sexta-feira, 9 de maio de 2014

O mau, o feio e o péssimo

A "espiral recessiva" deu lugar ao "caminho para a estagnação". 

Hoje estive a ouvir o debate na Assembleia de República e achei interessante os do PS atacarem com a ideia de que estamos a caminho da estagnação. 
Mas se antes estávamos na espiral recessiva e agora caminhamos a passos largos para a estagnação então, isto são boas notícias. 
Mas não. Afinal, como por um passe de mágica, os esquerdistas querem passar sobre o facto da economia estar há vários trimestres a crescer como se isso nunca tivesse acontecido. 
Antes estava mau porque a "austeridade de 2012 ia atirarmos para uma espiral recessiva", depois em 2013 ficou feio porque "a austeridade era continuar a escavar o buraco" e, de repente, ficou péssimo porque a austeridade vai levarmos à estagnação.

Será possível haver algo de positivo para os esquerdistas?
Há. Tudo o que aconteceu no tempo do Sócrates.
A estagnação económica, a desorçamentação e o esconder da dívida pública, os contratos com "os amigos do PS" e o casamento gay

Fig. 1 - A questão não é "Passos, pára de escavar o buraco" mas sim "esquerdistas, parem de tentar puxar o peso morto".

Vamos ao desemprego.
Em princípios de 2000 havia 200 mil pessoas desempregadas. 
Depois, em 2002 houve uma crise de que já ninguém se lembra. Nesse tempo governava o Guterres e, como defendem hoje os esquerdistas, na altura deu inicio à segunda fase da "politica do crescimento e do emprego".
Mas o desemprego começou a crescer e cresceu, cresceu, cresceu mas disso os esquerdistas não querem falar. A política dos subsídios e dos direitos adquiridos transformou a nossa economia num peso morto e todos os dias, semana, sábados, domingos e feriados e ainda nas férias, 100 pessoas passou a cair nas estatísticas do desemprego. 
O Sócrates quando entrou havia 400 mil desempregados e o grande anúncio do bicho foi de que iria criar 150 mil postos de trabalho. 

Fig. 2 - É só para recordar.

Mas a realidade é que, quando foi corrido, havia mais 150 mil desempregados. 
E, dizem os esquerdistas, o governo do Passos Coelho perdeu toda a credibilidade porque não cumpriu com as promessas eleitorais.
E o Sócrates, durante esse tempo todo, implementou PECs extraordinários.

Fig. 3 - Evolução do número de desempregados (dados: ine, série de 1998 e de 2011)

O Passos entrou e o desemprego continuou a subir. Nos 2 primeiros anos aumentou o triplo da tendência do socratismo tendo atingido um máximo de 805mil desempregados. Mas também foi preciso cortar no financiamento externo (no défice das nossas contas com o exterior).

Impossível.
Não é que no últimos ano, o desemprego teve uma redução de 140 mil!
Apesar de estarmos a viver a "espiral recessiva", desde há um ano o desemprego está a reduzir 375 pessoa por dia. 
Cada 3 dias, 1000 pessoas e cada mês, 10 mil pessoas deixou o desemprego.
Isto é apenas extraordinário.

Será que os desempregados morreram?
Isso é problema deles pois quando o desemprego aumentou ninguém quis saber de onde vinham essas pessoas. Se se reformaram, evaporaram, imigraram ou retornaram à Ucrânia não nos diz respeito pois o que interessa é que a taxa de desemprego como medida do desequilíbrio do mercado de trabalho está a reduzir muito rapidamente. 

Mas o governo anunciou a "7 revisão do código do trabalho".
Quer reduzir a "contratação colectiva". 
Em teoria o contracto colectivo agrada a toda a gente porque resulta de uma negociação entre empregadores e empregados mas, pelas grandes diferenças que existem entre as empresas e entre os trabalhadores, esses contratos retiram liberdade de negociação aos trabalhadores e aos empresários de produtividade marginal. 
Um contrato colectivo pode ser bom para as empresas grandes e sólidas que existem em Lisboa ou no Porto e para trabalhadores competentes dessas cidades. Mas para uma chafarica que quer existir numa aldeola de Arouca, com trabalhadores meios mancos cuja única alternativa é cavar terra, essas condições mirabolantes não fazem qualquer sentido. 

Ainda hoje estive a ver um projecto de um infantário.
A Lei é tão restritiva, obrigando a ter tanta coisa mais uma educadora e uma ajudante por cada 10 crianças que um infantário tem que cobrar pelo menos 500€/mês por cada criança.
Isso é impossível. Como podem as centenas de milhar de pessoas que ganham um salário inferior a 600€ pagar 500€ para tomarem conta da criança e apenas durante o dia?
A Lei quer proteger tanto os direitos das criançinhas que o povo tem que as botar abaixo. 
Com os trabalhadores passa-se o mesmo. Protege-se tanto que o povo tem que ficar em casa a coça-los.

Fig. 4 - Esta teve que ir abaixo porque eu não tinha os 500€/mês para o infantário

Vamos à produtividade.
A espiral recessiva induzida pela austeridade, dizem os esquerdistas, destruiu a nossa economia.
Se assim foi então, a produtividade deve ter caído. 
Vou então pegar nos dados sobre a produção por trabalhador (do banco mundial) e comparar com o que se passou na Grécia.
Por estranho que pareça, a nossa produtividade tem aumentado 1,5%/ano e, desde 2007, a produtividade tem estado a crescer menos mas não se compara com a forte contracção vivida pela Grécia. 
Afinal os 3 anos de ajustamento não destruíram a capacidade produtiva. 

Fig. 5 - Evolução da produção por trabalhador (dados: Banco Mundial, 100 em 1980)

Vamos à carta (com o 4.º segredo de Fátima).
Como dizem os budistas, a infelicidade da nossa vida resulta de colocarmos metas que pensamos necessárias à nossa realização pessoal. 
Se a meta é atingida, logo pensamos que podíamos ter pensado mais alto e ficamos sem objectivo na vida, Se não atingimos a meta ficamos derrotados porque pensamos sempre que a poderíamos ter atingido.
Com o Seguro tem-se passado exactamente isso. 
Primeiro, falou da espiral recessiva, depois do segundo resgate, por fim meteu todas as cartas na "saída limpinha, limpinha, limpinha".
E agora Seguro para onde vais?
Para a carta.
Tal como o terceiro segredo de Fátima ou o segredo das novelas baratas, agora o Seguro quer ler a carta.

Fig. 6 - Seguro, vai à bruxa que ela lê-te a carta.

Mas afinal o que diz a carta?
Diz que vamos continuar a consolidação orçamental com o fim de atingir em 2018 um défice de 0.5% do PIB.
Diz que o peso do Estado vai reduzir para média da OCDE.
Diz que vamos reestruturar as empresas públicas privatizando as viáveis e fechando as que não têm pernas para andar.
Diz que vamos flexibilizar o mercado de trabalho, reduzindo ao mínimo possível a contratação colectiva e os entraves à contratação e ao despedimento.

Fig. 7 - A carta revela que o Portas é o anti-Cristo e que o Passos é o seu cavalo branco.

Significado de Oposição (ver)
subst. f.
1. contraste: a oposição entre o sonho e a realidade; a oposição entre o branco e o preto
2. acto de estar contra algo ou alguém: a oposição do pai impediu o casamento; uma violenta oposição à mudança
3. grupo político que está contra o governo: os partidos da oposição
"A oposição será sempre popular; é o prato servido à multidão que não logra participar no banquete." - Joaquim Nabuco

Compreende-se então que os esquerdistas tenham que achar tudo mau, feio e péssimo.
"E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque" faz parte da missão deles (Lucas, 23:34).

Pedro Cosme Costa Vieira

2 comentários:

tiago pereira disse...

Professor nao acha que falta em portugal um partido liberal?
ainda ontem estava a ver o debate para o presidente da comissão europeia e a pessoa com quem mais me identifiquei foi com o candidato liberal e nos português nao podemos votar nele ja que nao temos nenhum partido que pertença a essa familia por outro lado temos dois que pertencem a mesma (cds/psd pertencem aos populares) nao faria mais sentido o cds acabar e nascer em portugal o partido liberal. Os liberais em portugal nao tem onde votar e por norma votamos no psd que na sua origem queria pertencer a familia socialista europeia.
Existindo a necessidade de um partido liberal em Portugal no meu entender (nao para ganhar eleições mas principalmente para quem se considera liberal e nao se identifica nos outros dois partidos cds e psd (embora com o passos coelho o psd tem se aproximado mais dos liberais) tenham em quem votar), portanto pergunto se o Professor nao estaria disponível para trabalhar na criação desse partido que penso que vai de encontro a sua ideologia ja que em grande parte eu me considero um liberal por ler o seu blogue e me identificar em grande parte com as suas opinioes

BC disse...

Caro Tiago,

Se se refere à liberdade da escola e revolução francesas os partidos do arco governativo PS/PSD/CDS inserem-se nesse ideal.

Se se refere à liberdade da escola austríaca então refuta a existência de partidos e política e o mais coerente é abster-se.

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