sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A "reforma do Estado" é uma perda de tempo

O Paulo Portas lá apresentou um guião para a reforma do Estado.
Depois de meses de adiamento e de uma crise pelo meio, o Portas apareceu com um documento de 112 páginas.
Mas, estranhamente, essas 112 páginas resultam de ter sido usado um tamanho de fonte muito grande e espaçamento exagerado. Como o Portas sabe que ninguém vai ver o documento, ninguém vai saber que original só tem 40 páginas. O que passa na comunicação social é que tem 112 e assim consegue passar a ideia de que o seu trabalho foi profundo e cuidadoso.
Mas nada disso. É um conjunto de generalidades e banalidades que não nos vão levar a lado nenhum.

Fig. 1 - Olhando bem, o Guião para a Reforma do Estado parece um fardo de palha.

Não há nada que nos obrigue a reduzir a despesa.
O Memorando de Entendimento que o Sócrates assinou em nosso nome obriga a que o défice que em 2009/2010 esteve nos 10% do PIB se reduza para 2.5% do PIB. Inicialmente o horizonte temporal era 2014 mas o gasparzinho conseguiu adiar a questão por 2 anos.
Já depois de assinado o Memorando, foi assinado um novo tratado europeu. No sentido de ser dado cumprimento ao tratado de Maastricht de 1992 (<3% de défice e <60% de dívida pública) os países europeu com divida pública elevada obrigaram-se a cumprir a "regra de ouro" (um défice médio de 0.5% do PIB), meta que teremos que atingir lá para 2020.
Nós até temos um nível de despesa pública menor que a média da Zona Euro.
O problema é que é preciso cobrar impostos para financiar essa despesa.

Se conseguirmos 0.5% de défice ...
Então, conseguiremos reduzir a nossa dívida pública ao limite de 60% do PIB lá para a década de 2040.
São 20 anitos para corrigir os 6 anos do regabofe do Sócrates.
Se Portugal atingir essas metas, mais nada nos será pedido.
O problema é conseguir isso.

No PEC4 dizem que tudo era fácil. 
Ontem re-apareceu o Teixeira dos Santos na TV e disse coisas interessantíssimos para vermos como fomos parar à bancarrota.
Primeiro disse que estávamos melhor que em 2011 porque a poupança das famílias aumentou, corrigimos o défice comercial e o défice público diminuiu. Depois, disse que estávamos pior porque o consumo das famílias diminuiu.
Mas o aumento da poupança das famílias, a correcção da balança comercial e a correcção do défice público são consequência directa da diminuição do consumo das famílias.
Como é possível dizer que estamos melhor porque está Sol na eira mas estamos pior porque não chove no nabal?
Há, faltam os milagres económicos.
Recordo-me agora que ele mais o Sócrates no PEC4 prometeram aos nossos parceiros europeus que conseguiriam atingir a meta de 1% de défice público em 2014. Conseguiriam cortes de 3800M€ no défice por ano sem reduzir a despesa nem aumentar os impostos. 

Seria a politica do crescimento?
Nos 6 anos de governo Sócrates+Teixeira dos Santos a economia cresceu em média 0.40%/ano. Parece que me enganei na conta mas, a haver engano foi do INE.
Pegando nos dados do INE, quando o Sócrates entrou (primeiro trimestre de 2005) o PIB era 39497.7M€/trim e quando saiu (segundo trimestre de 2011) o PIB era 40491.6M€/trim. No total dos 6 anos do seu mandato, o PIB cresceu apenas 2.5%.
Será isto a politica de crescimento tão badalada pelo PS?
Interessante que no meio de um crise de ajustamento das contas públicas, a previsão no PEC4 seja de um crescimento o dobro da média dos 6 anos anteriores.

Mas a justificação é fácil e tem lógica socrática.
É que as politicas do Sócrates só funcionaram em alguns dos trimestres. Se olharmos apenas para os trimestres em que houve crescimento (da responsabilidade das extraordinárias políticas socráticas), o crescimento foi de 3.0%/ano. Nos outros trimestres a responsabilidade é da crise internacional e dos especuladores financeiros (a economia regrediu 2%/ano).
Afinal, foram uns coitadinhos sem culpa nenhuma. Tal qual D. Quixote que foi vitima dos moinhos de vento, em 24 trimestres de socratismos (eu tinha, erradamente, escrito meses), as brilhantes politicas de crescimento só puderam ser implementadas em 11 trimestres (Fig. 2).
Agora o PS sabe como evitar os ataques às suas políticas e arrancar para um continuo de crescimento de 3%/ano. Só é pena terem descoberto isso exactamente agora que saíram do governo mas mais vale tarde que nunca.
Penso que é por causa deste conhecimento acumulado que o Passos precisa da ajuda do PS. Quer saber em detalhe o segredo para atingir um crescimento de 3%/ano.

Fig. 2 - Taxa de crescimento do PIB, trimestral anualisado (INE). Quando a criança é feia, ninguém quer ser o pai.

O guião não vai dar em nada.
São muitas generalidade e coisas já muito ouvidas mas que não resultam em nada.
O que vamos observar é a continuação das medidas de emergência de corte na despesa e do aumento da carga fiscal e, quando o PS voltar a ser governo, teremos mais do mesmo até termos, lá para 2045, a nossa divida de volta aos 60% do PIB.
Perguntou-me um amigo meu, o PSAS, se eu achava que tanto valia estar lá o Passos como outro qualquer.
É exactamente isso.
Esteja lá quem estiver, nunca mais vamos ter acesso a financiamento como tivemos no períodos 1995-2010 (do Guterres e do Sócrates) pelo que nunca mais haverá o desvario desse tempo.
Termino recordando que quem quiser ver o que é austeridade a sério, basta ler o que está escrito no PEC4.
Coisas terríveis.

Fig. 3 - Não me interessa se o governo é do CDS, PSD ou PS. Se não há dinheiro, não há bunga bunga.

Pedro Cosme Vieira

5 comentários:

Nuno Montenegro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Francisco disse...

São 72 meses de governo Socrates e não 24, como refere.
Francisco

juan gomez disse...

escreva aí qualquer coisa sobre evolução da economia.
evolução do emprego
para onde vamos
como eram as economias ha 100 anos como são hoje e o que se pode esperar daqui a 50 anos.
revise-te-nos schumpeter e outros

Diogo disse...

O meu caro Pedro Cosme parece ainda não ter percebido a mecânica da coisa:

O PS endividou o país aos bancos a juros usurários e o PSD (o partido do fraque) trata de cobrar esses juros e entregá-los aos bancos.


Texto de Chris Gupta:

A fraude dos Dois-Partidos perpetrada pelo Establishment

A ilusão da livre escolha entre Direita e Esquerda

The Establishment's Two-Party Scam

Establishment - é um termo usado para referir genericamente a tradicional elite dominante ou elite do poder e as estruturas da sociedade que ela controla.

Esta fraude consiste na fundação e financiamento pela elite do poder de dois partidos políticos que surgem aos olhos do eleitorado como antagónicos, mas que, de facto, constituem um partido único. O objectivo é fornecer aos eleitores a ilusão de liberdade de escolha política e serenar possíveis sentimentos de revolta contra a elite dominante.

Dr. Stan Monteith: "De há muito, o principal problema da vida política americana tem sido tornar os dois partidos congressionais (o partido Republicano e o partido Democrata) mais nacionais. O argumento de que os dois partidos deviam representar políticas e ideias opostas, uma, talvez, de Direita e a outra de Esquerda, é uma ideia ridícula aceite apenas por teóricos e pensadores académicos. Pelo contrário, os dois partidos devem ser quase idênticos, de forma a convencer o povo americano de que nas eleições pode "correr com os canalhas", sem na realidade conduzir a qualquer mudança profunda ou abrangente na política."


É sobejamente reconhecido que as corporações internacionais contribuem com largas somas de dinheiro para ambos os partidos políticos, mas será possível que ambos os partidos sejam controlados essencialmente pelas mesmas pessoas? Teria George Wallace razão quando afirmou:

"... não existe diferença nenhuma entre Republicanos e Democratas."

"... A verdade é que a população raramente é envolvida na selecção dos candidatos presidenciais; normalmente os candidatos são escolhidos por aqueles que secretamente mandam na nossa nação. Assim, de quatro em quatro anos o povo vai às urnas e vota num dos candidatos presidenciais seleccionados pelos nossos 'governantes não eleitos.' Este conceito é estranho àqueles que acreditam no sistema americano de dois-partidos, mas é exactamente assim que o nosso sistema político realmente funciona."

Diogo disse...

(continuação)


O Professor Arthur Selwyn Miller foi um académico da Fundação Rockefeller. No seu livro «The Secret Constitution and the Need for Constitutional Change» [A Constituição Secreta e a Necessidade de uma Mudança Constitucional], que foi escrito para aqueles que partilhavam os segredos da nossa ordem social, escreveu:

"... aqueles que de facto governam, recebem as suas indicações e ordens, não do eleitorado como um organismo, mas de um pequeno grupo de homens. Este grupo é chamado «Establishment». Este grupo existe, embora a sua existência seja firmemente negada; este é um dos segredos da ordem social americana. Um segundo segredo é o facto da existência do Establishment – a elite dominante – não dever ser motivo de debate. Um terceiro segredo está implícito no que já foi dito – que só existe um único partido político nos Estados Unidos, a que foi chamado o "Partido da Propriedade." Os Republicanos e os Democratas são de facto dois ramos do mesmo partido (secreto)."

O Professor Miller usou nesta frase "(secreto)" porque sabia que ao povo Americano nunca será permitido tomar conhecimento que na realidade só existe um partido político nos Estados Unidos.




Nenhum debate do Governo Invisível Americano ficaria completo sem mencionar o Professor Carroll Quigley, o mentor de Bill Clinton quando este era um estudante na Universidade de Georgetown. O Presidente Clinton referiu-se bastantes vezes ao Professor Quigley nos seus discursos. O Professor Quigley deu aulas tanto na Universidade de Harvard como na de Princeton antes de se fixar na Universidade de Georgetown.

Embora Quigley fosse um devotado liberal, estamos em dívida para com ele pelas suas revelações acerca da origem da Elite do Poder que governa a nossa nação e o mundo. No seu livro «Tragedy and Hope: A History Of The World In Our Time» - [Tragédia e Esperança: uma história do Mundo dos nossos dias], Quigley documenta as origens da sociedade secreta que controla os nossos partidos políticos hoje e que se manifesta nas posições chave ocupadas pelo Council on Foreign Relations [Conselho das Relações Exteriores]. Aqueles que estudaram a influência deste Conselho reconhecem que ele controla tanto as nossas políticas domésticas quanto as externas.

O Professor Quigley também revelou que os Governantes Não Eleitos da América têm por objectivo controlar-nos, utilizando "especialistas" para subverter o nosso processo eleitoral:

"... É cada vez mais claro que, no século XX, o especialista substituirá o magnata industrial no controlo do sistema económico tal como irá substituir o votante democrático no controlo do sistema político. Isto porque o planeamento vai

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code