sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O novo caminho (do Holland)

Vem ai 2015. 
E, quando em 2011 o Passos Coelho tomou posso, nunca pensei chegarmos ao fim do seu mandato com  as contas com o exterior equilibradas, uma taxa de desemprego nos 13% e o PIB a crescer.

As contas com o exterior.

O Banco de Portugal contabiliza todos os negócios que fazemos com o exterior seja em termos de balança de mercadorias (importações e exportações), balança de serviços (saída e entrada de turistas), transferências (remessas de emigrantes/imigrantes e outras transferências) e juros. Á soma destas coisas todas chama-se Balança Corrente e traduz o endividamento de Portugal face ao exterior..
Nos tempos de Sócrates, cada mês Portugal endividava-se 1500 milhões de euros. E foi esta realidade que o Passos Coelho recebeu.
Actualmente, o país está a conseguir pagar dívidas contraídas nesses tempos de regabofe, 500 milhões € por mês.
Face ao exterior, no tempo do Sócrates cada português endividava-se em 150€ por mês e agora amortiza a dívidas desses tempo em 50€ por mês.
É muita massa. É algo nunca antes conseguido.

Fig. 1 - Evolução da Balança Corrente 1996: 2014 (dados: Banco de Portugal, grafismo do autor)

E como estará a França?
Não sei se se recordam mas na França está a ser implantada o "outro caminho", o "caminho do emprego e do crescimento," a "austeridade inteligente" que o António Costa diz que vai implementar para Portugal assim que seja eleito.
Por incrível que pareça, desde Maio 2012 em que começou a governar a França, o desemprego aumentou.
Bem sei que não pode ser mas é (ver, Fig. 2).


Fig. 2 - Evolução da Taxa de Desemprego francesa 2000: 2014

O Passos está sem oposição.
O máximo que aparece é o fulano dos Açores a dizer que o Costa mandou dizer que o Passos está a governar mal.
Como eu já tenho saudades do Seguro sempre a pregar.
Assim, com a situação a melhorar de dia para dia e sem oposição, o Passos ainda se arrisca a ganhar as legislativas de 2015 e com maioria absoluta.

Fig. 3 - No horizonte, já não se vêm nuvens negras.

Bom ano.

Pedro Cosme Vieira

3 comentários:

Bruno BaKano disse...

Bom Ano, Prof. Cosme Vieira.

Admito que também eu estou surpreso pelos números, que não enganam independentemente do que "acreditamos" ou não. No meu caso prende-se pelo que faltou fazer (sempre pensei que precisávamos duma verdadeira Reforma do Estado para ver reais mudanças, mas com o Portas isso é só uma utopia) e por algumas decisões que (ainda) considero erradas. Por outro lado julgo que o factor Troika (goste-se ou não) ajudou a manter um certo rigor.

Mas apesar disto tudo, ainda tenho muitas dúvidas que ele ganhe as eleições. As pessoas preferem-se focar nos negativos (a diminuição das receitas das famílias e aumento do peso dos impostos) e os positivos são diabolizados como coisas que só beneficiam os ricos e poderosos.
E esse discurso demagogo e populista anula todo o bom que se vê nos índices económicos (os números).
Espero estar errado, apesar de não querer uma maioria absoluta do PSD senão lá vamos ter mais um regabofe de "jobs for the bois" (sim é mesmo bois que queria escrever) sobretudo com o melhorar da economia e finanças do Estado...

EB disse...

A Economia é uma coisa tão complexa que tudo o que se diga em termos económicos pode estar certo e errado ao mesmo tempo. Juntar-lhe política só agrava a questão. Juntar-lhe politiquice, ainda por cima rasca, torna a coisa intragável.

O gráfico português da balança corrente mostra que a evolução positiva já vem do Governo Sócrates. Já antes da intervenção da troika (2009, 2010) o saldo da balança de bens tinha invertido a tendência crescente verificada até 2008. Por outro lado, o gráfico esconde vários fatores que nada têm a ver com o sr. Passos Coelho e com a sua governação. A menos que se queira, por exemplo, atribuir-lhe o mérito do aumento da emigração e das correspondentes remessas que também estão a equilibrar a balança corrente.

Quanto ao sr. Holland, o gráfico é também malandreco. Mr. le président tomou posse em maio de 2011. Decerto os efeitos da sua política não se fizeram sentir 48 horas depois. Colocando o rato em cima da curva no gráfico em http://www.journaldunet.com/economie/magazine/en-chiffres/chomeurs-en-france.shtml e procurando o início do período Holland, conclui-se que o movimento de crescimento do desemprego já vem do início de 2008.

EB disse...

[Repito o post, corrigindo a data da tomada de posse de Holland para 2012]

A Economia é uma coisa tão complexa que tudo o que se diga em termos económicos pode estar certo e errado ao mesmo tempo. Juntar-lhe política só agrava a questão. Juntar-lhe politiquice, ainda por cima rasca, torna a coisa intragável.

O gráfico português da balança corrente mostra que a evolução positiva já vem do Governo Sócrates. Já antes da intervenção da troika (2009, 2010) o saldo da balança de bens tinha invertido a tendência crescente verificada até 2008. Por outro lado, o gráfico esconde vários fatores que nada têm a ver com o sr. Passos Coelho e com a sua governação. A menos que se queira, por exemplo, atribuir-lhe o mérito do aumento da emigração e das correspondentes remessas que também estão a equilibrar a balança corrente.

Quanto ao sr. Holland, o gráfico é também malandreco. Mr. le président tomou posse em maio de 2012. Decerto os efeitos da sua política não se fizeram sentir 48 horas depois. Colocando o rato em cima da curva no gráfico em http://www.journaldunet.com/economie/magazine/en-chiffres/chomeurs-en-france.shtml e procurando o início do período Holland, conclui-se que o movimento de crescimento do desemprego já vem do início de 2008.

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