quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Portugal e o Mundo estão a melhorar

O segundo resgate está à porta.

A oposição diz em peso que é preciso "re-estruturar a dívida pública" e que vai rasgar tudo o que o Passos está a fazer.
As sondagens dão poucas intenções de voto no PSD e, dentro do governo, o Passos Coelho perdeu todo o apoio (as pedras Relvas + Gaspar + Álvaro foram sendo dinamitadas).
Daqui só se pode concluir que, colectivamente, o povo português não quer cumprir as condições contratuais que foram por si livremente aceites (representados pelos antigos governantes).
Bem sei que os anteriores governantes eram uns parolos que não sabiam o que faziam mas queremos os "direitos adquiridos" que esses mesmos parolos prometeram em nome do Estado.
Nas obrigações que assumiram em nosso nome foram uns criminosos mas, na parte dos direitos que nos prometeram, já foram estadistas de grande visão estratégica.
Fig. 1 - Re-estruturação a sério é a Síria:  transformam cidades em montes de entulho para reciclar.

Apesar de má, lentamente a situação está a melhorar.
A consolidação orçamental e a economia vão evoluindo lentamente mas no sentido correcto: o défice público está a reduzir, a balança corrente está equilibrada, a economia está a crescer e o desemprego está a diminuir.
O problema do risco da dívida pública é que dos 200 mil milhões € que Estado Português deve, a Troika assumiu 40% (78 MM€). Como os 78MM€ têm garantias reforçadas, a dívida que fica na mão dos privados, apesar de menor, vai incorporando a totalidade do risco.
Se, e.g., Portugal precisasse bancarrotar 50MM€ na divida pública, nos 200MM€ seriam perdas de 25% mas, tirando os 78MM€, agora a mesma bancarrotagem implica perdas para os privados de 40%. (o hair cut).

Apesar do razoável processo de ajustamento, como o stock de divida na mão dos privados está a diminuir, apenas será previsivel observar uma diminuição significativa do prémio de risco da dívida pública se as nossas contas públicas evoluírem de forma muito favorável. Isto é, atingirem rapidamente o "equilíbrio do saldo primário" (em finais de 2013) e um défice público de 3.0% em 2015 (um pequeno resvalar no objectivo de 2.5%).

É que a bancarrotagem já está para além da nossa vontade.
Nós até podemos afirmar que queremos pagar tudo mas, ao ser obrigatório as instituições europeias assumirem uma fatia cada vez maior da nossa dívida pública, vão ser impostas perdas aos aforradores privados.
E isso já aconteceu na Grécia e no Chipre e a ideia circula pelos corredores da Europa.
Naturalmente que os aforradores ficam nervosos, sejam o "grande capital estrangeiro" ou os velhinhos que têm certificados de aforro, com a comparação com o que aconteceu na Grécia e em Chipre.

E qual será o impacto do "perdão"?
Os privados que têm grande parte da nossa dívida pública são os nossos bancos. E já ficou acordado que as perdas dos bancos serão transmitidas aos depositantes.
O provável é que aconteça como no Chipre: primeiro, o congelamento das contas bancárias abaixo de um determinado quantitativo e, posterior, uma perda parcial desses depósitos.
A coisa vai cair no bolso de cada um de nós seja por mais impostos, menos despesa pública ou outra qualquer marretada..
Fig. 2 - Das Problem ist dass ich nicht von den Deutschen gewählt um die Portugiesen zu unterstützen. O problema é que eu não fui eleita pelos alemães para sustentar os portugueses (google.translator)
Será que tudo falhou?
Diz ainda o Chilavert que "Todas as soluções aplicadas por FMI, BCE e Governo falharam!". O problema é exactamente ao contrário: as soluções propostas pela Troika não foram sequer implementadas.
"A meu ver, grande parte das soluções do governo não foram sequer aplicadas porque foram contrariadas pela opinião pública (ex: TSU) ou pelo TC (diversos cortes na despesa). Pior ainda quando se fala nas soluções da troika, pois muitas destas, constantes do acordo, nem sequer foram seriamente tentadas pelo governo (ex: fusão de municípios, venda da RTP, TAP). Eu ainda estou à espera que as soluções do governo e da troika venham a ser aplicadas - e só aí é que poderemos concluir se resultaram ou falharam." (Portuendes)

As metas assinadas pelo Sócrates (que não tinha qualquer intensão de respeitar) nunca foram atingidas porque o Governo não conseguiu cortar suficientemente na despesa nem  aumentar os impostos. Foram apenas umas tentativas tímidas que, mesmo assim, saíram de conselhos de ministros tumultuosos. Não nos podemos esquecer que o Gasparzinho saiu porque a Moção de Estratégia do Portas ao congresso do CDS fazia dele o bombo da festa.
O Sócrates assinou que teríamos um défice de 3% do PIB em 2013, o governo vai atingir 6.0% e ainda assim os esquerdistas conseguiram convencer o povo que os cortes foram maiores que o previsto no Memorando assinado pelo Sócrates.
Para 2013 faltam 5000M€ relativamente aos cortes que em 2011 o Sócrates prometeu à Troika.
 
É preciso ser cego e não querer ver.
O Hulk ter dito no túnel da Luz "agarrem o Hulk senão eu mato o cara", foi gravíssimo e merecedor de meses e meses de suspensão. O Jesus ter literalmente batido em polícias (as mãos dos polícias também  são polícias), não foi nada.
"Estava só a proteger o minino"
A argumentação do Seguro é que, quanto mais o governo poupar, menos poupa. Então, quando o PS for governo, quanto mais gastar, menos gastará.
 
Imaginemos um gordo. Quando comemos, a digestão gasta calorias. Então, se comermos mais, gastamos mais calorias. Daqui, conclui o Seguro que quem quiser emagrecer tem que comer mais.
É preciso ser louco para acreditar nisto mas ele está convicto e o povinho quer acreditar.
 
Fig. 3 - Se queres emagrecer, come mais pois a digestão gasta calorias
 
Em 2011 a conta era fácil de fazer.
Se Portugal tinha um défice público de 10% do PIB, 17MM€/ano, e a despesa pública era de 50% do PIB então, a despesa tinha que diminuir 11.3MM€ e o a receita aumentar 5.7MM€ (tinha sido acordado que 2/3 do ajustamento seria do lado da despesa).
Se somarmos a isto o efeito recessivo da correcção do défice externo de 11% do PIB (e não das contas públicas que têm um efeito neutro), estamos a falar em cortes e aumentos da receita ainda superiores.
Muita gente fez esta conta, desde o Cantiga Esteves ao Silva Lopes passando pelo Medina Carreira mas ninguém quis acreditar, mesmo antes de o Passos formar governo.

Mas o nosso ajustamento externo tem sido extraordinário.
Todos sabemos que a correcção das nossas contas externas tem estado associado a uma contracção do PIB mas temos que comparar com a Grécia para ver se o nosso ajustamento tem sido ou não um fracasso.
O desequilíbrio face ao exterior de 11% do PIB era gravíssimo porque implicava mais endividamento externo. vivíamos bem porque, anos e anos a fio, cada português endividou-se face ao exterior em 150€/mês.

Fig. 4 - As nossas contas externas tinham um défice de 11% do PIB.

Naturalmente que menos 600€/mês de endividamento externo em cada família de 4 pessoas tem uma efeito negativo no PIB. Considerando o PIB per capita, a nossa perda foi, até finais de 2012, de 5%..

Fig. 5 - Apesar de tudo, o PIB per capita português só contraiu 5% e já está a crescer.

É fácil calcular que a correcção foi conseguida com um "efeito multiplicador" ligeiramente menor que 0.5 (cada correcção de 1% do PIB implicou uma perda do PIBpc de 0.46% do PIB).

Vamos comparar com a Grécia. 
A Grécia precisou corrigir um défice das contas exteriores ligeiramente superior ao nosso, 14% do PIB, 230€/mês por cada pessoa. Não será preciso ter grandes conhecimentos de economia para prever que reduzindo-se o financiamento de cada família em cerca de 1000€/mês, o povinho ficou grego.

Fig. 6 - A Grécia precisou corrigir um défice externo de 14% do PIB.

Esta correcção foi acompanhada (até finais de 2012) por uma contracção do PIB per capita de 20%, quatro vezes a nossa perda..
  
Fig. 7 - O PIB per capita grego já contraiu 20% e continua em queda.
É verdade que o PIB pc da Grécia ainda é ligeiramente superior ao nosso mas estamos a convergir.

Então, na Grécia o "efeito multiplicador" foi de 1.4 (cada correcção de 1% do PIB implicou uma perda do PIBpc de 1.4% do PIB), o triplo do "efeito multiplicador" verificado em Portugal.
Temos que concluir que, em comparação com a Grécia, o nosso ajustamento das contas externas foi um grande sucesso.
  
E as contas públicas estão a evoluir benzinho
Tínhamos um défice de 10% (em 2009/2010) e fechamos 2012 com 6.4% (uma consolidação de 1.8% do PIB por ano).
Apontamos para 2014 um défice de 4% do PIB que traduz uma consolidação no período 2013/4 de 1.2% do PIB.
Lentamente, o Passos tem levado a água ao moinho.
  
Pergunta ainda o Chilavert
"Será que todos os portugueses vão ter de pagar pela incompetência das "elites" e serão os únicos castigados pelo falhanço do projecto UE?"
O primeiro problema é que a incompetência tem um impacto positivo nas nossas vidas.
São as pensões chorudas aos 52 anos de idade daqueles que anunciam na TVque "sustentam com a pensão a filha e genro que não trabalham e o neto toxicodependente.
São os empregos garantidos e bem remunerados de centenas de milhares de professores e demais funcionários públicos.
São as empresas públicas a fornecer serviços a preço de saldo.
São as estradas e autoestradas para tudo que é sítio.
É a assistência médica universal e gratuita.
É um ensino de qualidade e gratuito.
O problema é isto tudo ser feito sem qualquer preocupação quanto à capacidade do nosso pequeno país gerar riqueza suficiente para o manter.
 
O segundo problema é que a incompetência das "elites" pode ser corrigida.
É cortar tudo o que o Estado prometeu sem ter possibilidade de lhe dar cumprimento.
O Passos Coelho não se deve esforçar a convencer o Tribunal Contitucional de que é constitucional cortar 10% nas reformas dos funcionários públicos ou descer os salários dos funcionários públicos.
Tem é que pedir a declaração da inconstitucionalidade das leis e diplomas que instituíram as regras de aposentação dos funcionários públicos sem atender às receitas potenciais.
Tem é que pedir a declaração da inconstitucionalidade de todas as leis e decretos que permitiram contactar para o quadro funcionários públicos com salários e condições melhores que os trabalhadores privados.
Tem é que pedir a declaração de que assumir encargos com "direitos adquiridos" viola o Principio da Confiança de que o Estado não vai onerar os contribuentes futuros com encargos insuportáveis.
Se não é possível mudar um "direito adquirido" que é financeiramente insustentável então, a constituição desse "direito" é declaradamente inconstitucional.

Não foi a UE que falhou.
Fomos nós que quisemos acreditar que tínhamos direito a ter um nível de vida superior ao dos alemães sem sabermos fazer nada de valor.
De repente, nós e a Grécia, tornamo-nos em califados árabes mas em que o petróleo foi substituído pelo endividamento externo.
Eu ainda me lembro de não sei quem (penso que o Sócrates mas também pode ter sido o Cavaco, a Ferreira Leite, o Portas ou outro parolo qualquer) dizer que tínhamos todas as condições para nos tornarmos a região mais rica da Península Ibérica.
Agora só temos que nos desconvencer dessas idiotices e colocarmo-nos na posição que sempre foi a nossa: um país de riqueza intermédia.
Por mais que não queiramos meter nas nossas cabecinhas, em cada 7 pessoas que existem no nosso planeta, 6 delas têm um nível de vida inferior ao nosso. E o nosso nível de vida é 60%  do rendimento médio dos 40 países mais ricos do que nós:
  
PaísPIBpc, PPCPop.PaísPIBpc, PPCPop.
Qatar326%1,7Finland148%5,4
Luxembourg319%0,5Japan143%127,6
Singapore236%5,1France138%65,0
Norway220%4,9Bahamas, The128%0,4
Brunei Darussalam212%0,4Spain126%46,0
United States197%309,1Italy126%60,4
Kuwait196%3,0Korea, Rep.123%49,5
United Arab Emirates182%8,2Equatorial Guinea122%0,7
Switzerland182%7,8Israel122%7,6
Ireland174%4,5Slovenia118%2,0
Netherlands172%16,6New Zealand117%4,4
Austria166%8,4Saudi Arabia117%27,3
Canada165%34,1Cyprus117%1,1
Australia162%22,0Oman113%2,9
Iceland159%0,3Czech Republic110%10,5
Sweden159%9,4Greece110%11,3
Germany157%81,9Trinidad and Tobago109%1,3
United Kingdom153%62,3Malta106%0,4
Belgium153%10,9Bahrain101%1,2
Denmark152%5,5Portugal100%10,6

 Quadro 1 - Só 1 em cada 7 pessoas do Mundo vive em países com um PIB per capita, paridade de poder de compra superior ao nosso (dados, Banco Mundial, média 2008-2012)
 
E o que nos espera o futuro?
É aplicar o que o Sócrates assumiu com os nosso credores.
Apesar de já muita coisa ter sido feita, o caminho a percorrer ainda é longo e cheio de espinhos porque estamos atrasados 2 anos.
Na construção do OE para 2014 vai ser preciso cortar 2500 milhões € relativamente ao estamos a viver em 2013.

Retomar os cortes dos subsídios.
O Governo não pode desanimar com o chumbo do Constitucional do corte do subsídio de férias.
Tem que voltar a atacar este corte ultrapassando a questão da "violação do principio da igualdade".
O mais fácil será reduzir os subsídios de férias e de Natal a meio salário em todos os contractos de trabalho sejam públicos ou privados. É um corte de 7.14%..
Vamos supor que o Governo não quer que o corte seja igual nos salários mais baixos. Então, pode fazer uma redução na TSU dos salários mais baixos, por exemplo, no SMN a TSU passar de 11% para 6%..
Esta medida terá um impacto na despesa na ordem dos -1300M€.

Um novo aumento de impostos.
O IRS e o IMI subiram em 2013 pelo que vão descansar um anito.
Em 2014 vai ser o ano do IVA vai ter que subir dos 6% / 13% / 23% para os 8% / 15%  / 25%.. Esta medida tem um potencial impacto na receita fiscal na ordem dos +1000 milhões €.
Mais uns cortes aqui e outros acolá e a coisa vai ao sítio.

Privatizar e liquidar empresas públicas.
Para 2015 será preciso que o plano de saneamento das empresas públicas ganhe força.


Flexibilizar o mercado de trabalho.
Apesar de já ter sido feito bastante, a nossa Lei do Trabalho ainda de avançar mais, convergindo para o que nas economias mais avançadas como os Estados Unidos da América, Reino Unido ou Alemanha.
1) Possibilidade de redução, por acordo, dos salários.
2) Possibilidade de flexibilizar, por acordo, o horário de trabalho.
3) Flexibilizar, por acordo, as condições do contracto de trabalho.

Fig.  8 - Tornarmo-nos flexíveis exige esforço mas, em caso de tensões, evita lesões

O relatório do FMI.
Toda a gente sabe que "tomar medicamento a mais" mata o paciente. Quando nos doí a cabeça, se tomamos 50 caixas de aspirina, naturalmente que vamos rebentar com o nosso estômago.
Então, o FMI dizer que o excesso de consolidação orçamental tem um efeito negativo na economia não é novidade nenhuma.
A questão está na quantificação do que é "excesso de consolidação orçamental". Os estudos indicam que será uma consolidação acima de 2% do PIB a cada ano.
No caso português, estamos a consolidar um défice público de 10% do PIB (em 2009 /2010) à razão de 1.8% do PIB no biénio 2011/12 e de 1.2%  no 2013/4 (previsto) o que está claramente abaixo do limite dos 2%/ano..
Assim, não é preciso ter medo da "espiral recessiva" do "excesso de austeridade" pois o nosso programa de ajustamento é adequado e vai no bom caminho.

Finalmente, o progresso no Mundo.
As notícias que passam na comunicação social são só tragédias mas é informação enviesada para a desgraça. De facto, nunca o nível de vida das pessoas à escala mundial melhorou tão rapidamente como se tem observado nos últimos anos.
Pegando em dados do Banco Mundial, desde 2010 o PIB pc ppc está a aumentar 4.5%/ano (usando a população como ponderador na agregação dos países). Isto traduz que a cada 15 anos, o nível de vida das pessoas está a duplicar.

Pedro Cosme Costa Vieira

24 comentários:

Vivendi disse...

Excelente post.

Chilavert disse...

Professor Pedro Cosme os próprios integrantes da Troika assumiram que não esperavam este nível de desemprego e de recessão!Falharam na receita porque é virtualmente impossível corrigir todos os desiquilibrios em 3 anos ( como era intenção inicial).Aliás provavelmente nem em 5 é possível.
Em relação á incompetência não acredito que saúde gratuita e educação gratuita sejam direitos provenientes de incompetência.
Há muito por onde "mexer" antes de chegar a vencimentos e pensões(até determinado valor).
A UE ter ou não ter falhado depende do ponto de vista: para a Alemanha o projecto europeu e a moeda unica ( com uma cotação quase semelhante ao marco alemão)permitiu catapultar o país para uma posição dominante; os países periféricos desde o euro não fizeram outra coisa que aumentar os desiquilibrios até ao ponto de rotura. O chamado projecto de interesse comum não é comum se atende aos interesses dos mais poderosos.
Em relação aos impostos não acredito em cortes de subsídios nem aumento de impostos sob pena da coesão social fraturar irremediavelmente.
Em relação ao mundo estar a "melhorar" é apenas uma meia verdade visto que a percentagem da riqueza criada atribuída a quem trabalha estar a diminuir.
Professor apenas mais um reparo uma sociedade civilizada vai para alem dos números, são pessoas que tem sentimentos, desejos, ambições.O Sistema actual foi criado porque se acreditava que era possível encurtar a desigualdade e dar á sociedade uma vida confortável.O Sistema para servir as pessoas.Acho que carece de reflexão exaustiva se é necessário provocar sofrimento a uns milhões de pessoas por erros/negligencia/acto ilícito de algumas dezenas.

Cumprimentos

BC disse...

Caro Chilavert,

Creio que padece de uma doença grave chamada fé. Neste caso fé na social democracia. É uma doença crónica cuja cura é difícil mas existem casos de sucesso.

A forma como o Pedro Cosme tem exposto neste blogue a falácia do pensamento social democrata é exemplar e dificlmente irrefutável com argumentação lógica. Os comentários que o Chilavert tem escrito revelam que não reflecte racionalmente sobre os posts e mantém uma fé inabalável na propaganda social democrática da UE, e de forma mais vincada (podemos dizer socialista), dos países do sul da Europa.

Já se perguntou porque é que existe uma correlação clara entre a riqueza de um país e a sua aposta na liberdade de mercado.

BC disse...

Caro Chilavert,

Creio que padece de uma doença grave chamada fé. Neste caso fé na social democracia. É uma doença crónica cuja cura é difícil mas existem casos de sucesso.

A forma como o Pedro Cosme tem exposto neste blogue a falácia do pensamento social democrata é exemplar e dificilmente refutável com argumentação lógica. Os comentários que o Chilavert tem escrito revelam que não reflecte racionalmente sobre os posts e mantém uma fé inabalável na propaganda social democrática da UE, e de forma mais vincada (podemos dizer socialista), dos países do sul da Europa.

Já se perguntou porque é que existe uma correlação clara entre a riqueza de um país e a sua aposta na liberdade de mercado?

Chilavert disse...

Senhor BC eu tenho dificuldade em perceber a catalogação de ideias em linhas orientações politicas ( esquerda, extrema esquerda, direita extrema direita centro direita centro esquerda, social democracia, socialismo, comunismo, fascismo, nacional socialismo).Aliás eu nem me revejo nem me identifico com nenhuma dessas vertentes, eu apenas interpreto os problemas de acordo do meu ponto de vista e emito uma opinião.
Eu tenho fé na democracia(a orientação politica não deveria ser relevante) e se senhor acha que acreditar (termo fé) uma doença, lembre se que todos nós precisamos de acreditar em alguma coisa mesmo que seja o simples amanhã será melhor que o hoje.
A actual Democracia está a funcionar pauperrimamente e vai muito para além do estado económico financeiro...

BC disse...

Caro Chilavert,

Ninguém precisa de acreditar em nada. O que as pessoas precisam é de pensar pela própria cabeça. Ter um raciocínio racional e coerente. O real e não a fé deve orientar o nosso pensamento.

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

Caro professor,

não seria mais simples aplicar um IVA único do que continuar com 3 taxas que distorcem o mercado?

Por exemplo, seria exequível uma taxa única de 15%? Que impacto teria nas receitas do Estado?

Cumprimentos,
AG

Diogo disse...

Comprei há meses um excelente livro - Política Monetária e Mercados Financeiros - que me foi aconselhado por um jornalista do Diário Económico. O livro, síntese da experiência de ensino ao longo dos últimos dez anos, dos autores Emanuel Reis Leão, Sérgio Chilra Lagoa e Pedro Reis Leão, na área da economia monetária e financeira, está escrito de forma perfeitamente compreensível a todos.

O livro começa praticamente pelo processo de criação de moeda e, coisa espantosa, explica-nos, de forma muito simples, a forma como os bancos comerciais perpetram diariamente roubos de proporções inimagináveis às famílias, às empresas e aos Estados:


A criação de massa monetária:

De seguida, passaremos a explicar a criação de depósitos resultante da concessão de crédito pelos Bancos Comerciais (ou de 2ª ordem), por exemplo o Millenium BCP, o BPI, o Santander Totta, o BES, etc., ao sector não monetário da economia - Famílias, Empresas [não financeiras] e Estado:


Concessão de crédito por um banco cria nova moeda na economia:

Suponha-se que um Banco-A concede crédito a uma família no valor de 100.000€. Esta operação pode ser registada da seguinte forma:

Isto é, o Banco-A credita a conta de depósitos à ordem da família no montante de 100.000€ (algum funcionário do Banco-A altera os números que estão registados informaticamente na conta à ordem da família, somando 100.000€ ao valor que lá se encontrava anteriormente).

Isto significa que, como resultado desta operação de crédito, passam a existir na economia mais 100.000€ de depósitos à ordem. Uma vez que os Depósitos à Ordem fazem parte da massa monetária, a operação de crédito fez aumentar o stock de moeda existente na economia.

A operação de concessão de crédito é realizada pela área comercial do banco. O facto de, como resultado dessa operação, terem surgido mais 100.000€ de Depósitos à Ordem no passivo do Banco-A, obriga a sua área de tesouraria a tomar medidas para que o banco continue a possuir reservas suficientes para:

(a) Satisfazer eventuais pedidos de conversão de Depósitos à Ordem em notas e moedas físicas pela família,

(b) Fazer face a eventuais cheques que a família venha a usar e,

(c) Cumprir as obrigações legais em termos de reservas (as Reservas Legais de 2% da Zona Euro).

Podemos perguntar se o montante de reservas adicionais que a área de tesouraria do banco vai ter de adquirir é próximo dos 100.000€ ou não. A resposta é não. O montante de reservas necessário para suportar o acréscimo de Depósitos à Ordem é comparativamente reduzido. Senão vejamos.

A exigência referida em (a) diz respeito ao facto de a família poder solicitar a conversão de parte ou da totalidade dos 100.000€ em notas e moedas. Suponhamos que a família decide levantar 1000€. Ora, é natural que a família gaste estas notas e moedas no valor de 1000€ a comprar algo que o comerciante que vier a receber estas notas e moedas volte a depositá-las no banco.

No caso de o banco com o qual o comerciante trabalha não ser o Banco-A mas sim o Banco-B, devemos ter em conta que existirá provavelmente uma situação simétrica de outra família que solicitou 100.000€ ao Banco-B, que levantou 1000€ e os usou para pagar a um comerciante que tem conta no Banco-A. Sendo assim, em média, a quantidade de notas e moedas que sai de cada banco é aproximadamente igual à que entra.

Isto não significa que o Banco-A não necessita de notas e moedas para este fim. De facto, mesmo no caso do comerciante a quem a família paga também tem de ter conta no Banco-A, existirá sempre algum tempo durante o qual as notas e moedas estarão fora do banco e, por isso, este é obrigado a possuir notas e moedas parta o efeito. Por outro lado, no caso de o comerciante ter conta no Banco-B, não há garantia de que o outro comerciante, que tem conta no Banco-A (comerciante da situação simétrica), venha a depositar notas e moedas no Banco-A exactamente no mesmo montante. Por esta razão, a área de tesouraria do Banco-A terá de obter alguma quantidade de notas e moedas.

(continua)

Diogo disse...

(continuação)

Em resumo: em qualquer dos dois casos existe necessidade de alguma quantidade de notas e moedas, embora não muito elevada. Admita-se que, por experiência, o Banco-A sabe que necessita de cerca de 0,5% do montante de Depósitos à Ordem criado em cada empréstimo para fazer face a este tipo de exigência. Sendo assim, o crédito de 100.000€ faz com que a área de tesouraria do Banco-A decida ir procurar 500€ de reservas de cobertura adicionais para responder à exigência mencionada em (a).

A exigência referida em (b - fazer face a eventuais cheques que a família venha a usar), refere-se ao facto de a família poder escrever um cheque, por exemplo no valor de 99 000€, e entregá-lo como pagamento de algum bem ou serviço. Se o comerciante que recebe o cheque possuir conta num banco que não o Banco-A, por exemplo no Banco-C, quando este banco recebe o cheque que o comerciante lá deposita, leva-o à compensação no Banco de Portugal. Com base nesse cheque, o Banco de Portugal moverá 99 000€ da conta de depósito do Banco-A no Banco de Portugal para a conta de depósito do Banco-C no Banco de Portugal. Para estar preparado para esta eventualidade, o Banco-A tem que possuir reservas suficientes na sua corta no Banco de Portugal.

Um raciocínio idêntico ao feito para o caso da exigência de tipo (a) mostra-nos, no entanto, que o montante de reservas necessárias para este efeito não é muito elevado. De facto, tenderá a existir uma situação simétrica, de uma família que obteve um crédito de 100.000€ junto do Banco-C, que passou um cheque no valor de 99 000€ a um comerciante que depositou o cheque no Banco-A.

Ao levar este cheque à compensação junto do Banco de Portugal, o Banco-A consegue assim reaver as reservas que perdera para o Banco-C. O Banco-A deve no entanto precaver a possibilidade de desfasamentos entre o montante que recebe e o montante que tem que pagar, facto que o leva a ter reservas preparadas na sua conta junto do Banco de Portugal. Admita-se que, por experiência, o Banco-A sabe que necessita de possuir 1% do crédito concedido para fazer face a este tipo de desfasamentos. Neste caso, o crédito de 100.000€ obriga o banco a obter 1000€ adicionais de reservas de cobertura.

Finalmente, a exigência referida em (c - cumprir as obrigações legais em termos de reservas), decorre do facto de os Depósitos à Ordem fazerem parte da base de incidência. Assim sendo, o crédito de 100.000€ implica um aumento na base de incidência e consequentemente no montante de reservas necessário para cumprir os requisitos de reservas legais. No entanto, sendo a taxa de reserva legal de 2% na Zona Euro, o montante de reservas que o banco precisa para este fim é também comparativamente reduzido: o Banco-A irá necessitar de 0,02 x 100.000€ = 2000€ de reservas para poder cumprir os requisitos legais.

A conclusão a tirar é que, para fazer face às exigências referidas nas alíneas (a), (b), e (c), o Banco-A necessita apenas de 3.500€ ( 500€ + 1000€ + 2000€ ) em reservas adicionais. Ou seja, para fazer face às exigências referidas em (a), (b), e (c), o Banco-A apenas necessita de um montante comparativamente reduzido de reservas adicionais (reduzido quando comparado com o valor do empréstimo, que foi de 100.000€ e que criou massa monetária também no valor de 100.000€). Se estendermos este raciocínio ao sistema monetário como um todo, chegamos à conclusão de que, para o conjunto da economia, a massa monetária é muito superior à base monetária. Esta ideia é traduzida quantitativamente pelo conceito de multiplicador monetário.

(continua)

Económico-Financeiro disse...

Estimado AG,

1€ na mão de um pobre tem mais valor que 1€ na mão de um rico.
Enquanto que um pobre faz 3 refeições - 300g de frango (0.50), 125g de esparguete (0.20€), couves (0.20€) e gás (0.10€), um rico toma um café.

Tendo isto em mente e sendo o Estado maximizador do bem-estar médio das pessoas então, deve cobrar mais euros aos ricos que ao pobres.

Um mecanismo é o IRS com taxas crescentes com o rendimento e o outro é o IVA com taxas diferenciadas: o bens que os pobres compram mais ficam com taxa reduzida. Por exemplo, a refeição dos pobres feita em casa tem IVA reduzido e a dos ricos,no restaurante, tem IVA normal.

A redução do IVA nos bens dos pobres tem pouco impacto na receita porque esses bens não podem ser incorporados nos bens de taxa normal. Por exemplo, o franco paga 6% mas se for incorporado numa refeição de um restaurante já paga 23% (não há onde deduzir).

Então, a taxa única teria que ficar acima dos 20% o que iria diminuir muito o poder de compra dos mais pobres sem ganho significativo nos mais ricos.

A questão que tem que ser discutida é o IVA zero nos cuidados de saúde privados que, contrariamente ao pretendido, está a beneficiar apenas os mais ricos.

A água e a electricidade, por fazerem obrigatoriamente parte do cabaz dos pobres, deveriam pagar a taxa de IVA reduzida abaixo de um determinado escalão e a taxa normal a partir daí.

O único cuidado é que o sistema não pode desincentivar os mais pobres do trabalho (a subsidiodependencia).

pc

Diogo disse...

(continuação)

Stock de moeda e operações de crédito bancário:

Como vimos, a operação de crédito do Banco-A à família provocou o aparecimento de Depósitos à Ordem - e portanto de moeda que não existia antes - no montante de 100.000€.

Vamos agora fazer uma afirmação mais forte: nas economias modernas, a principal fonte de criação de moeda é a concessão de crédito pelos Bancos Comerciais às famílias, às empresas e ao Estado. Repare-se que uma coisa é dizer que uma operação de crédito bancário cria moeda; outra, bem mais forte, é dizer que a maior parte da moeda que existe numa economia nasceu de operações de crédito bancário efectuadas até ao presente.

Note-se que, para que ocorra criação de moeda, a operação de crédito tem de ser de um banco para um agente do sector não monetário; caso contrário, não ocorrerá criação de moeda. Por exemplo, quando uma empresa emite obrigações que são compradas por famílias, as famílias estão a conceder crédito à empresa, mas esta operação não cria nova moeda - implica apenas uma transferência de Depósitos à Ordem já existentes das famílias para a empresa. Outro exemplo: quando um banco concede crédito a outro banco ocorre uma mera transferência de reservas de um banco para outro e nenhuma moeda é criada no processo. Terceiro exemplo: quando uma instituição financeira não monetária (por exemplo, uma locadora) concede crédito a uma empresa, não há criação de depósitos à ordem - ocorre uma mera transferência de depósitos à ordem da locadora para a empresa.

Repare-se também que quando a família paga um crédito que pediu anteriormente (e os juros) fá-lo por débito da sua conta de Depósitos à Ordem e, portanto, esse pagamento destrói depósitos e, assim, moeda. Consequentemente, pode dizer-se que nas economias modernas, a moeda está constantemente a ser criada e destruída: é criada quando os bancos concedem crédito ao sector não monetário e é destruída quando os agentes que pediram crédito aos bancos fazem o pagamento do empréstimo e juros correspondentes.


**********************************


(Texto meu) Em suma: E é aqui que está a suprema vigarice: os bancos só criam dinheiro a partir do nada quando o inventam e o emprestam a agentes do sector não monetário – Estados, Empresas ou Famílias.

Um banco concede crédito a uma família no valor de 100.000€ para a compra de uma casa, creditando a conta de depósitos à ordem dessa família no montante de 100.000€.

Para essa operação, um funcionário do banco altera os números que estão registados informaticamente na conta à ordem da família, somando 100.000€ ao valor que lá se encontrava anteriormente.

Esse dinheiro não existia antes em lado nenhum. O banco cria-o a partir do nada digitando essa quantia no teclado de um computador.

Como resultado desta «operação de crédito», passam a existir na economia mais 100.000€ de depósitos à ordem. Uma vez que os depósitos à ordem fazem parte da massa monetária, a operação de crédito fez aumentar o stock de moeda existente na economia.

Ao fim de 30 anos, a uma taxa de juro de 5%, a família pagou ao banco um total de cerca de 255.000€, dos quais 155.000€ são juros.

Resumindo, o banco inventou 100.000€ que emprestou com juros a uma família, e esta, ao fim de 30 anos, entrega os 100.000€ inventados pelo banco mais 155.000€ em juros, estes bem reais. A família foi espoliada pelo banco em 155.000€ de juros sobre um capital que o banco inventou e lhe «emprestou».

Esta fraude sem nome acontece quotidianamente em todos os empréstimos dos bancos comerciais às famílias, às empresas e ao Estado. Haverá roubo maior na história da civilização?

(continua)

jfdr disse...

Caro Pedro Cosme,

Parabéns por mais um post brilhante. Numa resposta a um comentário do AG discute a virtude dos impostos progressivos. Eu sei que há vários países da Europa de Leste que apostaram em taxas planas e se deram bem. O Pedro Cosme podia explicar melhor porque é que uma estratégia semelhante em Portugal não funciona?

Cumprimentos
Joao

Económico-Financeiro disse...

Estimado jfdr,
Os impostos são diversificados porque procuram não desincentivar as pessoas a produzir riqueza e causar a minima oposição possível.
Descoberir o mix perfeito é uma questão de tentativa e erro.

O Estado precisa impostos para financiar a produção de bens públicos e alguma re-distribuição do rendimento (porque 1€ tem mais valor para os pobres).
Então, de entre as possibilidades, vai aumentando aqui e reduzindo ali de forma a conseguir a massa sem o povo gritar muito.

Por exemplo, este governo que fala tanto em redução dos impostos sobre o investimento, viu-se obrigado pela gritaria da rua a subir os impostos sobre os juros, dividendos e lucros.

Amigo Diogo,
Esses comentários sobre os bancos são muito longos e são uma visão ideológica que tem por fim dizer que os banqueiros são uns ladrões.
Se assim é, o problema é de fácil solução: o povo que deixe de depositar lá o dinheiro e de pedir emrpestado aos bancos. Quem tiver dinheiro qeu o guarde debaixo do colchão ou o empreste aos necessitados.
Por haver quem ensina assim é que se ouvem tantas asneiras na TV.

Não por essa razão mas por serem muito extensos, vou ter que, daqui a uns dias, os apagar.

Um abraço a ambos,

pc

Chilavert disse...

Caro BC está a fazer uma interpretação enviesada das minhas palavras. Se o senhor chama real ao que se passa actualmente em Portugal com um discurso de resignação, lamento mas não alinho nesse diapasão.Todos nós devemos esforçar nos por um futuro melhor. É dessa "fé" que me refiro, não a fé de base teológica.

Diogo disse...

Professor Pedro Cosme: «Amigo Diogo, esses comentários sobre os bancos são muito longos e são uma visão ideológica que tem por fim dizer que os banqueiros são uns ladrões. Se assim é, o problema é de fácil solução: o povo que deixe de depositar lá o dinheiro e de pedir emprestado aos bancos. Quem tiver dinheiro que o guarde debaixo do colchão ou o empreste aos necessitados.»

«Por haver quem ensina assim é que se ouvem tantas asneiras na TV.»

«Não por essa razão mas por serem muito extensos, vou ter que, daqui a uns dias, os apagar.
»



Diogo:

Estimado Professor Pedro Cosme,

«Por haver quem ensina assim é que se ouvem tantas asneiras na TV»???

Este livro - Política Monetária e Mercados Financeiros – pode ser encontrado em todas as boas livrarias. Este é o curriculum dos seus três autores:

Emanuel Reis Leão é Doutorado em Economia pela University e desempenha as funções de Professor Auxiliar no ISCTE. Coordena as disciplinas de Economia Monetária e Mercados Financeiros na licenciatura em Economia e é o coordenador científico do Mestrado em Economia Monetária e Financeira. Tem artigos publicados em artigos publicados em revistas científicas internacionais.

Pedro Reis leão é Doutorado em Economia pela faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa (ISEG-UTL) onde desempenha as funções de Professor Auxiliar desde 2002. Tem leccionado disciplinas nas áreas da Macroeconomia, Economia Monetária e Economia Financeira desde 1999. Tem vários artigos publicados em artigos publicados em revistas científicas internacionais e nacionais.

Sérgio Chilra Lagoa, Mestre em Economia pela faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e Doutorado em Economia pela University of Leicester, no Reino Unido. É assistente no ISCTE, onde tem leccionado diversas disciplinas na área monetária e financeira em mestrados e licenciaturas. Tem também desenvolvido investigação na área de economia monetária e financeira.


Os meus comentários são uma transcrição literal de parte do livro - Política Monetária e Mercados Financeiros – dos autores acima referidos. O Professor Pedro Cosme não prefere, em vez de os apagar, tentar refutá-los? Ou sente que é uma tarefa acima das capacidades?

Aos comentadores habituais deste blogue, podem encontrar o artigo neste link do meu blogue: http://citadino.blogspot.pt/2013/05/o-colossal-roubo-perpetrado-pelos.html, que tem por título O colossal roubo perpetrado pelos Bancos às famílias, às empresas e aos Estados, admiravelmente explicado por três professores de economia monetária e financeira.

O livro começa praticamente pelo processo de criação de moeda e, coisa espantosa, explica-nos, de forma muito simples, a forma como os bancos comerciais perpetram diariamente roubos de proporções inimagináveis às famílias, às empresas e aos Estados:

«A criação de massa monetária» - «Concessão de crédito por um banco cria nova moeda na economia - De seguida, passaremos a explicar a criação de depósitos resultante da concessão de crédito pelos Bancos Comerciais (ou de 2ª ordem), por exemplo o Millenium BCP, o BPI, o Santander Totta, o BES, etc., ao sector não monetário da economia - Famílias, Empresas [não financeiras] e Estado», …etc.

Nemo disse...

Diogo,

No fundo, o que é a moeda? Pense um pouco além da definição dos manuais.

Que diferença tem para uma economia o facto da quantidade de moeda ser fixa ou variável? Quais as vantagens e desvantagens dos dois regimes?

Qual deveria ser o regime usado, para cada um dos objetivos de maximização da eficiência económica, de estabilização económica ou de equidade?

Se a moeda é fixa, qual o critério a ser usado para definir a sua quantidade? Vantagens e desvantagens?

Se a moeda é variável, então tem de ser criada e destruída. Quais os mecanismos possíveis para controlar a quantidade de moeda, quem o fará e quais os critérios de criação ou destruição? Quais as vantagens e desvantagens deles?

Numa economia de puro crédito (neste tipo de economia, não há reservas obrigatórias), qual a função que um banco cumpre na economia?

Porque é que existe taxa de juro? De que depende a taxa de juro?

Peço-lhe apenas que pense nestas questões imparcialmente, sem recorrer a condenações morais ou a qualquer outro tipo de pensamento “preto-branco”.

BC disse...

Fé é achar que os "males" da moderna democracia se combatem com "mais" democracia. Que as ineficiências do Estado se combatem com mais Estado. É essa a fé na social democracia.

Fé é achar que um dia em Portugal a corrupção, fuga aos impostos e o despesismo desaparecem como que por milagre. Que devemos insistir na social democracia na esperança que daqui para a frente os resultados sejam diferentes daquilo que foram no passado recente.

Chilavert disse...

Senhor BC fé é achar que se podem combater pessoas com falta de competência, valores comuns, éticos, morais e de idoneidade as quais perpetuam no nosso país em cargos executivos com pessoas com formação profissional pessoal e académica capaz de nos proporcionar e construir uma sociedade mais justa, com mais e melhores condições de vida. Orientação politica por si só não é problema

juan gomez disse...

Caro pedro
Não posso deixar de fazer um reparo à sua preferência pelo luis filipe menezes. Então no seu blog passa o tempo todo a chutar o ps: nos socrates, nos teixeiras, zorrinhos, seguros e companhias e depois diz que prefere o menezes que é igual mas só muda a cor?????!!!!!
Não percebo isso...
É por causa destas incoerências que o país está onde está.

Diogo disse...

Meu caro Nemo, frequentei o ISCAL (Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa) e licenciei-me na Universidade Atlântica em Gestão de Sistemas e Tecnologias de Informação (onde dois quintos das disciplinas eram de economia, contabilidade e finanças). Para além deste curriculum académico, sou, há muito, um interessado nestes assuntos

Mas respondendo ao seu questionariozinho:

1 - «No fundo, o que é a moeda? Pense um pouco além da definição dos manuais.»

1 - Moeda é o meio de troca de bens com aceitabilidade geral e disponibilidade imediata. Em sentido figurado, é o sangue da sociedade, o meio através do qual se produzem as trocas de oxigénio e de nutrientes que mantêm o organismo vivo.


2 - «Que diferença tem para uma economia o facto da quantidade de moeda ser fixa ou variável? Quais as vantagens e desvantagens dos dois regimes?»

2 – A quantidade de moeda deve ser variável e representar o número de indivíduos de uma sociedade e os bens que esta produz. Se a produção aumentar, a quantidade de moeda deve também aumentar. Tal como num organismo, se este crescer e a quantidade de sangue se mantiver sempre o mesmo, o oxigénio e os nutrientes não chegam a todas as células e o organismo mirra e adoece.

Por outro lado, se se estiver a injectar constantemente dinheiro na economia (que não corresponda a um aumento proporcional de bens produzidos), a moeda vai perdendo eficácia como meio de troca (e beneficiando os primeiros a recebê-la, porque vale mais, e prejudicando os últimos a recebê-la, porque vale menos.).


3 - «Se a moeda é variável, então tem de ser criada e destruída. Quais os mecanismos possíveis para controlar a quantidade de moeda, quem o fará e quais os critérios de criação ou destruição? Quais as vantagens e desvantagens deles?»… «Numa economia de puro crédito (neste tipo de economia, não há reservas obrigatórias), qual a função que um banco cumpre na economia?»…«Porque é que existe taxa de juro? De que depende a taxa de juro?»

3 – Há duas formas possíveis de criar moeda:

a) Moeda produzida pelo Estado e cuja quantidade vai aumentando à medida que aumenta o número de habitantes e a riqueza produzida.

b) Moeda criada pelos Bancos Comerciais através dos empréstimos. Mas esta Moeda tem de ser absolutamente controlada:

ba) O juro pedido por um empréstimo deve cobrir a sua quota dos custos operacionais do Banco, deve dar um lucro plausível (regulado pelo Estado) e deve cobrir a sua quota do risco de ser incobrável (também regulado pelo Estado).

O que os Bancos fazem hoje é roubo puro e fazem-no essencialmente de duas maneiras:

Baa) Emprestam dinheiro (que os Bancos não possuem mas inventam) e cobram taxas de juro, spreads e mil outras taxas para tudo e mais alguma coisa. Quantas pessoas sabem que pagam uma taxa pela Conta Ordenado? Quantas pessoas conhecem os juros agiotas que pagam pelos cartões de crédito.

Bab) Os Bancos reduzem o dinheiro em circulação aumentando os juros e os spreads, recusando empréstimos e aumentando os juros dos depósitos a prazo e levando, desta forma, os aforradores a retirar o seu dinheiro de circulação. Assim causam recessões e depressões económicas, o que lhes permite (aos Bancos) a apoderarem-se de Empresas e dos bens das famílias por tuta e meia:

Exemplo,

- Com a diminuição dos empréstimos e das linhas de crédito, as famílias e empresas têm menos dinheiro para comprar.
- As empresas reduzem os preços dos seus produtos
- Mesmo com preços reduzidos, a fábrica de automóveis não consegue vender seu produto
- Com a queda nas vendas, a fábrica demite trabalhadores
- Sem receber, o trabalhador deixa de trocar sua TV por um modelo mais novo
- Cai a venda de TVs. As lojas baixam os preços e baixa também a comissão dos vendedores, que deixam de comer fora.
- Na tentativa de atrair clientes, o dono do restaurante faz sucessivas promoções. Mesmo assim, seu rendimento cai e ele adia a troca de carro
- Cai a venda de carros, logo o dono stand deixa de poder fazer viagens de família, deixando de usufruir dos serviços das agências de viagens.
- E assim sucessivamente.

Unknown disse...

Caro professor,

Obrigado pelas suas explicações, que me convenceram.

«A questão que tem que ser discutida é o IVA zero nos cuidados de saúde privados que, contrariamente ao pretendido, está a beneficiar apenas os mais ricos.

A água e a electricidade, por fazerem obrigatoriamente parte do cabaz dos pobres, deveriam pagar a taxa de IVA reduzida abaixo de um determinado escalão e a taxa normal a partir daí.

O único cuidado é que o sistema não pode desincentivar os mais pobres do trabalho (a subsidiodependencia).»

Completamente de acordo.

Agora, devo perguntar o seguinte: Faz sentido a taxa intermédia de 13%, sobretudo para àrea da restauração?
Não seria melhor apenas 2 taxas, uma de 6% e outra de 22%, por exemplo?

Cumprimentos,
AG

Diogo disse...

Caro Diogo, eu gosto sempre muito de ler os seus comentários.

Não sei se sabe, mas o Prof. Cosme já tem neste blog uma secção dedicada a discutir o sistema monetário... e tem as suas próprias ideias (diferentes do convencional, diria eu) sobre o que nós chamamos de "criação de dinheiro" (se bem me lembro, diz que o multiplicador de depositos não cria dinheiro, simplesmente aumenta a velocidade de circulação do mesmo) e o papel (de mera intermediação) dos Bancos na economia.

Se estiver interessado:
http://economicofinanceiro.blogspot.pt/p/o-sistema-mnetario.html

Diogo disse...

Caro Unknown-AG,

Diogo: Parabéns pelo apurado sentido de humor.


Professor: «O único cuidado é que o sistema não pode desincentivar os mais pobres do trabalho (a subsidiodependência).»

Unknown-AG - «Completamente de acordo.»

Diogo: Todos sabemos que a taxa atual de desemprego (sobretudo entre os mais jovens) é fruto da subsidiodependência – a malta, pura e simplesmente não quer fazer nenhum! Pudera, com os subsídios escandalosamente elevados que recebe!


Unknown-AG - «Agora, devo perguntar o seguinte: Faz sentido a taxa intermédia de 13%, sobretudo para área da restauração? Não seria melhor apenas 2 taxas, uma de 6% e outra de 22%, por exemplo?»

Diogo: Excelente ideia, Unknown-AG. E os menus das tascas e dos restaurantes teriam dois preços – um para ricos e outro para pobres. Os clientes seriam apenas obrigados a apresentar o comprovativo do IRS.

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code