segunda-feira, 24 de junho de 2013

Porque estarão as taxas de juro a subir?

As taxas de juro estão a subir. 

Olhando para a nossa divida pública de médio/longo prazo (mais de 1 ano), as taxa de juro estão a subir de forma muito pronunciada (ver, Fig. 1).
Para o prazo de 10 anos, depois de ter atingido em 20 de Maio 2013 o mínimo pós-sócrates de 5.24%/ano, decorrido apenas um mês, voltaram aos 6.80% de princípios de 2011. Não está sequer perto dos 15%/ano de princípios de 2012 mas é uma subida muito importante. Para vermos a magnitude deste aumento, se tivéssemos que amortizar 100000€ a esta taxa em 50 anos, o aumento da mensalidade seria de quase 25% (de 462.50€ para 571.02€).
Supondo que Portugal não estava, como pedem os esquerdistas, sob ajuda da Troika, teria que assumir a subida da taxa de juro o que faria a despesa pública aumentar 3100 milhões € em juros que seria mais que o corte dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e pensionistas que vigorou em 2012 (2700 milhões €).

Será que vamos estabilizar nos 6.8%/ano?
Ninguém sabe. Se alguém disser que a nossa taxa de juro vai descer (ou subir) apenas anuncia que não percebe nada de previsões. O melhor que pode ser dito é que a taxa de juro se vai manter nos 6.8%/ano para todo o sempre com um desvio padrão na ordem de 1 ponto percentual.
Depois de uma forte tendência de descida, a subida para o patamar de princípios de 2013 (ver, Fig. 2)  traduz que os investidores estão a tentar adivinhar qual será, dentro da nova realidade da Zona Euro, o nosso perfil de risco. Apesar de toda a gente dizer que nunca sairemos do Euro e que nunca o Estado vai bancarrotar como fez o grego, o risco continua lá, ou cá.
Se o nosso patamar for os 6.80%/ano, nunca mais o nosso Estado se poderá financiar em mercado (em equilíbrio).
Cavaco, recordo-te que o FMI nos está a emprestar dinheiro a 2.50%/ano e que a taxa de mercado está nos 6.80%/ano. Não os mandes embora pois sem eles, não há massa. Será que o amigo do Seguro, o Hollande, nos empresta dinheiro a 2.5%/ano?
Amigo Seguro, em vez de mandares o Passos falar grosss à frau Merkel, fala antes tu grosso ao messeure Holland.

Fig. 1 - Evolução das taxas de juro da divida pública portuguesa  a 10 anos (fonte: tradingesconomics)

Mas nem tudo é mau.
No meio de todo o mal que representa uma taxa de juro tão elevada, o bom é que os futuros governos nunca poderão tentar ganhar votos com desvarios públicos.
Assim que apareça um governo despesistas, seja de direita ou de esquerda, imediatamente a taxa de juro vai-lhes meter uma marretada na cabeça. 

Será uma indicação de que o Passos está a descarrilar?
Talvez não porque no último mês as taxas de juro subiram pelo mundo inteiro. Por exemplo, a divida americana subiu 0.90 pontos percentuais voltando ao nível de meados de 2010 (2.50%/ano). Só pela subida da taxa de juro, não podemos dizer que o nosso processo de ajustamento esteja a descarrilar.
Eu penso que estamos a ir mais ou menos, ainda assim melhor do que eu previa em meados de 2011.

Fig. 2 - Evolução das taxas de juro da divida pública americana a 10 anos (fonte: tradingesconomics)

Mas o governo está a falar muito de flexibilização.
Será que vamos entrar pelo caminho da presidenta Dilma Rosseff de prometer dar tudo (o que não temos) a todos?
Estaremos a voltar a rever a transição de 2004 Durão Barroso -> Santana Lopes mas com o Coelho a fazer o duplo papel?
Quando até o Medina Carreira já diz que precisamos pressionar a senhora Merkel, estamos a entrar num periodo dificil.
Vamos ter fé de que isto é apenas até às eleiçoes autarquicas. Pode ser que o Passos esteja a recuar para agrupar e avançar em principios de Outubro com toda a convicção que lhe conheciamos.

Finalmente, sobre as greves às avaliações.
O governo está actuar bem pois se abrir o flanco, acontece como com as greves dos maquinistas da CP do tempo do Sócrates.
Mas a solução de fundo passa pela privatizando das avaliações.
Na América existe uma empresa privada, a ETS, que "vende" testes (o GRE e o TOEFL) cujas notas são obrigatórias nas admissões às universidades públicas e privadas não só americanas mas um pouco por todo o mundo. Por exemplo, o mestrado em economia da U. Nova, uma universidade pública portuguesa, exige o TOEFL e o GRE (ou GMAT).
Qualquer aluno que queira avaliar os seus conhecimentos e capacidades paga cerca de 150€ e faz o teste. A nota é o percentil de alunos que tiveram pior nota que o candidato. Por exemplo, um aluno que tenho 95% traduz que em cada 100 alunos, apenas 5 tiveram melhor nota que ele. 
Independentemente de o aluno vir de um bairro da lata do meio de África ou de uma mansão de Monte Carlo, faz o teste que é avaliado de forma anónima resultando uma nota fala pelo aluno.

O sistema que temos é caro e parcial.
Um professor, só dá 9 meses de aulas por ano porque tem que gastar 2 meses em avaliações, 18% do tempo lectivo. Cada professor custa em média cerca de 30000€/ano e tem 11.5 alunos (dados: 160000 professores para 1844000 alunos, Pordata). Aplicando 18% e dividindo pelos 11.5 alunos, custa 470€ por ano avaliar o aluno.
E a avaliação ao nível das escolas não é comparável.
Bastava fazer um teste que cobrisse todas disciplinas, e a coisa estava feita.

Depois aplicavam-se os rankings.
Os alunos que ficassem abaixo de um determinado percentil, (e.g., 25%), teriam um tratamento personalizado fosse isso estudo acompanhado, ensino profissional ou chumbo. Os 18% de tempo que actualmente os prefessores desperdissam em avaliações sem qualquer objectivo poderiam ser aplicadas a acompanhar estes alunos com maiores dificuldades.

Fig. 3 - Meninos, não se distraiam porque senão vão cair no percentil dos burros.

Mas ainda não disse porque as taxas de juro estão a subir.
Como a taxa de juro está a subir à escala global para os agentes económicso de menor risco de cada zona monetária (divida pública dos USA, Alemanha, China, Japão, UK e Suiça), isto traduz que o crescimento económico vem ai.
A ligação entre a antecipação de que a economia vai começar a crescer e a taxa de juro é conhecida por corolário de Samuelson.
Portanto, é uma boa notícia.

Pedro Cosme da Costa Vieira

3 comentários:

Vivendi disse...

E o judeu da FED não entrou na história porquê?

Diogo disse...

Caro Cosme Vieira,

Primeiro estive para lhe responder diretamente ao Post.

Mas, sabendo, como você sabe, que o BCE ou o FED criam dinheiro a partir do nada.

E sabendo, como você sabe, que os bancos emprestam dinheiro que criam a partir do nada.

Eu pergunto, perante tamanha vigarice, você está a tentar dizer o quê?

Um abraço

Chilavert disse...

Só uma correcção a taxa de juro do FMI será de cerca de 3,67 % ao ano em média.Pelo menos era antes de nos dar a extensão do prazo de pagamento de 4 para 7 anos.Partindo do principio que termos de pagar juros do tempo adicional acredito que a taxa de juro anual estará perto dos 4%

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