta-feira, 29 de maio de 2013

O paradoxo da poupança

O keynesianismo tem um objectivo que parece nobre.
Os keynesianismo (a economia vista do lado da procura) é um quadro a usar na estabilização da economia ao longo do ciclo económico. Assim, defende politicas expansionistas quando a economia está nos períodos de crise (quando existe, alegadamente, desemprego de factores) mas implicitamente obriga a politicas recessivas quando a economia está nos períodos de maior expansão (quando os factores estão a ser utilizados, alegadamente, acima do pleno emprego), ver a Fig. 1.
Não existe qualquer dúvida que todos os economistas, keynesianos ou clássicos, aceitam que as teorias clássicas (a economia vista do lado da oferta) é um quadro a usar obrigatoriamente no crescimento económico (a tendência de crescimento de longo-prazo).
 
Fig. 1 - O PIB oscila (a azul) pelo que nos períodos de expansão o keynesianismo implicitamente defende o uso de politicas recessivas (setas para baixo) para nas crises poderem ser usadas politicas expansionistas (setas para cima). Isto não tem nada a ver com o crescimento económico (a tracejado).

Mas a estabilização é errada.
O keynesianismo está errado nas suas receitas porque assume a existência, nos períodos de crise, de desemprego de factores (e, nos períodos de expansão económica, sobre-emprego dos factores). A evidencia empírica mostra que os factores estão adaptados, racionalmente, a diferentes níveis de utilização ao longo do ciclo económico. Assim, são mais utilizados nos períodos de maior produtividade e vice-versa.
Não há necessidade do Estado pensar em politicas de estabilização porque nós resolveremos esse problema de forma óptima.

Quando escolhemos trabalhar?
A nossa vida dura cerca de 700 mil horas e, durante esse tempo, obtemos recursos trabalhando cerca de 90 mil horas, apenas 13% da duração da nossa vida. Naturalmente, vamos escolher para trabalhar os períodos em que somos mais produtivos, descansando nos outros.
Nós somos mais produtivos de dia pelo que a grande maioria das pessoas trabalha de dia e dorme de noite.
Também somos mais produtivos quando somos novos. Se trabalharmos 1 hora quando temos 40 anos conseguimos produzir tanto como se trabalharmos 5 horas quando tivermos 80 anos. Então, trabalhamos mais quando somos novos para podermos estar parados quando formos velhos.
Finalmente, somos mais produtivos nos períodos de expansão económica. Então, as pessoas preferem trabalhar nesses períodos mais horas e estar desocupadas nos períodos de crise.

Porque diabo quer o Estado que todas as sermanas trabalhemos o mesmo número de horas?
Na agricultura, as pessoas são mais produtivas na Primavera + princípio do Verão pelo que concentram as suas horas de trabalho nestes meses.
Não há mal nenhum em escolhermos trabalhar apenas nas horas em que somos mais produtivos pois, desta forma, conseguimos, ao longo de toda a nossa vida, ter um melhor nível de vida trabalhando as mesma 90 mil horas.
Penso já ser claro que seria errado o Estado obrigar-nos a trabalhar, desde os 10 anos aos 80 anos, 25 h/semana quando nós preferimos trabalhar 40h/s mas apenas entre os 20 anos e os 65 anos.
Seria completamente errado o Estado, para estabilizar a nossa vida, obrigar-nos a trabalhar 8 minutos em cada hora, dia e noite.

A poupança.
Mas para podermos trabalhar apenas nos períodos de maior produtividade, precisamos transferir recursos desses períodos para os períodos de inactividade o que se consegue fazer poupando nos tempos das vacas gordas e gastando no tempo das vacas magras.
Precisamos de poupar nos períodos de maior rendimento para gastar nos outros.

Fig. 2 - Gosto de trabalhar porque produzo mais riqueza hoje numa hora do que quando tiver 80 anos em 1000 horas

Vi hoje na TV.
A agricultura vive muito de sazonalidade. Na Primavera e princípio do Verão há a apanha dos morangos, das flores e das frutas e no inverno não há nada para fazer. Então, uma pessoa normal trabalhar 1800h/ano em agricultura tem que trabalhar 14h/dia todos os dias, entre meados de Março e meados de Julho e depois descansar o resto do ano. Isto é bom para o trabalhador que pode viver longe do local de trabalho e necessário para que possamos ter uma agricultura competitiva. É assim que se faz em toda a parte, desde os USA até ao Burkinafaso, menos em Portugal.
Hoje vi na TV uma reportagem do Alentejo onde estavam a trabalhar ingleses 14h/dia, 7 dias por semana (a 7.5€/h) mas em que a inspecção do trabalho disse "isso é legal em Inglaterra mas é ilegal em Portugal".
Fiquei duplamente chocado. Primeiro, porque temos 1 milhão de desempregados mas temos que contratar ingleses para trabalhar nos campos (de um país muito mais rico que o nosso). Segundo, a nossa legislação do trabalho não deixa as pessoas trabalhar da mesma forma que a inglesa.
Somos mesmo um país de direitos.
Bem, não somos um país de direitos mas de proibições.

A desocupação também é óptima com o capital.
Vamos imaginar um hotel. Cada quarto duplo tem cerca de 30 m2 que, a um custo de 700€/m2, traduz um investimento de 21000€/quarto. Considerando a amortização em 25 anos e uma taxa de juro real de 5%/ano, cada quarto fica por 4.00€/dia. Somando a parte variável (a electricidade e a água, 1.00€/dia, a arrumação, 2.50€/dia, e o pequeno almoço, 2.50€), temos um custo de 10€ por dia por cada quarto.
Mas a maioria dos hotéis tem preços entre 50€dia e 75€/dia. Porque será que não existem hotéis a 15€/dia?
Porque, dados os clientes potenciais, os hotéis são feitos para terem ocupação de apenas 25% dos dias.
Os hotéis são feitos para estarem ocupados apenas nos dias de Verão e em alguns fins de semana. Se nos outros dias os preços fossem 15€/dia, não haveria pessoas no Verão (já estavam cheias de hotéis).


Fig. 3 - Para não perder a vontade, o Jorge Nuno só vai uma vez por mês ao castigo.

Os governos erram sistematicamente para cima.
Os governos erram na previsão da tendência de crescimento pelo que pensam quase sempre que estamos na parte de baixo do ciclo económico. Então, há muito mais politicas de estimulo económico que de austeridade o que leva (levou) ao endividamento excessivo dos Estados.
Se perguntarmos hoje a qualquer político qual é a tendência de crescimento da nossa economia vão avançar com números entre 2%/ano e 3%/ano quando a evidencia empírica aponta para valores entre 0.0%/ano e 1.0%/ano (nos últimos 13.25 anos, desde princípios de 2000, foi 0.17%/ano, tradingeconomics).

Por causa do crowding-out, a estabilização obriga a oscilações na balança corrente.
Não interessa ter politicas fiscais expansionistas porque, para o Estado gastar mais, ou cobra mais impostos ou capta as poupanças privadas, o que retira capacidade dos privados gastarem.
Então, a única forma de haver estabilização económica é, nos períodos de crise, haver défice nas contas com o exterior (balança corrente) e, nos períodos de expansão económica, superávite.
Com os erros de previsão dos governos, o keynesianismo leva ao endividamento dos países.

Mas há um problema mais grave.
É nas escolas de Economia martelar-se que a estabilização económica é boa. Não têm a mais pequena visão critica sobre se de facto a estabilização económica é boa avançando com este objectivo como se tivesse sido revelado por Deus. É o XI mandamento.
Depois, como as politicas keynesianas dão gráficos bonitos e exercícios complicados, martelam todo o tempo nas politicas de curto-prazo.
Finalmente, transforma-se numa lavagem ao cérebro em que, ao longo dos anos, os alunos tornam-se professores e passa-se a viver a actual gritaria que clama para que o Passos Coelho resolva todos os nossos problemas.

Reparem um pequeno pormenor.
Porque pensam que eu, na minha faculdade, estou "proibido" de ensinar teoria económica?
Será por não saber?
Mas há tanta gente que também não sabe e ensina.

A parábula do chá.
Vamos imaginar que temos uma chávena cheia de chá mas queremos leite porque faz bem à saúde. No entanto, não podemos meter leite na chávena antes de a esvaziar do chá.
O pensamento das pessoas é igual. Está cheio de mentiras keynesianas. Mas para verem a luz, têm que, primeiro, deitar isso tudo fora. Enquanto tentarem usar esse entulho mental para provar que estão certos, mesmo contra toda a evidencia, continuarão no erro. A estratégia é começar por assumir que o pensamento tem erros e procurar onde estão esses  errados.
Temos que usar o método da dúvida metódica (de Descartes).

Está cravado na mente de gerações que poupar é mau para a economia.
Décadas a forçar os alunos a acreditar que a poupança diminui o efeito multiplicador, torna muito difícil a alguém libertar-se deste carimbo.
Faz-me lembrar aquele programa dos restaurantes falidos (os pesadelos do Gordon Ramsay) em que as pessoas acham que está tudo bem, só não têm clientes. Mas se não têm clientes, automaticamente está tudo mal.
Nós estamos na mesma situação. Se as politicas keynesianas do Pós-25-de-abril-de1975 (em que a poupança foi combatida ferozmente)  nos levaram à bancarrota, alguma coisa tem que estar mal.
Pela leitura dos comentários, sei que é difícil re-orientar o nosso pensamento do lado da procura (consumir mais aumenta a produção) para o lado da oferta (produzir mais aumenta o consumo). Esta re-orientação é mais dificil porque os keynesianos construíram toda um  mundo de faz de conta que é difícil, para a mente normal, desmontar.

Hoje vou desmontar o paradoxo keynesiano da poupança.
Diz este paradoxo que, se todas as pessoas quiserem aumentar a sua poupança, no final, a poupança diminui.
As pessoas poupam uma percentagem do seu rendimento, 14% no caso português, 24MM€. Se, por exemplo, todas as pessoas quiserem aumentar a poupança para 20% do seu rendimento, os keynesianos defendem que. por causa do multiplicador, a PIB vai diminuir de tal forma que 20% do PIB contraído vai ser menor que 24MM€.

Nada disto é verdade.
Porque, na economia existe consumo e investimento e, caso todas as pessoas queiram poupar mais, a taxa de juro vai descer de forma a que mais oportunidade de investimento se tornam rentáveis, aumentando o investimento para um valor exactamente igual ao novo nível de poupança. Em vez de haver redução do PIB, o novo investimento faz com que a tendência de crescimento do PIB se reforce.

Nunca pode a poupança diminuir quando as pessoas decidem poupar uma percentagem maior do seu rendimento. É uma impossibilidade como a argumentação da cábula:
Quanto mais se sabe, mais se esquece. Quanto mais se estudo, mais se sabe. Logo, quanto mais se estuda, mais se esquece e menos se sabe. Isto está errado porque o cábula só esquece mais se souber mais pelo. Logo, apesar de esquecer mais, sabe mais.
Mesmo na argumentação keynesiana,errada , o PIB diminui porque as pessoas retiram mais euros da economia. Mas se as pessoas poupam menos euros então, o PIB não pode reduzir como previsto inicialmente.

Uma economia com 2 sectores.
A minha economia tem um sector que produz bens de consumo (80% do PIB e do emprego) e um sector que produz bens de investimento (20% do PIB e do emprego). Vou assumir que o PIB é de 1000€/segundo.
O rendimento das pessoas (salários + lucros + rendas + amortizações + etc.) iguala sempre o PIB. Como o PIB é produzido pelas pessoas, o rendimento das pessoas iguala sempre o PIB. Não pode nunca ser de outra forma.

A minha economia está num estado de stand still.
A depreciação/amortização do capital é 20% do PIB (10% do capital que é 100% do PIB)e a poupança é 20% do rendimento. Desta forma, como é obrigatório sempre, a poupança iguala o investimento (mesmo que seja com um alteração involuntária dos stocks).
80% das pessoas têm o seu rendimento no sector dos bens de consumo, 20% no sector dos bens de investimento e cada uma poupa 20% do seu rendimento que, via sector bancário e monetário, vai parar à mão dos investidores que o usam para comprar a produção do sector dos bens de investimento. Os remanescentes 80% são usados para comprar a produção do sector dos bens de consumo.

Mas a poupança aumenta para 30% do rendimento.
No instante inicial, como as pessoas reduzem o consumo de bens de consumo (de 80% do PIB para 70% do PIB), este sector vai observar uma redução das suas vendas em 12.5% pelo que se vê obrigado a reduzir os ordenados e a despedir pessoas.
Mas, o aumento da poupança vai aumentar os depósitos no sistema bancário (e a detenção de moeda) o que faz, pela lei da oferta e procura, com que os bancos reduzam a taxa de juro que pagam às pessoas (vamos supor que isto não tem efeito nas pessoas) que vai reduzir as taxas de juro dos empréstimos que o sistema bancário faz às empresas.

Num segundo instante,  as empresas dos sector dos bens de investimento vai ter mais financiamento pelo que aumenta a compra de bens de investimento (de 20% do PIB para 30% do PIB). Então, este sector vai observar um aumento das suas vendas em 33% pelo que se vê obrigado a aumentar os ordenados. É preciso que o sector dos bens de consumo liberte trabalhadores para que o sector dos bens de investimento possa aumentar a produção (contratar mais pessoas).

Durante o processo de ajustamento de 80% consumo + 20% investimento para 70% consumo + 30% investimento, haverá redução dos salários e despedimentos no sector dos bens de consumo mas também haverá aumentos de salários e contratações no sector dos bens de investimento.
Quanto mais rígido for o mercado de trabalho, mais difícil será os trabalhadores passarem do sector dos bens de consumo para o sector dos bens de investimento pelo que, no transiente, maior será o nível de desemprego e poderá haver quebra do PIB.

No final do ajustamento.
Voltamos a uma situação de stand still mas em que a economia terá uma estrutura diferente (70%+30%) e uma taxa de juro mais baixa o que equilibra a economia numa intensidade capitalistica maior (haverá mais capital por pessoa logo, o PIB per capita será maior).

Fig. 4 - O ajustamento com mercados rígidos (de trabalho) faz o desemprego aumentar na transição e dificulta a re-estruturação da economia.

E o que diz a evidencia empírica?
Se olharmos aos dados desde 2000, na China a taxa de poupança é de 47% do PIB e o crescimento é de 9.2%/ano. No nosso querido país, a nossa poupança é 15% do PIB e o nosso crescimento é de 0.2%/ano.
Pegando nos valores médios do banco mundial para 2000-2011, ponderarmos a dimensão dos países pela sua população relativa, os países que têm uma taxa de poupança maior em 1% do PIB, crescem mais 0.136 pontos percentuais por ano (ver, Fig. 5). Para termos um crescimento de 2%/ano temos que aumentar a poupança de 15% do PIB para 27% do PIB. 

Fig. 5 - Relação entre poupança e crescimento do PIB, 2000-2011 (dados, Banco Mundial, pontos representam 96.5% da população mundial)

Por mais que os esquerdistas gritem que o fim da austeridade é a "politica de crescimento", ninguém pode negar que os países onde a poupança é mais elevada são exactamente os países onde o crescimento é maior e não como os keynesianos querem fazer crer.
Pedro Cosme Costa Vieira

8 comentários:

Vivendi disse...

"Nós estamos na mesma situação. Se as politicas keynesianas do Pós-25-de-abril-de1975 (em que a poupança foi combatida ferozmente) nos levaram à bancarrota, alguma coisa tem que estar mal.
Pela leitura dos comentários, sei que é difícil re-orientar o nosso pensamento do lado da procura (consumir mais aumenta a produção) para o lado da oferta (produzir mais aumenta o consumo). Esta re-orientação é mais dificil porque os keynesianos construíram toda um mundo de faz de conta que é difícil, para a mente normal, desmontar."

Bastaria chapar alguns gráficos do que se fazia antes do 25 de Abril com o pós para perceber na hora a cagada do crescimento baseado no lado da procura.

Fica o gráfico:

http://viriatosdaeconomia.blogspot.com/2013/04/gaspar-e-politico-com-p-pequeno-salazar_15.html

Daniel Tomé disse...

Apesar de agradecer a explicação ao Professor, no que toca ao paradoxo da poupança, confesso que não consegui percebi o passo que deu para o "desmontar". O professor simplesmente assumiu que a poupança aumenta para 30% e pronto, fica aí. O Professor escreve:
"...a poupança aumenta para 30% do rendimento. No instante inicial, como as pessoas reduzem o consumo de bens de consumo ... este sector vai observar uma redução das suas vendas ... pelo que se vê obrigado a reduzir os ordenados e a despedir pessoas. Mas, o aumento da poupança vai..."
Nessa última frase deu um passo que não consigo perceber. Não é aí que está o paradoxo que o professor quer refutar? O professor simplesmente ignorou, num passe de magia, que quando há despedimentos, não é só o consumo e emprego que caem, mas também (consequentemente) a poupança!
Não compreendo como refutou o paradoxo. Sinceramente,
Daniel
P.S. Não conheço ninguém que duvide que para haver crescimento económico é preciso poupança. O professor conhece?

Gonçalo disse...

"para o Estado gastar mais, ou cobra mais impostos ou capta as poupanças privadas, o que retira capacidade dos privados gastarem."

Ou talvez seja porque os privados não gastam que o estado tenha de o fazer.

"Durante o processo de ajustamento de 80% consumo + 20% investimento para 70% consumo + 30% investimento, haverá redução dos salários e despedimentos no sector dos bens de consumo mas também haverá aumentos de salários e contratações no sector dos bens de investimento"

Qual o empresário que despede porque as vendas baixam E investe ao mesmo tempo?? Quem está a encomendar bens de investimento???

“O que os empresários me dizem é que não investem, não por falta de crédito ou porque os juros estão altos, mas porque não existe mercado. É isto, pelo menos, o que me dizem”, afirmou José Matos, CEO da Caixa Geral de Depósitos.

"os países que têm uma taxa de poupança maior em 1% do PIB, crescem mais 0.136 pontos percentuais por ano"

Ou talvez a causa-efeito seja oposta: quem cresce mais consegue poupar mais

skeptikos disse...

Deixo 1 artigo directamente relacionado com o presente:
http://www.mpettis.com/2013/05/21/excess-german-savings-not-thrift-caused-the-european-crisis/

E um 2º que merece ser lido:
http://www.genomofcapitalism.com/index.php

Económico-Financeiro disse...

Estimado Gonçalo,
Espero bem que a causa-efeito seja oposta: quem cresce mais consegue poupar mais,porque asim basta esperar (sentado) que venha o crescimento.
pc

Gonçalo disse...

Caro Pedro,

Para haver crescimento é preciso investimento.
Certamente a poupança é condição necessária para que haja investimento, mas não é condição suficiente.

Para além disso, correlação é uma coisa e causalidade é outra. Duas variáveis podem se relacionar mas não é forçoso que se trata de uma relação de causa-efeito.

Tal como a correlação entre dívida pública e crescimento. O Pedro fez os cálculos e viu que a relação é negativa. Concluiu a seguir que a dívida pública era causa para o decrescimento
Mas porque é que é a dívida pública é causa de de não crescimento e não o inverso? Porque não concluir que foi o aumento do desemprego, e logo diminuição das receitas e aumento das despesas por via de subsídio de desemprego, que fez aumentar o défice?
Mais ainda, o Pedro foi buscar valores que incluem anos em que em grande somas foram gastas pelos governos para salvar a banca.

Luís Pombo disse...

Algo que não compreendi foi porque razão, automaticamente, o aumento de 10pp de poupança se reflectem em 10pp de investimento.

Se assim fosse, não seria de esperar que, no período em que as taxas de juros foram muito baixas (antes da crise de sub-prime e de dívidas soberanas) os empresários fossem buscar essa poupança ao exterior(através do sistema bancário) e a investissem em Portugal?
Mas pelos vistos isso não aconteceu, tal como podemos notar pelo desinvestimento (quase) contínuo da última década em Portugal, pelo que poderemos concluir que a relação entre poupança e investimento não é de 1 para 1?!

Considerando agora que não é de 1 para 1, mas que é positiva (ex: aumento 1pp poupança -> 0.5pp investimento), será este efeito mais que suficiente para compensar a diminuição do consumo verificada de 80 para 70%?

Obrigado pela explicação.

Económico-Financeiro disse...

Estimado Luís,
Comparemos quanto a evolução do investimento em Portugal e na Alemanha:
Período -> Port / Alem
1970-9 -> 27.8% / 26.0% do PIB
1980-9 -> 28.6% / 22.3% do PIB
1990-9 -> 25.4% / 22.4% do PIB
2000-9 -> 24.2% / 18.7% do PIB
2008-11 -> 20.1% / 17.9% do PIB´
1970-2011 -> 26.1% / 22.1% do PIB
Em média investimos mais 4% do PIB por ano que a Alemanha e na década 2000-9, mais 5.5% do PIB.
O nosso problema não é (foi) falta de investimento mas mau investimento e baseado em financiamento exterior (que agora temos que pagar com juros).
Quando a S=I, p.f., ver o poste da economia com 2 sector.
Um abraço, pc

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