sexta-feira, 18 de abril de 2014

Esta semana não há novidades

O FC do Porto perdeu a taça.
Doeu perder estando a jogar contra dez e com uma vantagem de 1,9 golos.
Mas o desporto é mesmo assim. É a vingança daquele golo ao minuto 92 que deu o campeonato do ano passado.
E dizem os entendidos em economia que o fim da crise se deve exactamente ao Benfica estar vitorioso.
E eu a pensar que o Passos tinha um dedo nisso.

Fig. 1 - Pintinho, só podemos brincar com a cobrinha se tiveres o atestado médico em dia. 

Falou-se nos cortes para 2015 e da tabela única.
Relativamente ao que está orçamentado para 2014 (um défice de 4.0% do PIB), para fechar 2015 com um défice de 2.5% é preciso cortar ainda mais (na despesa pública ou aumentar impostos) uns 2500 milhões €. 
O governo fala em cortes de 1500 milhões porque este ano está a correr melhor que o esperado mas o mais certo é a coisa resvalar mais uma vez. 
Não nos podemos esquecer que o PEC IV previa um défice de 1% para 2014 e ficamos nos 4,9% com muitas receitas adicionais. 
Apesar de alguns comentadores dizerem que "a cortar a torto e a direito também eu era capaz", de facto não é assim. Cortar é muito mais difícil do que pagar a crédito porque o porco, antes de deixar meter a faca, grunhe. 
Já ninguém se lembra da cassete do Seguro do "precisamos de mais 2 anos" porque esses 2 anos vieram sem qualquer sobressalto. 

Fig. 2 - Se berrar desse resultado, não havia leitão.

A tabela única vai-me entrar no bolso.
Mas vai ser apenas o tornar efectivo dos cortes de que já fui vítima. 
O Passos vai pegar nos índices da função pública e vai mexer nos escalões de forma a dar um salário líquido igual ao que vigora em 2014, com os cortes de 10% que vêm do tempo do Sócrates e com o reforço de 2% de 2014.
Também nas pensões vai transformar a CES noutra coisa qualquer mas dando exactamente as mesmas pensões que vigoram agora. 
Claro que haverá pequenas diferenças porque a CES e os cortes de salários são sobre o rendimento total mas, em média, vai ser a mesma coisa.

Volta e meia, volta a insustentabilidade da dívida pública.
As mesmas pessoas que defendem que Portugal deve ter défice público para pagar salários, pensões e outra despesa corrente que tem que ser financiado recorrendo aos mercados financeiros também defendem que Portugal não pode pagar o que actualmente deve.

Fig. 3 - Eu não sou caloteiro, sou especialista em re-estruturações de dívidas e em quebra de contratos.

Mas a dívida, com as taxas de juro como estão agora, é totalmente sustentável.
Em 2014 o défice sem juro será, previsionalmente, zero e em 2014 haverá um superávite de 1,5% do PIB.
Pensando que este valor se mantém no futuro, que temos um crescimento de 1,2%/ano e que a taxa de inflação será de 2%/ano então, sem mais nada, nos próximos 35 anos a dívida pública diminuirá 2% do PIB cada ano. Para uma taxa de juro média de 2,5%, podemos ter um défice médio de 0.9% do PIB.
Claro que era mais fácil viver no regabofe do Guterres e do Sócrates mas não é tão difícil de conseguir como os economistas toldados pelo esquerdismo querem fazer crer. 
E por hoje fico-me por aqui pois, além de não haver sobre o que falar, toda a semana tenho andado cheio de preguiça.

Pedro Cosme Costa Vieira

8 comentários:

Pedro Alexandre disse...

Exelente post Professor Pedro Cosme.

Parece-me que há um erro ali no segundo parágrafo? "...,zero e em 2015* haverá um superávite de 1,5% do PIB"

Quanto há questão da dívida pública, na verdade isso mais tarde ou mais cedo será renegociado com os diversos credores, estrangeiros e nacionais, como aconteceu à pouco tempo com as entidades da troika, julgo que por muito ou pouco realista que seja o pagamento da dívida, o Professor tem de concordar que Portugal dificilmente em 2030 ou 2045 conseguirá ter superávites todos os anos, muito por culpa do PS que não acredito que cumpra, e porque não acredito que a nossa economia não irá crescer em média 1,5%. O mais importante será mesmo pagar 75% da dívida à troika, e isso é garantido.

A questão é que se queremos pagar terá de ser não por causa dos juros, que são um peso elevado mas parecem estar a estabilizar e a níveis historicamente baixos, mas devido aos prazos muito apertados para certos partidos que só interessa gastar, e claro que não podemos gastar, a questão é pagar mais faseadamente ou pagar com prazos mais flexiveis, mas claro não será por isso que a folga orçamental será muito maior, julgo eu.

Já agora Professor, gostaria de saber, se souber claro, quanto pagamos de taxa de juro à Troika, nomeadamente quanto pagamos em separado por cada credor e em conjunto?

Obrigado, Professor.

Pedro Alexandre disse...

Ou melhor... "... e porque não acredito que a nossa economia irá crescer em média 1,5% nos próximos 20 ou 30 anos"

Chilavert disse...

Professor não acha que a ZONA EURO foi mal desenhada e prejudica seriamente os paises menos ricos?
Quando se fala tanto em exportações e atendendo ao particular situação da União Europeia(crescimento marginal)tendo o Euro como moeda(é uma moeda forte) não limita a nossa penetração em outros mercados(Medio Oriente,Estados Unidos)?
Não acha que depois de todo este esforço(violento)para a consolidação das contas publicas uma desvalorização do Euro em 15% não ajudaria a aliviar os paises mais pobres?
Obrigado

Pedro Alexandre disse...

Chilavert, eu não tenho os conhecimentos do professor Cosme, mas é um facto que o euro trouxe coisas boas e más a países como Portugal em que o sistema produtivo não tinha como crescer com uma moeda tão forte, e o consumo trouxe problemas ao nível da balança corrente, pelo o que o professor Pedro Cosme escreve julgo estar correcto.

O pior não é o euro, é gastar acima do que se pode, o problema não são as exportações, é gastar mais do que o país produz, de facto Portugal sempre teve défices da balança corrente e o euro só veio agrava-los.

Na minha opinião o problema do euro é que incentiva o consumo, facilita o financiamento público e privado, pois com uma moeda mais forte mesmo com pouco podemos gastar muito, mas não trouxe a produtividade que desejava-mos para crescer economicamente e criar emprego, mas no geral trouxe muitas vantagens.

As exportações na minha opinião tiveram uma causa e foi essencialmente esta, mas exportar passa por vender bastante e ter muito lucro, se vendêssemos com uma moeda pequena, vendíamos muito e recebíamos pouco, mas concerteza que poder emitir moeda ou até desvalorizar moeda seriam armas muito muito úteis como aconteceu em 75 e 83.

Chilavert disse...

Pedro Alexandre todas as opiniões são bem vindas!Eu fiz a questão ao professor para ter comparar com as minhas ideias até porque 2 ou mais cabeças pensam melhor que 1, portanto agradeço a tua opinião.
Em relação á tua ideia sobre incentivo ao consumo é verdade mas é um incentivo ao consumo proveninente de importações(porque onde vemos adquirir os bens tem moedas muito mais fracas).
Torna se mais barato(e mais comodo) comprar fora do que investir para obter cá dentro(custo de capital + risco).
O Euro promove a importação e prejudica as exportações(especialmente para fora da União Europeia).O problema agrava se numa U.E. e numa Zona Euro com crescimento economico marginal e para a qual Portugal tem o seu mercado preferencial.Tendo em conta que as politicas monetárias tendem a defender quem tem mais que obviamente se opõe a uma desvalorização cambial(emissão de moeda), os paises menos ricos e com mais problemas de equilibrio de finanças publicas terão de fazer a travessia do deserto(imposta).Apesar de toda a nossa incompetencia e falta de idoneade politica(erros estratégicos gravissimos) de 20 anos, a União Europeia contribuiu activamente para a derrocada dos paises menos ricos.Agora passados 15 anos todos nós percebemos propalado modelo de justiça social é apenas uma utopia, resultante da fábrica de ilusões que é a União Europeia.
Não há igualdade sequer justiça, há uma (dura) realidade que para qual a maioria acordou 15 anos depois

Pedro Alexandre disse...

Chilavert, sim claro mas não se esqueça que emitir moeda não serve de nada se não houver crescimento económico consistente.

A emissão da moeda desvaloriza a moeda em relação ao exterior, torna-se menos competitiva, e se não houver crescimento económico, isso significa um aumento dos preços e uma quebra do poder de compra.

Chilavert disse...

Pedro Alexandre sim claro.Eu falei em emissão de moeda de forma a angriar recursos para promover o investimento(mais dinheiro a circular com o objectivo de investir).
A desvalorização da moeda não torna menos competitiva uma economia pelo contrario!Permite atrair investimento exterior à UE e potenciar exportações para a fora da UE(o produto exportado torna se mais barato para quem o adquire).
Existe de facto o risco de haver aumento de preços e quebra de poder de compra se não houver crescimento mas isso dependerá das politicas e da forma que o investimento for aplicado.A inflação fixa(2%) prejudica mais nesse ponto de vista que uma desvalorização da moeda no meu entender.

Pedro Alexandre disse...

Chilavert, pois isso faz sentido, mas se desvalorizar a moeda fosse só vantagens então os países emitiam moeda muitas vezes e isso não acontece.

É verdade que a inflação é fixa, mas eu já li aqui num dos posta do professor Cosme, já não me lembro onde, dizendo que nós fomos um dos países onde a inflação mais aumentou nós últimos anos, isso podia piorar a situação.

Eu não percebo nada disto, mas aqui no blogue o professor colocou um post a explicar melhor como funciona.

http://economicofinanceiro.blogspot.pt/2011/11/inflacao-e-um-fenomeno-puramente.html

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