sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Aleluia - a crise acabou

A crise finalmente acabou.

Já era sabido que em Junho o desemprego tinha diminuir invertendo uma tendencia com 60 meses (ver, Fig. 1 e 2). Como a produção tem no trabalho o seu principal motor (cerca de 70%), parecia que iriamos ter um crescimento económico no trimestre acima de 0.1% (pois, no meu cálculo, o nosso crescimento potencial está nos 0.45%/ano).

Fig. 1 - Variação do desemprego, média móvel dos últimos 6 meses (dados: INE).

Fig. 2 - Oooops, a imagem correcta do desemprego é esta!

Esta semana vieram os dados (estimativas rápidas) para o crescimento do PIB no 2Trimestre2013 e, bingo, os resultados foram extraordinariamente bons, o dobro das mais optimista das previsões, um crescimento do 1.1% que em termos anualizados corresponde a 4.5%/ano. Isto é extraordinário.
Pegando na média móvel dos últimos 4 trimestres (e que é semelhante à variação anual homóloga), os dados indicam que quando se dá uma inversão deste indicador, invariavelmente inicia-se um período de expansão económica que, nos últimos ciclos económicos, foi de 0.44%/trimestre, 1.77%/ano em termos anualizados (ver, Fig. 4).

Fig. 3 - Crescimento trimestral dos últimos 4 trimestres (Dados, INE)

O que podemos esperar nos próximos trimestres?
Em termos trimestrais, o desvio padrão do crescimento económico dos últimos 2 ciclos económicos foi de 0.65 pontos percetuais não correlacionado no tempo (ver, Fig. 4). Então, é possivel prever em termos estatísticos qual será a evolução do PIB no período de crescimento que estamos a entrar.
     PIBn = PIB x (1 + 0.44% )^n com um desvio padrão de 0.0065/(n^0.5)

Fig. 4 - Evolução provável do PIB até ao fim da legislatura

É extraordinário.
Nos últimos 2 anos o nosso endividamento face ao exterior (balança corrente) passou de 150€/mês por cada pessoa (-10% do PIB) para um saldo positivo (2013 até Maio) de 20€/mês (+ 1.3% do PIB). Quando em meados de 201o se tomou consciencia da necessidade de acabar com o endividamento externo, eu fiz umas contas e cheguei ao resultado que cada 1 pp de correcção da balança corrente levaria a uma contracção do PIB em 1.6%. Então, previ que o ajustamento implicaria uma contracção do PIB na ordem dos 16%. Olhando agora para os números, a contracção foi de 6.2% do PIB pelo que o multiplicador foi de apenas 0.6, muito menos de metade do que era antecipável a partir dos dados.
Ter-mos conseguido ajustar a economia a uma quebra no endividamento externo de 11.2 pp com apenas uma queda de 6.2% do PIB foi notável.
E agora há uma probabilidade de 33% de seja o Passos Coelho acabar o seu mandato ultrapassando a posição vivida no 2T2011, ultimo trimestre da governação do Sócrates. 
Se esta minha previsão se concretizar favorávelmente, será algo extraordinário porque será conseguido num período em que parou o endividamento externo que, entre 1995 e 2011, foi a grande muleta das politicas económicas dos governos socialistas e, mesmo assim, com um crecimento económico na ordem dos 0.1%/trimestre.
Os socialistas dizem que crescer 1.1% num trimestre não é nada de especial mas, nos tempo do Sócrates, precisaram de 2.5 anos (10 trimestres) e com grande endividamento externo para conseguirem um crescimento acumulado igual ao conseguido em apenas 3 mesesdesta.
Haja vergonha. Já estou a ver chegar 2015 e o Passos Coelho, já todo careca, a arrancar uma maioria absoluta.

Não podemos esquecer o Gasparzinho nem o Álvaro.
Não tanto pelo que fizeram mas pela convicção de que a austeridade era (e é) o caminho certo para Portugal.
Em vez de apenas implementarem as politicas quando obrigados (como acontece na Grécia), adoptavam-nas por convicção.
E esse convicção deu como resultado que contraimos 6.2% e a Grécia já contraiu mais de 25% e não está ainda previsto quando deixará de contrair.
É a diferença entre fazer à última da hora, com greves e manifestações na rua e com a corda na garganta ou fazer por convicção e, com isso, convencer as pessoas de que "o outro caminho" só nos levaria à miséria.

Pedro Cosme Costa Vieira.

1 comentários:

murphy V. disse...

Inteiramente de acordo com o seu post e conclusões.

Relacionado:

http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/08/sobre-os-recentes-dados-estatisticos-da.html

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