sexta-feira, 11 de julho de 2014

O BES, os caloteiros e a turbulencia financeira

As taxas de juro têm estado a subir. 

As taxas de longo prazo (a 10 anos) têm estado a subir. Depois do mínimo de 10 de Junho (3,25%/ano), começaram a subir e já chegaram aos 4,00%/ano. Se este aumento da taxa de juro se aplicasse a toda a dívida pública, esta alteração traduzir-se-ia numa despesa pública adicional de 1600 milhões de euros por ano. Mas, felizmente, no curto prazo as alterações têm sido em sentido contrário com a taxa de juro a 12 meses já abaixo de 0,5%/ano. Se, retirando a inflação prevista, a taxa de juro a 10 anos está nos 2,0%/ano enquanto que, a 12 meses, está negativa, nos - 0,7%/ano. 
Isto traduz que os nossos financiadores não têm dúvidas quanto ao que se vai passar enquanto o Passos Coelho estiver à frente do governo mas já sentem um certo nervoso quanto ao futuro mais distante, talvez a sermos governados por caloteiros. 

Fig. 1 - Será que sou eu que estou a fazer subir a sua taxa de juro?

Os caloteiros voltaram a atacar. 
Umas pessoas voltaram a atacar com a ideia da caloteiragem a que chamam reescalonamento da dívida pública. A simulação que estão a propor é um bem que fazem ao povinho porque permite que as pessoas mais distraídas antevejam o que acontecerá quando tivermos de novo um governo socialista do tipo do do Sócrates. Será a falência dos bancos e consequente nacionalização, mais BPNs para a gente pagar. Será o corte de 10% nas poupanças que temos depositadas e nos Certificados de Aforro e do Tesouro. É também a falência das seguradoras e da Segurança Social porque também estão cheias de Dívida Pública e têm aplicações nos bancos. Atrás dos bancos e das seguradores, como vimos com a PT relativamente ao Grupo Espírito Santo, a economia entrará em ruína porque tudo está ligado.
Se a Austeridade causou comichão, a bancarrota será um tsunami.
Comparando com a Grécia, a taxa de juro voltará rapidamente a ultrapassar os 6%/ano.

Fig. 2 - Nos últimos 3 meses, a taxa de juro a 3 anos tem andado em torno dos 1,3%/ano com oscilações até 0.2 pontos que traduzem alterações na cotação das obrigações menores que 0,5%. Nunca pagamos taxas de juro tão baixas.

E se prometermos pagar?
Nesse caso, a taxa de juro vai-se manter baixa. Descontando a inflação, a taxa de juro está nos 0,25%/ano  (actualmente, com as taxas de mercado, a taxa de juro nominal do mix óptimo de prazos para uma média de 5 anos está nos 2,10%/ano a que temos que descontar a inflação prevista). Mantendo o actual esforço de pagamento do serviço da dívida público nos 4% do PIB, conseguiremos voltar a dever 60% do PIB em cerca de 20 anos (em 2014, o esforço é de 4,5%).

Não pagar metade da dívida é pior que prometer pagar tudo.
Se, como dizem os caloteiros, não pagássemos metade da dívida pública, ficávamos a dever cerca de 65% do PIB. Com o actual esforço de 4% do PIB, com uma taxa de juro de 6%/ano, daqui a 30 anos estávamos a dever mais do que deveremos se prometermos pagar tudo o que devemos (a 0,.25%/ano).
No curto prazo ficávamos com a ideia contabilística de que devíamos menos mas, porque no longo-prazo iríamos pagar uma taxa de juro superior, no final iríamos pagar mais.

Futuro ..........................Agora ... 10anos ....20anos.... 30anos ..... Juro real
Bancarrota de metade ...65% ...... 55% ....... 46% ...... 30% ........ 6,0%/ano (é o grego)
Pagar tudo ...................130% ..... 97% ....... 59% ...... 20% ........ 0,25%/ano (é, actualmente, o nosso)

Este exercício é imaginando que vamos pagar sempre o mesmo em serviço da dívida pública, 4,0% do PIB.
Tenho que concluir que, mesmo não considerando as perdas na vida das pessoas causadas pela perda das suas poupanças e as falências, pagamos muito menos se prometermos que vamos pagar tudo com língua de palmo do que, de forma peregrina, declararmos do dia para a noite de que só vamos pagar metade.

Afinal o António Costa já disse como vai resolver os problemas de Portugal.
Vai criar ministérios.
Para resolver o problema da falta de espectadores nos espectáculos, cria o Ministério da Cultura.
Para resolver o problema do desemprego, cria o Ministério do Emprego.
Para resolver o problema da estagnação económica que se vive desde o tempo do Sócrates, cria o Ministério do Crescimento.
Para resolver o problema do défice público, cria o Ministério da Receita Pública Aumentada Sem Aumento dos Impostos e o Ministério da Redução da Despesa Pública Sem Cortar em Lado Nenhum.
Vai ainda cria o Ministério das Empresas Públicas que Vão Passar a dar Lucro Sem Haver Diminuição da Qualidade dos Serviço Fornecidos às Comunidades.
Vai ainda criar o Ministério do Tudo Para Todas as Terriolas, com Secretarias de Estado Das Universidades, Dos Aeroportos, Das Linhas de Comboio, Das Maternidades, Das Escolas Primárias, dos Correios, Dos Tribunais, Das Juntas de Freguesia, Das Criancinhas a Rodos, e Das Casas de Putas Boas e Baratas Pagas com o QREN.
Ministério dos Empregos Qualificados e Bem Remunerados Para os Milhares de Licenciados Em Arquitetura, Psicologia, Ciências Jurídicas e Outras Merdas.
São só ideias boas que eu nunca tinha pensado. O homem é mesmo um génio da política mas que vai ser desperdiçado pois não vai chegar a lado nenhum. Vai ser um novo Santana Lopes mas sem ter direito a uns mesitos de Primeiro Ministro. 

O nervosismo é uma amostra de como serão os tempos de um governo de caloteiros.
Vamos imaginar um futuro em que temos um governo de um Costa, Seguro ou Rio a anunciar todos os dias cortes nos cortes do Passos Coelho. As possibilidades de financiamento irão secar muito rapidamente. Claro que este problema vai ser aproveitado demagogicamente pelo candidato a futuro governo dizendo que é uma demonstração das falhas da austeridade.
Se as sondagens indicarem que o Costa vai ser primeiro ministro, as taxas de juro sobem o que será anunciado como culpa do governo.
Se o povo acreditar, como o povo argentino e o povo venezuelano acreditaram, nesses caloteiros, teremos a bancarrota de 2011 repetida em 2015. Mas eu não quero acreditar que o nosso povo seja assim tão burrinho.

Será a subida das taxas de juro um efeito do Grupo Espírito Santo?
Não se pode dizer que sim nem que não pois ninguém perguntou aos investidores porque estão a vender as suas obrigações a um preço mais baixo. Como eu sigo o Positivismo em que apenas pode ser afirmado o que conheço de forma positiva, não basta "não saber o que se passa" para afirmar o Espírito Santo tem algo a ver com as taxas de juro. Mas vou rezar e pedir à NSF - Nossa Senhora de Fátima.
O que se sabe é que o BES tem activos totais de 100 mil milhões € e o BPN tinha activos totais de 8 mil milhões €. (ver, relatório e contas do Grupo BES 2012, p. 5)
Imaginemos que o buraco era proporcionalmente idêntico o que, como já referi, não tenho qualquer informação de que o seja, um resgate equivalente implicaria a injecção de 60 mil milhões €. Iríamos ter  em 2014, em vez dos previstos 4%, um défice de 40% do PIB. Seria uma alegria para os esquerdistas.

O Daniel Bessa comparou o Sócrates a um terrorista suicida ao comando de um avião.
Finalmente, alguém abriu a boca para dizer a verdade.
O Sócrates era um mentecapto que apenas seguia instruções, no caso do Constâncio e, digo eu, do Teixeira dos Santos.
O Sócrates apenas aplicou com toda a convicção, politicas erradas que nos levaram, tal como os terroristas que conduziram os aviões contra as torres gémeas, à tragédia.
É esse o riscos dos governantes carismáticos e voluntariosos: estando errados, levam-nos rapidamente à desgraça.
Obrigado Daniel por teres saído do armário.

Fig. 3 - Lá vai o país comandado pelo Sócrates rumo ao desastre.

Pedro Cosme Costa Vieira

7 comentários:

Económico-Financeiro disse...

Foi aqui
https://www.bes.pt/sitebes/cms.aspx?plg=246d52f8-f72b-4fdd-8395-9d6c5fbc93df

Portuendes disse...

Colocar Costa, Seguro e Rio na mesma frase dando ideia que são tudo areia do mesmo saco é enganar toda a gente: Rio pode não ser um liberal e acreditar nas virtudes do intervencionismo estatal, aqui e acolá, mas tem um respeito pelos contribuintes que nenhum socialista alguma vez se sentirá tentado. Diria mais: poucos políticos tem demonstrado terem a consideração pela utilização de dinheiros públicos que Rio teve. Portanto, não comparemos, sff, pois as pessoas podem julgar que os atributos de Rio podem, de alguma forma, existir também em Seguro ou Costa.

Portuendes disse...

... e sobre Sócrates, acredito que mesmo sem mentores como Constâncio (e Teixeira dos Santos - neste não acredito porque o homem não consegue alinhavar uma ideia, apenas alguns lugares-comuns e mal) o nosso ex-PM pseudo-futuro-filósofo tivesse sempre pegado num avião qualquer para espetar contra as torres gémeas. O homem não precisava de mentor para espatifar o país, tinha a sua própria sociopatia e o apoio dos piores entre os piores dos companheiros chulos socialistas (e isto sem querer hostilizar ninguém).

Económico-Financeiro disse...

Os 65 mil milhões são do banco comercial "Banco Espirito Santo" e os 100 mil milhões são do Grupo Banco Espirito Santo que tem outras coisas.

BC disse...

Na gíria bolsista “estar bull” sobre um título ou índice é acreditar que ele vai subir. Acreditar na descida é “estar bear”. Depois existem os “permabulls” e os “permabears” que são aqueles que não importa os factos e aquilo que aconteça mantém a sua opinião. Normalmente têm uma interpretação criativa de forma a que esta concorde com a sua opinião. Os esquerdistas são assim. E a generalidade do povo português é “permaesquerdista”.

O Costa vai ganhar as eleições e vai levar o país de novo à falência. E os portugueses vão achar mais uma vez a culpa foi dos mercados e dos alemães!

Bmonteiro disse...

Obrigado Mr Daniel Bessa?
Obrigado, era Mr Bessa ter dito isto há dez anos, há sete anos.
Agora, sabe a apanhador de combóios descarrilados. Onde andava ele então? quando Medina Carreira andava de lanterna na mão a avisar a plebe?

Chilavert disse...

Pedro Alexandre tem razão quando diz que Portugal tinha uma estado demasiado exposto porque as suas politicas expansionistas eram assentes em crédito mas a culpa do subprime é e sempre foi da irresponsabilidade da banca(não só portuguesa mas mundial).
Foi a banca que alimentou e incentivou a bolha imobiliária( que começou algures nos anos 90 nos EUA) financiando as pessoas e as respectivas empresas sem qualquer minimo controlo com olho no lucro facil.
O mundo inteiro foi atingido embora quem sofreu mais foram os países com desiquilibrios economicos maiores.
Em relação a BPP, BPN e BES os banqueiros tem um nivel de escrupulos identico ao dos politicos.

Como pode reparar a sua verdade está manifestamente incompleta.

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