segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Os afogados, a Líbia e os judeus

Os afogados no mediterrâneo.

Quase todos os dias ouvimos notícias de que morrem pessoas afogadas no Mediterrâneo. As estatísticas dizem que são cerca de 8 pessoas por dia e que, provavelmente, ainda mais morrem na viagem até ao barco. Para efeitos de comparação vou supor que morrem 4x este número perdidos ou assassinados no meio do deserto do Saara.
Morrem então 40 pessoas por dia a tentar chegar à Europa.
Como chegam à Europa cerca de 800 imigrantes clandestinos por dia então, quando uma pessoa sai de sua casa para tentar chegar à Europa, uma pessoa em cada 20 vai morrer pelo caminho.

Agora vamos à Guiné-Bissau.
É um país que nos é querido e de que raramente ouvimos notícias.
Neste minúsculo país com 1,65 milhões de habitantes, todos os dias morrem 22 crianças com menos de 5 anos de idade (e escapam 150).

Em Moçambique morrem 260 crianças/dia com menos de 5 anos de idade (e escapam 2500)
Em Angola morrem 450 crianças/dia com menos de 5 anos de idade (e escapam 2100)

Onde param os esquerdistas?
Só nestas 3 nossas ex-colónias morrem 730 crianças/dia, 9 vezes mais do que morrem a tentar chegar à Europa e não há a mais pequena notícia sobre isto.
Porque morrem longe da vista, já não interessa ao debate político.

Afinal, o risco da viagem é relativamente pequeno.
Por cada jovem que morre afogado a tentar uma vida melhor, morreram 4 irmãos de fome, doença e miséria.

O porquê dessa migração.
Por incrível que pareça, é nos países mais pobres, onde não há hospitais, onde as pessoas passam fome, onde há guerras destruidoras, que o saldo populacional é positivo (a diferença entre mortes e nascimentos).
O número de crianças que nascem (e chegam aos 5 anos de idade) diminui em 1% quando o nível de vida aumenta 3% (ver, Fig. 1).

Fig. 1 - Relação negativa entre o nível de vida (PIBpc ppc) e o número de filhos vivos (dados: WB). As pessoas migram dos países pobres com muitos nascimentos (zona a verde) para os países ricos e com poucos nascimentos (zona rosa). 

Fig. 2 - Em 15 países pobres (<5% do nível de vida da média dos 15% países mais ricos) o saldo populacional é positivo de 10,2 milhões de pessoas / ano e morrem 1,5 milhões de crianças / ano.
Números em milhares

O Egipto e a Líbia.
O Egipto tem 1,00 e a Líbia tem 1,76 (e nós temos 0,09) milhões de Km2.
Então, olhando para o mapa, a Líbia é quase o dobre do Egipto.
Mas o tamanho não conta. O que conta é que o Egipto tem 82 milhões de habitantes e todos os anos aumenta em quase 900 mil pessoas e a Líbia tem 6,2 milhões de habitantes.
Por cada líbio existem 13 egípcios e sempre a aumentar.
Então, o Egipto vai usar este pé dos 21 degolados para transformar a Líbia num "protectorado."
Será o retomar do modelo da Guerra Fria em que a Europa e os USA vão sub-contratar a guerra contra os radicais islâmicos a alguns países aliados.
Não é por acaso que a França decidir vender ao Egipto aviões de caça e ataque ao solo e a "crédito".
Vai ser um tal retalhar carne.

Fig. 3 - O Egipto vai ocupar militarmente a região oriental (a riscado) onde se encontram os campos petrolíferos e a zona ocidental (Tripoli) ficará sujeita a bombardeamentos punitivos (como a Faixa de Gaza).

O fim do judaísmo.
Até ao Séc. XIX, havia na Europa muitas minorias perdidas no meio dos impérios. As minorias foram sempre perseguidas e escravizadas.
A maioria das minorias acabaram por ter direito a um Estado ou por desaparecer por assimilação.
Por exemplo, os Arménios tiveram um Estado entre 1918 (saíram do Império Otomano) e 1920 (entraram no Império Soviético) e têm um país independente apenas desde 1991.
Os judeus, sendo uma minoria europeia, foram sempre perseguidos mas nunca se deixaram assimilar.
Agora existe um estado judaico, Israel, e continuando a perseguição na Europa, naturalmente, os governantes de Israel pedem aos judeus para que vão viver para lá.

Por que acho que o judaísmo vai acabar.
Porque já existem muito poucos e são muito perseguidos.
Em 1490, cerca de 10% da população portuguesa era de religião judaica, hoje é de 0,01%.
Em 1900, 2,2% da população europeia era de religião judaica e hoje é de 0,2%.
No mundo todo actualmente existem 14 milhões de judeus, 0,2% da população mundial (ver), muito falados na comunicação social, mas que comparam com os 20 milhões de amharas de quem nunca ninguém ouviu falar. A mulher do Moisés muito provavelmente era amhara e este povo terá sido na antiguidade, judaica (agora são cristão coptas).
Para manter a proporção de judeus que havia em 1900, seria preciso que houvesse um número próximo dos 60 milhões o que, mesmo assim, seria pouco se compararmos com o vizinho Egipto que tem 82 milhões.

A população judaica está a diminuir em termos absolutos.
Em Israel há mais nascimentos que mortes mas na Europa e nos USA não, nascem muito menos judeus do que morrem. Nos USA a população judaica está a diminuir rapidamente por causa dos casamentos mistos.

Daqui a 100 anos.
Nós já cá não estaremos e o judaismo também estará reduzido a quase nada.
A única hipótese é, daqui a uns anitos, Israel passar a considerar como judeus os cristão coptas (que são 15 milhões) e etíopes (que são 50 milhões) pois são judeus  de origem (cristianizaram-se  no Séc. I, ver). 
São pessoas extremamente pobres que vão aceitar "retornar" ao judaismo.
São um bocadinho mais morena mas, originalmente, os judeus eram assim (como os nossos ciganos) mas que branquearam no Norte da Europa (como os ciganos romenos). 

A Grécia está para rebentar.
É hoje mas estou com muita esperança que aquilo rebente de vez.
Estou eu a rezar e o Passos Coelho.
É melhor cortar já o mal pela raiz do que deixar a coisa arrastar-se, tipo António Costa, com uns sorrisinhos.
Se todos os anos morrem milhões de crianças de fome e de miséria um pouco por esse mundo fora e ninguém se importa, os esquerdistas que berrem à vontade que a Grécia é um desastre humanitário que eu não em vou preocupar nem um bocadinho.

Este fim de semana até dei um frango.
Costumo falar com as ciganas, outra minoria europeia que não tem país, que estão a pedir no parque de estacionamento do supermercado onde faço as compras.
Raparigas novas, totalmente analfabetas, nem os números conseguem ler que vieram da Roménia, da Bulgária e da Moldava onde, dizem, a miséria é mil vezes pior que aqui.
Este fim de semana estive a falar com uma delas que me disse que, se estivesse na Roménia, agora teria 1 metro de neve à porta da barraca e nada para comer. Pediu-me um frango cru para "dar logo de comer às crianças" (tem 2 filhas de um moldavo que desapareceu), foram 2,10€.
Se com 2,10€ posso fazer a diferença, não vou dar milhares de milhões aos gregos só porque querem ser ricos como os alemães.
Que aguentem como puderem pois a ciganada aguenta viver numa tenda feita de papelões e sacos do lixo, sem água, electricidade nem saneamento e também é gente.
O mais interessante é que parecem pessoas alegres.

Disse-me uma delas.
Eu não posso ir à escola porque tenho vergonha de ir com esta roupa.

Fig. 4 - Quem é que não teria vergonha de ir assim vestida para a escola?

Pedro Cosme Vieira

3 comentários:

Carlos Neves disse...

"a Grécia é um desastre humanitário que eu não em vou preocupar nem um bocadinho"
não acredito...

infelizmente o socialismo que existe é uma farsa...
penso que poderemos viver sem andar sempre a pedir dinheiro aos mercados... simplesmente vivermos com o que temos... isso sim, até lhe podiam chamar socialismo...
não confundir uma ideologia com a prática de uns quantos que se apoderaram do leme...

se um padre come criancinhas ao pequeno almoço não passa a ser comunista por isso...ok?

da mesma forma quando falamos do povo judeu, eu gostaria de saber se a maioria dos judeus apoia a expansão do território inicial de Israel... e demais crimes que são cometidos em nome dum povo para servir os interesses duma elite... gostava de ver um estudo sério que não seja patrocinado pelo fundamentalismo hebraico...

Económico-Financeiro disse...

Estimado Carlos,
A perseguição aos judeus não começou com a criação do Estado de Israel.
Por exemplo, na WWII não havia Israel e a nossa Inquisição foi criada centenas de anos antes. Até no tempo do Império Romano se perseguiam e matavam judeus mas os romanos têm a desculpa de perseguirem todos.

Justificar as perseguições nas politicas de Israel seria como justificar o assassinato de russos em Portugal no facto de a população da Rússia defender maioritariamente a conquista de territórios aos países vizinhos.

Um abraço,
pc

Luciano disse...

Sobre vergonha das roupas, as ciganas, pelo menos estas na foto são lindas e mais elegantes do que a maioria das raparigas que vejo, o problema é que as ciganas têm a fama de maus hábitos higiênicos.

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