sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A taxa de desemprego está a cair

Hoje foi anunciada a taxa de desemprego de Setembro de 2014.

E as notícias não podiam ser melhores: depois do máximo de 17,5% de Janeiro e Fevereiro de 2013, a taxa de desemprego começou a cair e atingiu em Setembro de 2014 os 13,6% da população activa.
Tem sido uma queda média de duas décimas de ponto percentual por mês, o que é muito.
Sabendo que a população activa são 4,5 milhões de pessoas, cada mês 9000 pessoas têm deixado a situação de desemprego.

E como tem evoluído o emprego?
Dizem os esquerdistas que o desemprego está a diminuir à custa da imigração e dos trabalhadores desanimarem de procurar emprego.
Mas pegando nos dados do emprego, no primeiro trimestre de 2013 havia 4,3546 milhões de pessoas a trabalhar e no segundo trimestre de 2014 havia 4,5146 milhões (dados do EuroStat) o que traduz que, cada mês que passa, mais 10700 têm arranjado emprego.
Mas isto é incrível, cada mês não só as 9000 pessoas que deixam o desemprego arranjam um emprego como ainda 1700 pessoas deixam a inactividade porque arranjam emprego.

Fig. 1 - Evolução da taxa de desemprego em Portugal (dados mensais, EuroStat)

Mas não tem havido crescimento económico!
O que têm repetido vezes sem conta os comentadores (esquerdistas) da praça é que, sem crescimento económico, não há redução no desemprego. Que só com taxas de crescimento acima de 3%/ano é que o desemprego cai. Concluem então que, para o desemprego cair, são precisas "politicas de crescimento", mais investimento público, mais subsídios e subvenções.
Mas os dados mostram que, com o crescimento débil que temos tido, a taxa de desemprego está a cair rapidamente.
Será que os economistas assumem estar enganados?
O que será que eles têm a dizer relativamente aos dados?
Que estão errados.

Mas há a questão dos estágios.
Bem sei que muitos dos empregos são estágios pagos pela Segurança Social com 180€ por mês.
Mas isto sempre foi utilizado pelo que o desemprego estar a reduzir tão rapidamente e o emprego a subir são, mesmo com os estágios, boas notícias.

A evolução histórica do nosso desemprego.
Olhando para os dados, a taxa de desemprego que traduz o "desemprego zero" (taxa denominada por  NAIRU - Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment) é de 6,25%. Depois, o valor oscila entre os 4% (períodos das vacas gordas) e os 8,5% (períodos de crise).
As taxas de desemprego dos diversos países oscilam como a nossa mas o valor médio é ligeiramente diferente. Os países onde a "protecção social" é maior, tem uma taxa média superior.
Por exemplo, relativamente aos USA, nós temos +1,7pp, a Itália +2,9pp, a Grécia +6,9pp e a Espanha +10,3pp (dados, EuroStat).

Qual foi o nosso problema em 2013?
Segundo o meu colega OF, grande conhecedor destas coisas, o problema é que, quando surgiu a rise do Sub-prime (meados de 2008) nós estávamos numa taxa de desemprego já muito elevada.
Bem sei que nesse tempo já levávamos 3 anos de "políticas de emprego e crescimento" do Eng. Sócrates. Mas o facto é que nem a taxa de desemprego diminuiu nem a economia cresceu e, quando apareceu a crise do sub-prime, no fim destes 3 anos de socratismo, tínhamos uma taxa de desemprego de 8,5%.
Como uma crise faz a taxa de desemprego aumentar em 4,5 pontos percentuais (normalmente, seria de 4% para 8,5%), quando veio a crise do sub-prime, o normal aconteceu, a taxa passou de 8,5% para os 13,0%.
Foi mais ou menos este o valor que o Pedro Passos Coelho recebeu no dia da tomada de posse.

E depois?
Veio nova crise, a crise da bancarrota, a Crise das Dívidas Soberanas em cima disto.
Os 13,0% mais 4,5% dá 17,5%.
E nós, realmente, atingimos um máximo de 17,5% de taxa de desemprego.
Afinal estava tudo dentro do previsto.
Eu na altura discordei do OF mas agora tenho que dar o braço a torcer, tenho que concluir que o "azar" foi termos uma crise em cima de outra crise quando o socratismo ainda não tinha resolvido a crise que tinha herdado.
Foi somar 9pp de desemprego aos 8,5% que existiam.

O governo só muda em tempos de crise.
Normalmente, os governos só mudam quando vêm os tempos das vacas magras, os tempos em que o desemprego está elevado.
Aconteceu isso com o Mário Soares (1985), com o Cavaco Silva (1995), com o Guterres (2002), com o Durão Barroso / Santanete (2005), com o Sócrates (2011) e continuará a acontecer.
Por isso, quando o Sócrates entrou no governo, a taxa de desemprego era elevada mas ele nunca a conseguiu reduzir.
Todas as suas "políticas de crescimento e emprego" foram um flop que só nos endividaram.

O Passos Coelho vai ser reeleito.
É que a taxa de desemprego está a diminuir rapidamente.
Mantendo-se a tendência de descida, vamos chegar a Setembro de 2015 com uma taxa de 11,5% o que traduz que a crise da bancarrota já está resolvida bastando agora resolver a crise do sub-prime..
Afinal a "política de austeridade" consegue pôr a economia a funcionar.

O interessante é o Japão.
O Japão entrou em euforia com um governo esquerditas, com o Shinzō Abe, que defendia que a economia cresceria de volta como cresceu antes de 1992.
Até lhe chamaram uma nova era, o Abenomics.
Quando eu digo esquerdista quero dizer keynesiano em que o governo faz investimento público para tentar fazer crescer a economia.
Agora vê-se: é um total fracasso. Depois de uns trimestres onde a economia parecia estar a crescer, no último trimestre, a economia contraiu, em termos anualizados, 7,1%.
É obra se eu vos disser que o máximo que nós caímos foi 3,8%.

Mas pode acontecer uma tragédia.
E o Passos não ser reeleito.
Vamos pensar que não, vamos pensar que as coisas vão evoluir como têm evoluído.
Vamos pensar que a queda do preço do petróleo é uma coisa boa (que não sei se será pois, normalmente, precede uma crise mundial). 

Fig. 2 - Nos últimos 4 meses, o petróleo caiu 20%

Porque será que o petróleo está a descer tanto?
Segundo os analistas, a queda dos preços do petróleo tem a ver, muito estranhamente, com os problemas nos países produtores de petróleo.
Estranho?
É estranho mas tem a ver com o mercado de petróleo ser um monopólio.
Não é bem um monopólio mas é um cartel. Os países produtores de petróleo, através da OPEP, controlam a quantidade de petróleo que cada país pode produzir.
Assim, havendo problemas como os da Síria, Iraque, Irão, Rússia, os países começam a produzir mais do que o acordado e o cartel entra em colapso.

Também é uma guerra sunitas/shiitas, americanos/russos.
A Arábia Saudita, sunita, aumentou a produção para fazer cair as receitas do Irão (shiita).
Desta forma, torna difícil que o Irão financie o regime sírio.
Também a queda dos preços do petróleo tem um impacto muito negativo na Rússia e na Venezuela.
Pelo caminho, apanha o Brasil e de forma muito forte.
E nós ficamos a ganhar em importações que se reduzem em 1000 milhões por ano.

O que pode correr mal? o Ébola.
Depois de os novos casos estarem a cair rapidamente de um valor próximo de 3,3%/dia para menos de 2%/dia, desde meados de Outubro, os casos estão outra vez a acelerar.
É um sinal de perigo.

Fig. 3 - Novos casos de ébola por dia, média dos últimos 30 dias, relativamente aos casos vivos.

Pedro Cosme Vieira

3 comentários:

Fernando Gonçalves disse...

Mais emprego com salários sempre mais baixos,piores condições de trabalho,menos direitos e proteção social.Eu bem sei que o Pedro fica satisfeito com este quadro,para si é considerado positivo,os outros precários e os do costume,como os professores,segurinhos no seu posto,trabalhem pouco ou trabalhem muito.

Rodolfo disse...

Não se fazem previsões lineares de sistemas complexos (quanto ao ébola). É o mesmo de dizer 'como a temperatura tem estado a diminuir, lá para o final do ano estamos numa idade do gelo'.

Pedro Alexandre disse...

Caro Professor,

A economia cresce, o défice fica abaixo das previsões, a dívida baixa (apesar do GES), e o desemprego baixa, e baixa mesmo porque de facto o emprego está a crescer.

Mas há um facto na sua análise que fica por explicar, de facto os números de desemprego ficaram acima do esperado inicialmente pelo governo e pela Troika porque o enorme aumento de impostos teve de ocorrer logo após os chumbos do TC, que preferem desemprego e acabar mais cedo com a SS do que um corte nos FP.

Isso para mim é tudo conversa, os 13 anos de guterrismo-socrático já colocaram uma sepultura no país difícil de reparar, o desemprego elevado será estrutural, ou pelo menos será difícil encontrar emprego em condições tão rapidamente.

Mas que de facto está a melhorar isso é um facto, o Passos até pode dizer que não devolve os salários dos FP (acima dos 1500€, mas isso são apenas pormenores), que isto vai ser sempre melhorar, só falta vencer as eleições.

Cumps

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