sexta-feira, 13 de junho de 2014

Vamos voltar ao guterrismo-socratismo

Vamos avançar andando para trás. 

O António Costa não tem uma única ideia na cabeça. Então, quando anunciou "na próxima quinta ou sexta feira vou avançar com as principais linhas politicas do meu governo", fiquei cheio de curiosidade. 
Sair daquele neurónio único algum plano de governação seria equiparado ao milagre da criação: de um pontozinho mais pequenino que a cabeça de um alfinete, em 6 dias (mais um de descanso) Deus (que se chamava Big Bang) criou o "nosso" universo, com milhares de milhões de anos luz de diâmetro. 
Apesar de não ter fé, imaginei que finalmente iria acontecer um milagre. A minha curiosidade também passava por saber a que alma divina iria o Costa pedir iluminação pois iria, com toda a certeza, a santo.
Mas, sem qualquer surpresa, o neurónio não pariu nada mais do que nada. Zero virgula zero zero zero zero zero zero.
Mas foquei surpreendido porque nunca imaginei que fosse tão zero, ter-se resumido a um discurso ressequido. 

Em 1995 o Homem escolheu Deus, que dava pelo nome de Guterres, para governar o Éden e foi um tempo de progresso, leite e mel.
Acontece que o Guterres se cansou e viveram-se anos de pecado em que adoraram Durão e Santana.
Mas, em 2004, o Homem voltou a ver a luz, fez as pazes com Deus, que agora dava pelo nome de Sócrates, e voltaram a viver um tempo de reformas e de crescimento económico.
Deus Sócrates foi saneado porque, dos mercados internacionais choveu fogo enxofre, e o Homem pensou que a culpa disso era de Deus Sócrates e do Teixeira, guardião dos Santos.
Agora é tempo de voltar aos tempos de Deus Guterres e Sócrates mas com o nome de Costa.

Só lhe faltou meter na cassete "o grande capital, os especuladores saguinários, os alemães neo-liberais" para ser perfeito.

Terá o Guterrismo-Socratismo sido assim tão bom para precisarmos repeti-lo?
Não. Foi mesmo muito mau.
A conversa do Costa parte do princípio de que o povo já não se lembra do resultado do jogo Porto-Benfica de 1995 e muito menos de quem marcou os golos. 
Também o povo já não se lembra porque o Guterres foi para a ONU tratar dos refugiados e porque o Sócrates foi para Paris estudar a tortura. 
O Costa imagina que o povinho já não se lembra e que, por isso, pegando nos programas de governo de há 15 anos atrás (que anunciam choques tecnológicos, vira-ventos, carros eléctricos e PPPs), e adaptando ao acordo ortográfico, já está no papo, as legislativas de 2015 já estão ganhas. 

Fig. 1 - O Costa pensa que os burros somos nós, os eleitores.

Será a terceira via.
Para destruir um país já se experimentou a guerra química e o bombardeamento aéreo e ambas as estratégias deram bons resultados. Matava-se à força toda sem sujar as mãos de sangue.
Mas agora existe a terceira via que não é tão desumana mas ainda mais eficaz: é a bancarrotagem. 
Vem um com falinhas mansas (o Guterres) e convence o povinho a gastar até à bancarrota e, depois, mete-se lá o PSD 2 ou 3 anos (o Durão).
O povinho esquece-se, vem outro (o Sócrates) que volta a convencer o povinho a gastar e vem novamente a bancarrota, depois, mete-se lá o PSD 2 ou 3 anos (o Passos).
O povinho esquece-se outra vez e vem outro (o Costa) que volta a convencer o povinho a gastar e vem novamente a bancarrota e, depois, vão meter lá outra vez o PSD 2 ou 3 anos.
Repete-se este procedimento até não sobrar tijolo sobre tijolo. 

Se fosse bom, o nosso nível de vida teria melhorado.
O nível de vida mede-se pelo Produto Interno Bruto per capita que quantifica quanto se produz na economia por cada pessoa (mais a depreciação de capital). 
Acontece que, depois de um período catastrófico do PREC (processo revolucionário em acção) em que o crescimento esteve nos 0.8%/ano, no Cavaquismo a economia recomeçou a crescer mas com tendência para a diminuição da velocidade.
Se no Guterrismo-Socratismo tivessem acontecido as reformas estruturais anunciadas em retrospectiva pelo Costa, o crescimento potencial da economia teria sido cada vez maior. Mas, estranhamente, em 1995 estava nos 3%/ano e, quando terminou em 2011 vassourado pelos portugueses nas urnas, já estava negativo, nos -0.8%/ano (ver, Fig. 2).

Fig. 2 - Evolução do crescimento económico, PIBpc (dados: Banco Mundial). Tem sido sempre a cair. 

Mas não terá sido culpa da crise do sub-prime?
Essa teoria é bonita mas tem dois problemas.
Primeiro, a crise do sub-prime foi em 2008 e a nossa economia já não crescia desde 2002, 5 anos.
Segundo, termos reagido não mal à a crise do sub-prime traduz que a nossa economia não estava preparada. Então, o agora recordado pelo Costa "momento reformador" do Sócrates, nunca aconteceu e foi antes um "momento esclerosador" que tornou a nossa economia muito mais velha e rígida. 
Por exemplo, a Polónia também sentiu os efeito da crise mas recuperou rapidamente tendo no período 2008/2011 crescido 14% enquanto que nós, com o Sócrates a bombar políticas de crescimento e endividamento externo sem limite, contraímos 2,4% (dados: Banco Mundial). 
Em 1995, quando o Guterres entrou, o nível de vida de um português era 2,87 vezes o nível de vida de um polaco e, quando em 2011 o socratismo caiu, já só era 1,90 vezes. Claro que os esquerdistas dizem que isso aconteceu porque a Polónia é mais pobre do que nós mas em 1995 o nosso nível de vida era 0.50 do nível de vida alemão e, quando o regime caiu, decorridos 16 anos, era 0,.49 do nível alemão, ainda menor que em 1995.
Foi mesmo muito mal.

Fig. 2 - Comparação entre o crescimento económico, PIBpc, português e polaco (dados: Banco Mundial). 

Até vai dar pena.
A nossa economia não cresceu, não ficou mais preparada para fazer face às crises e herdamos uma divida colossal que nos vai custar muito pagar.
Agora, esse Costa vem dizer que é preciso retomar essa politica porque foi espectacular.
Será que temos um povo tão estúpido ao ponto de acreditar nisso?
Não. tenho a certeza que não e por isso é que o Passos coelho acalmou e já não se vai demitir.
Ver o Costa nos próximos meses vai ser a novela mais triste e degradante de um mito que jamais foi vista em Portugal. 

Vamos ao Iraque.
O Iraque tem 65% de Xiitas, afiliados do Irão e do Assad da Síria, e 23% de Sunitas e 12% de Curdos (que são Sunitas). Estes grupos étnicos vivem em regiões separadas porque, apesar de serem todos islâmicos, não são nada amigos entre si, semelhante ao que se passa entre Católicos e Protestantes. 
A confundir a questão está o facto de o petróleo estar nas regiões onde vivem os Curdos (o Norte) e onde vivem os Xiitas (o Sul) que têm que sustentar o centro onde vivem os Sunitas.
Ora os Curdos e os Xiitas querem ser independentes para não terem que sustentar as regiões que não têm petróleo e que formam, em termos territoriais, a maior parte do território.
É esta a razão para as tropas desertarem dos seus postos. É que os soldados Xiitas e Curdos que formam a maioria do exercito não querem morrer a proteger as cidades Sunitas dos ataques Sunitas. E os soldados Sunitas sentem que os "terroristas" são libertadores.
Então, vai cada um à sua vida. Por exemplo, os Curdos já tomaram a defesa de Kirkuk, a sua capital.
Depois, os Xiitas defenderão Bassorá, a sua capital.

Fig. 3 - Futura divisão do Iraque em 3 países, dois de rendimento médio (Norte-Curdo), um médio (Sul-Xiita)  e um pobre (Centro-Sunita) que passará a ser financiado pela Arábia Saudita.

Os americanos não parecem nada preocupados.
O exército do Iraque é disfuncional e custa aos americanos rios de dinheiro. 
Não interessa ter um país pacificado em que, todos os meses, morrem 1000 pessoas vitimas de incidentes militares.
Os americanos chegaram a conclusão que, como fizeram na Segunda Guerra Mundial, na Guerra da Jugoslávia ou estão a fazer na Síria, o melhor é deixar que os beligerantes se cansem. 
Podemos pensar que uns bombardeamento aéreos resolviam o problema mas não é verdade porque esta guerra tem fundamento étnico e económico e quando as guerras têm fundamento tão forte, apenas a separação das populações é capaz de acabar com a guerra de atrito. 

E para que presta dominar 50% do Iraque que não tem petróleo?
É que as zonas que o ISIL está a tomar não têm petróleo. 
Não vale a pena gastar vidas de americanos a pacificar povos que não querem viver em paz e, ainda, que não têm nada que nos interesse.
Além do mais, os USA importam menos de 20% do petróleo iraquiano.
É deixa a coisa andar que aquilo, com mais ou menos mortos, vai ao sítio, se não for esta semana, daqui a 50 anos já estará tudo calmo.
É ver como, nos últimos anos, o Vietname se tem tornado um dos maiores aliados dos americanos na Ásia. 
Até já têm barcos de patrulha oferecidos (indirectamente pelos USA) para fazer face aos chineses. 

O Irão vai proteger o Sul.
Vai ser o mais acertado pois o Irão é Xiita e, por isso, que os aguente.
Os USA vão proteger o Curdistão que é onde está a maior parte do petróleo e são, desde os anos 1990, aliados dos americanos.
A Arábia Saudita, o Kuwait e os estados do golfo que aguentem os Sunitas.

Pedro Cosme Costa Vieira

3 comentários:

Pedro Alexandre disse...

Essa conversa dos xuxas a dizerem que foi a crise de sub prime a causadora da dívida pública e tão ridícula e mais uma grande oportunidade dos xuxas de se desculparem como profissionais da ilusão que são.

O nosso endividamento faz se porque fomos tratar o doente com o medicamento errado, a crise do sub prime é um efeito das políticas erradas do próprio endividamento externo.

Os xuxas dizem que as políticas de austeridade são um desastre, a nossa economia só recuperava dos anos do Guterrismo com reformas econômicas muito importantes, como em qualquer outra economia.

Claro que os resultados não estão a vista (do bolso), a economia está a recuperar lentamente, mas como o povinho infelizmente tem vistas curtas, isto rapidamente volta tudo às habituais festas populares xuxialistas.

Pedro Alexandre disse...

Dos anos do Guterrismo e dos Socráticos Costas.*

Diogo disse...

Muito boa análise do que se passa no Iraque

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