sábado, 5 de julho de 2014

O desemprego, a emigração e a natalidade

A taxa de desemprego tem descido rapidamente. 

H0: Os esquerdistas diziam que o desemprego apenas poderia descer se o investimento, principalmente público, voltasse aos níveis do guterrismo-socratismo, quando nos endividamos loucamente. 
H1: Eu, o falecido Borges e a literatura da especialidade, defendemos que o desemprego iria diminuir se os custos do trabalho diminuíssem.
O que se verifica é que o investimento não voltou aos níveis dos anos 1995-2010, nem lá perto, e o desemprego está a diminuir a grande velocidade.
O que dizem os esquerdistas sobre isto? 

É a emigração.
Quando aderimos à CEE, o nosso sonho era ganharmos a liberdade para ir trabalhar nos países mais ricos da Europa, onde quiséssemos. Com o Espaço Schengen, essa liberdade tornou-se total. Qualquer um de nós pode ir para qualquer país da Europa Central e Ocidental viver e trabalhar tal e qual como estamos e trabalhamos em Portugal. Podemos mesmo, enquanto não arranjamos trabalho, pedir ajuda monetária para viver ( Rendimento Mínimo e Abono de Família). 

Fig. 1 - E pensar que há um anito estava desempregada e a viver do RSI e agora estou a trabalhar e nas ilhas gregas.

Quando eu comecei a trabalhar.
Foi na África do Sul. Licenciei-me em Engenharia de Minas já com o sonho de ir trabalhar para um país exótico. Fiz uns contactos e recebi uma proposta de trabalho de uma mina de Ouro. Mandaram-me o bilhete de avião e o visto de trabalho e lá fui eu todo contente. Aquilo durou pouco mas foi por minha opção. Fui livre de ir e de vir.

Mas, assim, ficamos sem pessoas.
Mas isso não é problema de cada um de nós que quer ir trabalhar e viver para onde bem lhe apetece.
Nos anos 1960 emigrou muita gente para a França e o Salazar achava que isso ia destruir o nosso país. De facto, a maioria dessas pessoas perdeu-se enquanto português porque integrou-se nos países de acolhimento. Daqui a 50 anos, os portugueses emigrantes em França serão tão portugueses como são arménios os arménios que vieram em 1500 para Portugal em 1500 (não sobra nem um que se assuma arménio).
Mas nos anos 1960 a nossa natalidade era de 3,15 filhos por mulher quando a reposição da população se dá com uma natalidade de 2,07 filhos por mulher. Então, nos anos 1960 Portugal tinha um "excesso" de produção de 50 mil pessoas por ano, principalmente nas aldeias pobres e do interior.
Agora, a fertilidade está muito baixa, 1,30 filhos por mulher, o que traduz, sem emigração, um défice 50 mil pessoas por ano.
A baixa natalidade é que torna visível o impacto da emigração. 

Mas não podemos obrigar as pessoas a ter filhos nem a ficar.
O Salazar queria povoar o Mundo com portugueses e, por isso, pediu ajuda à Igreja para que as pessoas tivessem muitos filhos. Também dificultava a emigração ao máximo.
Mas agora, as pessoas são livres de fazer o que bem entenderem e não querem ter filhos e querem ir trabalhar para onde for melhor para elas. 
Eu tive essa liberdade e toda a gente tem direito a ela. 

Mas o desemprego está mesmo a diminuir.
A nossa taxa de desemprego de "pleno emprego", NAIRU, é na ordem dos 6% que se calcula como a média de 1987.2007.  Em 2007 estávamos no "pico" da Crise de Liquidez das Economias Emergentes de 2002 (9% de desemprego). Com a Crise do Sub-prime, a taxa de desemprego subiu 3 pontos para 12% e com a Crise das Dívidas Soberanas de 2011, começou a crescer de forma explosiva não parecendo ter tecto à vista. Quando em Fevereiro de 2013 atingiu 17,3%, eu pensei que só pararia lá para os 30% mas, quase por milagre, começou então a descer ainda mais rápido do que tinha subido (ver, Fig. 2). 
Se vimos o desemprego subir 9 mil pessoas por mês, agora estamos a vê-lo descer 10 mil pessoas por mês.
A queda é tão rápida que até parece mentira.

Fig. - Evolução da taxa de desemprego em Portugal (dados: Eurostat), crises financeiras e possível evolução a tracejado (autor). A esta velocidade, em 2017 volta aos 12%.

E porque cai o desemprego?
Primeiro, temos que nos lembrar que o desemprego aumentou porque a construção civil e as obras públicas pararam. Milhares de trabalhadores pouco qualificados ficaram na rua e pensava-se que muito dificilmente esses trabalhadores poderiam ser alguma vez reabsorvidos pela economia.
Mas surgiram oportunidades para essas pessoas não só em Angola como também na Europa. E, melhor do que estar à espera que o Costa possa retomar o PEC 4, as tais "politicas de crescimento e emprego, versão  4", o povo foi marear vida.
E fez muito bem.

Vamos ao "problema" da Europa do Norte.
Nós dizemos que a nossa natalidade é pequena e depois ouvimos todos os dias que milhares e milhares de emigrantes atravessam o Mediterraneo para Itália. Onde será que metem essas pessoas?
É que na Europa há uma escassez muito grande de trabalhadores pouco qualificados porque não nascem pessoas.
Nos países do Norte da Europa (Austria, Belgium, Czech Republic, Denmark, Estonia, Finland, Germany, Lithuania, Luxembourg, Netherlands, Norway, Poland, Slovak Republic, Sweden, Switzerland) os casais (as mulheres) têm menos 0.60 filhos que o necessário para repor a população (ver, Fig. 3). Numa população de 210 milhões de pessoas, é um défice populacional de 800 mil pessoas por ano.

Fig. 3 - Evolução do défice de filhos por mulher no Norte da Europa (dados: World Bank, cálculos do autor).

E da Europa do Sul.
O panorama ainda é pior com a Itália e Espanha com uma fertilidade 0,70 filhos por mulher abaixo do necessário para repor a população. Aplicando o défice de natalidade destes dois países à sua população de 106 milhões de habitantes, há "apenas" um défice de 450 mil pessoas por ano.
Somando estas duas parcelas, há na Europa uma necessidade anual de 1,3 milhões de pessoas.

Vamos mesmo ficar sem ninguém.
Como sabem, a tal comissão da natalidade (para a qual eu me ofereci mas não me quiseram) está a trabalhar. Não sei o que estarão a fazer mas o mais certo é estarem a escrever um Livro Branco.
Escrevem, escrevem, escrevem e a Terra continua a andar à volta do Sol.

O problema é que o nosso trabalho é substitutivo.
A população destes países está a diminuir mas o efeito mais visíveis é o envelhecimento que faz com que deixem de poder executar trabalhos fisicamente exigentes, principalmente, trabalho pouco qualificado.
Então, a contracção e envelhecimento da população dos países europeus mais ricos do que nós vai aumentar a necessidade de importar trabalhadores como os nossos.

O pior será quando acabar a crise.
Quando a Europa ultrapassar definitivamente a Crise das Dívidas Soberanas, aumentará a necessidade de trabalho pouco qualificado e corremos o risco de ficar sem pessoas.
Por um lado, não nascem e, por outro lado, os países europeus captam os poucos que vão aparecendo.

Muito mais haveria para dizer.
1 -> A crise no BES
Em termos contabilisticos, o BES é um banco muito sólido, dando total garantia aos seus depositantes e demais parceiros comerciais. O problema está em saber se o BES tem nos seus balanços activos de empresas falidas, principalmente do grupo. O buraco de Angola, maior que o do BPN, é problema de Angola pois os depositantes são de lá, mas quanto desse problema é garantido pelo BES? Não sabemos.

2 -> A crise no PS.
É interessante como o Costa não avança com uma ideia. É a cassete do crescimento e mais nada. Mais valia dizer que apostava no Quarto Segredo de Fátima: um homem mago com origem no Oriente vai somar à dívida colossal feita pelos seus amigos Sócrates e Guterres outra dívida colossal e, apostando que menos vezes menos dá mais, a divida mega-colossal vai-se transformar num crescimento estratosférico.

3 -> A crise do Avião da TAP que se atrasou 2 h.
Foi o Cavaco que pediu para que o avião não levantasse enquanto o Alberto João estivesse lá dentro porque informações dos americanos garantiam que o homem vinha rebentar com o "cuntenente".
E o Mário Soares, em vez de ir dormir a soneca para Belém, ficou a dormir no táxi. O Cavaco contratou um taxista especial que deu voltas sem parar pela cidade alegando que se tinha de desviar das obras públicas que, já em Lisboa, iniciaram o "choque do crescimento e emprego" do Costa.

4 -> Mas o Cavaco avançou com revolucionário, algo verdadeiramente novo.
Para ser totalmente revolucionário, disse a mesma coisa: os partidos têm que se entender. Já não tem cabeça para escrever coisas e o pessoal já foi todo de férias. então, abre a gaveta e tira de lá qualquer coisa que, por acaso, é sempre a mesma coisa.

Fig. 4 - Maria, a gaveta dos novos discursos está vazia (Cavaco). Vai à gaveta de cima onde está sempre o discurso de emergência (Maria). 

Qual é a pessoa que tem a coragem de estar sempre a repetir a mesma coisa. Pensando bem, só os comunistas, o António Costa, o Sócrates, os socratistas, o Paulo Portas, ... é pá, afinal, toda a gente está sempre a dizer a mesma coisa.

5 -> Lancei a minha primeira campanha politica.
Lá no sítio onde eu vou buscar o meu sustento vai haver eleições para uma porção de coisas.
E eu decidi avançar contra tudo e contra todos.
As minhas armas são muito fraquitas, apenas três e-mails a marretar e 3 posteres.
A minha campanha não é para eu ser eleito mas sim para que a brigada da naftalina seja posta a andar.
É que, dizem os das construções, que antes de começar a obra é preciso terraplanar o terreno.
Vamos ver na próxima segunda feira qual foi o impacto dos 3 e-mails.

Pedro Cosme Costa Vieira

5 comentários:

Fernando Gonçalves disse...

Olá,nunca ficamos sem trabalhadores porque infelizmente apesar do envelhecimento da população o desemprego é muito elevado,seja qual for o nível de qualificações.Aliás gostava que me explicassem como se fosse muito brurro,porque querem aumentar a natalidade se o desemprego entre os jovens é tão elevado.

Pedro Alexandre disse...

Caro Fernando Gonçalves,

Desemprego sempre haverá, não existe empregos para todos os jovens porque há um nível de qualificações que não corresponde à oferta neste momento no país.

A este período eu penso ser um ciclo normal de mercado de trabalho com pouca oferta, porque o mercado de trabalho está a estagnar e as suas necessidades não correspondem à procura visto que a populcao está a envelhecer.

O facto da nossa economia ser pouco produtiva e exportadora também não ajuda, o facto de termos uma divida publica tão elevada está a obrigar os políticos a fazer a economia a crescer.

Mas que eu julgo que vai ser difícil terermos uma divida sustentável e emprego para o pessoal e portanto o desemprego elevado vai ser estrutural.

A economia Keynesiana acredita que pode existir emprego para todos nem que isso ponha em causa a sustentabilidade do estado, mas o desemprego não é problema desde que seja porque a economia não tenha potencial de crescimento para criar mais emprego e não porque a economia é sub-desenvolvida.

Só uma economia qualificada é que cria valor inovação e se desenvolve, se houver flexibilização do mercado de trabalho e podermos introduzir na economia o maior número de pessoas possível ou podermos criar o nosso próprio emprego e investir naquilo que gostemos, que não significa que seja naquilo em que nos formamos, melhor.

Cumps

Pedro Alexandre disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pedro Alexandre disse...

Boa tarde ao pessoal,
Bem eu tenho ouvido com cada bacorada ultimamente do Passos, quer dizer ele nunca foi um “Sócrates” ou um “Costa”, mas hoje em dia anda mais social que eles.
Já diz que no seu tempo tem combatido as desigualdades sociais e que o estado hoje é mais social que antes (acredito em algumas coisas é verdade), mas não é verdade no que toca a outras, por exemplo tem dito que as desigualdades diminuíram, mas é falso, o governo tratou de recolocar o país em níveis de 2005 que é só para ver o que dá o estado andar a endividar-se à maluca, destruindo esse trabalho mal feito do PS.
Mas gostei dele ter dito que foi o que mais renegociou as PPPs na Europa, eu não sei se é verdade mas também isso não passa de conversa para ver se ganha uns votos, não há credor nenhum que aceite condições piores sem contrapartidas, mas essa é outra ilusão que os esquerdistas andam a vender ao povinho.
Há uns tempos disse que o BES estava robusto, quando não estava, quer dizer não se enganou porque é verdade que o sistema financeiro português no geral nunca esteve mal.
Também estou a gostar do Seguro, ele agora está mais aberto a falar com o Passos, deve ser das primárias, hoje em dia mais parece de direita, apesar de mandar as suas bacoradas do costume quando se vê em campanha, principalmente aquela “já fizemos as contas e vamos repor os cortes todos” mas estou a gostar desta dupla e acho que merecia uma oportunidade em 2015.
Cumps

Fernando Gonçalves disse...

esta é boa,se os poucos jovens k há não arranjam todos emprego,então conclui-se que não se deve aumentar o seu número.Mais vale não ter filhos,para os trazer à desgraça deste país,de facto.

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