sábado, 11 de outubro de 2014

Cada um tem o que quer

A acção. 

Ontem, estava eu em acesa discussão com o meu amigo PM que é esquerdistas, altas criticas contra o Passos Coelho e, no geral, contra tudo e contra todos e eu disse-lhe apenas.
- Eu sou contra a crítica porque defendo a acção. Ser velho é criticar tudo sem avançar com ideias nem nos disponibilizarmos para a acção. Se o mundo está mal, temos que pegar nas nossas forças e mudá-lo.
- Ai mas é impossível mudar o que está mal.
- Eu tenho o meu blog que me dá trabalho mas que é a minha acção para que o mundo possa melhorar. Se achas que é impossível mudares o mundo com as tuas ideias e acção é porque não lhes reconheces valor. 
- Tens razão.
E eu pensei, a minha ideia venceu, a partir de agora, talvez o meu amigo se torne mais construtivo e veja que o "outro caminho" não passa de uma miragem enganadora. 

A democracia em acção.
No meu emprego andam em eleições para director. Em todo o sítio existem facções, umas mais à esquerda e outras mais à direita, umas do FC do Porto e outras do Benfica, umas admiradoras do bagaço e outras do copo de leite. Por isso, no meu emprego surgiram duas listas, a A e a B. 
Todos têm as suas qualidades e os seus defeitos. Uns são mais conversadores outros menos; vestem melhor e outros pior, uns são altos e outros baixos mas todos têm muito valor. 
Acontece que a coisa está muito dividida, tudo muito empatado e, por causa disso, o combate tem, de dia para dia, subido de tom. Se a princípio éramos todos companheiros, ao longo do tempo, cada vez mais uns são de uns e outros são de outros.  Lentamente, estamos todos a tornarmo-nos inimigos dos outros.
Mas eu sou um desalinhado e penso que isso é errado, cada pessoa tem as ideias que tem e isso não pode por em causa o relacionamento entre as pessoas.
Por causa da forma como eu vejo o mundo, decidi que era preciso avançar. Mesmo sem ter, à vista dos meus colegas, uma competência especial, decidi que ia abandonar o conforto do meu sofá e lançar-me para dentro da jaula das feras.

A força da democracia é que cada qual tem os governantes que quer.
Agora, o meu nome está em discussão. Estou em campanha mostrando-me exactamente como sou, bem disposto, brincalhão e gozão. Mas sou mesmo assim e, se não mudei até agora, não vou mudar mais.
Depois, haverá eleições e será escolhido um director que, tenho quase a certeza, serei eu.

É o equilíbrio de Hotelling.
Vamos imaginar que eu tenho um território onde existem diversas lojas e clientes espalhados pelo território. O que provou Hotelling (1929) é que o equilíbrio em que cada lojista maximiza o seu lucro consiste em todos se localizarem no centro do território.
Isto não parece ter lógica pois, aparentemente, se um se afastar consegue captar mais clientes mas isso não acontece porque os outros vão atrás dele.
No meu caso, com as posições estremadas como estão, aparecendo eu no meio, no ponto de equilíbrio de Hotelling, venço.
Para ser director de uma faculdade de economia, tenho que por em prática o que diz a teoria económica.

As pessoas têm o que gostam.
Mas vamos imaginar que, por hipótese académica, é outro o eleito.
Então, nesse tempo, as pessoas não poderei dizer "este fulano é um mau director" porque tiveram a oportunidade de escolher outro e não o fizeram.
Um povo pode gostar de governantes gordos e outro de governantes magros mas é assim que funciona a democracia: cada um é que sabe o que é melhor para si. Nas Filipinas até há aqueles que se fazem pregar numa cruz. É assim que querem, é assim que se faz.
Não é Deus, o papa ou o Pinto da Costa que vai escolher o futuro director mas as pessoas.
Vamos ver no que dá.

Fig. 1 - Eu fui eleito com 61,09% dos votos e a Rainha de Inglaterra nunca foi eleita.

Ontem a minha futura vice-directora lançou um livro.
A minha colega de gabinete é de uma das listas, é da A, e eu, mesmo não sendo de lista nenhuma, ao candidatar-me acabo por ser seu opositor. Mas quero-a como minha vice-presidente porque é uma pessoa extraordinária em termos de competência e humanos. É que eu gosto pouco de trabalhar.
E ontem lançou um livro onde estava a minha colega e deputada europeia Elisa Ferreira.
Como sabem, é esquerdista, e eu "ataquei-a" com uma pergunta.
"Sou Pedro Cosme da Faculdade de Economia do Porto"

Depois, passei ao ataque.
É que um director de uma faculdade de economia de referência tem que ser capaz de confundir o mais resistente dos esquerdistas. Tem que intervir para apresentar a verdade.
"Existem zonas monetárias maiores que a Zona Euro como, por exemplo, os USA, a China, a Índia, a Indonésia mas nessas zonas monetárias existem muito maior flexibilidade do mercado de trabalho. Se os nossos políticos e os nossos povos não estiverem preparados para tornar o nosso mercado de trabalho idêntico ao dessas xona monetária. Se a esquerda continuar com a ilusão de que o ajustamento nominal viola o princípio da confiança mas a desvalorização cambial não, se continuarem a batalhar nos ´direitos adquiridos´ nominais, a Zona Euro não tem futuro."

Nem queiram imaginar a resposta.
Foi de uma dureza inimaginável, o verniz estalou todo, diria mesmo que a chapa rebentou, os meus opositores até se riram à gargalhada.
"Isso é uma ideia muito perigosa"
"Devia estar melhor preparado quando faz perguntas"
"Porque isso dos salários baixos"
Eu levantei o dedinho
"Desculpe interromper mas, tanto quanto eu sei, nos USA os salários são bastante superiores aos portugueses".
"Bem, bem, bem, bem, retomando a cassete, os baixos salários ...."
E ficou-se pela cassete, não veio nenhuma ideia, nenhum estudo, nada, apenas que eu não estava preparado.
Ah, veio o do costume, o Krugman, que aparece sempre que um esquerdista não sabe o que dizer.
Faz-me lembrar a minha falecida tia Clara: se não fizeres o que eu te mando, Deus vai-te castigar.

Mas como é que ela sabe o que Deus fazer? 
Pensava eu, se Deus é omnisciente, isto é, sabe tudo, é um sabichão, e a minha tia sabe o que Ele vai fazer então, sabe tanto ou mais do que Ele.
Será que a minha tia é o próprio Deus em figura de vaca?

Fig. 2 - Desiste disso de director, olha que vais sofrer, olha que Deus castiga-te!

O que será uma ideia perigosa?
Vamos supor que eu dizia que "nessas zonas monetárias as pessoas andam de pernas para o ar e que, por isso, também temos que passar a andar de pernas para o ar."
Isto não me parece que tivesse perigo algum.
Uma ideia é perigosa se conseguir mudar o mundo.
Eu sou perigoso porque tenho ideias capazes de mudar o mundo.
Eu, avançando no instante em que o diabo esfregou o olho, com a ideia do Hotelling na cabeça, vou ser  capaz de derrotar quem tem um grande exército há meses no terreno e que já julgava ter a vitória no papo.
A ideia do liberalismo, no mercado de trabalho, no mercado de bens e serviços, no mercado de capitais, no mercado externo é o motor de arranque, em meados dos anos 1970, do crescimento da China.
Em 1977 o PIB per capita chinês estava em 10€ por mês e em 2014 está em 322€/mês. Foi um crescimento no rendimento das pessoas de 8,7% por ano.
E não teve ajudas de ninguém, da UNICEF, Cruz Vermelha, nada.
Por oposição, em 1977 o PIBpc da Guiné Bissau era de 23€/mês e em 2014 está nos 23€ por mês. Foi um crescimento no rendimento das pessoas de 0,0% por ano.

Então, apresentei uma ideia que é mesmo perigosa.
A Etiópia adoptou, há pouco mais de 10 anos, o modelo de liberalismo chinês. Desde então, tem crescido quase 10%/ano.
A Índia, Indonésia, Bangladesh e até o comunistíssimo Vietname estão a adoptar o liberalismo e a Europa esquerdista quer continuar a marretar na tecla de que os direitos adquiridos são uma conquista da humanidade.
Que é preciso voltar aos investimentos públicos, aos salários mínimos alucinantes, à conversa do "outro caminho, o caminho do crescimento e do emprego, o caminho do leite e do mel, o caminho do Maná".

Calou!
Mais interessante foi que as tropas da minha colega, em peso na segunda fila, atrás de mim, iminentes e reputados economistas (esquerdista), ouviram e calaram. Penso que, quando chegaram a casa, esvaziaram o frasco de sais de frutos ou, como, desde que o Passos fez o preço descer de 56€ por caisa para 2,6€ por caixa, se usa, esvaziaram a caixa do Omeprazol.

O Passos Coelho e o Costa.
O Passos Coelho foi eleito pelo povo português. Eu e outras pessoas saímos de casa, fizemos o sacrifício de ir ao local de voto para que o Sócrates e a sua corja fossem atirados borda fora e para que o Passos Coelho pudesse começar a governar o nosso querido país.
Confesso que, nesse dia, fui votar mais para me ver livre do Sócrates (em quem tinha votado havia uns tempos) do que para meter lá o Passos pois não o via com estaleca para governar Portugal na difícil situação em que o socratismo nos tinha metido.

Acontece que a coisa até está a correr bem.
A nossa discussão pública anda em volta do défice público e da dívida pública e esses números não estão, em termos absolutos, bem. Mesmo que este ano consigamos 4%, é muito défice.
Mas não podemos olhar só para o valor actual de 4% (ou 4,8%) per si mas temos que ver a tendência e para antes a tenacidade do governo.

Vejamos a febre.
A nossa temperatura deve estar nos 37.ºc. Imaginem que vamos à loja de um africano qualquer e que, no dia seguinte, a nossa temperatura sobe para os 40.ºc (o equivalente a 4% de défice de 2014). Pensam logo "Meu Deus, devo estar com Ébola".
Agora vamos imaginar que a temperatura vai subindo, subindo até que atinge os 50.ºC e que se mantém nessa temperatura durante 3 dias (o equivalente ao défice de 10% de 2009-2011). Pensamos que vamos mesmo morrer antes de o Costa dizer qual é o "outro caminho".
Mas, vem um novo doutor, o Passos, e passados apenas 3 dias, a temperatura volta aos 40.ºc.
O que pensam? "Já estou safo desta."
O interessante é que a temperatura está nos mesmo 40.ºc que, dias antes, nos tinham levado a pensar que a morte estava perto mas agora já achamos que estamos safos.

Estaremos mesmo safos?
Totalmente safos.
Claro que há aqueles casos do cão e da enfermeira espanhóis que foram contaminados com Ébola.
Se fosse eu a mandar, metia aqueles todos que amavam o cão, e obrigava-os a serem lambidos pelo bichinho. Não lhes deveria fazer mal nenhum ou será que fazia? Penso que o matavam com as próprias mãos.
Voltemos ao que interessa.
Desde 15 de Setembro, de dia para dia, o número de casos de Ébola em termos percentuais e mesmo em termos absolutos está a diminuir.
O problema é que ainda muitas mais pessoas vão morrer antes da epidemia acabar.
A dinâmica das epidemias é mesmo assim mas a coisa está controlada.

Fig. 3 - Número de novos casos de Ébola em termos percentuais (dados, WHO)

E a dívida pública?
É exactamente o mesmo fenómeno que o Ébola.
O Passos está a conseguir controlar as contas públicas mas o dinamismo da despesa, as contas escondidas nas empresas públicas, nas autarquias e nos serviços autónomos, têm feito com que a dívida reconhecida tenha continuado a crescer e já esteja nos 130% do PIB.
Mas esta dívida já existia só que não estava reconhecida.

Será que conseguimos pagar uma dívida de 130% do PIB?
Diz o Pacto de Estabilidade que precisamos reduzir a nossa dívida em 2% do PIB por ano pelo que teremos 33 anos para voltar a uma dívida de 60% do PIB. E, para um crescimento de 1,2%/ano, conseguimos atingir essa meta se tivermos um défice de 0,5% do PIB.

Será possível ter, com uma dívida massiva, um défice de 0,5% do PIB?
 É possível porque vamos pagar de juros pela actual dívida pública de 130% do PIB menos do que pagávamos, há uns anos, pelos  60% de dívida.
Reparemos os dados de mercado.
Para um prazo de 5 anos, a taxa de juro está nos 1,6%/ano e, entre 2006 e 2009, estava nos 3,7%/ano.
Então, 60% de dívida custavam 2,2% do PIB em juros enquanto que agora, os 130% custam 2,1% do PIB em juros.
Como podem os xuxas dizer que, no tempo deles, nos podíamos endividar à força toda porque a dívida pública era sustentável se pagávamos em serviço da dívida do que pagamos agora?
Se colocarem esta questão a um xuxa vão ouvir:
"Isso é uma ideia muito perigosa"
"Devia estar melhor preparado quando faz perguntas"

Agora é só continuar.
Continuar o combate ao Ébola.
Continuar a política de consolidação orçamental.
Continuar com a minha campanha para director.
Ainda há muitos espinhos pelo caminho, ainda muitas pessoas vão morrer de Ébola, ainda muitos sacrifícios teremos que passar, anda muito vou ter que ouvir sem o querer mas o caminho está a ser percorrido.

Fig. 4 - O gordo ainda vai ter que fazer muita dieta mas as gajas já estão boas.

As sondagens são impressionantes.
A única coisa do Sócrates que valeu a pena foi o dinheiro que se gastou a aumentar a escolaridade da nossa população.
Não é que, "depois de 3 anos da mais dura austeridade de que temos memória" (palavras do Costa) as sondagem colocam empatados o PS liderado pelo salvador da humanidade e o PSD+PP liderados pelo diabo e pela peste?
34,6 para o PS e 34,2 para o PSD+PP com uma margem de erro de 3 pontos percentuais.
O nosso povo sabe mesmo separar a verdade da intrugisse do "outro caminho".

Até pr'á semana.

Pedro Cosme Costa Vieira

12 comentários:

Daniel Tato disse...

Acompanho este blog há alguns meses mas nunca cheguei a comentar. Gostaria apenas de lhe dizer, q sem nunca o ter conhecido, quando leio posts antigos, e os novos, concordo com, vá, 90% do que diz... E fico contente por 90% do que penso, ha anos, corresponder às ideias e pensamentos de alguém que certamente tem um conhecimento muito mais técnico e preciso do que eu nestas matérias. Revejo-me em muitas das conversas que diz ter com os seus amigos "esquerdistas" (não gosto da expressão xuxa, embora encaixe como uma luva na maioria deles, infelizmente). Os meus parabéns pelo seu blog. Apesar de já não viver em Portugal, todas as semanas o visito na esperança de haver uma nova publicação.

jorge gaspar disse...

Acompanho este blog há cerca de 3 anos, e foi através dele que comecei a colocar em causa as minhas ideias "esquerdistas". Passados esse 3 anos, muitos posts e alguns livros depois, tenho uma dúvida no que diz respeito ás ideias do Pedro Cosme.
Aquilo que foi feito nos Estados Unidos, através do FED e aquilo que foi feito pelo Banco Central Europeu (Refiro-me á redução das taxas de juro e ao aumento da oferta monetária) é na opinião do professor, uma acção necessária e benéfica, ou prejudicial para a economia?
Apesar de o Pedro Cosme ser defensor das ideias liberais, parece-me não partilhar de muitas das teorias da escola Austríaca. Tem uma visão de economia mais próxima da escola de Chicago e da posição de Milton Friedman?

Resumindo: Penso que o professor defende a liberdade de acção como algo necessário ao aumento das condições de vida das pessoas, e ao crescimento económico dos países, mas defende também o papel que os bancos centrais têm vindo a desempenhar. Será isso?

luis barreiro disse...

Parabéns professor.

Antonio Cristovao disse...

"A unica coisa que Socrates fez bem"
Dos meus conhecidos licenciados a maioria emigrou, dos que cá continuam mais de 50% nem está a trabalhar para o que estudou.(imagino eu a pagar os estudos de todos os miudos do meu bairro,que quando começarem a render é para as outras casas).
Oitenta por cento dos doutorados estão colocados na função publica (será por isso que a qualidade é tão sofrivel?)

vazelios disse...

Também sigo o blogue há uns anos e revejo-me em muito do que o professor aqui escreve.

Mas antes de me rever, aprendo muitissimo.

E a harmonia que faz entre escrita ténica, humor e imagens bestiais é absolutamente único. Claro que por vezes também exagera, mas é o seu timbre e gosto.

Apenas estou a comentar desta vez pois tal como o Jorge Gaspar diz, não vi o professor endereçar nenhum post à teoria da escoila Austriaca.

Penso que esta teoria é e sempre foi muito desacreditada (erradamente) pelo statuos quo e imprensa mainstream desde o 2ºTerço do SécXX.

Mas, apesar de não ser especialista, penso que é a mais coerente de todas as existentes.
- Keynesianismo tem falhas graves, principalmente considero-a desajustada à globalização de hoje em dia. E pior - Como diz Keynes e bem, os governos têm de ser expansionistas em termos de recessão e mais controlados em tempos de expansão. O problema é que estamos a falar de governos, pessoas, e a segunda premissa nunca se verifica. Este é o principal erro, achar que pessoas podem ser responsáveis, sempre, sem pensar nos seus próprios designios.


- A escola de Chicago é a meu ver bastante inteligente mas peca por excessivamente laissez-faire no que toca pelo menos ao mundo financeiro. Atenção: Abonino o estado porque é feito de pessoas. Logo o mercado pode ser livre, pois são trocas livres entre pessoas (mercados não são papões) mas tem de haver supervisão e evitar fraudes, inside information, e outros crimes financeiros. Regulação nunca! Supervisão sempre.


A escola Austriaca assume algumas qualidades fundamentais: Liberdade economica e social, propriedade privada (aqui igual à de Chicago), estimulo à poupança para futuro investimento e não estimulo ao crédito para investimento (há que harmonizar os dois), assume que o crescimento terá de ser baixo (1-2% no máximo) para que seja sustentável (evitando ciclos economicos que só previlegiam os mais ricos e mais informados) e acima de tudo assenta sobre uma premissa: É impossível estudar e centralizar o pensamento economico pois a economia é constituida por milhões de decisões diárias de milhões de pessoas, todas diferentes. É possível estabelecer padrões, mas nunca correctamente.
Até hoje ninguém me convenceu de nenhuma falha nesta teoria.
Gostava bastante que o professor se debruçasse sobre estes 3 movimentos e apontando pontos fortes/fracos e destinguindo-os uns dos outros.

Apesar de nunca ser falado, este choque entre estas escolas está bem patente no mundo de hoje e é importante ensinar à população qual a melhor forma de evoluir como sociedade, em termos economicos.

Obrigado e continue sempre com o bom trabalho.

E boa sorte ;)

jorge gaspar disse...

"assume que o crescimento terá de ser baixo (1-2% no máximo) para que seja sustentável"

Não só nunca vi nada disto ser dito por autores da escola Austríaca, como a fase de maior crescimento económico dos estados unidos é segundo a escola austríaca aquele em que os seus fundamentos eram quase totalmente observáveis na realidade económica.
Nenhuma das escolas económicas quer menos crescimento, riqueza ou bem estar, e a escola Austríaca não diz que existe um limite para o crescimento dos países. Diz é que certas medidas económicas podem aumentar o crescimento no curto prazo á custa de um "empobrecimento" no futuro.

Penso que o descrédito pela escola Austríaca venha da teoria dos ciclos económicos. Faltará saber se essa teoria é ou não a que melhor explica a realidade. Parto do principio, que o Pedro Cosme não concorda com a teoria dos ciclos económicos segundo a qual a causa desses ciclos é a expansão monetária.

Gonçalo disse...

"Abomino o estado porque é feito de pessoas". Será algo contra as pessoas??

O mercado pode ser livre, ou pode não ser. Num mercado de escravos, falta a liberdade da mercadoria. Por outro lado, as escolhas talvez possam ser condicionadas. Mas não será o mercado feito por pessoas e merecer o seu abomino??

Por fim fico confuso. Como se pode supervisionar sem haver regulação? Supervisionar o quê? Com que bitolas? Quem supervisiona, e quem o escolhe?

deathandtaxes disse...

Professor Pedro Cosme, peço-lhe que não desista.
Ser parte de uma minoria tem muitos inconvenientes - já deve estar mais do que habituado.
Para já, embora fora dos media mainstream (e se calhar esta é a única forma possível de se dizer o que realmente se pensa) este blog faz mais serviço público do que todo o Estado Português no seu conjunto.

PS: Boa sorte para as eleições ;)

vazelios disse...

Caro Gonçalo,

Não tenho nada contra pessoas, mas considero que a sociedade se gere segundo incentivos. As pessoas tomam determinadas opções medindo os incentivos que têm em realizar tal tarefa ou obter certo beneficio, em deterimento de um certo custo. ou seja, não há almoços gratis.

Os mercados funcionam entre trocas de pessoas. Cada pessoa é, ou deveria ser, livre para escolher e tomar a sua decisão. Quer seja comprar maçãs, um carro, uma viagem ou negociar um empréstimo, tem alguem do outro lado que quer vender o produto/serviço também a um certo preço. É chegar a um acordo.

O que distorce esta mecânica é um estado, composto por outras pessoas, que se acham intelectualmente superiores e determinam os preços, através de tabelas de preços, taxas (veja-se a nova lei da copia privada).

É aí que reside a minha crítica, nesse poder de persuasão que nos é imposto. Não, não confio em ninguém para tomar decisões por mim. Por isso é que não pago um tostão em uma data de coisas hoje em dia (imprensa, cinema, outros) e o estado teima em aumentar os custos/preços desses mercados em declinio ou em mutação para evitar a mudança, que irá acontecer quer os politicos queiram ou não.

Enfim, é a minha visão! Mas como ficou confuso com a minha opinião, espero tê-lo esclarecido.

Sobre a supervisão - Tem toda a razão no seu ponto e questões.

Se sou contra a regulação, supervisionar o quê? Mas eu sou contra a regulação excessiva. Por exemplo acho uma estupidez a constituição Portuguesa. Porque não uma mais simples como a Americana?

O que quero dizer é que haverá sempre leis universais - roubo, assassinios, burlas, fraudes, informação priveligiada, anti-concorrência. Dentro de uns certos parâmetros. Mas o que existe hoje vai muito para além disso. A burocracia é tanta que ninguém sabe o que tem de pagar, quando, o quê e com que frequência. E porquê. Exemplo disso é o imposto de selo por exemplo.

Quem supervisiona? Autoridades com pessoas capazes, muito bem pagas, independentes. Acredito que possam existir pessoas idóneas que, a serem bem pagas, possam cumprir essa função importantissima (dentro do meu raciocinio).

Gonçalo disse...

Caro Vazelios,

Agradeço a sua explicação.

Sobre almoços grátis, eles até nem são incomuns. Quando passeio e encho o carro das compras o supermercado agradece. Quando vou ao multibanco, o banco agradece. Quando deixo um comentário na Amazon sobre um livro, estou a fazer publicidade gratuitamente.
Quando uma empresa pede para consultar na net mais informação, está a transferir trabalho para os internautas.

Cabe ao estado limitar as nossas opções, proibindo o tráfico de pessoas, a venda de bombas e de drogas, assim como decidir conflitos, que serão sempre em prejuizo de uns e benefício de outros ( como na questão da cópia privada).

Qualquer grande instituição é burocrática, não é só um problema do estado. Nota-se mais, porque quase todos nós lidamos com ele, ao contrário dos milhares de pessoas qie lidam com a burocracia da empresa onde trabalho.
Claro que espero que a burocracia dimminua, tanto no estado como na minha empresa.

Quanto à supervisão, quem define o que é a Autoridade? Quem avalia a capacidade e sob que critérios? E será essa avaliação imparcial? Quem define quando a regulação atravessa a linha e passa para o lado excessivo?



vazelios disse...

Obviamente, uma empresa multinacional é uma estrutura pesada e passa pelos processos burocráticos de que fala. Infelizmente sinto esse peso.

Mas ainda assim, somos livres de escolher trabalhar numa grande ou pequena empresa. Sobre o estado não há escolha, e é essa a minha crítica.

Sobre os exemplos de almoços gratis de que falou, é livre de os fazer. E em 2 deles consumiu de livre vontade previamente.

Mas não discordo da nota, apenas acho que estamos a falar de coisas diferentes.


O assunto da supervisão de que fala é novamente bem apontado e penso nas soluções várias vezes.

Se eu não confio em pessoas que decidam por mim, porque ei de confiar em supervisores? E quem determina os critérios? Nunca serão universais, pouca coisa é creio eu. Mas os crimes de que falei pouca gente não concorda. Não é preciso complicar.

Mas, e pegando novamente nos incentivos, se essas pessoas fossem realmente muito bem pagas pela responsabilidade que têm, e depois de um concurso impar e independente para escolher os melhores (Se fosse bem pago os melhores candidatar-se-iam), acredito mais uma vez que existem pessoas honestas que cumpram a responsabilidade.

Essa responsabilidade assentaria sobre poucas normas fundamentais tal como disse no outro comentário, sem complicar! Sem medidas vagas para depois haver deliberações bem ao estilo do TC.

E cada um no seu ramo de especialidade...

Se não acreditarmos que haverá pessoas capazes de fazer isto então perdemos a fé na honestidade da humanidade.

Os politicos são mal pagos e a vertente variável (favores, despesas de representação, subsidios, etc) é imensa e por isso é que não confio em pessoas assim.

Isto é diferente de regulamentação/burocratização excessiva

Pedro Alexandre disse...

Caro Professor,

Estou eu e você aqui para ver se este governo liderado pelo diabo e pela peste (mas quem enfiou o país na bancarrota não devia se quer abrir a boca!!!) não vai ganhar as eleições.

Estou como um apostador do Euromilhões, vai ser muito difícil mas se o PSD-CDS ganhar vou fazer uma festa e das grandes no Marques!!!

Eles ainda vão mentir muito e suar muito para vencerem, mas se perderem vai ser só ver os esquerdistas que hoje falam vê-los a todos a inchar, eles que estão convencidos que o quarto "salvador" depois de Mario Soares, Guterres e o Socrates, vai vencer sem espinhas.

Era lindo, lindo, lindo!!!

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