sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A Africa do Sul estagnou

Morreu Nelson Mandela.
Como todos os canais de TV estão numa histeria de homenagem ao homem, o comum dos mortais fica com a ideia que a África do Sul é um exemplo de um sucesso bombástico, uma superpotencia económica onde apetece viver.
Mas a realidade é totalmente diferente pois a ZAF tinha, nos anos 1950, uma PIB per capita idêntico ao português e, actualmente, tem um PIB per capita que é menos de 30% do nosso.  
Se nós somos vítimas da estagnação desde os princípios de 2000, a ZAF é vitima deste problema desde 1970.
Além disso, a África do Sul é o país com mais desigualdades do Mundo (juntamente com os vizinhos Namíbia e Botswana). Tem um coeficiente de Gini de 0.63 (o máximo é 1,00, em que uma única pessoa tem o rendimento total do país e o mínimo é zero, em que todos têm o  rendimento médio) enquanto o Brasil tem 0.55, a China 0.47 e nós estamos nos 0.40.

Fig. 1 - Mandela estava sempre sorridente mas há muita gente sorridente 

Comparemos com a Coreia do Sul.
Ambos os países têm a mesma dimensão humana, 50milhões de habitantes, mas a ZAF é muito maior em dimensões físicas e em recursos naturais.
Em 1965 a diferença em recursos naturais traduzia-se em diferenças de rendimento. Assim, a CS tinha um PIBpc de apenas 40% do PIBpc da ZAF (e de 35% do PIBpc português).
No entanto, o engenho humano fez com que, em 2012, o PIBpc da CS tenha aumentado para 360% do da ZAF (e 120% do de Portugal).
E este desenvolvimento foi feito com um coeficiente de Gini ainda menor que o nosso, 0.32 (WB, 2007) e metade do da África do Sul.

Fig. 2 - Evolução do PIBpc, USD de 2005 (dados, Banco Mundial)

Quem foram os homens que conduziram a Coreia do Sul da pobreza à prosperidade?
Ninguém é capaz de dizer um único nome de um governante sul coreano.
Terá sido Park Chung-hee, presidente desde 1962 até ser assassinado no dia 26 de Outubro de 1979?
Eu nunca tinha ouvido falar em tal nome até ir consultar a lista dos presidentes à wikipédia e se me perguntarem daqui a um minuto por este nome, não sei quem é.
Nunca ouvi um único minuto nas TVs sobre este homem.
Tenho a certeza que quando morreu não houve um único jornalista, desportista ou economista que tenha sido chamado a comentar a morte desses homens.
Nunca penso ter ganho o prémio Nobel da paz.
Atá há quem diga que foi um ditador mas não faço a mais pequena ideia.

Fig. 3 - Nunca vi esta cara na minha vida mas também tem um sorrisinho (Park Chung-hee)

Passa-se o mesmo com a Índia.
Desde 1980 que o Brasil está taco a taco com a África do Sul: não cresce. No entanto, há uma enorme publicidade em torno do Lula da Silva e da sua politica social associada ao crescimento.
Pelo contrário, nestas 3 décadas o PIBpc da Índia quadriplicou  e o coeficiente de Gini na Índia, 0.33, é muito menor que no Brasil, 0.55.
Quem serão os estadista que têm retirado a Índia da pobreza absoluta dos anos 1970?
Não faço a mais pequena ideia e ninguém quer saber.

O que será que tem o Nelson Mandela de diferente?
A única hipótese que vejo para justificar estas diferenças de tratamento é o homem ser preto e ter governado um país de pretos.
O Mundo deve pensar que os pretos estão condenados a viver em constante guerra e na pobreza pelo que, quando um país governado por pretos consegue viver em relativa paz e sem fome massiva, torna-se um estrondoso sucesso.
É uma espécie de paraolimpicos dos países.

Fig. 4 - Considerada como uma das 3 mulhers mais sexy (dos paraolimpicos).

Porque será que os países não crescem?
Porque consomem demais.
Apesar de os esquerdistas terem a lengalenga de que é o consumo de faz crescer o PIB, esta afirmação não resiste à redução ao absurdo: se bastasse consumir mais para crescer mais, como toda a gente quer consumir mais então, não haveria países pobres.
Mas, diz a teoria e a evidencia empírica, para crescer é preciso produzir mais (e não consumir mais) e para isso é preciso investir em equipamento novo, escolaridade e I&D (investigação e desenvolvimento). E o investimento é a outra face da poupança.
Então, para crescer mais é preciso consumir menos.

    País ---- Poup_liquida --- Cresc PIB
    CHN --------- 32,2% ------- 8,87%
    KOR --------- 20,5% ------- 5,19%
    IND ---------- 16,4% ------- 4,25%
    BRA ----------- 6,3% ------- 0,96%
    PRT ----------- 3,6% -------- 1,76%
    ZAF ----------- 3,9% -------- 0,37%
Quadro - Taxa de poupança liquida interna e taxa de crescimento do PIBpc médias no período 1980-2012 (dados: Banco Mundial, cálculos do autor).

Em média, nestes 6 países por cada 1% do PIB que se poupa a mais (em termos líquidos das depreciações de capital), o PIB cresce mais 0.25% do PIB por ano. Portugal conseguiu o dobro desta proporção por causa do endividamento externo  (o défice da balança corrente) e das ajudas da União Europeia que é poupança dos não residentes que soma à poupança interna.
Nos últimos 30 anos, imaginando um salário de 485€, na China as pessoas poupam 160€ e em Portugal (e na África do Sul) poupamos 16€, dez vezes menos.
Quem quiser crescer mais tem que consumir menos e poupar mais.

A escolarização também é investimento.
A este propósito vêm os testes PISA-2012 que indica que os alunos portugueses (de 15 anos) estão na média e os da Coreia do Sul estão em primeiro lugar, significativamente acima da média. Em termos numéricos a Coreia atingiu 543 pontos enquanto que Portugal ficou nos 489 pontos.
A partir desta informação vieram logo os esquerdistas dizer que o Passos Coelho está a destruir a Escola Pública e, logo, a possibilidade de nos desenvolvermos.
Nem sequer se deram ao trabalho dizer que os resultados melhoraram (mas não de forma significativa) e que os nossos resultados a par da Noruega, França e Luxemburgo.
Sendo assim, os nossos problemas não vêm de termos mais ou menos nestes testes PISA.

Fig. 5 - Há muitos países onde se mantém obrigatório usar farda nas escolas públicas

Temos poucos alunos e gastamos muito dinheiro.
A primeira falha do teste PISA - Programme for International Student Assessment é que é feito apenas aos alunos de 15 anos (9 ano de escolaridade) não conseguindo avaliar a competência das pessoas que estão a trabalhar.
A segunda falha é que o teste não é feito à população em geral (com 15 anos) mas apenas aos estudantes pelo que um país que tenha na escola apenas 1% da população tem as mesmas condições para ter bons resultados neste teste que outro país qualquer que tenha na escola 99% da sua população.
A terceira falha é que avalia um nível de escolaridade (9 anos) muito baixo. Se temos escolaridade obrigatória de 12 anos, a avaliação deveria ser, pelo menos, nos jovens com 18 anos.
Assim, Portugal tem problemas ao nível da escolaridade que o PISA não consegue identifica pelo que é errado avaliar todo o sistema com apenas este teste.

Primeiro, Portugal tem  18% dos trabalhadores com licenciatura enquanto que a Coreia do Sul tem 45% (fonte: BM). E dos nossos 18%,, metade são funcionários públicos.

Segundo,  Portugal tem 65% dos seus jovens (com idade entre os 18 e os 21 anos) a frequentar estudos superiores enquanto que a Coreia tem 100%..

Terceiro, O Estado português gasta 5,3% do PIB em educação enquanto o coreano gasta 4,4% do PIB.

Se pegássemos em 100 trabalhadores portugueses e comparássemos com 100 trabalhadores de cada um dos outros países da OCDE, ficaríamos muito muito abaixo da média porque a maioria dos nosso teria menos que o 6.º ano de escolaridade.

É um contrasenso.
Portugal tem menos alunos que a Coreia mas a despesa pública  em educação é maior.
Tem sido a tentativa de tapar um problema com dinheiros públicos.

De que serve ter licenciados na produção?
Um licenciado produz mais a realizar qualquer operação porque

=> quando chega a um novo posto de trabalho ou é quando adoptada uma nova tecnologia, o licenciado aprende mais rapidamente e com menos supervisão a executar bem as tarefas.

=> consegue mudar de tarefa e de posto de trabalho muito mais facilmente o que dinamiza o mercado de trabalho (menos desemprego).

=> descodifica melhor e mais rapidamente os problemas que surgem no dia-a-dia

=> identifica enquanto está no posto de trabalho formas de melhorar a eficiência do processo produtivo

=> é mais criativo levando ao aparecimento de produtos com maior valor

=> consegue transportar para o processo produtivo a informação que recolhe no meio ambiente (TV, Internet, Jornais, conversa com pessoas).

Porque produz mais, em equilíbrio de mercado, um empregador vai estar disponível para pagar um salário mais elevado aos trabalhadores licenciados, independentemente das tarefas que executam.

A "produção" de um licenciado tem custos.
Considerando todos os custos (de tempo, despesas pessoas e o custo da escola) e exagerando um pouco, nos 15 anos de escola teremos um investimento máximo de 200000€ sendo 1/3 deste valor investido até ao 9.º ano e 2/3 nos anos seguintes (133mil€).
Para amortizar este investimento em 45 anos de trabalho, um licenciado precisa ter um ordenado 370€/mês maior que um trabalhador com o 9.º ano.
Mas o Estado paga cerca de metade do investimento (com a escola gratuita ou fortemente subsidiada) pelo que, olhando ao investimento individual, a licenciatura justifica-se desde que haja um incremento no salário de 185€/mês.
Então, se um trabalhador com o 9.º ganhar 485€/mês, um licenciado com idênticas capacidade inatas ganhará 670€/mês. Um salário médio de um trabalhador com o 9.º ano de 750€/mês implica um salário médio de um licenciado de 935€/mês.

Mas as expectativas são muito maiores.
Aqui é que está o problema. É um sacrilégio dizer a um licenciado que se ele conseguir  ganhar 750€/mês, tem um ordenado justo.
Isso não dá para nada. Não dá para ter carro, casa e fazer férias como os actuais licenciados têm e fazem.
Mas isto acontece apenas porque o Estado, não necessitando de olhar à despesa pública porque havia sempre quem emprestasse dinheiro, foi aumentando os salários dos seus trabalhadores sem atender às condições da economia.
Então, ao longo dos anos a economia privada não conseguiu captar licenciados porque os  licenciados vão preferindo ficar desempregados à espera de se encaixarem no Estado como professores, médicos ou técnicos superiores.

Fig. 2 - Berram berram berram mas já não há onde mamar.

Por isso é que os ENVC faliram e a "solução" arranjada é inviável.
Se formos a um estaleiro naval coreano (nos programas do Discovery), vemos que, desde os soldadores aos operadores de gruas, são quase todos licenciados. Se formos aos ENVC, o máximo que lá vemos é o "5 ano antigo" e a maioria é "4.a classe".
Construir um barco é uma coisa muito sofisticada porque é preciso minimizar o custo de produção, o consumo de combustível, o nível de vibração e ruído, as necessidade de manutenção e de tripulação o que é fácil se o barco andar a 3 nós (5,6km/h). Por exemplo, a 3 nós é suficiente um cavalo para, nos canais ingleses, puxar uma barcaças com 100t de carga.
Mas o problema é que, a 3 nós, ir de Lisboa ao Rio de Janeiro em linha recta (7800km) e voltar precisa de 4 meses de viagem.
Então,  é preciso também maximizar a velocidade de forma a atingir um mínimo aceitável de 15 nós (7,7m/s; 28km/h). Isto já é uma enorme desafio da engenharia, comparável a fazer um carro de formula1 mas do tamanho de um estádio de futebol incluindo bancadas para 100 mil pessoas.
Afinal, o que precisamos para voltar a crescer?
 Toda a gente sabe mas não quer aceitar. Estamos todos em negação.

Mais poupança. Precisamos aumentar a poupança (e reduzir o consumo) em 10% do PIB. Temos que poupar mais 16 mil milhões € a cada ano.

Mais licenciados. Precisamos aumentar o número de alunos no ensino superior em 50%, mais 25 mil entradas em cada ano.

Menor custo de produção da escolaridade. Temos que fazer mais licenciados com menos despesa pública o que passa, necessariamente, pela redução dos salários dos professores, turmas maiores, professores menos competentes.

Mais licenciados no processo produtivo. Os licenciados não podem ter a expectativa de que vão ser professores, médicos ou técnicos superiores a receber ordenados chorudos à custa do Estado. Têm que ser engenheiros, economistas, arquitectos, etc. mas a trabalhar no sector produtivo e com salários compatíveis com os custos da formação (mais 200€ que os não licenciados).

Vamos esquecer o Mandela e isso do PISA que isso não nos leva a lado nenhum.

Pedro Cosme Costa Vieira

6 comentários:

Diogo disse...

O Mandela deixou a Africa do Sul na miséria. Economia estagnada, desigualdades sociais e o racismo continua, mas agora contra os brancos.
Lembro me que na Escola primária vieram 3 rapazes (e as suas familias) de lá para fugirem aos assaltos e assassinatos que eram muito comuns contra os brancos.
Não é de admirar, o próprio mandela era racista (https://www.youtube.com/watch?v=yC8qQE4Y2Js) e assassino em serie (http://en.wikipedia.org/wiki/Church_Street_bombing).

O professor não entra em conta com a obvia diferença cultural em relação à educação na Coreia do Sul. Os alunos matam-se a estudar (mais de 8 horas por dia). Veja no youtube.

Uma pergunta, o que pensa da avaliação de professores? E qual seria o seu impacto se avançar? Professores mais competentes?

Antonio Cristovao disse...

Mas temos um problema complicado: nem os alunos com licenciatura querem trabalhar de soldador(ainda agora foram amigos para Londres porque só encontravam empregos "menores", nem os "donos" do ensino em Portugal estão dispostos a abdicar dos seus estatutos de grandes educadores da escola publica nossa(deles claro).A mentalidade napoleonica que impera acha que por estatuto nunca se pode aceitar menos que o grau(nobreza,social,educação) "merecem".

Diogo disse...

Caro Cosme, a sua inteligência «de economista» não deixa de me espantar!!!


Cosme: A África do Sul é o país com mais desigualdades do Mundo (juntamente com os vizinhos Namíbia e Botswana). Tem um coeficiente de Gini de 0.63 (o máximo é 1,00, em que uma única pessoa tem o rendimento total do país e o mínimo é zero, em que todos têm o rendimento médio).

Diogo: Qual era o coeficiente de Gini da África do Sul em 1950 ou em 1900?


Cosme: Comparemos com a Coreia do Sul. Ambos os países têm a mesma dimensão humana, 50milhões de habitantes…

Diogo: Porque não com a França ou a Inglaterra? A mesa dimensão humana…


Cosme: Quem foram os homens que conduziram a França ou a Inglaterra da pobreza à prosperidade?…


Caro Cosme, insigne economista, será que você não sabe distinguir um país onde a maioria da população é fortemente alfabetizada e de outro que cuja grande maioria é pré-neolítica?

Fernando Gonçalves disse...


O cancro do sistema está obviamente na desvalorização salarial e social que se gerou numa série de empregos que se assumiram pouco qualificados,pelo que um licenciado não quer legitimamente ser operador de caixa ou empregado de balcão.Na Dinamarca a diferença salarial é muito baixa entre um emprego qualificado e um não qualificado.E porquê?porque sendo a maioria da população licenciada o valor relativo dum trabalho qualificado diminui,pois a relação procura/oferta no mercado de trabalho assim o dita.Daí a importância da educação no nosso país para de facto diminuir esse hiato salarial entre as diferentes profissões. É demagógico quando se falam em mihares de postos de trabalho que não têm procura,até aprece que estamos a nadar em fartura,se há assim tanto desemprego basta aumentar os salários mais baixos para atraírem portugueses para essa funções.Não é importando tailandeses por tuta e meia para fazerem esses trabalhos que os portugueses não querem. É isso que a Dinamarca faz,limita a imigração para não baixarem os salários,conseguindo assim manter uma sociedade bastante igualitária e coesa.Em Portugal querem que as pessoas trabalhem muito barato só para sermos competitivos.Competitividade com trabalhadores pobres,que grande vantagem!

Luís Pombo disse...

O professor refere que um licenciado deve ganhar mais "x" que um não licenciado, de forma a compensar, em 45 anos, o investimento que fez na sua educação. Imediatamente antes refere uma série de vantagens competitivas que um trabalhar com licenciatura tem face a um não licenciado. Está por isso a dizer que, em situações normais, o valor acrescentado do trabalhar com licenciatura é exactamente igual ao acréscimo de salário que necessita para compensar o investimento.
Ora vistas as coisas por esta perspectiva, que mau negócio é estudar. Ou melhor, é completamente indiferente. O seu raciocínio implica que o investimento na educação pessoal não pode ter uma rentabilidade positiva a, porque o que o estudante estudou, aprendeu e desenvolveu, é economicamente meramente igual àquilo que pagou pela educação.
Se assim fosse, ninguém faria MBA's nem aspiraria a estudar nas melhores escolas. Seria irracional.

Económico-Financeiro disse...

Estimado Luís,
Os +185€/mês é o valor limite em que considerei uma remuneraçãor eal de 2%/ano do capital investido.
Se o licenciado conseguir +186€/mês já tem lucro (em termos de salário) no investimento.
Além disso, a licenciatura tem vantagens não patrimoniais para a pessoa.

Estimado Diogo,
Eu não tenho dados da desigualdade na ZAF em 1900 mas tenho em 1993, 0.59, e em 2009, 0.63 pelo que a desigualdade não diminuiu desde que acabou o Apartaide (será que acabou mesmo?).
O problema mais grave da ZAF é que diminuir as diferenças obriga a degradar a posição dos brancos. O que o Mundo defende em Mandela é ele ter mantido a situação, em que a minoria branca continua rica e a maioria negra pobre.
A Coreia do Sul é um exemplo porque nos anos 1950 era muito pobre, mais que muitos pa´sies africanos, e agora é um país rico. Não se pode comparar a ZAF com a França ou Inglaterra porque, em 1960, já estavam em níveis de desenvolvimento muito diferentes.

Estimados António e Fernando,
Todas as pessoas querem um emprego leve, com bom salário e que dê estatuto social.
Se somos todos livres de fazer empresas e cooperativas, porque não experimentarmos fazer postos de trabalho desses?
Porque a realidade não o permite.

Um obrigado a todos pelos comentários.
pcosme

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