sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Poderemos continuar no Euro?

Muitas pessoas me têm feito esta pergunta. 

Quando, em 2011, a taxa de juro média da dívida pública estava acima dos 20%/ano, parecia  certo que Portugal iria abandonar o Euro e retornar ao Escudo. Falou-se muito na comunicação social desta contingencia que, decorridos apenas 2,5 anos, passou a ser um não-problema porque a taxa de juro média já está nos 2,7%/ano, bastante abaixo dos 4,1% de 2007, ano anterior à Crise do Sub-Prime (calculada para uma maturidade média de 3 anos).
Se com as taxas de juro de 2007, dos impostos que cada um de nós paga, 850€/ano são para juros, com as taxas de agora só teríamos que pagar 600€/ano para juros.
A crise finaneira está completametne ultrapassada. Mas o problema é saber se os fundamentos que deram origem à crise já foram ultrapassados ou se continuam no meio de nós.
Qual foi o problema que o Euro nos colocou? 
Foi acreditarmos que os salários poderiam subir todos os anos como subiam antes de 1995 até se equipararem aos do Luxemburgo.
Este erro levou  o Guterres ao poder para iniciar uma politica de rendimentos e preços totalmente desligados da realidade da nossa economia que nos levou a um endividamento externo insustentável.
O sórates fechou os molhos quando, num curto espaço de tempo, aumentou o Salário Minimo Nacional de 403€/mês para 485€/mês.

Para que serve a moeda própria. 
Um país tem moeda própria para poder ajustar as suas contas com o exterior, medidas pelo défice da Balança Corrente. Se, num período, um país passar a importar mais do que exporta (mais o turismo e as transferências), o país passa a ter défice externo que precisa financiar com endividamento externo. 
O défice externo é difícil de controlar pelos politicos se as pessoas tiverem visão curta pois o endividamento faz o nível de vida melhorar no curto-prazo para o piorar no futuro (será preciso pagar a dívida mais os juros), quando já serão outros a governar. 
É tal qual aquelas pessoas que prejudicam todo o ano (a pagar prestações) porque tiveram uma grande passagem de ano, comendo leitão (em vez de frango) e andando de limusina (em vez de a pé), mas paga a crédito. 

A moeda própria permite equilibrar rapidamente as contas com o exterior.
Se exportamos menos do que o que importamos, desvalorizamos o Escudo face aos nossos parceiros comerciais o que faz diminuir o preço dos nossos produtos (face ao exterior) e aumentar o preços dos bens importados (internamente). Este duplo efeito faz diminuir a importações e aumentar as exportações. Se, pelo contrário, exportamos mais do que o que importamos, valorizamos o Escudo face aos nossos parceiros comerciais o que tem o efeito contrário.
Quando, por exemplo, o governo decretou um aumento dos salário mínimo nacional em 20%, a moeda desvalorizava, a inflação aumentava, e tudo voltava rapidamente ao equilíbrio anterior.
Os salários em Escudos ficariam iguais.
A desvalorização da moeda permite que os salários, as pensões e a despesa pública diminuam (face ao exterior) mas fiquem internamente iguais (em Escudos).
Desta forma, há a ilusão de que os rendimentos aumentam quando, na realidade, o seu poder de compra diminui (por causa do aumento dos preço dos bens e serviços importados).
Em termos psicológicos, as pessoas não penalizam eleitoralmente o governo pelo ajustamento via devalorização.
Desde 2006 passamos a ter um défice externo colossal.
O Guterres e, posteriormente, o Santana Lopes e o Sócrates pensavam que poderiam dar tudo a todos para todo o sempre. O Holland pensava o mesmo e o Seguro ainda o pensa.
Se calhar não pensavam bem isso nem o Seguro o pensa agora. O mais provável é estes políticos pensarem que, enquanto derem tudo a todos, conseguem manter os tachos e, quando o país rebentar, vão-se embora mas com pensões milionárias que o Tribunal Constitucional há-de proteger.
Fig 1 - Enquanto durar, dura e quando rebentar caindo na barriga e no quadril, rebentou. 
O Sean Sullivan é para alegrar as vistas da Sofia Santos.

Entre 1996 e 2010, o endividamento externo foi de 120% do PIB. 
Isto traduz que, nestes 15 anos, cada português se endividou face ao exterior em 20 mil €.
Uma família de 5 pessoas inflamou o seu rendimento com 100mil€ de endividamento externo.
Foram 250€/mês para cada trabalhador.
Este endividamento externo massivo causou um erro na percepção do rendimento disponível das famílias. Agora, os "cortes" que estamos a sentir é o reverso, não são uma verdadeira quebra de rendimento mas apenas o terminar desse endividamento externo.
No tempo do Sócrates endividamo-no sempre acima dos 10% do PIB, todos os anos.
Notar que o Durão Barroso conseguiu em 2 anos reduzir o défice de 10,3% do PIB para 6,5% do PIB mas os do PSD+CDS puseram-lhe os patins e veio o Santana Lopes que aumentou logo o défice para 8,4% do PIB.
Quem foi o ministro da finanças do Santana Lopes? (Veja a solução no fim que nem vai acreditar).

Fig. 2 - Défice da Balança Corrente (1990-2013, tradingeconomics)
Com o Euro, temos que ajustar pelos salários nominais.
Com o Euro, não podemos desvalorizar. Desta forma, o equilíbrio da balança corrente obriga a que os preços do bens e serviços que exportamos diminuam internamente o que apenas é conseguido pela redução dos custos do trabalho em termos nominais (redução dos salários em euros).
Como a queda dos salários induz contracção nominal do PIB, também é preciso reduzir a despesa pública.
Se os salários não diminuírem quando há défice externo, aumula-se dívida o que a prazo obriga a que a currecção seja feita pela subida da taxa de juro e pelo desemprego (como estamos a viver desde Jan2010).

Será que o nosso mercado de trabalho é suficientemente flexível?
Se o nosso mercado laboral não for flexível em baixa, no longo-prazo pertencer à Zona Euro terá um impacto negativo na  nossa taxa de crescimento do PIB.
Então, para podermos continuar na Zona Euro, a resposta a esta questão tem que ser afirmativa.

Tenho muitas dúvidas disso.
As sondagens darem maioria aos socialistas parece indicar que a maioria dos portugueses acredita no "outro caminho", no "caminho do crescimento e do emprego em austeridade", prometido pelos esquerdistas, em que podemos ficar no Euro sem descer salários nem pensões nos períodos de crise.

Mas o Holland dá-me alguma esperança.
Em 2012, o Holland chegou a presidente da França prometendo bater o pé à Sr.a Merkel e iniciar o "outro caminho". Claro que o "outro caminho" é apenas uma miragem pelo que o meia leca teve agora que avançar com o "caminho da austeridade".
Tenho esperança de que a falhada experiência francesa venha a ajudar os portugueses a ver de que há total necessidade de ajustar os nossos salários em baixa.

Bastaram 2 anos para derrotar o "outro caminho".
Na França, o Holland aguentou 2 anos om a conversa do "outro caminho" até que deu o braço a torcer.
No Egipto, a Irmandade Muçulmana também prometia um caminho de leite e mel. Apesar de anos e anos de repressão policial, a cada crise económica, a IM foi-se tornando cada vez mais populares até que, em 2011, a guerra civil parecia inevitável. A solução foi dar-lhes o poder para poderem implementar o prometido "outro caminho". O problema é que, ao fim pouco 2 anitos, o caminho foi tão desastroso que centenas de milhares de pessoas pediram nas ruas um governo militar.
Em Portugal, em 1974/1975 dois anitos de governo de influência comunista foi suficiente para os mandar, até hoje, para um canto da oposição.
Parece que 2 ano é a validae do governo demagógicos mas o Guterres aguentou 7 anos e o Sócrates  6 anos mas o nós temos a desculpa de termo sido enganado pelo crédito fácil (que acabou).
Fig. 3 - Estará o nosso povo, tal como os egipcios, convencido de que o "outro caminho" é um logro?

O ajustamento do salários é um sinal de esperança.
Até finais de 2011, as pessoas resistiram com todas as suas forças contra a descida nominal dos salários mas, finalmente, o mercado está a ajustar. Olhando para as estatísticas da Eurostat, desde 2011 os nossos custos do trabalho diminuíram 10% relativamente aos nossos parceiro da ZE12.
Este ajustamento permite que a nossa inflação seja menor que a da Zona Euro o que tem levado ao aumento das exportações e à diminuição do desemprego.
Fig 4 - Custos do trabalho em Portugal relativamente à Zona Euro 12 (fonte: Eurostat, Business, corrigido da sazonalidade e dos dias de trabalho)


Volto a estar pessimista - o PIB cresce cada vez menos.
Apesar de o nível de vida de um povo depender de múltiplas variáveis, o total de bens e serviços produzidos na economia é a componente mais importante. Todos nós sabemos que não é possível haver qualidade de vida sem acesso a bens materiais e por isso é que toda a gente grita a pedir mais salários e pensões e menos impostos.
O produzido por cada um de nós, em média, é medido pelo PIB per capita.
Então, para o nosso nível de vida melhorar, o PIBpc tem que aumentar. O problema é que o nosso PIBpc está a crescer cada vez mais devagar estando estagnado desde que entramos na Zona Euro.
Desde 2000 que temos crescimento ZERO VÍRGULA ZERO.
Se de 1985 a 2000 crescemos 3,7%/ano, entre 2000 e 2012 estivemos totalmente estagnados.
Tivemos 12 anos seguidos de "políticas de crescimento" liderados pelo Guterres, Santana Lopes e Sócrates, com défices públicos (em 2009 e 2010) e externo acima dos 10% do PIB, mas que resultaram num crescimento ZERO (-0,05%).
Fig. 5 - A taxa de crescimento anual do PIBpc português está há 40 anos a cair e há 12 anos que é zero (dados: Banco Mundial)

E estamos a divergir.
Em 1991 a Alemanha teve que digerir a economia da ex-RA o que lhe coloou sérios problemas. Isso mais a nossa entrada na CEE que actualmente se chama UE, pemitiu que convergissemos um pontos percentual por ano com a Alemanha.
O problema é que desde 2000, mesmo com endiviamento externo massivo, temos estado a divergir 0,5 pontos por ano.
Será que vamos continuar a divergir como no tempo das politicas de crescimento do Sócrates ou vamo quebrar essa tendência?

Fig. 6 - Racio entre o PIBpc português e o alemão.  (dados: Banco Mundial)

E fico ainda mais pessimista.
Muita gente pensa ser provável que, algures no futuro, o António Costa venha a ser primeiro ministro de Portugal. Mas, ao reparar que a Câmara Municipal de Lisboa reduziu os horários dos seus assalariados para 35 horas por semana, ganho a certeza que, nesse hipotético cenário futuro, vamos voltar aos tempos do Guterres+Santana Lopes+Sócrates de dar tudo a todos enquanto não rebentar.
Isto é totalmente demagógico e imoral porque o António Costa, por um lado, é contra o Passos Coelho estar a esmifrar os contribuintes mas, por outro lado, esbanja os nossos impostos para ser popular junto dos assalariados da CML.

Mas não é só lá.
O Magnífico Reitor da minha universidade queixou-se na comunicação social que os cortes  orçamentais para 2014 são intoleráveis porque põem em causa o funcionamento da instituição.
Mas eu recebi um e-mail da comissão de trabalhadores a dizer que o Magnífico aceitou, sem mais, uma redução de 6,25% no horário de trabalho semanal.

Como é possível?
Haver uma Lei da República que obriga a 40h/semana de trabalho para TODA A GENTE e depois cada cacique torpedear isso localmente?
As pessoas são funcionários públicos ou funcionário da "empresa pública XPTO", uma entidade empregadora livre de acordar o horário que lhe der na real gana porque sabe que os salário serão sempre pagos pelo Orçamento de Estado?
No limite, podemos ter funcionários públicos dispensadas de trabalhar.

Vamos Seguro, mostra coragem e manda isto para o Tribunal Constitucional.
 
Como é possível um trabalhador num local, seja uma câmara ou uma universidade, trabalhar 40h/sem e outro trabalhar 35h/sem ganhando ambos pela mesma tabela salarial?
A redução dos salários de alguns funcionários públicos viola totalmente os princípios constitucionais da igualdade (entre funcionários públicos) e da confiança (dos contribuintes de que os governantes usarão os seus impostos com zelo).

Fig. 6 - Essa tem graça mas eu agora vou fazer de morto pelo menos até às europeia.
Re-encaminhar para o Xé Xé Soares.
O que se pode concluir quanto à viabilidade da nossa permanência no Euro?
Não estou certo que, no longo prazo, seja positivo para Portugal pertencer a uma zona monetária que inclui países do centro da Europa cujas culturas e economias são, tudo indica, diferentes da nossa.
As crises económicas de 2002, 2008 e 2010 mostraram que temos muita dificuldade em ajustar e as expansões de 1996 e 2009 foram muito ténues e com elevado endividamento externo.

No longo prazo é preciso responder a 4 questões. 
1) No próximo período de expansão (2014-2015) vamos voltar ao desgoverno de 1995-2010?
2) Como irá ajustar a nossa economia quando aparecer a próxima crise (lá para 2017)?
3) Qual vai ser a taxa de crescimento do PIBpc na próxima década?
4) Conseguiremos inverter a tendência de divergência com a Alemanha?

Continuo pessimista quanto à nossa permanência no Euro.
Só se, em 2015, o povinho português rejeitar a ilusão do "outro caminho" dando o voto ao Passos Coelho é que eu me convencerei que temos algumas chances de continuar no Euro.
Actualmente ainda não acredito que o nosso povo esteja preparado para viver em Escudo.

Fig. 7 - Não compreendo o porquê da pergunta. Fui exactamente eu quem acabou com a "politica da tanga" do Durão Barroso e deu inicio à "politica de crescimento e emprego" que o Sócrates + Teixeira dos Santos apenas copiaram.

Pedro Cosme Costa Vieira.

12 comentários:

Diogo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Chilavert disse...

Professor o declinio portugues começou á 22 anos atrás quando se assinou o tratado de Maastricht e se delineou o plano para integração na UE.As pessoas, principalmente quem nos dirigia na altura(curiosamente o actual Presidente da Républica), apenas pensaram no dinheiro de fundos estruturais(maioria desbaratados em politicas de betão sem qualquer linha orientadora) e nos subsidios a fundo perdido para compensar desmantelamento de industrias e sector primário, favorecendo apenas uma pequena minoria e atirando umas dezenas de milhar para o desemprego.
Estavam criadas todas as condições para a bolha imobiliaria florescer e os seus negócios adjacentes:absorção da mão de obra não qualificada, financiamento bancario sem limites e sem regulação, emergencia da especulação,inflação salarial não correspondente a riqueza criada etc...
Ninguem quis interregar se como é que se achava possivel aplicação na prática de um plano para em 10 anos encostarmo nos aos paises mais desenvolvidos quando esses paises tinham 47 anos de avanço sobre nós(desde a segunda grande guerra até 92), apenas se pensou no dinheiro fácil e em enriquecimento celere!
Apesar de parte do que o professor aqui coloca serem factos( desde 2002 não haver crescimento, escalada do endividamento, politicas disparatadas)não deixa de ser irónico que um dos principais responsaveis pela nosso trajecto ocupe o cargo de Presidente da Republica e apenas assista ao que se passa sem uma intervenção ou um assumir de responsabilidades.
Portugal foi vendido ao facilitismo.
Ao contrario do que se diz o portugues é humilde, trabalhador e é capaz de construir um futuro para si e para as gerações futuras, tem sido é mal liderado por pseudo elites com visão limitidissima( apenas vêm os beneficios próprios e para a sua classe) e com idoneadade questionavel.

Orlando Silva disse...

Certíssimo. Sócrates foi quem mais apostou no crescimento... e perdeu. Foram mesmo essas "políticas de crescimento" que deram origem à Crise soberana. Agora, há que "desalavancar" um pouco, e gerir o estado como os alemães.

Desde que existem fronteiras, que os países competem entre si.
Em disputa está, quase sempre, a Riqueza e a sua Criação.
Hoje em dia, usar a força para extrair a Riqueza dos outros está fora de questão. Mas são frequentes os assaltos aos recursos naturais. (exemplo: a Energia produzida nos "nossos" rios pertence agora aos chineses)
Os alemães foram mais subtis na sua abordagem aos nossos rendimentos. O LIDL consegue pôr em Portugal os produtos alemães mais baratos que os nossos, parcialmente pela sua eficiência, mas também graças aos subsídios.
A grande questão: Porque é que os portugueses não concorrem aos subsídios para desenvolver a Agricultura e Industria, de modo a produzir cá os tais produtos baratos que nós tanto gostamos?
A resposta: Porque "o jogo está viciado". As regras para obter os enormes subsídios da UE são tão rígidas que só os Grandes conseguem satisfazer os requisitos! Assim, os Pequenos estão condenados ao fracasso (seguindo a agenda do neo-liberalismo). Não estão cotados em bolsa, logo não interessam.
Eventualmente uma revolução (como a saída do Euro) pode resolver os desequilíbrios. Ou algo mais subtil, como as Taxas Alfandegarias sobre a Importação. Sei que existem na Inglaterra, mas dizem que a OCDE proíbe; precisamente para defender os exportadores :(
Resumindo, a UE parece cada vez mais um mecanismo para favorecer os ricos, tal como a OCDE já é.

Sugestão: Como os privados estão tímidos para fundar novas empresas produtoras de Bens&Serviços transaccionáveis, o estado podia dar o "pontapé de saída" a algumas "start up" para depois privatizar (ou não).

Fernando Gonçalves disse...


Caro Pedro Cosme:Quando tivermos o salário dos chineses seremos muito competitivos,verdade à la palice,nem é preciso ser doutor para perceber isso.Será que não tem uma ideia mais construtiva de desenvolvimento?

Fernando Gonçalves disse...


No seu blogue já escreveu 310 posts,e por curiosidade reparei que temas como equidade,justiça social,redistribuição de rendimentos,pobreza,estão completamente ausentes.Diga-me se não se trata duma completa obcessão ideológica que considera tudo isso como danos colaterais ao sistema?Ou então julgar que a eficiência e o crescimento resolvem automaticamente tudo isso,o que de facto não é verdade dr pedro cosme,como está francamente provado.

Manuel disse...

Professor

Não me parece que a desvalorização cambial tenha um efeito semelhante à desvalorização salarial, no que respeita ao défice orçamental.

Manuel

Jaliba Barboza disse...

Quero o Escudo de volta já!
Tenho saudades de como isto me protegia!!

Sofia Santos disse...

O seu raciocínio até podia ter algum interesse... mas perdeu-o quando colocou a imagem da menina.

Económico-Financeiro disse...

Sofia,
Abradeço muito o comentário.
Acrescentei uma imagem para alegrar as vistas da Sofia.
pc

Ricardo Jorge Nogueira Santos disse...

Fig. 4, custos do trabalho… Não me dei ao trabalho de perceber estes índices que usam sempre para chegar à conclusão que percola demasiado dinheiro para a base em Portugal. Quem escreveu o artigo também não achou que o devia explicar. Deve pensar que somos todos pessoas com o mesmo nível de cultura financeira, provavelmente a culpa é minha. Ou então será aquela história do "If you can't explain it to your grandmother, you don't understand it well enough." - Albert Einstein…
No mesmo eurostat está um número que eu percebo melhor que um índice em percentagem, que é o proveito hora de trabalho em euros em 2010. Em Portugal estava abaixo os 5€, penso que o mais baixo da zona euro. A média da EU a 27 estava acima dos 10€. Logo o problema do custo não deve estar naquilo que nos é pago. Espero que este endereço do gráfico funcione: http://epp.eurostat.ec.europa.eu/statistics_explained/index.php?title=File:Median_gross_hourly_earnings,_all_employees_(excluding_apprentices)_2010_(1)_(EUR)_YB14.png&filetimestamp=20131205175231

Económico-Financeiro disse...

Ricardo,
Não é assim tão dificil de explicar, eu é que sou mau.

Se numa hora ganhássemos 5€ e produzissemos 1 sapato e um espanhol ganhasse 10€ mas produzisse 3 sapatos exactamente iguais ao nosso então, o custo do trabalho em Espanha seria 67% (seria menor) do nosso.

Por isso, os custos do trabaho apenas podem ser usados na comparação entre países se os euros/hora forem corrigidos pelo valor produzido numa hora de trabalho(a produtividade horária do trabalho).

O valor produzido depende da quantidade e da "qualidade". Enquanto o nosso Espumoso tiver menos valor em € que o Champanhe, o nosso salário horário na vinha será inferior ao francês.

E isto não depende da vontade nem das convicções dos governantes.
Se dependesse, na Venezuela o salário seria o maior do Mundo.

pc

Ricardo Jorge Nogueira Santos disse...

Obrigado pela explicação. Quando me explicam como a uma criança de 5 anos eu consigo compreender… Já agora prefiro a sua explicação ao jargão técnico do eurostat.

Mesmo assim não concordo com a conclusão, que é a mesma que vejo sempre tirar de outro indicador: a produtividade. Que se eu percebi a sua explicação está relacionada com este índice,

Eu não estou certo de que os salários tenham que ser baixos porque a produtividade é baixa, ou se a produtividade é baixa porque os salários são baixos. Pegando no exemplo dos sapatos, se o trabalhador ganhar 10€ o empresário tem que organizar a produção para produzir 3 sapatos. Ou produzir o mesmo número de sapatos mas com mais valor, que é o objetivo da nossa indústria do calçado que considera difícil aumentar o número de pares de sapatos produzidos.

O espumoso também é um bom exemplo. Pode sempre decidir-se baixar os ordenados para tornar o negócio sustentável, ou não mexer nos ordenados e obrigar os empresários a apostarem em vinhos com mais valor acrescentado.

Os salários ainda têm outro problema, que é o do valor mínimo necessário para se poder viver em Portugal. Ou seja, há um limite que penso que já foi atingido abaixo do qual não se podem baixar os salários. Alexandre Soares dos Santos considera que não é com 500€ por mês que se motiva uma pessoa para ir trabalhar todos os dias, pois não consegue viver razoavelmente com o resultado do seu trabalho.

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