segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

As medidas BCE e do novo governo grego

Primeiro vamos à Grécia: vai ter que sair da Zona Euro. 

O Syrisa ganhou, o que é bom para o Passos Coelho (e muito mau para os esquerdistas) pois aquilo vai ser um fracasso total. Mas, contrariamente ao que se possa pensar, o fracasso não virá de o governo grego anunciar o fim da Austeridade pelo aumento das pensões de reforma, salários dos funcionários públicos e descida de impostos porque isso vai ser impossível de concretizar já que o défice público gerado teria que ser financiado com crédito que não há quem o conceda. 

Vai ser como a Venezuela.
O Maduro anunciou muitas medidas mas, depois, não conseguiu concretizar nenhuma porque não teve onde ir buscar os recursos necessário.

Fig. 1 - Esse do Syrisa aprendeu tudo o que sabe de economia comigo (nada) mas eu visto muito melhor, como me fica bem a gravata.

O problema vem do Salário Mínimo.
Em princípios de 2012, o Salário Mínimo Grego era de 751,39€/mês e, por pressão da Troika, desceu para 580€/mês.
Agora, talvez amanhã ou depois, o Syriza vai repor o SM nos 751,39€/mês.

Vem aí ainda mais desemprego.
É por demais evidente que o aumento dos salários causa desemprego. Vamos supor, por redução ao absurdo, que assim não era. Então, em país nenhum do mundo haveria desemprego porque:
1) todos s trabalhadores querem ver o seu salário aumentado.
2) se o desemprego diminuísse era porque os empresários viam lucro na contratação de novos trabalhadores logo, viam com bons olhos a subida dos salários.
3) O Estado também ficaria contente porque o aumento dos salários faz aumentar o IRS e a TSU.
Estando todos contentes, o salário subiria, nem que fosse para 1000000€/h, até não haver ninguém desempregado.
Não só não haveria desemprego como teríamos todos salários milionários, à escala dos 14 milhões da Liberalidade que o Salgado de um empreiteiro qualquer mas todos os meses.

Com governos ignorantes.
A economia tem muito conhecimento científico consolidado e, quando os governantes acreditam que, fora do conhecimento, são capazes de inventar soluções novas actuam como os santos milagreiros na cura das doenças. 
O paciente que evita os médicos e vai aos santos milagreiros resolve o seu problema morrendo.
O país que é governado por salvadores que repudiam o saber, como o Chaves+Maduro da Venezuela, o país preciso de moeda própria que, com a desvalorização cambiária e a inflação, é capaz de corrigir as más políticas quanto a salários.
Bem sei que todos temos direito a ter uma vida digna mas os salários têm que resultar do que o trabalhador produz e não das suas necessidades.

O que vai acontecer ao mercado de trabalho.
1) Cada vez mais pessoas passarão a trabalhar na economia não registada onde o salário mínimo não será respeitado.
2) As pessoas têm que emigrar.
Isto tudo reduz a receita fiscal.

Figura 2 - A Grécia destruiu 1 milhão de empregos, 22%.

Figura 3 - Portugal destruiu 650 mil empregos, 13%.

No Euro, a liberdade de movimentação de capitais torna-se um problema.
Os agentes económicos sob jurisdição grega têm grande risco de serem espoliados pelo governo (o tal "grande capital" onde se incluem os bancos e os detentores de capitais) que se transmite aos pequenos aforradores. Então, os agentes económicos vão colocar no exterior as suas poupanças.
Nós estamos com taxas de juro (da dívida pública) a 3 anos de 0,80%/ano enquanto que a Grécia está a pagar 12%/ano. Esta diferença de taxas traduz exactamente que os agentes económicos colocam os seus capitais noutros sítios porque não acreditam na solidez da economia grega.
Esta desconfiança acaba com o investimento o que, a médio-prazo, destroi completamente a economia.

Fig. 4 - Ao que fala do "desastre humanitário grego", esta cena deve-se passar lá.

Mas vai ser bom para nós.
Tal como o "comunismo real" da União Soviética fez ver o resto do mundo de que a economia popular era uma miragem, estes comunas com roupagens modernas vão mostrar na Europa de que não passam de bullshit.
Bem sei que o Chaves+Maduro já o tinham provado mas isto é como a Nossa Senhora de Fátima, custa a convencer os ignorantes de que por lá não se fazem milagres.

A "Bazuca" do BCE.
O BCE é obrigado a manter a inflação próxima dos 2,0%/ano. 
Isto é muito fácil de fazer, até eu era capaz.
1) Pega na taxa de inflação pretendida, 2,0%/ano
2) Soma-lhe a taxa de crescimento do PIB na Zona Euro, 1,2%/ano
3) Soma-lhe a diminuição da velocidade de circulação da moeda que traduz o entesouramento, 0,3%/ano
Somando isto tudo, dá 3,5%/ano.
Depois, vê a quantidade de moeda em circulação (em Portugal, cerca de 16 mil milhões €), aplica-lhe esta taxa de 3,5% e dá os 560 milhões € por ano ao Passos Coelho para que ele gaste.

O problema está em olharem ao curto-prazo.
O BCE faz todos os anos esta conta mas, o problema, é saber se a "taxa de inflação de 2,0%/ano" vai ser medida numa janela temporal de 100 anos, de 10 anos, de um ano ou de um mês.
Se for em 100 anos, a regra funciona perfeitamente.
Se for em 10 anos, haverá, no máximo, um desvio de 0,2 pontos percentuais.

Fig. 5 - Inflação na Zona Euro nos últimos 10 anos (dados: BCE)

Se for calculada mês a mês, desde 2008 está dificil de mante-la sobre a meta.

Fig. 6 - A Inflação na Zona Euro tem que crescer para os 2,0%/ano mas não há prazo previsto.

E porque não dar, no curto-prazo, dinheiro ao Passos para gastar?
Porque, quando a inflação, no curto prazo, ficar acima dos 2,0%/ano, o BCE teria que pedir ao Passos para lhe devolver o dinheiro, coisa impossível de realizar.
Então, o mecanismo de curto prazo passa por injectar notas no mercado contra activos que, mais tarde, havendo necessidade, podem ser vendidos para que as notas saiam do mercado.

O que diz o conhecimento científico sobre as políticas monetária.
Não têm qualquer efeito sobre a economia nem no longo-prazo nem no curto.prazo.
Nada, nicles (que é o aportuguesamento de alemão nichts), nothing, rein.
Como já expliquei nuns postes antigos de que já não me lembro, o total de moeda em circulação na Zona Euro é de cerca de 1200 mil milhões € e o BCE mantém a inflação nos 2,0%/ano dando todos os anos aos governos cerca de 40 mil milhões € para eles gastarem. Por isso, a "injecção" mensal de 60 mil milhões € não tem nada a ver com problemas no mercado financeiro mas sim no mercado bancário.

O que se passa no mercado bancário.
Na Zona Euro, o mercado interbancário, aquele onde se determina a EURIBOR, não funciona pois os bancos bons não emprestam dinheiro aos outros bancos preferindo guardar as notas no cofre.
Nenhum banco no seu juízo perfeito empresta dinheiro no mercado interbancário (sem garantias fortes) aos nossos BCE, BPI, Caixa, BES, já quase me esquecia que morreu, Novo Banco, e por ai abaixo. Fica o BCE para intermediar os empréstimos porque exige garantias boas.
Pronto, estes 60 mil milhões não são mais do que, normalmente, aconteceria sem qualquer intervenção do BCE.

Mas porquê tanta fanfarra.
Também se juntaram 6 milhões de pessoas nas Filipinas para ver o Papa Xico.
E, regularmente, juntam-se mais de 100 mil em Fátima.
Aqui é igual, o povinho esquerdista ainda acredita numa teoria dos anos 1950 que está completamente morta, de que a inflação faz diminuir o desemprego e aumentar o crescimento económico.

A minha mente tem andado muito ocupada.
A minha campanha para Director tem-me ocupado e, por isso, tenho-vos desmazelado.
Desculpem que já só falta um mesito.
Mas agora, provavelmente, as coisas ainda vão piorar porque
 1) Nos próximos 45 dias tenho que convencer 5 pessoas (num universo de 47) a votar em mim.
 2) Nos próximos 15 dias tenho que escrever "um programa estratégico para 2015-2019."
Mas as coisas estão a correr tal e qual como antecipei quando, em meados de Setembro, decidi em avançar. Os apoios vão aparecendo, as alianças vão-se cimentando e a coisa vai caminhando para onde eu quero.

Estive em Espinho.
No Agrupamento de Escolas Manuel Laranjeira de Espinho a falar de Desenvolvimento Económico e Desigualdade (nas Praceta Dr. Manuel Laranjeira).
A Joana Cordielos convidou-me e lá fui eu, a professora Francelina foi muito simpática e falou deste meu blog ao alunos, uns 80.
Até corei só de pensar nas "minhas" mulheres.
Mas pronto, cada um é como é e eu já não tenho emenda.

Há muito tempo que não falo da minha futura amante.
Calhou num almoço ficar junto a uma porçao de mulherido onde se incluia uma boa para minha amante. 
Fui logo directo ao assunto: "tú é que podias ser minha amante, és boa, a melhor de entre todas as daqui."
Achei interessante a resposta: "tive que chegar a velha para ouvir tamanho elogio."
O que acham? Se calhar, a coisa vai dar, ainda mais se eu vier a ser o Director.
Como lhe disse (e às demais) "vou ter que mandar meter uma cama no arquivo morto pois há coisas que já não consigo fazer de pé, fazem-me doer as costas."

A vida (Pedro Cosme da) Costa (Vieira)

2 comentários:

Carlos Neves disse...

Apesar de partilhar a sua opinião, também não vejo solução para os países Africanos da Bacia do Mediterraneo (Grécia, Portugal, etc...) na política de endividamento que que têm sido alvo por parte dos "mercados" (lembra-me o tempo em que o BES me enviava cheques com créditos aprovados para eu consumir).
E quanto a cortar nas despesas públicas... deixe-me rir... não o estou a ver prescindir de metade od seu ordenado, nem a si nem nenhum dos restantes abençoados com as mordomias públicas, que não exigem perdiz na ementa, mas também não se contentam com o menu turistico...
então em que é que ficamos? precisamos de tentar a extrema esquerda para perante o fracasso depois tentar a extrema direita?
ou somos todos Mossadegh?

Pedro Alexandre disse...

Caro Professor,

Falar em reestruturação da dívida na Grécia é para rir, então o gregos conseguem ter uma dívida (já reestruturada) cerca de 40% superior à nossa e pagar menos juros e ter prazos mais alargados, o que querem eles mais?

Eu penso que só com reformas a economia cresce se não crescer haverá negociações naturais sobre a dívida, ou sobre as metas, isto é óbvio, os esquerdistas é que julgam as situações de forma perversa como sempre.

Entretanto toda a gente se esqueceu que estamos a falar de um partido de extrema esquerda, coligado com um de direita que só serve para a maioria.

Ou seja é contra a economia de mercado, é contra a poupança, o investimento e o consumo que traz lucro, ou seja é uma ideologia sem dúvida keynesiana mas pior.

Cumps

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