segunda-feira, 17 de junho de 2013

O crescimento económico dos USA, Japão, Europa e da Ásia

Consta que a Europa está em crise.

E logo surgem vozes "especialistas em Economia" a dizer que a Europa, por seguir uma politica monetária restritiva, está a seguir o caminho do Japão de estagnação económica. Dizem ainda que os USA, porque têm politicas expansionistas, têm muito maior crescimento económico.
Mas os dados do Banco Mundial não dizem nada disso. O que separa os USA dos demais países desenvolvidos é o crescimento da população e não o aumento de produção por cada pessoa (que mede, verdadeiramente, o progresso económico). 
Crescimento económico no período 1996-2011.
Para vermos se existem diferenças estruturais entre os USA, Japão e os maiores países da Europa vou considerar a média dos últimos 15 anos (1996-2011) da informação disponibilizada pelo Banco Mundial (ver, Quadro 1).

PaísPIBpc,ppcPIB (%/ano)Pop (%/ano)PIB pc (%/ano)
USA43,61,630,900,73
JPN31,30,670,050,62
DEU33,51,16-0,071,23
FRA31,41,110,650,46
GBR33,51,580,600,97
ITA30,30,250,64-0,38
ESP29,41,741,280,47
Média37,51,280,600,69
Quadro 1 - Performance económica das 7 maiores economias desenvolvidas, 1996-2011 (dados: Banco Mundial). PIBpc,ppc em milhares de USD.

Os USA (e a Espanha) têm um crescimento mais forte mas se retirarmos o efeito do crescimento da população, a Alemanha e o Reino Unido crescem mais rapidamente que os USA. O Japão cresce 0.62%/ano que é apenas 0.11 pp abaixo dos USA.

Como podem os alemães estar errados?
Interessante ninguém gritar que a França e a Espanha têm 1/3 do crescimento económico da Alemanha estando ambos sob a mesma politica monetária. E que a Itália, também nas mesmas circunstancia, tem crescimento negativo.
A França tem um crescimento 0.18 pp abaixo do Japão.

Como se compara Portugal?
Portugal é um país relativamente rico (poder de compra de 70% da média das 5 maiores economias europeias e 50% dos USA) mas o crescimento económico per capita é zero (ver, Quadro 2).
Os 15 anos considerados englobam os governos do Guterres, Durão (2 anos), Santana Lopes (meses) e Sócrates.
Se o Guterres e o Sócrates anunciam terem sido tão bons governantes, porque será que o nosso crescimento foi 0?

PaísPIBpc,ppcPIB (%/ano)Pop (%/ano)PIB pc (%/ano)
PRT22,80,280,260,03
Quadro 2 - Performance económica portuguesa, 1996-2011 (dados: Banco Mundial) PIBpc,ppc em milhares de USD.


Fig. 1 - O trabalho infantil é errado mas a alternativa é morrer de fome (esta criança nepalesa ganha 0.08€/hora e um adulto ganho 0.20€/h)

Vamos agora aos países mais pobres.
Os esquerdistas acham que na Ásia se exploram os trabalhadores.
A questão é que nos 10 grandes países pobres do Mundo (um PIB pc em paridade de poder de compra inferior a 15% dos USA) vive ligeiramente mais de metade da população mundial e só se produz 10% da riqueza mundial.
Se cada um de nós abdicasse de 10% do seu rendimento, o rendimento de metade da população mundial poderia mais que duplicava mas isso está fora de questão. O que dizem os esquerdistas é que esses pobres estão a destruir a nossa industria pelo que têm que ser proibidos de exportar para cá o que produzem.
O objectivo não é melhorar as suas vidas mas , demagogicamente, dizer que se eles não tiverem emprego, viveremos melhor e eles também!
A pobreza apenas se combate com trabalho e esses países estão, com muito sacrifício, a percorrer o caminho do crescimento económico (ver, Quadro 3).
Se hoje são muito pobres, havendo crescimento económico, amanhã serão menos pobres.

PaísPIBpc,ppcPIB (%/ano)Pop (%/ano)PIB pc (%/ano)
China530910,590,619,98
India25897,731,586,15
Indonesia35065,511,204,32
Pakistan22924,671,872,79
Nigeria19356,882,624,25
Bangladesh13295,971,384,58
Philippines33344,881,912,97
Vietnam24997,161,185,98
Ethiopia7698,392,465,92
Egypt50784,681,882,81
Média43509,021,018,01
Quadro 3 - Performance económica dos 10 países pobres mais populosos, 1996-2011 (dados: Banco Mundial) PIBpc,ppc em milhares de USD.

Ouvir todos os dias noticias de milhões de pessoas que vivem na miséria entristece mas observar que mais de metade da população mundial vê o seu nível de vida melhorar 8%/ano mostra que as tragédias noticiadas, por mais trágicas que sejam, dão uma visão parcelar e errada do que está a acontecer no Mundo.
Um crescimento de 8.01%/ano traduz que, a cada 9 anos, o rendimento das pessoas duplica.
Se o crescimento económico nestes 10 países continuar esta tendência, em 2030 terão um nível de vida semelhante ao nosso.
 
Mas estarão todos os países pobres a desenvolverem-se?
Infelizmente não.
Os dados parem indicar que os países mais pobres (<2500USD, 20% da população mundial) estão quase presos numa armadilha de pobreza (ver, Fig. 2). Pegando nos países abaixo desse limiar (um PIBpc,ppc médio de 1777USD), o crescimento do PIBpc é de 3.58%/ano, muito inferior aos 8.01%/anos dos 10 maiores países pobres (ver, Quadro 1).

 
Fig. 2 - Relação entre crescimento económico e PIBpc, ppc (1996-2011, dados: Banco Mundial)

Os países verdadeiramente pobres.
1.400 milhões de pessoas vivem nos países mais pobres e levam uma vida verdadeiramente desgraçada (com a criança da Fig. 1).
O que temos que dizer a essas pessoas é que vale a pena esforçarem-se. Que há apenas 20 anos na China vivia-se pior que actualmente se vive nesses países e hoje na China já se tem um nível de vida comparável ao do Brasil.

Por falar no Brasil.
O crescimento baseado no consumo e na re-distribuição, no curto prazo pode parecer que dá frutos mas, muito mais cedo do que julgam os esquerdistas, transforma-se num pesadelo. AS manifestações em São Paulo traduzem que as pessoas pensavam que vinha aí o maná mas a realidade está-se a transformar na estagnação económica.
Não há volta a dar. Para a qualidade de vida melhorar de forma sustentável é preciso poupar e investir.
É perigoso promete crescimento economico baseado em mais consumo.

Fig. 3 - Crescimento do PIBpc brasileiro (Dados, Banco Mundial e Tradingeconomics)

Fig. 4 - Os sapatos brasileiros estão cada vez melhores

Finalmente, vou ao Irão.
As pessoas não votaram em grandes visões para o mundo mas apenas olharam para a economia chinesa.
Pode haver uma grande intoxicação ideológica, afirmar ao mundo que estão com capacidade para destruir Israel, que são uma potencia nuclear, etc.  mas as pessoas reparam que em 1980 (o ano seguinte à revolução) um iraniano tinha um nível de vida 13 vezes o de um chinês e hoje está ela por ela.
Em 1980 a economia iraniana representava 55% da economia chinesa e hoje representa 5%.
Alá encheu o Irão de petróleo mas os homens que o governam alegadamente em seu  nome têm feito o nivel de vida das pessoas diminui ao longo do tempo.
Por mais que se queira dizer que a liberdade economica é má, que leva à exploração do homem pelo homem, o bom desempenho económico daqueles 10 paises do quadro 1 é a melhor demonstração que o "deixar fazer, deixar passar" é o principal factor de progresso da humanidade.
É incrivel como a China, a mais feroz das ditaduras comunistas, se tornou a mais forte demonstração das virtudes do capitalismo.


Está tudo encaminhado para o próximo poste ser sobre o desemprego nos países pobres.
E não vale a pena falar da greve dos professores pois estão a tentar defender previlégios que é impossivel manter.
Não é possivel mantermos milhares de professores sem aulas e que se recusam a mudar de escola.
Se não querem trabalhar, rua.

Pedro Cosme da Costa Vieira

3 comentários:

juan gomez disse...

Publico novamente este comentário porque ao contrario da maior parte este tem interesse e é um desafio para si...
Existem diferentes formas de moeda:
1) Moeda com produção atomizada (basta para isso fazer uma criação) e quantidade potencial ilimitada, com valor intrínseco - ex: galinhas.
2) Moeda com produção monopolizada e quantidade potencial ilimitada, sem valor intrínseco - ex: euro.
3) Moeda sem produção e quantidade limitada, com valor intrínseco - ex: o ouro

O raciocínio que faz do confronto entre poupança e procura de fundos para investir de que resulta a taxa de juro percebo e estou de acordo mas numa realidade em que a moeda é do tipo 1. Agora numa economia com a moeda do tipo 2 o seu raciocínio está igualmente correcto? O facto de a moeda ser papel não altera nada? Até porque as taxas de juro são controladas pelos Bancos Centrais e não se formam naturalmente.


quando a moeda é papel o que garante que existe a moeda necessária às tocas que se deseja fazer?
quando a moeda é papel quem introduz essa moeda na vida das pessoas? os bancos, o estado?
qual é o papel dos bancos na monetarização da economia?
como chega a moeda à vida das pessoas? não consigo ver como.

É através do crédito? O banco o intermediário da poupança/investimento recebe galinhas e depois empresta essas galinhas com a promessa de que do investimento vai resultar em mais produção...
só há mais moeda se houver mais produção.

Se for através do crédito os bancos tem um papel absolutamente decisivo. e a moeda só se "alastra" às pessoas mediante a avaliação da aplicação da poupança pelos bancos.

Económico-Financeiro disse...

Estimado Juan,

1) O banco central apenas controla a inflação (que tem impacto na taxa de juro nominal mas não na real que é o que interessa nas decisões económicas). Nos anos 1950-1970 pensava-se que o BC poderia controlar a taxa de juro real mas provou-se que tal era impossivel (Lucas, AER, 1973; Sargent & Wallace, JPE, 1975; Fisher, JPE, 1975)
Isto é que é um desfio: quando o BC aumenta a oferta de papel moeda, a taxa de juro sobe! (porque as pessoas antecipam que a inflação vai aumentar).

2) O BC introduz a moeda na carteira das pessoas pelo Orçamento de Estado. A emissão de notas dá lucro que é uma receita do Estado que o "gasta" em despesa pública.
Se a emissão de moeda for privada, o Ouro, a moeda vai parar ao bolso das pessoas via os custos de produção e via o lucro do dono da jazida.

Um abraço,
pc

juan gomez disse...

Caro professor
Em relação ao ponto 2 ainda não percebo. desafio a usar toda a sua genialidade para explicar como de facto chega o dinheiro necessário para as trocas à vida das pessoas. como se faz isso? como se isso pode ser mal feito e bem feito? fale-nos sobre isso.
em relação ao ponto 1 o facto da moeda ser papel moeda não altera absolutamente nada? tem que alterar qualquer coisa... não é a mesma coisa. a mim parece me que desvirtua o funcionamento da economia...

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