segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A reestruturação do BES

O problema do BES foi a desconfiança.
A situação contabilistica do BES não é desesperante.
Olhando para o Relatório e Contas do 1T2014 do BES, em 31 de Março 2014 o banco tinha 7017 milhões € de Capital próprio e 82817 milhões € de  activo bancário:

     ATIVIDADE (milhões de euros)
     Ativo                                => 82817M€
     Crédito a Clientes (bruto) => 51001M€
     Depósitos de Clientes       =>36242M€
     Capital Próprio                 =>  7017M€
Relatório e Contas do Grupo Banco Espitito Santo referente ao 1.º trimestre 2014, p. 6


Se dividirmos o capital próprio pelo activo, temos um rácio de CP/Activo de 8,5%.

Depois, veio o 2.º trimestre.

O prejuízo descoberto no 2.º trimestre foram de 3577 milhões €.
Temos que acreditar que o Vítor Bento fez o trabalho de forma totalmente correcta. A não ser verdade então este homem não faz diferença relativamente ao Salgado. 
Nessa situação, o capital próprio de BES está reduzido para

     7017 - 3577 = 3440 milhões €

Se o capital próprio é de 3440 milhões €, o BES tem um rácio CP/Activo de 4,2% que é metade do exigido, >8%, mas que ainda está bastante positivo (nos meus cálculos não pondero o capital pelo risco porque não tenho acesso a esses dados). 

De onde virá a desconfiança?
De haver uma teia de créditos entre empresas do grupo e que não é transparente. 

Até podem ser gajas boas mas não tenho muita confianças

O que vai ser feito agora?
Se houvesse um aumento de capital de 4900M€ proporcional ao capital contabilistico (3440M€), os actuais accionistas ficariam com 41% do banco capitalizado. Se o aumento de capital fosse proporcional à capitalização bolsista (670M€), os actuais accionistas ficariam com 12% do banco capitalizado.
Como não havia possibilidade de acordo, foi decidido separar a parte em que o capital foi aumentado, do resto do banco.  
Por um lado, alguém entra com 4900M€ para criar o "Novo Banco" que compra os activos do BES sobre a qual não existem problemas de avaliação (na ordem dos 50000) e os passivos (depósitos e obrigações do banco). Esta compra será avaliada ao valor nominal.
Por outro lado, fica o BES com os activos de maior risco e sobre os quais não há acordo sobre a avaliação. Em princípio vão ficar no BES os activo do GrupoBES na ordem dos 30 mil€ e passivos sem garantias (capital próprio o obrigações subordinadas). 
Os que eram proprietários do BES até ontem, continuarão proprietários do "novo" BES que ficará esvaziado do negócio de banca comercial.  

Será que o Novo Banco vai dar prejuizo?
Se for gerido de forma eficiente, será um banco viável.
O problema do BES tem sido as perdas associadas ao financiamento das emrpesas do grupo e não ao negócio bancário. Por isso, enquanto existir, será um banco como outro qualquer.

Será que o banco "Novo BES" irá falir?
Se falir é porque o Vítor Bento falhou na avaliação dos prejuízos. 
Agora, se a sua avaliação foi bem feita, se em Angola as coisas correrem menos mal, o capital contabilistico de 3440M€ ainda vai permitir que o BES funcione de forma razoável como SGPS ou mesmo como banco de investimento.
Em termos contabilisticos, cada acção deste "Novo BES" vale 0,65€ e a última transacção do BES foi a 0,12€.
Terá sido apenas pânico ou o Vítor Bento, afinal, fez mal as contas?
Só o futuro permitirá clarificar este ponto.

Casei com uma mulher de burka que me parecia com boas proporções e, no final, saiu-me esta

Em Portugal não há produto bancário para tantos bancos.
Não há depósitos nem há créditos estando o nossos sistema bancário sobredimensionado.
Cada terriola tem 5 ou 6 balcões quando só precisa, no máximo, de 2. 
Por isso, os bancos têm que reduzir o número de colaboradores e de balcões. 
Prevejo que os activos do Novo Banco vão ser distribuidos pelo sistema bancário e, depois, será encerrado.
Serão uns milhares de trabalhadores que vão para o desemprego mas é algo inevitável. 
Se os 2000 do BPN tivessem sido despedidos, não teria sido táo grande o prejuizo e, talvez, agora não fosse necessário liquidar o BES de forma tão urgente.

Pedro Cosme Costa Vieira

2 comentários:

Pedro Alexandre disse...

Caro Professor,

Agora percebemos porque é que o Passos Coelho não sabia de nada sobre a real situação contabilistica do BES, parece que o Salgado andou a gerir dívidas à TS e começou a criar um esquema no mínimo suspeito para tapar buracos e contas do GES sem a autorização do supervisor.

Provavelmente o Salgado não estaria à espera que ninguém desse por nada e que no fim quem pagava era o pobre do costume (já pareço os esquerdistas a falar).

É por isso é que o Passos Coelho não ajudou o BES/GES, ele sabia que isso seria para o contribuinte pagar, visto que aquilo era negócio condenado ao fracasso como o BPN.

Cumps

rollingsnowball disse...

Apenas para dizer que não será correto culpabilizar o Vitor Bento e a sua equipa se os resultados apresentados não corresponderem à realidade. Foi feita a ressalva que eles não se responsabilizam por eles e não assinam os resultados. Sendo assim, dizer "Terá sido apenas pânico ou o Vítor Bento, afinal, fez mal as contas?" está errado porque não foi ele que fez as contas.

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