quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Os Mirós são para vender e a dívida pública é para pagar

O problema da nossa comunicação social são os pormenores. 

É a morte do Eusébio, são 6 pessoas afogadas no Meco, é um ferido que anda 400km para ser socorrida, é uma onda que invade umas esplanadas, é uma ventania que arranca uns plásticos de umas estufas, é a amante do Hollande. 
De entre essas pequenas notícias, nos últimos dias surgiram duas com especial força.

Os Mirós devem ser vendidos.
O Joan Miro i Firrà (1893.1983) é, sem qualquer dúvida, um dos maiores criadores artísticos que jamais existiram. Porque as obras dos grandes criadores são raras e dão prestigio a quem as possui, parece natural que tenham muito valor e custem muito dinheiro e, por isso, sejam para quem pode.
Como nós não podemos, vendam-se os aneis para podermos ficar com os dedos.

Fig. 1 - Mulher boa em frente do Sol (Miró, 1950), litografia avaliada em 100€

O BPN foi gerido à moda do Sócrates.
O BPN fez muitos negócios ruinosos para ajudar amigos, por exemplo, emprestou 176000€ para alguém, talvez de um partido, comprar um VW Golf em segunda mão. 
Nessas loucuras, não sei se comprados verdadeiramente ou para ajudar alguém, acabou com 85 quadros do Miró, intangiveis que usou como garantia de um empréstimo de 4800 milhões € junto da Caixa Geral de Depósitos.
Exactamente, quatro mil e oitocentos milhões de euros garantidos por 85 quadros que estão avaliados em trinta e cinco milhões. Cada euros de avaliação em quadros serviu, no tempo do Sócrates, para a CGD emrpestar 137€ ao BPN que nunca foram pagos nem nunca o serão pelo que temos que ser nós todos, com impostos e cortes, a tapar esse buraco. 

Os Mirós não nos dizem nada.
Forma escolhidos segundo os gostps e interesses de figuras menores em termos asrtísticos, burocratas  do BPN, sem qualquer preocupação quanto ao interesse nacional.
Tal é pouco o interesse da colecção que nenhum museu, famoso ou de vão de escada. pediu as obras emprestadas para as mostrar.
Quanto aos Mirós em termos genéricos, não conheço nenhum museu português que anuncie ter Mirós em exposição ou que tenha alguma vez programado uma mostra usando um Miró como cabeça de cartaz. Não conheço nenhuma pessoa que tenha ido visitar um museu português para ver um Miró.
E tenho a certeza que se for pedido a cada português 4,00€ para evitar a venda dos 85 Mirós, ninguém os dá de livre vontade.
Se fossem obras de autores portugueses de referencia como, por exemplo, Vieira da Silva, Columbano, Grão Vasco, Almada Negreiros, José Malhoa, Joséfa de Óbidos, Cargaleiro, Pomar, Cesariny, Nadir Afonso ou Paula Rego, fazia sentido haver um certo burburinho. Mas de um espanhol qualquer, que nunca viveu em Portugal, não faz sentido.

Fig. 2 - Tenho a certeza que um museu com 85 mulheres destas, mesmo que a entrada fosse de 500€, chamava turistas de toda a parte do mundo, repetidamente

Interessante o argumento dos comunas.
Não há ninguém que consiga seriamente afirmar que veio pelo menos um turista a Portugal para ver um Miró. 
Existe algum estudo que avalie o impacto dos nossos museus no turismo?


Mas, mesmo assim, os esquerdistas vieram com argumentos económicos, com bilhetes de entradas em museus e vinda de turistas estrangeiros, quando são tão contra essas questões mercantilistas. 

ZZZZZZZZ EEEEEEEE RRRRRRRRR OOOOOOOO
Alguém sabe quantos estrangeiros vêm a Portugal para visitar um  museu?
A esquerda continua a pensar que estamos no tempo do regabofe, do Estado comprar tudo o que apetece porque fica-se a dever e, depois, a divida não é para pagar.
Gasta-se a crédito e depois diz-se que a dívida é ilegítima.
Faz-me lembrar as famosas gravuras alegadamente rupestres de Foz Côa.
Diziam que o parque iria ter milhares e milhares de visitantes e vê-se hoje que, contando com as criancinhas das escolas que são obrigadas a ir lá, tem menos de 20 visitantes por dia. Três grupozitos.

A dívida pública é para pagar.
Os da esquerda tentar por em causa o apgamento da divida pública a ver se as taxas de juro param de descer.
A questão que se discute é se será possível o Estado pagar o que deve seguindo apenas um caminho orçamental normal.
O Pacto Orçamental indica um défice público de 0,5% do PIB. Se em 2013 o défice "económico" vai ficar nos 5,3% do PIB, terá que continuar a reduzir até atingir os 0,5% do PIB. A minha previsão é que vamos atingir essa meta no fim do próximo mandato (do Passos Coelho)

          Ano          2013     2014      2015      2016     2017       2018       2019
          Défice       5,3%     4,4%      3,5%     2,6%     1,7%       0,8%       0,5%

Previsão da taxa de crescimento do PIB.
Nos últimos anos, o PIB por trabalhador tem aumentado 1,2%/ano. Vou juntar a esta taxa o facto de o emprego dos actuais 15,3% de desempregados representar um crescimento do PIB total de 10%, repartido ao longo dos próximos 10 anos.

Vamos atingir 50% do PIB em 2050.
Se conseguirmos, como estamos obrigados pelo pacto orçamental, atingir e manter um défice público de 0,5% do PIB, em 2050 a dívida pública atinge os 50% do PIB que se verificava em 2000 (nessa altura vou estar a comemorar os meus 85 anos de idade).
Para mantermos um défice de 2% do PIB, se a taxa de juro média da dívida pública for de 3%/ano, precisamos de um superavite primário (i.e., sem juros) de 2% do PIB.
Vai ser duro mas é possível desde que não voltemos a ter governos caloteiros do tipo dos do Sócrates, Guterres ou Santana Lopes em que se faz despesa a crédito para logo argumentar que "pagar a divida pública é uma brincadeira de crianças".
Interessante como o que gastamos a mais em 12 anos nos vai demorar quase 40 a pagar.

Finalmente, as sondagens.
O Seguro esteve uns dias a fazer de morto mas teve que reaparecer porque as sondagens começaram a ser-lhe desfavoráveis.
Com a queda do desemprego e das taxas de juro e com o aumento do emprego e do PIB, cada vez mais povinho vai-se convencer que o Gasparzinho estava certo e que o "outro caminho" não passa de banha da cobra.
Será que na noite das eleições europeias, em finais de Maio, o Seguro vai cair abaixo do palanque?

Fig. 3 - Os do governo estão à minha frente mas é só um bocadinho

Pedro Cosme Costa Vieira

2 comentários:

BC disse...

Se eu fosse social-democrata defenderia a permanência das obras em Portugal. O argumento de que têm que ser vendidas porque os €35 milhões fazem falta é abusivo face a outros gastos do Estado.

Mas eu não sou social-democrata pelo que considero que o Estado não só não sabe tirar o melhor partido destas obras como não deve ser proprietário de nada.

Antonio Cristovao disse...

aqui presumo que os faz de conta que somos da oposição teve muita força nas patacoadas da Canavilhas, que se fosse pela minha bitola calava-se depois das decisoes que o seu partido endividou o país na area que se apresenta como sensata, mostrando o que entende por solidariedade =desde que alguem pague gastemos muito.
É que a discução sobre se vale a pena vender um Miro de tempos a tempos ou de atacado que se vinha a travar no meio há bastante tempo foi nestes dias esquecido pelas fantochadas canavilhescas. Com que seriedade jornalistica?

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