sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Onde pára o PS?

Dizia o Costa que o Seguro ladrava pouco.

Dizia, há um ano e tal, que o Seguro era muito meigo para com o governo, que não tinha poder de combate, que, assim, o governo tinha carta branca para fazer as asneiras que bem entendesse.
Depois, o Seguro, pensando ainda que isso o iria levar a algum lado, começou a ladrar, ladrar, ladrar mesmo que não soubesse porquê. Pensava ele que assim ainda iria chegar a Primeiro Ministro.
 
Como estavas enganado.
Eu avisei-te repetidamente para seguires o teu caminho e, se então te pusessem fora, saias e cabeça levantada. Agora, foste um joguete na mão dos outros e, no final, achaste estranho que te dessem um pontapé.
Isso está no Maquiavel, devias tê-lo lido.
 
Devias ter carregado no Sócrates à força toda.
Em política temos que ser acertivos. Claro que temos que captar os votos dos eleitores mas as pessoas têm que ver em nós firmesa. Não podemos dizer amem com A e Amém com B.

Fig 1 - Se não ladrares, a gente põe-se fora (mas se ladrares, também)
 
Esta faz-me lembrar o Vice de Lisboa.
Eu já disse muito mal do Fernando Medina pelo que não vou dizer mais nada que não seja a sua ideia para a "mutualização da dívida".
A ideia dos esquerdistas é que, apesar de haver um tratado que assinamos em 1992 onde nos obrigamos a manter a dívida pública abaixo dos 60% o PIB, como não respeitamos o tratado, os outros, os que respeitaram, têm que assumir a nossa dívida que está acima dos 60% do PIB.
Seria tal e qual como, no nosso emprego, termos todos assinado um contrato de trabalho onde nos obrigamos a trabalhar 40h por semana. Depois, metade não ia trabalhar. No final da semana, vendo-se que ainda havia muito para fazer, mutualizava-se aquilo tudo e, nós que tínhamos trabalhado, ainda íamos trabalhar mais compensar as faltas dos outros. Mas ganhávamos todos o mesmo.
Agora a coisa chegou ao bolso dele, o Passos, vendo que a maioria das câmaras é esquerdista então, pensou que a maioria das câmaras é a favor da mutualização a dívida das câmaras. Assim pensou e assim a fez, as câmaras que ultrapassaram o endividamento são auxiliadas pelas câmaras que não ultrapassarem.
Mas agora espantemo-nos, a âmara de Lisboa, a arauto da esquerditude, o arauto da mutualização com a Alemanha, é contra a mutualização com as câmaras falidas.
 
Afinal é só para os burros.
Contava o meu pai que, um dia, um agricultor  chegou a casa de outro e disse-lhe "Vizinho, tens dois burros e eu nenhum. Como vivemos em socialismo, tens que me dar um burro."
O desgraçado lá lhe deu o burro mas, à noite, vendo a mulher que ele estava triste, perguntou o que se tinha passado "Tive que dar um burro dos nossos ao vizinho porque ele não tem nenhum e vivemos em socialismo."
A mulher ficou indignada "Vai lá que ele tem duas vacas, vai lá que temos direito a uma vaca."
Ele foi mas voltou ainda mais triste "Mulher, afinal o socialismo é só para os burros!"
 
Mas o Costa não ladra mesmo nada.
Está calado.
As sondagens do outro dia disseram que, calado, pode vir a ter maioria absoluta e, por isso, continuará calado até ao dia das eleições legislativas.
Será que vai conseguir enganar o povinho durante um ano?
Tenho esperança que não, penso que não, acredito que não.

Fig. 2 - O António Costa está algures por aqui, atrás de uma árvore.
 
O IRS e o fazer das criancinhas.
A comissão de reforma do IRS propôs e foi aceite que cada filho passasse a contar no cálculo do coeficiente familiar. Quer isto dizer que, no cálculo dos escalões do IRS, as pessoas com filhos será beneficiadas. Por exemplo, dois pais com 4 filhos que ganhem 80000€, em vez de a taxa ser determinada fazendo 80000/2 será fazendo 80000/3,2.
Isto causa uma redução nos impostos a pagar mas o corte não é tão grande assim por duas razões:
 
1) São as famílias pobres as que têm mais filhos e estas já não pagam IRS;
2) A generalidade das famílias já só tem 1 filho a cargo.
 
Esta medida é errada.
Porque é cara, só beneficia os ricos e não existe nenhum estudo que indique que uma redução fiscal faz com que as famílias tenham mais filhos. Faz-me lembrar o que diziam os amigos quando tinham um filho: "A televisão estava avariada".
Mas eu vou indicar medidas que teriam mais efeito.
Medida 1 =>  O incentivo a existir deveria ser em termos absolutos, abater 1800€ ao rendimento tributável.
Medida 2 => Não deveria ser aplicado aos 2 primeiros filhos e deveria ser crescente. O 3.º filho abatia 1800€ ao rendimento, o quarto filho 2400€ e, acima do 4.º, abatia 3600€ ao rendimento.

Com o mesmo dinheiro, podia-se fazer melhor.
Mas para isso é preciso mudar as mentalidades. As pessoas têm que ser vistas como uma necessidade e, por isso, um objecto económico que tem um custo mas que dá um benefício.
Rapidamente,
Media 3 => Existência de "contratos programa" com as família mais pobres em que o Estado pagava 150€/mês.
Seria uma espécie de Rendimento Mínimo. Mas se cada criança gasta em educação pública 500€/mês, 150€ acima ou abaixo não faria grane diferença para o Orçamento do Estado.
Para conseguir mais 30000 crianças por ano, seriam precisos 1000 milhões de euros.
Medida 4 => A pensão de reforma das pessoas estar ligada aos descontos que os filhos fazem para a Segurança Social. Acima da pensão normal, os pais deveriam receber 20% do que os filhos descontam. Esta medida faria com que os pais quisessem ter mais filhos e que os educassem bem e forma a que tivessem bons rendimentos.
 
E onde se iria buscar o dinheiro?
Aos que não têm filhos. Isto tem que funcionar como um leilão.
Se a sociedade decide que é preciso haver mais, por exemplo, 30000 crianças por ano, se os contratos programa gastam 1000 milhões € por ano, quem não tem filhos tem que pagar isso numa sobretaxa qualquer do IRS. Deixem lá a sobretaxa dos 3,5% para pagar isto.
Eu não tenho filhos e penso que não existe alternativa.
Mas isto tem que ser feito de forma transparente: ou fazem filhos ou pagam a quem os faça.

Sem qualquer condição de salvaguarda
Para que as pessoas tenham filhos é preciso não só beneficiar quem os tem como castigar quem não os tem.
Deixar de castigar quem não os tem é deitar fora metade da medida. 

Fig. 3 - Enquanto a tecnologia não muda, qualquer português sabe como fazer filhos. É só porem-nos a trabalhar.

E a "reforma verde"?
Aquilo dos sacos plásticos é uma loucura. O preço de um daqueles sacos que dão nos supermercados anda nos 0,02€ já com IVA. E meter-lhe em cima 0,10€ de imposto é uma total aberração da natureza.
É uma maneira de tornar o seu uso proibido sem o proibirem porque não existe nenhuma razão suficientemente forte para que o seu uso seja proibido.

Vamos supor que era por causa da poluição.
Vamos supor que o problema é a água levar os sacos para os rios, dos rios para o Mar causando poluição marítima.
Então, as pessoas devolvendo os sacos para reciclagem (no sítio de compra), recebiam de volta os 0,10€ por saco.
É uma falta total de tino, são medidas avançadas por pessoas que têm a cabeça cheia de azoto.

Fig. 4 - Esses ecologistas de trazer-por-casa, em vez de mioleira, têm ar.

Mas vão reforçar a nossa ligação eléctrica à Europa.
Eu já defendi isso muitas vezes porque temos excesso de capacidade nos vira-ventos e a produção é ainda mais excessiva porque é maioritariamente no Inverno quando já tínhamos excesso de produção nas barragens. Por isso, como o Sócrates fez contratos em que somos obrigados a comprar a electricidade mesmo que não a queiramos, isto só podem ser boas notícias para que a nossa conta da electricidade possa diminuir um pouco.

Fig. 5 - Mas isto não é para fazer mais vira-ventos, pois já temos a mais. É para que se dê  uso aos que temos.

Estará o Passos condenado?
Quando as últimas sondagens indicaram uma vitória do PS com 40% dos votos (ver), pensei que houvesse movimentos dentro do PSD mas não, ficou tudo sossegado.
Se as sondagens dissessem que o Passos ganhava, ficava tudo sossegado mas dizendo que perde também ficam sossegados porque eles próprios não consegueriam ganhar. Talvez o meio termo e que fosse capaz de causar movimentações.

Faz-me lembrar a minha campanha eleitoral.
À partida havia dois potenciais candidatos, o A e o B. Como agora o A tem 99% de probabilidade vai ganhar ao B, entra o C, eu, para explorar o facto de o B que não querer levar a marretada da derrota.
Vamos supor que as minhas hipóteses são os mesmos 1% (são mais). Estranhamente, esse 1% é maior do que seria se coisa estivesse mais empatada porque o A e o B lutariam até ao último segundo não me dando hipóteses de entrar na corrida.
Claro que eu apenas tenho espaço para entrar porque o B sabe que está derrotado.
Nos partidos é igual, o Rio não se quer sujeitar a fazer uma guerra para substituir o Passos e, chegando a 2015, levar um banho nas eleições.
O Passos será o cabeça de lista nas próximas legislativas e, se ganhar, como espero, governará, mas se perder, só um "seguro do PSD" é que vai meter a cabeça no cepo.
Se calha eu sou o "seguro da minha faculdade".
Ou serei, como o Passos que, em 26 de Fevereiro 2010, o Rio nem ninguém imaginava capaz de derrotar o Sócrates que ainda tinha mais 3 anos de mandato? O certo é que o Sócrates caiu e o Passos ganhou.
E a História só fala das vitórias impossíveis.

Fig 6 - É que ninguém sabe como vai ser o futuro.

Bom fim de semana e não se arreliem que a morte é certa.
Deixem fluir as energias negativas.

Pedro Cosme Vieira

2 comentários:

Fernando Gonçalves disse...

Isto não é uma reforma da natalidade. É apenas a manifestação da doutrina liberal deste governo que quer beneficiar os ricos.Afinal,tanto barulho pelo aumento de 4% do salário mínimo,congelado há anos,e as famílias ricas vão ter 5% ou mais de aumento do rendimento liquido.A classe baixa não benefeciará nada,a média baixa muito pouco.Quanto aos sacos de plástico,por favor,Portugal só representa 0.5% da poluição na europa,que deixe essas coisas para os países ricos,o país já tem problemas que chegam.

Antonio Cristovao disse...

Noto que as medidas 1,2,...sofrem do mesmo mal que apontou como critica = só têm efeito para os mais ricos, pois os de rendimento baixo não pagam IRS. Reequacione lá isso de modo a que bata certo.
Apontou o acordo de energia do Concelho Europeu, mas ficava bem contar como foi conseguido, só para ser coerente isento( o sócio do Costa na França até espuma de oposição á medida)

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