quinta-feira, 5 de junho de 2014

Está na hora do Governo se demitir

A minha formação é "neo-clássica".

Na minha formação em Economia eu aprendi que devemos actuar de forma a maximizar o nosso bem-estar sujeitos às restrições que nos são impostas pelo meio ambiente. Esta filosofia também é a adoptada nas culturas orientais e também está na matriz da nossa cultura judaico-cristã.
Não interessa termos a postura do Calimero de que é infeliz porque o Mundo está contra ele ("eu queria ser astronauta mas o país não deixou") mas devemos pegar no que temos e, assumindo as adversidades como um dado do problema, fazer com isso o melhor que for possível.
Eu sei que o Passos Coelho pensa da mesma maneira e por isso é que procura, com toda a convicção, cumprir com o que foi acordado com a Troika e com as adversidades que vêm seja do interior do seu partido, do Portas, da oposição ou seja do Tribunal Constitucional.
Então, fiquei espantado com o ataque que o PSD, o PP, o Paulo Portas e o Passos Coelho, fizeram ao acórdão do TC que chumba a passagem dos cortes de 10% para 12%.
 
O Tribunal Constitucional está errado.
Uma coisa era dizer que, em absoluto, o Estado não podia diminuir os salários e as pensões de forma unilateral, fossem 10% ou 0,1%. Pura e simplesmente, como um privado não pode ir a um contrato de trabalho e, unilateralmente, cortar nem que seja num cêntimo no valor do salário, também o Estado não o pode fazer.
Outra coisa é dizer que pode cortar 10% mas já não pode cortar outro valor qualquer.
Porquê 10% e não 12% ?
Não tem qualquer fundamento legal que mais não seja que uma opinião de meia dúzia de pessoas.
 
O Passos deveria avançar com outra medida.
Poderia, rapidamente, repor os cortes do Sócrates e aumentar o IVA para u valor próximo dos 25% e o problema já estava resolvido.
Também poderia passar, na Lei, o subsídio de férias a facultativo PARA TODOS e deixar de o pagar aos funcionários públicos. Podia ser que o TC viesse dizer que violava o Principio da Confiança mas também poderia dizer que não pois o próprio nome subsídio, indica que não faz parte do salário.
 
Mas o Passos Coelho recusa-se a fazer seja o que seja.
Ora isso é um buraco de muito mais de 2000 milhões de euros.
O povinho comentador disse que o impacto orçamental do chumbo ficaria nos 700 milhões mas imaginando que o Passos repunha rapidamente os cortes do Sócrates mas, como não vai fazer nada, o buraco é o triplo deste valor.
Este chumbo descarrila completamente as contas públicas pelo que não parece racional o que o Passos está a fazer.
 
Vai ser uma bomba atómica política
 
O Passos vai-se demitir.
Tive uma iluminação divina que me disse que o governo se vai demitir porque
1 => No PS o Costa pensa que o Passos Coelho vai avançar com o aumento do IVA para 25% e a agudização dos cortes para 2015 e ele aparece como salvador, com frases feitas do tipo "Vou parar de escavar no buraco", "Vou iniciar uma política de concertação, emprego e crescimento", "Não vou subir impostos"  e "Comigo acabam-se os cortes" mais blá, blá e quem fica queimado com os aumentos de impostos em 2014 e 2015 é o Passos Coelho.
É que estando o orçamento de 2015 obrigado a um défice de 2,5% (abaixo dos 3.0% de Maastricht), em 2016-2018 torna-se muito mais fácil gerir as contas públicas sem aumentos adicionais de impostos.
2 => O PS e toda a oposição tem clamado por eleições antecipadas pelo que a demissão do Passos terá que ser encarada, pela oposição, como algo de positivo e em favor do país.
 
Serão todos apanhados de surpresa.
O Passos vai avançar com o seguinte discurso de demissão:
"o PS pediu que os cortes de despesa fossem declarados inconstitucionais e está sempre a apregoar que, sendo governo, não aumentará os impostos. Então, demito-me para dar oportunidade ao PS de resolver os problemas de Portugal dessa forma que eu não estou a ver como é possível. Dada a urgência com que é preciso uma solução para o chumbo do Tribunal Constitucional, o PSD de o PP darão todo o apoio parlamentar ao futuro governo do PS."
 
E o que vai dizer o Seguro?
Que não formará governo sem eleições?
ainda no seu discurso de demissão, o Passos mete a facada final:
"Se o actual secretario geral do PS não tiver actualmente condições políticas para avançar com a constituição de um novo governo, concerteza que haverá outras pessoas dentro do PS que estão em condições de o fazer".
 
Mais vale agora que em 2015
O governo tem dinheiro até meados de 2015 pelo que, mesmo que a demissão faça as taxas de juro voltar aos 20%/ano, não há problemas.
E é melhor ter esse problema agora e correr o risco de perder as eleições legislativas que dar a carpete vermelha ao António Costa onde ele possa gritar "não vou subir mais os impostos nem cortar mais na despesa" porque sabe que o Passos já o fez.
 
Em politica não basta ser bom governante.
Também é preciso ganhar eleições e a hora de as ganhar é agora, com as melhorias verificadas na taxa de desemprego e com a economia praticamente estabilizada.
É muito mais provável o Passos+Portas arrancarem agora uma nova maioria absoluta do que daqui a um ano.
Força Passos, vamos nisso.

O rabejador domina a fera de 600kg simplesmente puxando-lhe o rabo para onde ela não conta.
 
Pedro Cosme Costa Vieira

9 comentários:

jorge gaspar disse...

Penso que o Pedro Cosme é muito melhor "politico" do que o PPC, e por isso acho que está enganado. Acho que ele se prepara para ir até ao fim e em 2015 tentará tirar a maioria absoluta ao PS (Costa) e governar em conjunto com eles e CDS.
No entanto parece-me que em teoria a iluminação divina do Pedro Cosme seria uma jogada de mestre do actual primeiro ministro. Deixava o PS (tanto o Seguro como o Costa) sem saber o que fazer e provavelmente, conseguiria reunir muitas "tropas" do seu lado.

Pedro Alexandre disse...

Eu acho sinceramente que o Professor está enganado, eu duvido que uma demissão neste momento seria bom para o Passos, muito menos para o país, este governo tem grandes hipoteses de tomar o poder com o PS, visto que os xuxas vão de mal a pior e já começa a haver sinais positivos de recuperação económica, que podiam ser muito maiores se o TC não fosse uma besta.

O povo ainda dá valor a este governo porque ele dá valor aos compromissos internacionais e quer de facto tentar resolver os problema e as fanfarras do passado.

O Passos só fazia mal se se demitir porque eu estou a sentir uma nuvem negra à volta do governo por causa do TC.

O melhor é esperar até 2015 e culpar o TC e a oposição pelo facto de não poder repor 1/5 dos salários e baixar impostos.

Cumps

Portuendes disse...

Também acho que o Passos não se vai demitir, principalmente por achar (é apenas a minha interpretação) que o feitio dele é contrário a tomadas derrotistas (no ponto de vista dele) dessas. Por outro lado, mesmo se se demitisse não podia dizer "agora, vocês PS, façam lá as vossas políticas a ver se salvam o país" pois não pode entregar o poder ao PS (tinha de ir a eleições a até podia ganhar). Para o país, seria sempre pior: quem ganhasse (mesmo se fosse o Passos) ganharia por pouco - tudo ficaria igual, embora pudesse forçar a uma coligação PS-PSD-CDS para tentar fazer alguma coisa. Mas qq governo que tenha PS, mesmo um que estivesse sem cheta, seria sempre um desastre anunciado: os socialistas gastam (os do PSD também mas menos) tudo o que tiverem pela frente, mesmo se o que estiver à sua frente seja uma bancarrota. Sempre foi assim e não será de esperar outra coisa, com Costa, Seguro, Assis, Galamba ou quejandos...
A não ser que uma bancarrota verdadeira acabe por fazer abrir finale e definitivamente os olhos aos portugueses e estes enterrem finalmente o socialismo para todo o sempre...

jorge gaspar disse...

Eu acho que seria uma boa jogada politica, porque em principio conseguiria tirar o Costa do caminho até 2018. Até porque depois teria que se coligar com o PS, e um PS com o Seguro á frente, quereria por tudo que a coligação funcionasse, para não ter de dar lugar a outro no PS (por isso, acho provável que a coligação chegasse a 2018). Se por acaso fosse contra o Costa e este ganhasse com maioria absoluta, teria de governar ainda com compromissos complicados pela frente. Se não ganhasse com maioria, acabaria por desgastar-se juntamente com a coligação e com a responsabilidade de estar no poder. Ir a eleições já este ano, parece-me por tudo isso muito melhor do que ir no próximo ano. No entanto concordo com o Portuendes em relação ao "feitio" do Passos.
Ele mostrou durante estes 3 anos que estava disposto a tudo para levar o governo até ao fim da legislatura. Não acredito que a 1 ano do fim, e numa situação muito melhor, mais estável e mais optimista esteja disposto a abdicar disso.

deathandtaxes disse...

O que me surpreende a mim, é o PPC ainda não ter pedido demissão.
Para mim, a interferência do TC na vida política e a supremacia que tem em relação ao poder executivo eleito é inaceitável.
Finalmente tínhamos um governo disposto(ainda que forçado pelos credores) a fazer algo no sentido necessário.
Podemos agora concluir que se trata de uma utopia. Estamos colectivamente condenados à bancarrota, e surpreendo-me como ainda não chegamos a esse ponto(pelo menos oficialmente).
PS: a subida do IVA não substitui o corte dos vencimentos dos funcionários públicos e pensões (leia-se despesa pública). Apenas cobra mais a quem paga impostos, para dar a quem não paga. Resta saber, até quando a pirâmide deste sistema de Ponzi ainda se aguenta sem colapsar!

Chilavert disse...

Eu não acho que o Tribunal Constitucional seja responsavel por seja o que for!A sua unica função é fazer cumprir um documento que garante a nossa soberania.
Dada a situação economica do país acho até natural que algumas medidas(nem ponho em causa a sua necessidade) que o Governo quer impor não passem pelo TC.
Outra ideia que queria passar é que com a esquerda ou com a direita não há alternativas porque existem compromissos assumidos(alguns por 20 anos) que terão de ser cumpridos.
Neste momento governar em Portugal( e noutros países da UE em dificuldades) é apenas fazer gestão corrente com indicações de entidades superiores(credores).
PS, PSD ou qualquer outro partido não irá mudar nada.
Nos moldes em que nos encontra mos a recuperação será lenta e dolorosa(com alguns retrocessos pelo meio).
Não temos qualquer instrumento valido para aplicar qualquer medida (economica ou financeira): não temos moeda, o sistema bancario está decadente(buracos financeiros, desvios, etc), não existe 1 tostão para investimento.
Perante este cenário e não admitindo o cenario actual( na minha consciencia não aceito que 10 milhões sofram pelos devaneios de 2 ou 3 centenas) tenho 2 soluções(em linhas muito genericas):
- deixa se o país falir e "vende se" á oferta mais alta!Afinal produzimos um PIB de 165 mil milhoes que são uns tostões para alguns países.
Não seria dificil "privatizar" o país!
- a UE desce do seu pedestal, deixa as burocracias e assume as suas responsabilidades começando a implementar soluções reais
Desvalorizar o Euro em 20%(emitindo moeda) e usando esse mesmo dinheiro para reindustrializar a Zona Euro e renegociar as dividas soberanas.
Era pertinente tambem que o BCE acaba se com o circo das instituições bancárias.
Seria interessante explorar até que ponto estas "soluções" podem ser aplicaveis.

Pedro Alexandre disse...

Caro Chilavert,
Eu não sou nenhum expert mas facilmente se percebe que isso é inexequível e irremediavelmente pior do que cumprir com a redução da divida até 2045, que eu não acredito que seja esse o objetivo, é possível que o país tenha um prolongamento dos prazos e com algumas ajudas da UE via fundos comunitários, desde que não borre a pintura com défices excessivos.

Se tudo correr bem, se conseguirem pôr em prática a união bancária, econômica e fiscal e o que diz o Prof. Pedro Cosme, talvez lá para a minha reforma a divida esteja nos 60% do PIB.

Cumps

Chilavert disse...

Caro Pedro Alexandre inexequivel nada nunca é, agora altamente improvavel será concerteza.
Não acredito que haja um unico caminho!
A união bancaria, economica e fiscal vem com mais de 10 anos de atraso e poderá resolver os actuais problemas(principalmente de credibilidade) da banca mas não resolve o problema de fundo da UE.
Preocupa me a inércia da UE no que a investimento diz respeito.Alguem falou que a Europa teria de se reindustrializar mas até agora não existe qualquer plano de "acção"!
Com a Zona Eur a crescer perto de 1% por ano concerteza que esse plano nunca existirá...
Sinceramente começo a achar que há clara intenção de fazer com que os países em dificuldades demorem o mais tempo possivel a pagar as suas dívidas...

jfdr disse...

Caro Pedro Cosme

Saindo um pouco da política nacional mas pegando em temas que o interessam não gostaria de escrever um poste sobre o/s Mundial/is e Olímpicos, partilhando estimativas de custos e eventuais benefícios?

Lembro-me que os Jogos de Londres foram referidos como tendo sido baratos. Mas será que foram rentáveis? E o Mundial no Brasil?

Cumprimentos

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