sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A verdade sobre o PEC4

A marca politica do Sócrates é a mentira.
Claro que as pessoas têm memoria fraca mas, principalmente o final de 1.º e o 2.º mandato do Sócrates foi a era da omissão da verdade e da publicação da mentira. 
Os socialistas falam tanto das "falhas de previsão" do Gasparzinho porque sabem que a memória do nosso povo se reduz a poucos meses.
Será que alguém se lembra do jogo Porto-Sporting de 2009?
Eu não.

Vejamos  o OE 2009.
O Sócrates afirma lá que o défice para 2009 vai ser de 2.2% do PIB (p. 119 do OE2009) quando, calculado pela EuroStat, o défice fechou nos 10.2% do PIB.
Claro que o bicho ataca com a crise mundial mas essa foi em 2008 pelo que a previsão do FMI já era de que a economia ia contrair 4%.
Mesmo à revelia de todos os organismos internacionais, o Sócrates anunciou que a crise tinha acabado havendo margem orçamental para subir os salários da função pública em 2.9%.
Foi um desvio de 8% do PIB, mais de 13000M€ de erro.
Em presença disso, partir de 4.5% e atingir 5.9%, 2300M€, dos quais 1350M€ são responsabilidade do TC e 650M€ do BANIF, é uma brincadeira de crianças.
Mas os comunas não falam disto.

Afinal o PEC4 era um embuste.
O Sócrates repete de forma incessante que a Alemanha (na sua visão de monarca absoluto o Sócrates confunde a Alemanha com a simpática Sr.a Merkel) aceitava o PEC4. Mas, afinal, veio reconhecer publicamente na entrevista ao Expresso de que isso não era verdade pois, apesar de a Sr.a Merkel, em presença do Quadro III-1 dizer "sim, sim, sim, isto está muito bonito e tu vestes tão bem José" quando se chegava à avaliação da possibilidade técnica de atingir essas metas "o filho da puta do Schauble não acreditava, só queria prejudicar Portugal".

Mas afinal o que dizia o PEC4?
São 67 páginas que estão disponíveis no parlamento.
Diz que em 2014 vamos conseguir atingir um défice de 1% com um excedente primário de 4.3% do PIB.
Para reduzirmos a nossa dívida de 130% do PIB para 60% do PIB em 20 anos precisamos de um superavit primário de 3% do PIB (juros de 3.2%/ano, crescimento de 1.5%/ano).
Como é possível agora os esquerdistas dizerem que é impossível quando no PEC4 afirmam que o superávite seria já em 2014 de 4.3% do PIB?

Fig. 1 - As metas do PEC4 são fantásticas mas as politicas previstas para as materializar são apenas generalidades sobre cortes de 15400 milhões €.

Certo dia encontraram-se 2 amigos.
- Olá Sócrates, venho todo contente porque descobri um restaurante, o Austeridade, onde se almoça baratíssimo: sopa, prato, fruta e café por 4.50€.
- Óh pá isso não é nada. Há um restaurante, o PEC4, onde se come sopa, um prato de peixe e outro de carne, fruta, bolo, café e conhaque por 3.00€.
- Isso é fantástico mas só pode ser mentira.
- É mentira mas é muito melhor e mais barato que o teu.

O quadro macroeconómico.
A simulação da evolução das contas públicas para o período 2001-2014 parte de variáveis consideradas exógenas ao modelo. Se essas previsões falharem, naturalmente que toda a simulação falha.

A primeira previsão é que se iria aumentar o endividamento exterior em 7% do PIB por ano, 12000 milhões€/ano (p.9 do PEC4). Com as taxas de juro que se observavam em princípios de 2011 (na ordem dos 7%/ano), O PEC4 pensa que seria possível Portugal ir aos mercados de forma a fazer o roll-over de milhares de milhões de euros e ainda aumentar o endividamento externo em 1000M€ a cada mês.
Isso sabia-se ser totalmente impossível. Esta previsão errada, uma mentira deliberada, teria efeitos catastróficos nos resultados da simulação porque a correcção do endividamento externo tem efeitos recessivos (menos PIB, menos impostos e mais despesa social).

Afinal o PEC4 não consolidava as contas externas.
O Sócrates pensou ser possível consolidar as contas públicas mantendo o desequilíbrio externo da nossa economia. Mas o que toda a gente sabe é que o problema da nossa economia não seria o défice público desde que tal fosse financiado pela poupança interna. O Japão, os USA e o UK têm grandes défices públicos e conseguem-se financiar a taxas de juro historicamente baixas. 
O problema grave da nossa economia era o constante endividamento externo que o PEC4, de forma alegre e airosa, considerava que iria continuar para todo o sempre mesmo que já não houvesse quem o quisesse financiar.

A segunda previsão é de que a taxa de juro de longo prazo ficaria nos 6.8%/ano e a taxa de juro de curto prazo (a que, alegadamente, nos conseguiríamos financiar) ficaria nos 2.5%/ano. 
Mesmo considerando taxas que, comparando com a Grécia de então, nunca se iriam concretizar, nada é dito sobre o impacto destas taxas de juro na despesa em juros.
Se Portugal pagasse 6.8% de juros sobre a totalidade da sua divida, seriam encargos de 13600M€ por ano.

A terceira previsão  é de que a taxa de desemprego se iria manter nos 10% (p. 9). Toda a gente sabia que, como as compras a crédito estavam em crise por causa de o endividamento externo estar congelado (erro na primeira previsão), a economia iria sofrer uma re-estruturação que geraria (e gerou) muito desemprego.

A quarta previsão é de que o PIB iria crescer 0.8%/ano o que era verdadeiramente impossível de atingir com a previsível contracção do endividamento externo.

Estas previsões caiem do Céu.
Não há qualquer fundamentação para estas previsões. São estas como poderiam ser outras quaisquer. Meteram as coisas no Excel e foram experimentando até dar o défice pretendido.
Era mentira mas de pouco interessava pois os socialistas são mesmo assim.
Basta ver como o Seguro diz que vai rasgar tudo para manter a oposição interna no seu sitio.

Fig. 2 - Podem ser falsas (as metas do Quadro III-1) mas são boas

As medidas genéricas.
No PEC4 tudo é genérico. A uma consolidação brutal mas genérica do Quadro - III-1, vem um conjunto de medidas genéricos que ninguém sabe como vão ser concretizadas.
Diz que em 2011 iria haver uma redução estrutural do défice em 5.3% do PIB de forma atingir um défice de 4.6% em 2011. Estamos a falar de cortes de 9000 milhões€ a concretizar em 9 meses, 1000M€ por mês, mais do que o Passos cortou em 3 anos e ainda é acusado de "cortar além do PEC4 e da Troika".

Como era isso possível de fazer?
No quadro II-1 resumo das poupanças fala em 0.8% do PIB enquanto que o objectivo é uma redução de 5.3% do PIB. Extraordinário como apontando medidas de 0.8% se iria atingir 5.3%.
Depois, eram umas generalidades. Em 2012 era uma consolidação de mais 3% do PIB e em 2013 de mais 2% do PIB para atingir 1% de défice em 2014.
O problema é que o Sócrates prometia, como assinou no Memorando de Entendimento, sabendo que a sua arte era a mentida e a dissimulação.

Vamos acrescentar os cortes para 2012 e 2013
Depois de cortes 9000M€ de 2011 seriam ainda acrescentados:
Em 2012 estavam previstos cortes na despesa de 2700M€ e aumento da receita de 1500M€
Em 2013 estavam previstos cortes adicionais de 1500M€ e aumento adicional de 700M€.
No total haveria reduções na despesa e aumento de impostos de 15400 M€.
Pois o Passos Coelho, relativamente a 2010, cortou despesa e aumentou impostos em 7200M€, menos de metade do previsto no PEC4.

Nada de efeito recessivo.
Os cortes do Passos Coelho de 7200M€ até agora alegadamente deram origem a uma espiral recessiva mas os cortes de 154000M€ do PEC4 não teriam qualquer efeito recessivo, antes pelo contrário pois a previsão era de que a economia cresceria 0.8%/ano.

Afinal o PEC4 era austeridade da dura.
Estavam previstos cortes no dobro das medida da austeridade do Passos Coelho.
Exactamente o dobro dos cortes mas, tal como na luta entre o Capuchino Vermelho (que afinal era uma puta assassina da natureza) e o Lobo Mau (um veterinário defensor da floresta que curava os animais por abate sanitário), trava-se hoje um guerra entre um maquina demoníaca e demagógica que quer convencer o povinho ignorante de que o PEC4 (que ninguém sentiu na pele porque nunca saiu do papel) era excelente e a realidade dura da austeridade que é dura.

Fig. 3 - PEC4 - Missão Impossível

Eu tinha um primo.
Que quando foi à tropa teve boa classificação na caderneta pelo que teve oportunidade de ser "polícia em Lisboa". Mas nunca quis abandonar o conforto da casa materna. Trabalhava na agricultura e fazia uns biscates em construção civil.
Acontece que um colega vizinho arrumou a mala e foi para policia em Lisboa.
Sempre que eu visitava o meu primo tinha que ouvir "se eu tivesse ido para Lisboa já estaria reformado com uma boa maquia".
O problema é que ele nunca soube (nem quis saber) o que teriam sido os 30 anos de vida de viver deslocado em Lisboa. Só lhe interessava o resultado final, o tal Quadro III-1.
Mas nesse quadro o Sócrates poderia mesmo dizer que iria conseguir um superavit para as contas públias de 20% do PIB. Seria mentira mas também seria extraordinário, digno do Guinness.

Vou agora à tese que o bicho escreveu em Paris.
Uma tese de mestrado é um pequeno exercício de recolha de informação já publicada sobre um tema e, eventualmente, o uso de uns inquéritos ou dados disponíveis para validar alguma teoria em discussão. Não tem como objectivo a criação de conhecimento novo mas apenas a digestão da literatura e o seu resumo num texto com 30 a 50 páginas. Antigamente ainda era apenas com "alunos com mais de 14 valores" mas agora é para toda a gente, mesmo povo com 9.5 faz mestrado.

Se eu orientasse uma tese em A Tortura em Democracia mandaria o aluno escrever uma introdução em que referiria a pertinência do tema, depois passaria para a literatura definindo o conceito, o seu objectivo estratégico, os argumentos contra e a favor. Por fim, talvez construísse um conjunto de situações e, para avaliar como os portugueses aceitam a tortura, fazia uns inquéritos que enviaria por e-mail a uma amostra de alunos (seria o mais fácil) para eles dizerem se eram a favor ou contra aquelas situações. 

Pergunta 1 - Imagine que viaja num avião onde há uma bomba que explode quando o avião descer abaixo dos 5000m e que apenas um individuo preso em terra sabe desactivar. Daria ordens para que usassem todos os meios para o fazer falar?.

Fig.4 - O Sócrates, mesmo como reles aluno da Sorbone, nunca se apresenta como um bandalho (i.e., mal vestido como o colega da bicicleta)

Pergunta 2 - A SIDA é uma doença sem cura e mortal que apenas se transmite de umas pessoas para outras de forma, em certa percentagem, culposa. Actualmente há cerca de 35 milhões de infectados e morrem cerca de 2 milhões de pessoas por ano. Então, se, tal como fazemos com os animais, se fizesse o abate sanitário de todos os infectados (0.5% da população mundial), a doença desapareceria da face da Terra recuperando-se em apenas 15 anos os 35 milhões de pessoas abatidas.
Agora imaginemos que a SIDA se propagava de forma inexorável e que ia levar à extinção da raça humana. Será que votaria a favor do abate sanitário dos infectados?

Para nós, nós estamos primeiro e nós somos a medida da moralidade do mundo.
Quem nos quer prejudicar é amoral, é um bandalho, é a encarnação do mal, da amoralidade seja o Cavaco, o Santana Lopes os os bandalhos da direita.
Se a nossa vida está em risco nunca pensamos que isso é para o bem da Humanidade.
Então, se nós estivermos em confronto com os outro, quando existe uma situação em que a nossa vida é incompatível com a vida de outra pessoa que já consideramos imoral, deixa de haver moral.

O uso da Tortura, mesmo em democracia, é algo que consideramos moral.
 Faz-me lembrar o Obama que dizia ser Guantanamo imoral e já abateu com drones em resultado de uma decisão administrativa mais alegados terroristas que todos os terroristas que foram presos e torturados sob o governo Bush.
O que será melhor, atingir uma pessoa com um míssil ou torturá-la sem nunca pôr em risco a sua vida?
É tudo uma questão de grau e de enquadramento.

Pedro Cosme Costa Vieira

1 comentários:

murphy V. disse...

Muito bem. é incrível como o jornalismo não confronta os que invocam o PEC 4 com os factos aqui referidos.

Para os seguidores de Sócrates, o PEC IV converteu-se numa espécie de Sebastianismo. Não passa de um mito, uma falácia. O 4º PEC, destinava-se a manter Portugal nos mercados a contrair divida a 7, 8, 9 % (aguantaríamos mais 3, 4 meses, talvez com o TGV em obra…). Se com o empréstimo da troika, com um juro de 3,4%, estamos assim, imagine-se essa alternativa...

Foi possivelmente o chumbo do PEC 4 que evitou a degradação da situação portuguesa ao ponto da situação a que a Grécia chegou.

http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/01/o-fardo-do-juros-o-chico-espertismo-e-o.html

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code