terça-feira, 17 de setembro de 2013

O lixo é uma chatice

Mas como o jfdr insiste, vou falar um pouco do lixo.
Na economia, normalmente fala-se dos bens, coisas que ao consumirmos retiramos utilidade (bem-estar). Os bens, partindo de recursos naturais, são produzidos segundo um processo tecnológico que tem custos e nós estamos disponíveis para pagar um preço que cobra esses custos de produção.
O "consumo" dos males (os maus cheiros, etc. causados pelo lixo), pelo contrário, diminui o nosso bem-estar. De forma simétrica aos bens, os males são destruídos segundo um processo tecnológico que tem um custo. Agora teremos que estar disponíveis para pagar ao "vender" o lixo a quem lhe vai dar destino.
Os bens e os males têm um processo semelhante mas simétrico em que o preço dos bens é positivo (quem vende recebe e quem compra paga) enquanto o preço dos males é negativo (quem vende paga e quem compra recebe).
A partir daqui, tudo o que se aplica aos bens também se aplica aos males: é preciso um sistema de preços e um mercado em concorrência.

Fig. 1 - A tentativa de não queimar os plásticos está a submergir o Mundo

A tecnologia da destruição do lixo.
Em termos tecnológicos, a separação que fazemos do nosso lixo é errada porque  responde a teorias ambientais extremistas de que o processamento dos lixos segundo as forças de mercado (o sistema de preços) não é eficiente. Então, sob o sonho do "zero impacto", impõem principalmente nos países incultos como o nosso a ideia de que é preciso reciclar tudo.
Isto está errado porque nem é possível reciclar nem tem qualquer interesse porque estamos a tentar aproveitar coisas idênticas a outras que queimamos.
     Queimar papel é igual a queima madeira;
     Queimar plástico é igual a queimar gasolina;
     Queimar resíduos orgãnicos é igual a queimar biocombustíveis.

Primeiro, o lixo tem que ser separado em 3 classes.
Em países desenvolvidos, como o Japão ou a Noruega, o lixo é tendencialmente separado em três classes.

Classe um -> Tudo o que pode ser incinerado.
Esta classe inclui  os resíduos orgânicos, o papel e o plástico.
Se olharem em vossas casas para o caixote do lixo, mais de 95% do que lá está cai nesta classe.
Os resíduos orgânico (cascas, vegetais podres e restos de comida) não ardem porque têm um elevado nível de água mas, juntamente com o papel e plásticos das embalagens que deitamos ao lixo, já o compósito é incinerável a alta temperatura. Se, em termos pontuais,  o poder calórico do lixo não for suficiente para a incineração, acrescentam-se-lhe resíduos florestais.
Da incineração resulta calor que pode ser aproveitado para a produção de electricidade.
Ao incinerar os resíduos da classe 1, ficam a cinzas que são cerca de 5% do peso do lixo original que são um fertilizante natural.
Por exemplo, a Noruega vai importar 800000 toneladas de lixo para aquecimento das casas (ver).
No Japão todo o lixo orgânico, papel e plástico é incinerado.

Não é possível reciclar os plásticos e o papel.
O anúncio da reciclagem destes materiais é enganosa porque não resulta dela papel ou plástico usável em condições normais.
Apesar de fazer papel a partir de papel velho ter menos impacto ecológico, ponderando pela baixa qualidade, o impacto é maior.
 
Classe dois -> Tudo o que é inerte.
Nesta classe caiem os cerâmicos (o vidro e a louça partida) que  apenas coloca problemas estéticos.
Devem ser moídos e usados como terra de enchimento. 
O vidro é possível ser reciclado mas é mais eficiente usá-lo como enchimento.

Classe três -> Tudo o que tem metal e electrónicas.
Esta classe é a que causa verdadeiro dano ambiental porque alguns dos metais são tóxicos, principalmente as baterias e pilhas usadas nos computadores.

Tem que ser feito um esforço.
Não tem mal nenhum juntar lixo da classe 2 ao lixo da classe 1.
Já é grave juntar as pilhas e baterias ao produtos a incinerar porque contaminam as cinzas e emitem gases (metais) para a atmosfera.
As pessoas têm que ser mentalizadas para não incluir estes lixos no contentor para incineração e todos estes objectos têm que ter aço na sua composição (mesmo que aumente o peso) para ser fácil a sua separação por meios magnéticos.

Fig. 2 - A Miss Garbage usa roupinhas feitas a partir de lixo

Segundo, entra a concorrência.
Se as pessoas tiverem que pagar para entregar o lixo ficam tentadas a verem-se livres dele pela calada da noite. Então, o custo de destruição (em termos médios) tem que ser pago quando a pessoa adquire o bem ou serviço que vai dar origem ao lixo. Isto já está implementado em certos bens, a ecotaxa, mas tem que ser generalizado em função do custo de destruição e da perigosidade para o ambiente.
Vamos supor que destruir uma bateria de computador custa 5€ e que a bateria põe muito perigo ambiental. Então, instituía-se uma ecotaxa de 25€ e a pessoa recebe 20€ quando a entregar a uma empresa de tratamento de lixos.

E onde entra o mercado?
Quem destruir lixo, recebe a ecotaxa (da entidade que a cobra) que o consumidor pagou no momento em que adquiriu o bem ou serviço.
Então, podem existir vários processadores de lixo, uns especializados e outros generalista, que nos compram o nosso lixo pagando parte da ecotaxa que recebem. No caso da bateriam, podem pagar 20€.
Então, as empresas mais eficientes, que usam as tecnologias mais adequadas à destruição do nosso lixo, vão conseguir pagar um preço mais elevado que as menos eficientes.
Também existirá um incentivo económico para que separemos e entreguemos o lixo mais perigoso sem necessidade de actuar do lado da multa (que têm um custo administrativo muito elevado).

Mas é muito difícil um contador de lixo.
Isto é um problema que pode tornar difícil aplicar aos lixos das classes 1 e 2 mas também não é grave. Cada empresa teria os seus contentores de classe 1 e classe 2 para servir uma determinada zona e, depois, os ganhos seriam distribuídos pelas pessoas que fossem lá por o lixo. Os lixos de classe 3, por valerem mais dinheiro e serem mais raros, poderiam ser recolhidos nos centros comerciais.

E se a pessoa quisesse o seu plástico reciclado?
Como a reciclagem não é eficiente, em vez de receber, teria que pagar.

Mas as autarquias instituíram monopólios.
O problema está aí. Se não houver pressão por parte das pessoas, o Estado cria monopólios.
É uma tendência natural como a água correr para baixo.

Pedro Cosme Costa Vieira

1 comentários:

José Montejro disse...

Bom dia.
Desde já os parabéns pelo blog. Contudo neste caso, devo discordar!
Se fosse assim tão ineficiente não percebo a lógica de todos estes paises fazerem essa reciclagem...ou mesmo, de os próprios privados em muitos desses paises o fazerem sem quaisquer taxas pagas.

Os metais é o bem mais rentavel é lógico.
De seguida vem o vidro, que nas industrias vidreiras o aceitam para diminuir o custo de aquecer a areia/comprar e transportar. Dado que separar, triturar e voltar a derreter tem cuitos bem inferiores (energético e logisticos).

O caso mais paradigmático vem nos plasticos e no papel.
Nem todos os plasticos são rentáveis, no entanto a maioria o é!
No papel a questão é outra, dado que este sim é um processo não rentável.

Contudo, tudo tem a ver com quantidades, tecnologias e preços de matérias primas.

No plástico, quanto mais alto o preço do petróleo/derivados, bem como a dimensão da cidade/proximidade a um centro, definem o preço. Pelo que este é bastante variável, mas, tendêncialmente tem sido mais rentável do que fazer um novo "ists the recent price of PET virgin bottle resin pellets between 83 and 85 cents a pound, compared to only 58 to 66 cents a pound for PET recycled pellets." 2012 EUA

MAS a grande questão aqui é também a parte dos recursos, dependência externa, impacto ambiental, evolução tecnológica, empregos...etc.

Muita destas industrias, em especial o papel, precisam que se invista e investigue para as tornar mais perfeitas e optimizadas (como em todas as tecnologias, dos carros ao tlms, às renovaveis, consolas...etc) por isso um total desacreditar é a morte do "futuro". (Tal como referiu noutro artigo, nao podemos acreditar que o mundo será sempre tal como é).

Mas mais do que isso, nao reciclar implicar gastar mais...mais árvores, mais terra, mais combustiveis, mais importações...enfim. Temos todo um lado de dependência externa associado, mas também um impacto ambiente e automaticamente na vida das pessoas.
Pois queimar plastico nao é o mesmo que queirar gasolina! A quantidade a agente aromáticos, digoxinas e composto sulfurosos e as piores, microparticulas são bem superiores às dos motores de combustão!! Falou na questão de acabar com os eucaliptos (por causa dos incêndios), pois bem, lamento informar mas esta é a principal fonte de celulose do mundo!!

Como tal, apesar de alguns casos nao o serem fielmente recicláveis, a maioria o é (tal como podemos ver pelas taxas elevadoas de reciclagem dos paises nordicos/japao/EUA muitos superiores às nossas Tugas) e é feito mais pelos outros. E nao podemos olhar para os preços de uma forma estanque! Hj tudo é mais complexo e tem várias vertentes (os chineses bem o tentam fazer, mas o numero de mortes/ano de problemas de saude da sua economia preço=nao cuidado ambiental, manifesta-se nos crescimentos a 2 digitos nas doenças resp, cardiacas, oncológicoas), assim na reciclagem a economia, como ciência, tem muitas variáveis que não só o custo unitário de produção.
Todos queremos o mais barato, mas depois queremos o bom e o melhor à porta!

"O que é barato, sai caro, e o que é bom, custa dinheiro."

Espero que o faça reconsiderar de opinião.
Cumprimentos

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