sábado, 21 de junho de 2014

Natalidade: o alemão vai desaparecer

A Alemanha é o país mais importante da Europa. 

Se ponderarmos a população e o PIB, a Alemanha com os seus 80M de habitantes e um PIB de 3.1B USD, é o país mais importantes da Europa.

Rank País PIB Popul. Imp. relativa
1 Alemanha 3074 80 100%
2 Rússia 981 144 84,5%
3 Reino Unido 2392 64 78,3%
4 França 2249 66 76,2%
5 Itália 1727 60 62,6%
6 Turquia 628 74 46,1%
7 Espanha 1160 47 45,1%
8 Polónia 408 39 25,7%
9 Ucrânia 95 46 22,3%
10 Holanda 681 17 21,7%
11 Uzbequistão 25 30 13,8%
12 Bélgica 407 11 13,5%
13 Suécia 417 10 12,9%
14 Suíça 440 8 12,7%
15 Roménia 117 20 11,4%
16 Áustria 338 8 10,8%
17 Grécia 210 11   9,3%
18 Kazakistão 87 17   9,3%
19 Noruega 329 5   9,1%
20 Portugal 188 11   8,6%
Quadro 1 - Importância relativa dos países europeus, população + PIB (dados: Banco Mundial, PIB em mil milhões de USD 2005 e população em milhões) A bold os países europeus que não fazem parte da UE.

Atendendo sua actual importância no contexto europeu, parece antecipável que, daqui a 100 anos, a Alemanha enquanto pátria do povo alemão, continuará a ser central na Europa. 

Fig. 1 - A beleza alemã está condenada a desaparecer.

O problema é que os alemães estão em extinção.
Para que uma população se mantenha ao longo do tempo, a cada geração é preciso que nasçam tantas pessoas quantas as existentes. Como nascem ligeiramente mais homens que mulheres, a manutenção de uma população obriga a que cada mulher tenha, em média, 2.1 filhos. 
Mas a Alemanha tem há várias décadas uma média de 1.35 filhos por mulher. 

Fig. 2 - Evolução da fertilidade alemã (filhos por mulher, dados: Banco Mundial)

Se acumularmos a baixa fertilidade verificada desde 1970, nos últimos 43 anos a Alemanha já perdeu 30 milhões de habitantes.

Mas essa redução não se parece verificar nas bases de dados.
Não parece possível afirmar que a Alemanha perdeu 30 milhões de habitantes quando, olhando para as estatísticas populacionais, em 1970 a Alemanha tinha 78M e em 2014 tem 80M. 
Esta discrepancia resulta de, entre 1970 e 2014, a idade média a que as pessoas morrem na Alemanha ter aumentado em 10 anos. Assim, em 1970 um alemão morria com 71 anos enquanto que em 2014 morre com 81 anos.  
E também houve a entrada massiva de imigrantes, principalmente turcos (não falantes de alemão). Claro que acabam por aprender a falar alemão mas nunca será como se fosse a língua mãe.

O Alemão perde 700 mil falantes por ano.
Em termos de tendência de longo prazo, era necessário que nascessem 2.1 milhões de alemães  por ano e, nos últimos 40 anos, apenas nasceram 1.4 milhões por ano, havendo assim uma perda anual de 700 mil habitantes. 
O que se observa é que, depois de um máximo de 82,5 milhões de habitantes em 2003, nos últimos 10 anos a Alemanha perdeu uma média de 250 mil habitantes por ano, menos que os 700 mil previsto olhando para a fertilidade mas acompanhado pelo envelhecimento da população que se detecta-se olhando para a redução da percentagem da população com menos de 15 anos e o aumento da população com mais de 65 anos. Se em 1970 havia 2 jovens por cada alemão com mais de 65 anos, em 2014 já só há meio jovem. 
Este problema não tem sido grave para a sustentabilidade social porque a percentagem de população em idade activa tem-se mantido constante porque o aumento dos encargos com os mais velhos tem sido balançado pela diminuição dos encargos com os jovens (que não nascem). Mas nas próximas algumas décadas, a sociedade alemã vai entrar em colapso. 

Fig. 3 - Evolução da percentagem da população alemã com menos de 15 anos e com mais de 65 anos (Dados: Banco Mundial)

E isto terá solução?
Se a fertilidade se mantiver nos 1.35 filhos por mulher, no final do século XXI apenas haverá 25 milhões falantes de alemão como língua materna.
Exactamente: em 86 anos a população falante de alemão vai perder 70% da actual população.
E isto não tem solução.
Em termos tecnológicos é um problema de simples resolução mas, desde a extrema esquerda à extrema direita, ninguém quer que este problema se resolva.
Os da direita dizem que o ser humano é algo de divino pelo que o seu nascimento tem que ser deixado às forças da natureza. Para resolver o problema da baixa natalidade é proibir a pílula e o preservativo.
Os da esquerda dizem que a dignidade humana não permite que se programam nascimentos para responder a uma necessidade da sociedade actual. 
Se a mentalidade alemã continuar a impor aos nascimentos a visão de que é um problema privado, daqui a 100 anos já quase ninguém falará alemão.

E Portugal?
Vamos no mesmo caminho só que o Português continuará a falar-se no Brasil, em Angola e talvez em Moçambique.

A minha petição foi aceite.
Eu fiz uma petição à Assembleia da República para uma alteração legislativa na Lei da Procriação Medicamente Assistida que foi aceite com o número 385/XII sendo a relatora a deputada Isabel Galriça Neto do PP. 
Ainda só 12 pessoas assinaram a petição mas também só 4 pessoas assinaram o manifesto contra a guerra do Einstein. Façam lá um assinaturazita.

E a guerra no PS?
Está mais interessante que o nosso campeonato do mundo.
Os socráticos pensavam que o Seguro era manso mas o homem é um autentico bicho.
Pode sair mas, antes, vai partir a louça toda para quem vier não ter onde comer. 
O passos coeljo até já está preocupado: por este caminho, quando chegarem as eleições o PS não vai aparecer.

fig. 4 - O lema do Seguro é "se querias bolota agora, trepasses há 3 anos. Nas que eu deitei abaixo nunca meterás o teu dente pois eu vou rebentar com tudo".

Pedro Cosme Costa Vieira

5 comentários:

Daniel disse...

Na Alemanha muitas mulheres estudam até aos 30 anos, e depois ainda querem ter experiência profissional, antes de tentarem ter filhos. Claramente o que está a matar a Europa (para além talvez do socialismo, em que o estado, ao tomar conta de tudo, destroi qualquer ideia de responsabilidade pessoal, fazendo com que as pessoas pensem que não se têm de preocupar com nada) é o feminismo e os "direitos das mulheres". Isto não seria um problema, se os velhinhos não quisessem receber as suas pensões, mas como querem, para isso vamos precisar de (continuar a) ser inundados por imigração em massa. A Eurábia está próxima...

Newton Pessoa disse...

O Brasil está cheio de filhos e netos de portugueses que vieram em vários fluxos migratórios. O último grande, se não me engano, foi durante as guerras de independência das colônias africanas. Para resolver este problema em Portugal basta facilitar e incentivar este retorno.

Pedro Alexandre disse...

De facto o grande problema da Europa será o envelhecimento da sua população que daqui a uns anos será incapaz de criar crescimento economico capaz de sustentar o nosso sistema de pensões, o que aliás já está a acontecer em Portugal de forma absolutamente suicida, ainda por cima temos uma divida para sustentar minimamente.

A culpa de isso é da mentalidade esquerdista que durante anos nunca se preocupou com a sustentabilidade do sistema de pensões, mas também houve uma mãozinha da direita que se deixou levar pelos esquerdistas malucos da cabeça.

Não tiveram em conta a insustentabilidade do sistema, visto que estamos a descontar para quem está a receber, é óbvio que não teremos direito às regalias dos que hoje sofrem cortes, nós seremos bem mais afetados, mas claro que isso os esquerdistas nem querem saber, é o que dá a mentalidade dos esquerdistas, mamas hoje, ninguém mama amanhã.

A única solução será desmontar este estado mal feito, gordo e incapaz de salvaguardar as nossas pensões e salvaguardar as gerações futuras.

O estado terá de começar a criar, como acontece nos EUA novos mercados de seguros privados, capaz de satisfazer as necessidades de todos os portugueses, o estado só deveria, como é óbvio ajudar quem não tem descontos mínimos de subsistência.

Amélia Saavedra disse...

Peço desculpa, mas não percebi como é que a liberalização de técnicas de Procriação Medicamente Assistida – PMA, pode incentivar ou mesmo aumentar significativamente a taxa quer da fertilidade quer da natalidade. Sabe se em países onde estas técnicas são mais acessíveis correspondeu, por si só, ao aumento destas taxas?
Creio, na minha modesta opinião, que muito mais que o simples acesso a estas técnicas (e já agora é o Estado que irá pagar, ou seja, nós, os contribuintes?) seja o custo de vida a influenciar de forma decisiva na decisão de ter ou não filhos. Aliás, estas técnicas, quanto muito, irão beneficiar todos aqueles que já decidiram à partida ter filhos. Como é que esta medida, por si só, vai convencer alguém a mudar de ideias?

Económico-Financeiro disse...

Estimada Amélia,
É nos países pobres e nas famílias pobres que nascem mais crianças. Por isso, a redução da natalidade não é um problema económico mas uma tendencia cultural que tem acontecido em todos os países à medida que se desenvolvem.
Eu até já escrevi um poste sobre isso:

http://economicofinanceiro.blogspot.pt/2014/03/a-promocao-da-natalidade-precisa-de.html

E sobre a evolução futura da nossa população:

http://economicofinanceiro.blogspot.pt/2014/03/uma-simulacao-da-nossa-populacao-futura.html

O que eu defendo é que a natalidade se está a transformar numa "falha de mercado" pelo que o Esta tem que intervir.
1) Uma pessoa qualquer, homem ou mulher, deve poder ter filhos contratando uma barriga e um(a) doador(a) de gametas, por sua conta. Se alguém quizer ter 12 filhos, óptimo.

2) Se, mesmo assim, não for suficiente para atingir os 2.1 flhos por mulher, o Estado tem que intervir e contratar barrigas e doadores de gametas e fazer ele as crianças.

Se o Estado gasta no ensino 8000 milhões € por ano porque acha que exioste uma falha de mercado, também vai ter que fazer criancinhas.

Um abraço,
pc

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