sexta-feira, 6 de março de 2015

A saida do Euro (da Grécia) e as finanças do Passos Coelho

Eu tenho investigado sobre a saída do Euro.

Todos os dias ouvimos toda a gente dizer coisas sobre a crise da Grécia.
Como tenho investigado estas questões desde 2010, posso garantir que não passam de opiniões sem  qualquer fundamento e que não têm nada a ver com a realidade.
Já muitas uniões monetárias foram dissolvidas, (nós mesmos tivemos uma união monetária com Angola, Moçambique, Guiné Bissau e Cabo Verde), sem haver qualquer impacto negativo nos países.
A Irlanda saiu da "Zona Libra Esterlina" para entrar na "Zona Euro" e nem ninguém se lembra disso porque não houve qualquer impacto negativo nem no Reino Unido nem na Irlanda.
Vou então tratar das duas questões em discussão.

1= Se a Grécia não chegar a acordo com as instituições europeias (os credores), terá obrigatoriamente que sair da Zona Euro.
Nesta afirmação não existe o mínimo de verdade.
O dinheiro é apenas um meio contabilistico para registar o nosso trabalho (e pelo qual recebemos as notas correspondentes ao nosso salários), os bens e serviços que vendemos (e pelos quais recebemos as notas correspondentes ao preço) e os bens e serviços que compramos (e pelos quais entregamos as notas correspondentes ao preço). Além disso também regista os recursos escassos pedidos emprestados (se recebemos notas) ou os recursos escassos emprestados (se entregamos notas).
As notas que temos na nossa carteira ou debaixo do colchão não são mais do que o saldo de todos os movimentos realizados em dinheiro (trabalho, compra/venda, empréstimo, doações, roubos, achamentos) que fizemos desde o dia em que nascemos até agora. 
Os movimentos em dinheiro são denominados por "movimentos financeiros".

Para a economia, é irrelevante a unidade de contabilização.
A) Se o nosso ordenado for contabilizado em Euros (recebemos 1000€) e os preços dos bens e serviços também (gastamos 900€), ficamos com 100€ no bolso para gastar, no futuro, em mais bens e serviços.
B) Se o nosso ordenado for contabilizado em Contos (recebemos 200C) e os preços dos bens e serviços também (gastamos 180C), ficamos com 20C no bolso para gastar, no futuro, em mais bens e serviços.
C) Poderia até o nosso ordenado ser contabilizado em Contos (recebemos 200C), os preços dos bens e serviços serem contabilizados em euros (gastamos 900€) e a nota em circulação ser o Parolo com as taxas de câmbio 1 Conto = 1000 Parolos, 1 Euro = 200 Parolos e 1 Conto = 5 Euros.
Em termos económicos, ter A, B ou C é totalmente equivalente. A Economia é totalmente independente da moeda em que são realizados os contratos e a moeda física que está no bolso das pessoas.

Mas existe o custo de câmbio.
No passado sim, mudar a denominação da moeda causava custo de câmbio mas agora não. Como agora a maior parte dos pagamentos são intermediados por computadores (os cartões VISA, multibanco e a Internet), não existe qualquer custo de câmbio diferente do normal custo das transacções computacionadas.

E o risco cambial?
Já agora, se quisermos, podemos fazer contratos em moeda diferente do Euro.
Cada um correrá o risco que quiser. Se uma pessoa quiser fazer o seu contrato eu Parolos, assume a taxa de inflação e o risco cambial dessa moeda. Se quiser fazer em Euros, terá outra inflação e outro risco cambial.
Segundo a segundo, a taxa de câmbio entre as moedas é calculado (de forma semelhante à EURIBOR) e o computador aplica essa taxa à transacção.

Mas, na Grécia, há o problema dos depósitos bancários.
Não existe problema nenhum pois os bancos gregos têm activos suficientes para poderem pagar todos os depósitos, independentemente da moeda de denominação.
O problema é se o Estado Grega não pagar as suas dívidas pois, neste caso, o activo dos bancos gregos sofrerá desvalorização.
E se não tiverem dinheiro para pagar os depósitos (e obrigações), abrem falência.
Mas, também se em euros também não tiverem euros, só não abrirão falência se alguém lhes der Euros (a Alemanha e os nossos esquerdistas).

Qual será o problema da Grécia bancarrotar?
O Estado tem que ajustar as suas despesas aos euros que consegue recolher em impostos.
Se os impostos não conseguirem cobrir a despesa pública, o Estado não poderá pagar os salários dos funcionários públicos nem as pensões.
Será um corte forçado pela falta de notas e não pela imposição de ninguém.
Neste caso o Farovakis não poderá mais dizer "vou rasgar as imposições da Troika pois estão-nos a impor austeridade" nem dizer "não pago salários aos funcionários públicos por causa de Portugal"
Pura e simplemente terá que dizer "não posso pagar salários nem pensões porque os gregos não pagam impostos suficientes."

Mas os euros podem sempre continuar.
O Farovakis pode começar a imprimir Parolos e a pagar a parte dos salários dos funcionários públicos e das pensões em Parolos para os quais não tem euros. 
O Estado grego até pode passar a receber os impostos e a pagar a despesa em Parolos mas isso não faz com que o Euro não possa continuar no bolso das pessoas e a ser a moeda de referência da economia grega.
O Estado é apenas mais um agente económico no meio de tantos outros milhões.
Tal como o BES falir não nos obriga a sair do Euro, também se o Estado Português bancarrotasse, não teríamos que sair da Zona Euro.
Se em Marrocos o Euro é a unidade de referência, na Grécia, mesmo havendo Parolos, também o será.

2= A saída da Grécia do Euro será terrível para a Grécia e para a Zona Euro.
A saída não será notada por ninguém pois será apenas uma mudança na denominação das transacções financeiras gregas.
O que as pessoas estão a pensar é que pode haver uma bancarrota total de Grécia o que implica perdas de 340 mil milhões de euros.
Este valor, perdendo-se na totalidade, corresponde a 3,4% do PIB da Zona Euro, o que implicaria que Portugal tivesse que assumir perdas de 5,8 mil milhões €, equivalente às perdas que o Estado assumiu com a falência do BPN. Como as instituições da Zona Euro só detêm 80% da dívida grega, será uma perda de "apenas" 450€ por cada português.
Isso mesmo, o que os nossos esquerdistas querem para a Grécia implica que cada português vai perder 450€, homens, mulheres, velhos, novos e crianças, empregados e desempregados, 450€ por cabeça. E o Passos tenta apenas proteger-nos desta perda.
Quem for esquerdista, verdadeiramente esquerdista, e que tenha peninha dos gregos, que pegue num cheque de 450€ e que o envie para o Farovaquis que ele vai agradecer e que deixe os meus 450€ em paz. 
O maior problema é que, depois de gastar este cheque, vai querer mais e mais e mais.

Mas toda a gente já antecipa a bancarrota.
Mesmo com a dívida pública denominada em Euros, os credores (particulares) quando assumem uma taxa de juro implícita nas obrigações gregas entre 9%/ano e 10%/ano quando as alemãs estão entre os 0,35%/ano e os 0,42%/ano, estão a antecipar perdas na dívida grega de 58%.
Antecipam que há mais de metade de hipóteses de perderem todo o seu dinheirinho.

Fig. 1 - Os esquerdistas portugueses falam muito que a descida das taxas de juro portuguesas se devem ao BCE (e não a Passos Coelho)

Fig. 2 - Mas na Grécia, exactamente onde há um governo esquerdista, as taxas de juro sobem!

Os problemas fiscais do Passos Coelho.
Toda a gente já teve problemas com o fisco. Eu, que não faço mal a uma mosca, já fui "multado" em mais de 3000€. Por razões que nunca cheguei a compreender, fizeram umas contas e aplicaram-me uma correcção qualquer de que resultaram quase 3000€ para eu pagar. 
Bufei mas paguei. O interessante é que na carta que me enviaram tinha o parecer de um inspector tributário qualquer que dizia "vai pagar xpto€ porque, aparentemente, o dinheiro não lhe vai fazer falta."
Depois, chamaram-me lá e disseram que eu tinha que corrigir a minha declaração "sob o risco de sobrer pesadas coimas". O problema é que eu não sabia do que eles estavam a falar pelo que não fui capaz de fazer o que eles diziam eu saber bem, não fazia a mais pequena ideia do que eles estavam a falar.
Passado um mês ou dois, "apanhei" mais 300€.
Como sou funcionário público, vinguei-me não trabalhando durante uns dias.
Não fiz nada, mesmo nada e não foram 2 nem 3 dias!.

O Passos é uma pessoa simples.
Lembram-se da casa que arrenda no Algarve?
Quando os reportesres lhe perguntaram "O Sr. Primeiro-Ministro exige que lhe passem recibo?
- Mas recibo de quê? Isto não é uma farmácia!
E deu uma gargalhada.

Com os recibos verdes foi igual.
Em tempos distantes, nos finais dos anos 1980, uma estudante de matemática que passava recibos verdes por uns trabalhitos que fazia, uns inquéritos ao consumo e umas reposições em supermercados. 
Eu não percebia nada daquilo, só me lembro que eram uns livros muito grandes, pretos, penso que 3, onde a pessoa escrevia os recibos emitidos com a data, o valor e o IVA retido, outro livro para o IVA retido e pago, e ainda um livro para as despesas da actividade, facturas que eu pedia nas bombas de gasolina (facturas "falsas" pois ninguém tinha carro) e nos cafés (para simular os "almoços de serviço") até fazer uma certa percentagem, penso que 30% da facturação.
Era um amadorismo total mas toda a canalhada passava assim uns recibozitos, compravam-se nas finanças e até umas pessoas passavam por outras, iam fazer os trabalhitos com o nome das outras pessoas.
(Também aconteceu comigo, eu fazer uns trabalhitos com nome doutro).

Fig. 3 - Oh pá, eu precisava de alguém que soubesse dessas coisas dos recibos verdes, tu conheces alguém?
Eu, eu, eu sei, sei, sei, sei disso tudo, aprendi lá nas engenharias, tenho uma cadeira mesmo disso, sei de tudo, de recibos verdes e de recibos maduros, de tudo.
Ai que bom ter-te encontrado.
Pois foi, vai ser, bom vai, se for vai.

Era tudo feito no joelho.
Aquilo era tão aldrabado e sem conhecimento que eu optei por escrever as coisas a lápis para, no caso de a pessoa ser chamada às finanças, os técnicos poderem corrigir aquilo.
De 3 em 3 meses, eu fazia uma conta qualquer e mandava um cheque para os do IVA. No fim do ano, mais umas contas e vinha o IRS para pagar. Para a Segurança Social, nada, havia pessoas que falavam disso, que, se calhar, era preciso pagar, mas ninguém sabia como, nem havia livro para isso.
O interessante é que nunca ninguém me pediu os livros, nem a mim nem a ninguém.
Uma vez a pessoa foi chamada às finanças e eu fiquei a tremer de medo. Disse-lhe que estava tudo bem para ela ganhar confiança mas só Deus sabe, até fiquei com diarreia.
Era uma coisa com um nome de código tipo "operação locomotiva".
Ela lá levou os livros de baixo do braço e chegando lá os financistas perguntaram-lhe: 
- Estes valores que estão aqui declarados correspondem à realidade?
- Sim Sim Sr. Chefe, é isso mesmo - sem fazer ideia do que ele estava a falar.
- Então está bem. Assine aqui e pode ir embora que está tudo correcto.
Quando eu soube disto, até fui beber um cafezinho para comemorar. Naquele tempo o meu dinheiro não dava para mais.

Se calhar.
Sei hoje que essas coisa eram crimes, na minha inocência devo ter cometido mais crimes que o Sócrates.
E vejam só, crimes que, somados, deveriam dar mais de 200 anos de cadeia mas que, em euros, deram para uns cafezitos, umas centenas de euros.

O Passos Coelho era igual.
O moço não sabia nem sabe de nada desses pormenores.
A mente dele é virada para a música, para as artes, em casa ele distrai-se é a cantar ópera, não é a ver as cartas das finanças, o código do IRS ou a legislação da Segurança Social.
Nada disso, é uma pessoa como outra qualquer.

Faz-me lembrar quando eu fui ao Centro de Saúde.
E passou um médico gordo e a fumar. Um dos que estavam lá comigo disse "este médico prega muito que ser gordo e fumar faz mal à saude mas não para de comer, beber e fumar"
- Deixe isso amigo que eu estou cá para tratar da minha saúde e não da saúde do médico. Se ele morrer, arranjam logo outro mas se eu moirrer, não há quem me substitua.
Com o Passos é igual, não precisamos de uma pessoa exemplar (como dizem ser o Guterres) mas que nos leva à bancarrota. 
Eu gosto do Passos.

Será que uma pessoas que copiou ...
poderá ser vigilante de exames?
Mau era se não pudesse, não haveria vigilantes.

Pedro Cosme Vieira

3 comentários:

Fernando Gonçalves disse...


Pois,é o faz o que eu digo e não o que eu faço.Isso tem um nome que não é nada nobre.

Pedro Alexandre disse...

Caro Professor,

A saída da Grécia do euro era um alivio para todos, visto que toda a UE estar a perder dinheiro e tempo a sustentar um país que não quer mudar (e nao só a Alemanha), esta seria a oportunidade de todos se verem livres de "chatices" como compromissos e dividas e cada um seguir o seu caminho, a Grécia vivia sem dívida e sem dinheiro, e a UE vivia com divida mas com dinheiro e investimento.

O Passos tem sido alvo de um ataque pessoal baixo, que curiosamente começou no momento em que o Costa admitia o óbvio sobre as condições económico-financeiras do país, a partir daqui esta tudo dito, nada que já não soubessemos, mas já percebemos em que país é que vivemos, o país do vale tudo.

Cumps

Miguel Matos disse...

Professor, já faz uns tempos que nao fala do Brasil.

"Brazil’s coming recession: The crash of a titan.
Brazil’s fiscal and monetary levers are jammed. As a result, it risks getting stuck in an economic rut"

http://www.economist.com/news/finance-and-economics/21645248-brazils-fiscal-and-monetary-levers-are-jammed-result-it-risks-getting-stuck

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