sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Emprego, desemprego e emigração

Na taxa de desemprego para 2013, o Gaspar acertou. 

Quando da discussão do Orçamento de Estado para 2013, o Gasparzinho apresentou como previsão para o desemprego de 2013 uma taxa média de 16,4%. 
Na altura ninguém acreditou, eu incluído, porque a previsão para 2012 tinha tido 2,5 pp de erro. O Gaspar começou com 13,4% (OE2012, p. 18) e a realidade ficou-se nos 15,9% (Eurostat). 
A minha previsão foi que, porque no OE2013 estava 16,4%, íamos acabar com 19% de taxa de desemprego. 

Usei expectativas adaptativas.
Que consiste em pegar no erro de previsão do ano anterior e aplica-lo como correcção à provisão para o ano seguinte.
Mas, pelo menos desde Muth (1961), toda a gente que estudou economia, sabe que as expectativas adaptativas (de Cagan, 1956) têm erro sistemático e não têm capacidade de prever os pontos de viragem das variáveis económicas. 
Foi exactamente o que aconteceu com a minha previsão. Eu usei o modelo adaptativo que sabia estar errado.

Errei mas não foi grave. 
Grave foi pessoas muito relevantes para o nosso país, antigos ministros das finanças e putativos futuros ministros das finanças o terem feito. 
Todos nós erramos mas, eu, sem qualquer gravidade pois vozes de burro não chegam ao céu.
Agora, ex-ministros terem-no feito, indica como fomos governados no passado. E putativos futuros ministros, indica como, a concretizar-se a vitória do Seguro nas legislativas de 2015, iremos ser governados.
Devemos usar nas previsões modelos que têm em atenção o Futuro (e não o Passado). Se isso não for possível, as previsões têm que ser usadas com muita cautela e caldos de galinha. 

O paradigma económico mudou.
O modelo do passado é a "economia keynesiana" onde o crescimento acontece puxado pela procura.
Nessa economia primeiro, aumenta a despesa pública, o consumo e o investimento o que induz um aumento dos preços, dos salários e das importações. Numa segunda fase, aumenta o PIB e, decorridos uns 12 meses, o desemprego começa a diminuir.
O modelo actual é a "economia clássica" onde o crescimento acontece empurrado pela produção.
Nessa economia primeiro, diminuem os salários o que induz um aumento do emprego, uma queda dos preços e um aumento das exportações. Quase simultâneamente, o PIB aumenta.
Mesmo quando o Eurostat mostra que o desemprego está há 10 meses a diminuir, ainda saem estudos (como hoje no JN sobre um relatório do FMI) que afirmam que "o desemprego só começará a diminuir quando a economia crescer 2,7%/ano".
Se isto fosse verdade, nunca mais o desemprego iria diminuir (porque nunca mais teremos taxas de crescimento de 2,7%/ano).

Mas o desemprego está mesmo a diminuir.
A Eurostat tem como dados provisórios para 2013 uma taxa de desemprego média de 16,5% que compara com a previsão do Gasparzinho (feita em Out2012) de 16,4%.
O Gasparzinho até pode ter acertado pela pior das razões (usou os 16,5% de Set2012) mas o facto é que acertou.
O desemprego (com correcção da sazonalidade), depois do máximo de 17,6% de Jan/Fev  de 2013,  começou a diminuir 0,22 pp por mês, já lá vão 10 meses. Cada mês há menos 12 mil pessoas no desemprego.

Fig. 1 - Evolução da taxa de desemprego portuguesa (dados: Eurostat)

Para ilustrar como esta redução é rápida, se continuar (lá volto eu a usar as expectativas adaptativas, não aprendo mesmo), o Passos Coelho vai arrancar a campanha eleitoral a anunciar que a taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2015 é inferior à taxa de desemprego que herdou do último trimestre, 2T2011, do reinado do Sócrates (12,5%).

Fig. 2 - Ampliação da Fig. 1

O bom é estar entre 5% e 8%.
Pois é mas isso ainda vai demorar tempo.
Quando o desemprego está acima desta faixa, há emigração e redução de salários.
Quando o desemprego está abaixo desta faixa,, há imigração e aumento dos salários.

Mas estará o Emprego a crescer?
O mercado de trabalho tem os empregados, os desempregados e, somando estas duas parcelas, temos a população activa.
Na dinâmica do mercado de trabalho, a população activa diminui pela emigração e a passagem à inactividade (imaginando que ninguém nasce nem morre).
O que se observou no período pós crise-do-subprime é que, cada mês o desemprego aumentava em 9500 pessoas e as pessoas empregadas diminuíam em 14000 pessoas o que traduz que se "perdiam" 4500 pessoas activas por mês.
Por cada 3 empregos "destruídos", 2 de pessoas iam para o desemprego e 1 pessoa desaparecia da população activa.

Fig. 3 - População empregada e população desempregada em Portugal (dados: INE)

Caiu o desemprego e subiu o emprego.
Nos últimos trimestres, o número de pessoas desempregadas tem diminuído ao mesmo tempo que aumenta o número de pessoas a trabalhar.
Agora, por cada 19 pessoas que saem do desemprego, criam-se 20 empregos o que traduz que não só parou a hemorragia de população activa como a situação reverteu ligeiramente.
Mas olhando para a Fig. 3, vemos que voltar ter uma taxa de desemprego na ordem das 400 mil pessoas (8% na Fig. 1) e 5200 mil empregos ainda vai demorar uns anitos.
Lá para o fim do segundo mandato do Pedro Passos Coelho.

Agora o Gás Natural.
Esta semana saiu uma pequena notícia no Sol a que ninguém deu importância mas que vai, em termos tecnológicos, no bom sentido.
O governo decidiu que a electricidade não é uma tecnologia com potencial para usar nos automóveis e que o futuro é o Gás Natural.
Com as novas técnicas de exploração de gás natural, nos USA esta forma primária de energia está muito, muito, muito barata, na ordem dos 0,02€/kwh, um décimo do preço que pagamos pela nossa electricidade.

O problema da electricidade.
As baterias têm pouca densidade de energia.
Mesmo usando 375 kg de baterias, a energia acumulada correspondente a 6 litros de gasóleo.
Então, para haver uma autonomia na ordem dos 130km, o gasto energético tem que ser muito baixo (média de 17 cavalos, à velocidade de 90km/h).
Mas para este nível de desempenho, um carro a gasóleo só consome 3l aos 100km.

A electricidade é mais cara que o gasóleo (sem ISP).
Para um consumo eléctrico óptimo de 14kmh/100km, com um rendimento do 80% e um preço de 0,20€/kwh, o "combustível" do carro eléctrico fica em 3,5€/100 km.
Para o mesmo consumo óptimo, os 3l/100km de gasóleo sem o ISP, tem um preço de 0,80€/l, ficando o combustível nos 2,5€/100 km.

E muito mais cara que o gás natural?
Um motor a gás natural usa 25% de gasóleo. Então, se viermos a ter os preços americanos, o custo em combustível ficará em 1,00€/100km.

Mas o gás natural também tem problemas de autonomia.
Porque à temperatura ambiente, para conter a energia de uma bateria de 375kg ou 6 litros de gasóleo é preciso uma garrafa de 75 litros à pressão de 100atm que, em aço, pesa 20kg.
O gás natural é indicado para transportes urbanos de passageiros onde as distancias percorridas são pequenas e onde o reabastecimento frequente não causa problemas,

O reabastecimento do gás natural é rápido.
Re-carregar uma bateria demora muito tempo, várias horas, e destroi rapidamente a bateria (0s produtores indicam que ao fim de 8anos - 100000km, a bateria tem entre 50% e 70% da capacidade de carga original).
A reabastecimento do gás natural é rápida (uns 5 minutos) e não degrada o sistema.

Fig. 4 - Anda carregar que isto não é barato mas não se estraga com o uso.

Pedro Cosme Costa Vieira

1 comentários:

Antonio Cristovao disse...

Os eleitores andam com asco(repelem) as previsoes que muitos espertos debitam como exercicio inocente ou não mas que passado uns meses se verificam ser taocertos como as do varredor lá da minha rua (curiosamente tambem se pela por vaticinar). olhando só para os maiores -previam chumboos sucessivos daavaliação da troika, um segundo rasgate urgent,um segundo resgate menos urgente, um segundo resgate obrigatorio, um segundo rsgate menos obrigatorio; sem querer bater mais no cegueta que vê fantasmas se formos pela taxa de juro, desemprego, crescimento..encontramos os mesmos avantesmas a preverem e desacreditarem tudo o que seja seriedade em politica. Deviam ter vergonha ou estão ao serviço de forças que visam isso mesmo. desacreditar os jotinhas/holandinhos e a sua irresponsabilidade nata. Se dependesse de mim cortava-lhe os mercedes e bmw e pagava-lhe opasse social.

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