terça-feira, 23 de julho de 2013

O que saiu da crise

O tempo nunca volta para trás.

No dia da demissão do Gasparzinho (15 de Maio de 2013) a taxa de juros da divida pública a 10 anos estava nos 5.3%/ano. Entretanto, passou por um máximo de 8.2%/ano e está hoje estável nos 6.4%/ano. Os nossos credores assustaram-se com a perspectiva e o PS voltar a (des)governar o nosso país mas, como com a comunicação do Cavaco esse risco foi adiado, os credores ficaram mais confiantes. Aparentemente voltamos ao pré-demissão-do-gasparzinho mas ainda com 1 ponto percentual acima da situação que vivíamos em 15 de Maio.
 
Quanto valerá 1 PP?
Não interessa muito calcular o impacto junto da divida pública porque parte é nacional (os juros ficam cá dentro). Interessa antes ver o impacto no total da divida ao exterior.
Portugal deve ao exterior cerca de 380 MM€. Supondo que o aumento do ponto percentual é persistente e se transmite à globalidade da divida externa (pública e privada), estamos a falar de um aumento de 3.8MM€ por ano de pagamentos de juros ao exterior. Se esse risco se transmitir à economia, o investimento estrangeiro também exigirá uma remuneração superior.
Então, um PP a mais (ou a menos) traduz-se em qualquer coisa acima dos 4MM€/ano, 2.4% do PIB, que nossa economia tem que enviar a mais para o exterior, 400€ por cada pessoa.

Fig. 1 - Nunca ouvi falar da operação "Portas Seguro". Isso é pura invenção dos bloguistas desmiolados.

Mas a crise era inevitável.
A explicação está naquele programa da TV de adestramento de cães.
A semente da crise foi plantada no dia da manifestação contra a transferência da TSU do empregador para o empregado (15 de Setembro de 2012). Estando nessa altura as sondagens a mostrar, pela primeira vez, o PS acima do PSD, o Portas viu uma oportunidade para tirar um pé do governo: "eu avisei".
Foi um pequeno rosnar mas que lhe deu muitos minutos de televisão. Como o Passos recuou, o Portas ficou com a sensação de que, de facto, era ele que mandava nos destinos da governação. Animado por este número de circo e pensando que o Passos era outro Durão Barroso, entrou em modo "destruidor de coligações" a ver se arranjava outro Santana Lopes (que seria o Rui Rio).
Quando o bicho ganha o sofá, passamos a ser subalternos da matilha.
 
O Passos ficou sem margem de manobra.
Eu estou convencido a 100% de que o Passos quer reduzir o défice público a zero, quer privatizar as empresas que são um sorvedouro de recursos, quer aligeirar toda a máquina do Estado, quer diminuir o desemprego, quer tornar a nossa economia mais dinâmica e competitiva, capaz de enfrentar os desafios que a Globalização nos tem colocado. E tenho a certeza a 100% que esse é o caminho certo para, em 2021, estarmos melhor do que estávamos em Junho de 2011, no dia em que o Sócrates foi despedido pelo povo português.
Tenho eu a certeza e têm os nossos parceiros da Zona Euro.
O problema é que isso é muito difícil de ser feito porque há quem vá perder benefícios. No caso, são os milhões de portugueses que vivem à sombra do Estado, desde funcionários públicos a fornecedores de bens e serviços. Por esta razão é que as greves gerais apenas têm impacto no que é público.
Desanimado pelas sondagens e combatido pelo Portas e pelos barões do PSD, o Passos precisou vestir a pele de cordeiro para ganhar momento e ferrar forte.
 
Vejamos como deveria funcionar a contratação dos professores.
Candidataram-se 45 mil para 3 lugares porque o concurso está completamente errado.
Todos que estudaram economia, mesmo naquela escola onde o Sócrates diz que aprendeu economia mas que nunca disse qual era, sabemos que não é eficiente ter um concurso pela quantidade (com desemprego) mas que deveria ser pelo preço, em leilão (com ajustamento nominal).
 
1 - Os contractos deveriam ter a duração de um ano lectivo.
 
2 - Deveria haver uma plataforma de negociação em que as escolas colocassem as necessidades docentes futuras (local e grupo de disciplinas) e os docentes a sua disponibilidade para as ocupar dizendo o salário pretendido. Em tempo contínuo.
 
3 - Nos finais de Julho de cada ano, seriam escolhidos os professores que propusessem o salário mais baixo para cada local e grupo de disciplinas. Em cada local e grupo de disciplinas seria pago a todos os professores o salário mais baixo de todas as propostas recusadas (leilão de segundo preço).
Se, por exemplo, fossem propostos A->1450€; B->1375€; C->1693€; D->1273€ e E->350€ para 3 lugares, seriam escolhidos os professores E, D e B que receberiam um salário de 1450€/mês.
 
4  - A plataforma de negociação publicitaria em tempo continuo a evolução do potencial salário (calculado pela regra 3) de cada local e grupo de disciplinas.
 
5 - A plataforma aceitaria a negociação de contratos para os próximos 10 anos, sendo fechados a cada ano 10% do total de contractos necessários. Por exemplo, para o próximo ano já só seriam negociadas 10% das vagas necessárias porque 90% já teriam sido negociadas nos anos anteriores.
Desta forma, seria possível um professor construir um contrato com uma duração até 10 anos e prorrogável com antecedência e as escolas manteriam a capacidade de responder a alterações no número dos alunos.
 
6 - Poderia haver um mecanismo de ponderação dos anos de experiência e da avaliação de desempenho. Por exemplo, cada ano de serviço, cada valor de média de curso acima de 10 valores e cada ponto de desempenho (numa escala de 1 a 10) majorava o salário em 2% (e.g., 15 anos de serviço, 15 valores de média e 8 de avaliação traduzia-se numa majoração de 56% do salário que resulta do leilão).
 
Fig. 2 - Uma professora assim receberia uma majoração pela motivação dos alunos.
 
Quando implementarem este mecanismo, não ficará um único professor no desemprego.
Nem um único para amostra.
Vamos supor um jovem com 18 anos que se pretende candidatar a um curso para o ensino. Mesmo antes de se inscrever, poderá licitar contractos de trabalho para depois de acabar o seu curso. Assim, querendo, no dia em que começa o seu curso já tem um contracto como professor para vários anos.
 
Mas os salários vão diminuir muito.
Diminuem o que tiverem que diminuir até deixar de haver quem queira tirar um curso para o qual é remota a probabilidade de encontrar emprego ao salário actual.
Depois, os actuais 45 mil sem emprego deixam de viver com a ilusão de que para o ano farão parte do grupo dos 3 eleitos e fazem-se à vida.
E haverá flexibilidade para as escolas localizadas em locais menos atractivos poderem pagar salários mais elevados.
 
Eu penso que a crise não passou de uma encenação.
Na noite do dia 6 de Abril de 2013 o Passos, o Gasparzinho e o Cavaco reuniram-se sem pré-aviso em Belém. Nunca ninguém perguntou o que se passou nessa noite mas sei que esse momento serviu para lançar a operação a que deram o nome de código "Portas Seguro".
A ideia seria dar corda ao Portas (e ao Seguro) aguardando pelo momento em que a situação ficasse  totalmente podre. Aí, o Cavaco puxava a corda abrindo concorrência entre o Portas e o Seguro por uma solução governativa.
Como se o PS desse o seu apoio ao Governo, o CDS ficava vazio de poder, o CDS teve que se comprometer firmemente com o governo acabando assim com a politica do pé-dentro-pé-fora.
O Seguro acobardou-se com a ideia de ter que dar pelo menos uma ideia para governar o nosso país mas, no entretanto, o Portas ficou amarrado pelo evoluir dos acontecimentos.
Como poderia sair de tal cabeça uma ideia que não fosse já muito batido do tipo:

-Subir as peñsões dos mais desgraçadinhos (i.e., de todos);
- Subir os salário minimo;
- Acabar com a austeridade;
-Alguém que fale grosso à senhora Merkel que o Holland não consegue.

A melhor forma de nos fazerem ver que o nosso emprego é bom é porem um estagiário ao nosso lado que se oferece para nos substituir por metade do salário.  
 
"Não chegaram nenhumas notícias desagradáveis de Lisboa"
Se o Cavaco quisesse de facto um acordo PSD+PS+CDS, esta frase não faria sentido pois as noticias eram de que não haveria acordo. Também não faria sentido afirmar na comunicação ao país que a semana de negociações tinha sido um sucesso.
Correu tudo bem porque o Cavaco+Passos+Gaspar não queriam o acordo PSD+PS+CDS mas apenas queriam que o Portas se compromete-se na governação deixando a constante campanha eleitoral e a ilusão de que é um grande estratega politico.
 
Fig. 3 - Que linda cagarra. Estou a imaginar quando meter a anilha no Portas.
 
No final, como ficou a coisa?
No curto-prazo ficou pior do que estava no dia 15 de Maio mas, no longo-prazo, ficou melhor.
Como as coisas estavam no dia 15 de Maio, o Gaspar ia ser o bombo da festa do congresso do CDS e não havia a menor hipótese dos cortes acordados no memorando de entendimento (os 8.3MM€ assinados pelo Sócrates e que agora estão reduzidos a 4.7MM€) não poderiam avançar pelo que, em finais de Agosto, teríamos um chumbo certo no 8.º exame.
Como estão hoje as coisas, o Portas tem que trabalhar nos cortes e não pode mais vir dizer que discorda pois o Cavaco meteu-o a vice-primeiro-ministro com a condição de haver coesão governativa.
Vamos aguardar pelos desenvolvimentos.
 
Fig. 4 - Fiquei entalado.
 
Pedro Cosme Costa Vieira

10 comentários:

António disse...

Tal e qual Maquiavel

Gonçalo disse...

"E tenho a certeza a 100% que esse é o caminho certo para, em 2021, estarmos melhor do que estávamos em Junho de 2011, no dia em que o Sócrates foi despedido pelo povo português. "

Cá estaremos para ver...

BC disse...

Como comentei no post de 05 de Julho esta remodelação seria um desastre. De três keynesianos (Portas + Pires de Lima + Moreira da Silva) não se podia esperar outra coisa.

Pires de Lima já disse ao que veio, reduzir os cortes na função pública, fazer aumentos regulares de salário mínimo e baixar o IRS.

Economia planeada, pagar a investigadores em empresas públicas e dar prioridade ao turismo.

Fico agora à espera da taxa de carbono do Moreira da Silva e de "reforço" da aposta nas energias renováveis que ele tanto ama.

Também estou à espera que ele actualize o nome do ministério para Ambiente, Energia e Alterações Climáticas.

Acredito que Moreira da Silva também vá incluir no currículo escolar as alterações climáticas. É preciso evangelizar as gerações futuras. Um povo estúpido é um povo obediente

Gonçalo disse...

O que é uma economia não planeada??

É uma em que as crianças têm o direito a trabalhar, e as empresas a contratá-las?

É uma economia em que eu chego à bolsa com uns papéis da minha empresa e digo que são acções, sem ter de cumprir qq requisitos?

É uma economia em que a responsabilidade é ilimitada?

É uma economia em que é legítimo ter escravos?

É uma economia em que se baixar o IRS?

É uma economia em que não se baixa o IRS?

É uma economia em que se aumenta o salário mínimo?

É uma economia em que se baixa o salário mínimo?

Económico-Financeiro disse...

Estimado Gonçalo,
A economia maximizará o bem-estar das pessoas quando todos tivermos a liberdade de fazer qualquer contracto desde que o ganho privado seja maior que o prejuizo público.
Um imposto (e um subsíduo) compensará a prejuizo público.

Estimado BC,
A melhor forma de anular os criticos internos, os tais keynesianos sonhadores, é chama-los a fazer a re-negociação com a troika que tanto defendem.

Um abraço,
PC

vazelios disse...

Caro Professor,

Já tinha escrito algo parecido num outro blogue e nos jornais economicos.

Concordo com a sua teoria e arrisco-me também a dizer que esta crise foi toda muito bem encenada pelo PSD.

Permita-me acrescentar que o timing foi perfeito e estudado:
A meio da legislatura, a 2 meses das autárquicas para abafar os maus resultados, a 2 anos das novas eleições (portanto com tempo para a campanha eleitoral) e justamente numa altura em que vão começar a aparecer (mais uns - mas desses ninguém fala) dados positivos sobre a economia: Nomeadamente, a confirmar-se que tivemos o primeiro trimestre de crescimento, segundo a católica (Pelo menos Junho há de ter tido crescimento) e uma ainda melhor balança externa. Se tal acontecer, será um marco para finalmente acabarmos com a expressão tipica de João Semedo e Arménio Carlos: A espiral recessiva acabou.

De uma assentada, Cavaco e Passos fazem três coisas que se vão revelar importantissimas no longo prazo (concordo que no curtissimo prazo estamos ligeiramente pior, naturalmente):

1 - Assentuam a demagogia do PS, encostando-os à esquerda, quase se confundindo com os bloquistas e comunistas, obrigando Seguro a profetizar aquele discurso de menino mimado a quem lhe tiraram um chupa. Dizia, zangado e apressadamente, que queria fazer de Portugal o país das maravilhas e que não o deixaram. Assim ficou ainda mais clara a posição do PS, boa alternativa para alguns, irrealista e infantil para mim. Mas assim, separaram-se as águas.

2 - Uniu todo o aparelho do PSD (nomear Rui Manchete não é coincidência) e assim os ruidos internos serão menores.

3 - Deixou o rótulo de ridiculo para Portas, ainda que esse episodio será minimamente esquecido, tendo em conta que já ninguém se lembra como entrámos nesta crise, pela mão de São Sócrates. Obrigou o CDS a alinhar com o governo, dando-lhe mais poder é certo, mas mostrando coesão e obrigação em colaborar, sob risco do CDS ter menos intenções de voto que os Verdes, caso não tivesse alinhado neste novo governo.

Estes três pontos, juntando ao já referido timing perfeito, a meu ver foram estudados e implementados propositadamente. Sacrificaram o Álvaro (E daí? Vai dar aulas outra vez como ele gosta e faz muito bem, apesar de considerar que fex um trabalho razoável) e Gaspar, que andava de rastos e assim volta para o que gosta mais.

Reparem que no governo e respectivos partidos já mudaram de discurso, e não tenho dúvidas de que vão tentar dar a ideia de que mudaram de estilo de governação(mantendo sempre, como diz o Prof Cosme, o ajustamento orçamental como prioridade até défice 0) apostando mais na economia.

Com esse discurso e actuação, com o aparecimento de alguns dados economicos positivos, com algumas medidas que caiam bem na opinião pública como baixa de IRC e apoio ao investimento, são capazes de se relançar num segundo mandato.

Não digo que o consigam, digo que para ter algumas hipoteses, tinham mesmo de começar "um novo ciclo" e dar umas cabeçadas no PS.

Isto tudo só poderá ser feito se cortarem (para já) os 4,7MMilhões de que tanto se fala. Se não cortarem bem podem esquecer tudo o resto.

Vamos lá ver se têm coragem.

Cumprimentos

deathandtaxes disse...

Pois... panorama desolador com este novo(velho) elenco do Governo.
Sorte por outro lado, que não têm poder(os membros do governo) para fazer o que andam a propagandear. Pois se até agora, a única austeridade que impuseram foi a subida de impostos aos contribuintes, agoram vão ter MESMO que executar alguma reforma que leve à diminuição nominal da despesa pública.
A consequência de não o fazerem, é a bancarota, o não cumprimento das obrigações básicas do Estado i.e. não pagamento integral das pensões e salários dos FP.
Como Paulo Portas caíu nesta armadilha... parece que não é assim tão astuto. hehehe...

Quanto ao novíssimo Keynesiano que entra para o ministério da economia, vaticino que comas propostas que tem propagado na comunicação social, rapidamente se tornará num flop, no ministro mais frágil de todos... Quero velo a baixar o IRS e aumentar os salários do funcionários públicos em simultâneo... tal qual David Copperfield!

Gonçalo disse...

Caro Pedro,

Imaginemos um desempregado, que não come há 10 dias. Tem apenas uma mota que vale 500 euros. Um vendedor da bifanas sabe do desespero do outro, e não lhe oferece mais que uma bifana - está a maximizar o seu lucro, como defendem os direitistas. O outro maximiza também o seu lucro - entre morrer de fome e viver mais um par de dias venha um par.

Temos, portanto, um bem estar maximizado.

Menos radical é o exemplo real de burlões que vão às aldeias do interior dizer aos velhotes que têm de trocar as notas, porque vão "sair" de circulação. O burlão ganha por trocar notas falsas por verdadeiras , e os velhotes ganham ( acham eles) por trocar notas obsoletas por notas "boas".

Neste caso o prejuízo público é maior que o ganho privado e não estamos numa economia maximizadora?

Claro, se os velhotes soubessem a verdade não aceitariam a troca.

Mas em que contratos sabemos a verdade? Podemos mudar de empregador convencidos de que estamos a mudar para melhor, e este abrir falência passados 2 meses.
Muita gente investiu na D. Branca convencidos que estavam a fazer bom investimento...

Muitas vezes o maximizar de curto prazo é piorar o longo prazo.



vazelios disse...

Caro Gonçalo desculpe meter-me na conversa.

Mas no primeiro exemplo que deu (Velho Vs bifana) a mim parece-me que esse caso aconteceria se apenas houvesse um consumidor (pelo lado da procura) - O velho. E igualmente se houvesse apenas um vendedor de comida (pelo lado da oferta) - O homem das bifanas.

O que expôs foi a lei da procura e da oferta no seu extremo, e duvido que nos diga um caso concreto e real em que isso tenha acontecido, seja em que mercado for.

Num mundo normal, com procura e oferta dispersas, racionais, imprevisíveis e que funcionam em sintonia, o vendedor quereria maximizar o seu lucro produzindo mais e ajustando a sua oferta à procura existente. Mais, que vendedor poria um preço desses? E a reputação num mundo como o nosso não conta nada? Porque todos os produtores de produtos alimentares não sobem o preço em 5000%, já que temos todos de comer? Podiam jogar com a nossa fome. Mas isso não é assim!

Por outro lado, num mundo normal, quaisquer consumidores poderiam optar por outro produto no mercado que tivesse valor ou utlidade semelhante, nem que fosse alguém a vender nabos.

A meu ver não faz muito sentido o que acabou de expôr, pelo menos neste mundo actual.

Em relação aos outros dois casos - tradando-se de burlas e fraudes - parece-me pouco adequado compara-lo a verdadeiro capitalismo de mercado.

Isso não é nada, é burla, tal como existem ladrões e assassinos.



Queria apenas dar um exemplo ilustrativo e actual sobre o primeiro caso que falou:

Vender bilhetes para concertos/festivais nas redes sociais. Cada agente da oferta está livre de por o preço que considera adequado, mas fica à mercê da vontade da procura.

Cheguei a ver uma pessoa a vender um bilhete diário para o Optimus Alive a 100 euros. Caiu-lhe tudo em cima, acabou por vende-lo (pelo menos pela conversa que vi) por 40 euros.

Ou seja, havia o desespero de uns a querer ir ver o festival (o dono do bilhete tentou aproveitar-se disso), mas também o desespero ainda maior do dono do bilhete, que corria o risco de não ver lucro ou retorno nenhum. O mercado acabou por ajustar o preço, que é justo. Não é justo porque sou eu que o digo, foi o mercado que assim o considerou.

Cmpts

Gonçalo disse...

Caro Vazelios,

Antes demais, intrometa-se à vontade.

Se quer um mercado em que isso acontece, dou-lhe o mercado da droga. Claro que nesse caso não se troca uma mota por uma bifana, mas troca-se a dignidade (que talvez valha mais do que uma mota, creio eu ) por uma dose.

Claro que o exemplo da bifana/mota é um extremo. Um extremo que felizmente não vemos cá, mas que não anda assim tão longe nos países pobres.

A reputação conta para quê? Os bancos americanos, salvos da bancarrota pelo governo, no ano a seguir estavam novamente a dar prémios astronómicos ao seu pessoal e a regressar aos lucros, numa trajectória igual à anterior. Antes de chegarem à bancarrota, tinham sido continuamente multados no início do século. Continuam em " forma".
As agências de rating, que deram AAA aos produtos financeiros que colapsaram em 2007/2008, perderam a reputação? A sua palavra continua a ser lei.
Os chineses têm a reputação de produtos de fraca qualidade, mas exportam na mesma.
O BPN tinha boa reputação. Faliu.

Se os produtores de alimento assim o fizessem, eram nacionalizados. Mas se funcionassem em cartel, podiam bem subir os preços. Mas um cartel é complicado qd há tantas coisas diferentes para comer.

Burlas e fraudes é o que se vê diariamente, ou as cadeias andam às moscas? Para além dos que escapam a ela.

A Dona Branca não era uma burlona? Não tinha boa reputação? E daí? Todos temos boa reputação, até a perdermos. Mas podemos perdê-la com os bolsos vazios - má notícia, ou com os bolsos cheios - esvaziando o de outros.

Não digo que os mercados não funcionam. Não sou comunista.
Apenas acho que os mercados livres, defendidos pelos neoclássicos e neoliberais, funcionam demasiado mal para o deixar à "solta".
São como um carro que só tem acelerador. Mas, para se acelerar acima dos 50km/hora, convém ter travões!

Cmpts

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