sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O Mundo parece estar louco

Os últimos meses têm sido de loucura. 

Pelo lado dos homens, a Rússia invadiu a Ucrânia, a Líbia entrou em nova guerra civil, a Síria continuou com a matança dos inocentes, Gaza voltou ao tempo dos bombardeamentos sem fim à vista, o BES foi à falência, o Costa iniciou uma guerra fratricida com o velho amigo Seguro e o Rui Rio mostrou as garras ao Coelho. 
Pelo lado de Deus, veio o Ébola com uma força que já não se via desde 1918 quando a pneumónica matou milhões de pessoas.
Será que isto são, como dizem as Testemunhas do Senhor Jeová, os sinais de que nos aproximamos do fim do Mundo?

Fig. 1 - "Nós somos testemunhas do Senhor Jeová e estamos aqui para anunciar que o fim do Mundo está próximo" - Entrem, entrem meninas, vamos lá a uma rapidinha e, depois, o Mundo já pode acabar. 

Cheguei a ter esperança na Rússia.
Em 1990 o nível de vida da Rússia era equivalente ao de Portugal e 1,9 vezes o nível de vida do Brasil.
Depois da queda da URSS, a coisa piorou muito e atingiu o seu nível mais baixo em 1998. Nesse ano o nível de vida russo caiu ao nível do do Brasil. Reparem bem como o Brasil é uma potência com pés de barro, a Rússia não é tida como um pais rico e, mesmo assim, no seu pior ano, o nível de vida  russo igualou o brasileiro! 
Por coincidencia ou não, nos 10 anos depois que o Putin foi eleito presidente, a Rússia teve um crescimento impressionante, 7,3%/ano em termos de PIB per capita, comparável ao crescimento da China. Naturalmente, o povo aceitou um regime mais musculado porque pensava ser fundamental para o aumento do seu nível de vida.
Portugal é uma miséria, desde 1999 que estamos numa estagnação total. Nem o "choque tecnológico" que o Sócrates acompanhou com 180 mil milhões € de endividamento externo nos ajudou.

Fig. 2 - Evolução do PIBpc ppp do Brasil, Rússia e Portugal (dados: Banco Mundial)

Porque será que a Rússia parou de crescer?
O problema russo é que, desde a crise do sub-prime de 2008, o nível de vida só tem crescido 0.8%/ano o que não é nada para quem estava habituado a 7,3%/ano.
O problema esteja no facto de a Rússia ter atingido o nível de PIB que existia nos finais da URSS. Provavelmente o crescimento de 1998-2008 foi uma recuperação do terreno perdido e, depois desse ano, voltou o crescimento anémico que viveu nos anos 1980.
Agora a economia tem que se liberalizar e privatizar, as barreiras ao comércio principalmente com a Europa têm que diminuir mas a realidade tem evoluído no sentido contrário: mais estado e mais barreiras ao comércio.
O certo é que estes 5 anos de praticamente estagnação tornou os russos mais nervosos. E não há nada melhor para se ser estadista que uma guerra com os vizinhos desgraçados.

O Brasil nem está mal.
Nos últimos 10 anos, 2003-2013, o nível de vida cresceu 2,7%/ano enquanto que nos 10 anos anteriores, 1993-2003, tinha crescido apenas 1,0%/ano. Mas também não está bem, ainda precisa crescer durante 20 anos a 2,7%/ano para atingir o actual nível de vida português, e nós achamo-nos desgraçados e falidos! 

Fig. 3 - O Brasil está bem, principalmente nas suas praias que são de uma beleza extraordinária.

O Mundo Islâmico é um problema complexo.
Há já milhares de anos que se desenrola uma guerra entre as quatro interpretações do Livro de Moisés, os Judeus, os Cristãos, os Sunitas e os Xiitas.
Até meados do séc. XIX , o vencedor de uma guerra tinha o direito de matar e escravizar quem bem entendesse (Antes da convenção de Genebra). Os povos queriam-se explorar uns aos e o povo vencido tinha que se render de forma incondicional. Enquanto não fosse a rendição, o que tivesse maior poder bélico matava gente até, se houvesse necessidade, não sobrar ninguém.
Por exemplo, os europeus diziam aos nativos por esse mundo fora "toca a andar daqui para fora, ide para longe da vista, lá para o meio do deserto que queremos estas terras". Se eles fossem, boa viagem, se não fossem, matavam-nos.

Os problemas vêm da "civilização".
No tempo antigo, as guerras era definitivas, o vencedor "passava pela espada" todos os vencidos, fossem, homens, mulheres ou crianças.
Por exemplo, quando em 70 AD os romanos tomaram Jerusalém, 1,1 milhões de pessoas foram mortas e 100 mil feitas escravos (Josephus). Lá, não ficou nenhum nativo vivo.
Agora, como não se matam os vencidos, as guerras de atrito continuam por tempo indeterminado.

O ISIL retomou a guerra do antigamente.
Quando vencem uma batalha, matam toda a gente, matam os soldados vencidos, matam os velhos, matam as mulheres e matam as crianças. Falta-lhes aquilo que denominamos de "humanidade".
Mas eu já tinha previsto isto.
Na Síria, 3/4 da população é sunita mas o regime do Assad é xiita. Naturalmente, se houvesse democracia o governo seria sunita pelo que os apoiantes do Assad não querem eleições. No entretanto, já matou 200 mil sunitas, com bombas, gás venenoso, fome e sede. Só prisioneiros, executou mais de 10 mil.
O problema é que, com o tempo, os sunitas começaram-se a radicalizar e começaram a matar civis xiitas e de outras minorias.
Agora é um problema de grande dimensão e com tendência para piorar. Os xiitas da Síria pensam que se conseguem manter no poder mas apenas estão a tornar o problema cada vez pior.
No fim, vamos a assistir a matanças históricas como já existiram mesmo no Séc XX mas de que não nos queremos lembrar:
   1915-18 => 1,5 milhões de arménios às mãos dos turcos
   1932-33 => 7 milhões às mãos do Estaline e dos comunistas
   1937-38 => 300 mil de chineses em Nankim às mãos dos japoneses
   1938-45 => 6 milhões de judeus às mãos dos nazis.
   1975-1979 => 2 milhões mortos de cambojanos às mãos do Pol-Pot e dos comunistas
   1994 => 800 mil no Ruanda às mãos uns dos outros
   1992-1995 => 200 mil bósnios às mãos dos sérvios

Como se poderão resolver os problemas do Mundo Islâmico?
O que foi feito no Afeganistão e no Iraque não é a solução. Prova de que o Bush era mal assessorado é o facto de esta solução ter sido tentada no Vietname e não ter resultado.
Não funciona porque, enquanto houver protecção americana, os locais não conseguem criar um exército operacional. Viu-se como o exército iraquiano, mesmo tendo o equipamento bélico mais avançado do mundo, foi derrotado em poucos dias por umas centenas de guerrilheiros armados de metralhadoras enferrujadas.

Os curdos, mesmo sem armas, mostraram ser mais competentes.
Então, a solução terá que passar pela criação de micro-quase-estados, como já existem, por exemplo, no Líbano ou em Israel, que, formalmente, fazem parte de um país, seja o Iraque, a Síria ou Israel mas que, de facto, se auto-governam, são independentes, e inimigos entre si.
Uns quase-estados serão aliados dos USA e dos países ocidentais e outros serão inimigos. Os USA traçarão fronteiras de facto e darão apoio aéreo aos  aliados sempre que os vizinhos os tentem invadir.

E depois?
Na Segunda Guerra Mundial, no dia 9 de Março de 1945 os americanos bombardearam Tóquio com bombas incnediárias matando 100000 e perguntaram "Rendem-se?" e os japonas disseram "Não".
No dia 6 de Agosto de 1945 mandaram uma bomba atómica sobre Hiroxima matando 200000 e perguntaram "Rendem-se?" e os japonas disseram "Não".
No dia 9 de Agosto de 1945 mandaram uma bomba atómica sobre Nagasaki matando 50000 e  perguntar "Rendem-se?" e os japonas disseram "Sim".
Vamos supor que os japonas diziam "Não", chumbavam com outra bomba atómica no dia 19 de Agosto, depois, uma a cada 10 dias (que era o tempo que demorava a fazer cada bomba atómica) até dizerem que sim ou até não haver mais japonas.
E os americanos eram civilizados mas até os civilizados se zangam.
A coisa terá que ser tratada como vemos em Gaza. Os Hamas mandam morteiros, apanham com um bombardeamento que mata aí umas 30 criancinhas ranhosas.
Mandam mais morteiros, chumbam com mais bombardeamento.
E isto vai continuar até dizerem "já chega" ou deixar de haver criancinhas em Gaza.

Fig. 4 - Nagasaki levou com o Fat Man, 21 milhões de kg de TNT, e ficou tudo terraplanado. Até as árvores dos montes desapareceram a perder de vista. E ninguém falou em crimes de guerra. 

O BES está a evoluir bem.
Afinal, todos os activos do BES passaram para o Novo Banco e todos os problemas que eu identifiquei acabaram por ser ultrapassados.
1=> Todas as contas à ordem vão ser pagas (apenas os "familiares" Espírito Santo têm que provar a licitude dos saldos"
2 => Todas as obrigações não subordinadas vão ser pagas
3 => O lucro que o Novo Banco venha a ter da venda dos activos será para pagar as obrigações subordinadas e entregue aos accionistas do BES.

A situação liquida do BES era muito melhor do que era a do BPN. 
Sendo assim, a "gestão controlada" vai correr melhor.
Mas a má notícia (para os accionistas do BES) é que a Tranquilidade vai ser vendida por 50 milhões € quando valia 700 milhões €. Pelos visto, tinha muito "papel comercial do GES" que só serve para limpar o traseiro.

A Ébola está cada vez pior.
Isto é que são más notícias.
Há minutos foram tornados públicos os dados referentes a 20 de Agosto e a epidemia está totalmente descontrolada.
Cada dia estão a ser contaminadas 70 pessoas e, em princípios de Setembro, já teremos 100 novos casos por dia.
Já há em Monróvia um bairro da lata em isolamento compulsivo com 50000 pessoas.
No Zaire (RD Congo), que fica a milhares de km de distancia, apareceram 13 mortes suspeitas.

A Nigéria é um caso gravíssimo.
Uma pessoa deslocou-se da Libéria para a Nigéria no dia 27 de Julho de 2014.
Estando as autoridades avisadas do perigo, monitorizaram todas as pessoas e identificaram imediatamente este caso.
Seria de pensar que a coisa estava controlada mas já há 16 casos e 5 mortos.
Afinal, a Ébola é muito mais difícil de controlar do que têm anunciado.

Mas há os 2 americanos que escaparam com um medicamento.
Escaparem 2 pessoas em 3 dá ideia de que o medicamento dá resultado mas, mesmo assim, morrerá muita gente. Além do mais, o medicamento é muito difícil de produzir (só haverá mais doses em Dezembro) e existe a dúvida se, por as 3 serem brancas, não poderá a Ébola ser naturalmente menos mortal nas pessoas caucasianas.

A taxa deveria estar a diminuir.
Como já apresentei no poste da semana passada, a epidemia segue um processo de difusão que, inicialmente a taxa de aparecimento de novos casos aumenta, depois há um período com taxa constante e, quando se consegue controlar a epidemia (ou já não há mais pessoas para contaminar), a taxa começa a diminuir. O que observo nos dados é que a taxa está a aumentar o que traduz que a epidemia está descontrolada.
Cada dia, a coisa vai de mal para pior, o número de infectados (e de mortos) duplica a cada 25 dias. A esta velocidade, vamos fechar o ano com 83 mil infectados e 45 mil mortos.

Fig. 5 - Taxa de crescimento do número de pessoas infectadas (ver).

E a guerra entre o Costa e o Seguro?
Lá continua.
A boa notícia é que as taxas de juro da República estão cada vez mais baixas. A 5 anos atingiu hoje  um mínimo de 1,76%/ano, abaixo da taxa de inflação esperada para os próximos 5 anos (que é de 1,9%/ano).
Isto é extraordinário porque os caloteiros esquerdistas diziam que iríamos à bancarrota com o Passos se a taxa de juro nominal fosse superior a 3,0%/ano, e já está muito, muito abaixo.
Calaram-se.

Fig. 6 - Taxa de juro da dívida pública a 5 anos.

Pedro Cosme Costa Vieira

2 comentários:

Pedro Alexandre disse...

Caro Professor,

Até fazia sentido flexibilizar as metas se nós tivéssemos um TC que cumpra os seus papéis, e se não falhássemos todas as metas desde que nos vimos no euromilhoes do Euro.

Como os xuxas nunca leram um livro de economia sem ser Keynes, nunca chegarão a perceber que economia e finanças é a mesma coisa.

Mas eles como nunca perceberam tal regra vão dizendo que a consolidação orçamental "é importante mas é preciso deixar a economia crescer", uma das frases mais ignorantes que já alguma vez foi dita.

Cumps

Rodolfo disse...

Não vai faltar muito para a Rússia se meter com a Finlândia...

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