terça-feira, 5 de agosto de 2014

O Ebola é pior que a guerra nuclear e que o BES

Nos anos 1950-1990 viveu-se o medo do Inverno Nuclear. 

Diziam os pacifistas que havia armas nucleares para destruir o Mundo várias vezes. 
Dividindo as 17300 bombas atómicas pelos 10% da superfície seca da Terra com maior densidade populacional, rebentaria uma bomba atómica a cada 30 km. Em termos de destruição, se cada bombas atómicas matasse, como em Hiroshima, 150000 pessoas (o que é ppouco provável), as bombas atómicas "só" matariam 2,6 mil milhões de pessoas.35% da população mundial. 
Bem sei que a destruição seria muito grande, cidades a arder, e que muito mais pessoas morreria de fome e de doenças resultantes da radiação mas penso que seria um exagero dizer que a Terra seria destruída várias vezes. 
Mas, apesar de as bombas atómicas parecerem ser um grande perigo, como dependem da vontade destruído do Homem e parecem ser armas suicidas, ainda não se concretizou. 

Fig. 1 - O perigo eram as bombas atómicas (que atacavam aos pares)

Mas o Ébola é um perigo maior que as bombas atómicas.
Digo que é pior porque não depende de nós. 
Os vírus atacaram-nos continuamente e, por isso, é que grande parte do nosso DNA é dedicado ao combate das infecções. 
Os animais e as pessoas co-evoluem com as doenças ao longo de milhares de anos e o DNA vai  evoluindo por mutação e selecção de forma a que as se vão tornando relativamente benignas.
Por exemplo, foi o que aconteceu com o Sarampo na Europa. 
Acontece que de vez em quando, motivado pela movimentação das populações, grupos que nunca estiveram expostas a uma doença são contaminadas. Quando em 1498 o Sarampo foi levado pelos Europeus para a América acidentalmente, nos índios teve um efeito devastador matando 95% dos nativos do continente americano.
Aconteceu o mesmo com a Peste Negra que na Ásia era uma doença sem grande taxa de mortalidade, e que, quando apareceu na Europa em meados do séc. XIV, matou metade da população. 
As doenças víricas não afectam todas as pessoas. Como temos exemplo com a Gripe, a nossa diversidade genética faz com que umas pessoas fiquem doentes e outras não. 

Fig. 2 - Evolução dos casos de Ébola 2014 (ver actualização)

O aumento não mostra quebra.
A primeira má notícia é que a taxa de difusão da doença está nos 2,3%/dia e que não mostra vontade de diminuir (ver, Fig. 2). E enquanto a taxa de difusão for maior que zero, o número de pessoas contaminadas vai aumentando.
A segunda má notícia é que, ao fim de 30 dias, 90% das pessoas contaminadas estão mortas.
A boa notícia é que 10% das pessoas contaminadas, ao fim de 30 dias estão novamente saudáveis.

Mas a OMS diz que a mortalidade é de "apenas" 55%
Pois diz mas está errada. Realmente, se dividirmos o número de mortos pelo número de contaminados dá "apenas" 55% mas é preciso ter em atenção que a doença incuba durante 21 dias. 
Acompanhando os doentes, ao fim de 30 dias, 90% estão mortos.
Os 55% é só para motivar as pessoas a ir para os centros de isolamento.

Estamos nós a discutir políticas de natalidade para os próximos 20 anos!
Quando, se a D. Inércia não estancar a difusão da doença, em finais de 2016 a doença já estará ultrapassada mas à custa da morte de 90% da população mundial. 
No Natal de 2016 Portugal terá um milhão de habitantes. Dentro de pouco mais de um ano teremos a população de 1415, quando roubamos Ceuta aos Mouros. 

Como será o Mundo com 10% da população actual?
Se formos nós a morrer, o mundo que se dane. Mas se escaparmos, vamos ter vantagens e problemas.
Primeiro, durante muitos anos não precisaremos de comprar carros. Damos uma volta pelos parques de estacionamento e pegamos nos que lá estiverem abandonados.
Depois, casas também teremos fartura, poderemos mesmo mudar para as melhores zonas. Será só chegar, ver as casas que estão vazias e entrar. 
Haverá muitos campos, estradas e fábricas para podermos tomar conta.
O problema é que, a economia global vai entrar em colapso por falta de trabalhadores e de consumidores. 
Não será possível manter as refinarias de petróleo a trabalhar se o consumo reduzir em 90%.
As fábricas, centrais eléctricas, sistemas de manutenção das estradas, tudo vai entrar em colapso.
Os 550 mil habitantes de Lisboa vão ficar reduzidos a 55 mil habitantes.
Os 12 milhões de habitantes da cidade de São Paulo vão ficar reduzidos a 1,2 milhões.

Mas isso nunca acontecerá.
Vamos ver se isto corre melhor que o BES que há uns dias estava sólido (palavras do sr. governador do Banco de Portugal) e só a marca "Banco Espírito Santo" valia 640 milhões € (ver) e hoje já nada disso existe.

Fig. 3 - Pouco mais de dois anos depois da queda do BES, 90% da população mundial já estava morta.

Pedro Cosme Costa Vieira

1 comentários:

Pedro Alexandre disse...

Caro Professor,
Achei engraçado este post, é claro que todo o cuidado é pouco e com doenças tão perigosas muito menos, mas tenho um desafio para o Professor.

Desafio-o a fazer um post sobre o buraco da Madeira só para a gente se rir um pouco...

O "ditador" AJJ julga que a festa ainda não acabou, ele está a confundir muita coisa, principalmente aquela do endividamento externo, ele julga que ele é que manda, mas quem lhe paga a festa é um Governo do "contenente"...

Cumps

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