sexta-feira, 17 de abril de 2015

Don't Cry for me Euro Zone

Portugal tem os cofres cheios. 

Quando a nossa Ministra das Finanças veio, no passado dia 18 de Março, comunicar ao país que tínhamos dinheiro no cofre para fazer face aos nossos compromissos até finais de 2016, estava implicitamente a dizer que já tinha sido decidido (pela Sr. Merkel e companhia) que a Grécia não iria receber mais um euro alemão e que, por isso, ia bancarrotar a curto prazo. 
Como a bancarrota da Grécia vai criar confusão nos mercados não se sabendo com que intensidade nem durante quanto tempo, como precaução, a Maria Luís deu ordens, como fez o Magalhães quando chegou em 1520 à Terra do Fogo e se preparava para atravessar o desconhecido Oceano Pacífico, para que se enchessem os porões com tudo o que pudesse ser comido (no caso, pinguins e focas). 
O Varofakis lá continuou a dizer que "Portugal tinha uma agenda política muito própria" mas o certo é que essa agenda política existe mesmo e que não vai sofrer alterações ao ponto de irmos meter dinheiro na Grécia.

Os franceses também têm uma agenda política muito própria.
No triângulo Berlim, Londres, Paris, a França tem tentando, ao longo dos séculos, assumir-se como o líder dos países latinos, substituir-se a Roma como centro do Império Romano do Ocidente.

fig. 1 - Divisão da Europa Ocidental em 3 áreas de influência geopolítica

A Alemanha está a ganhar terreno.
Olhando para a Fig. 1 vê-se como o desmoronar da URSS abriu espaço à influência Alemanha. No espaço de 20 anos, a Alemanha integrou a sua economia com a polaca, checa, a Eslovaca e dos países bálticos e, com a ajuda da Polónia, está a caminhar para a integração com a economia ucraniana. 
O Reino Unido tem as suas ligações às ex-colónias onde tem importância, além dos USA, o crescimento da antiga Índia (a Índia, o Paquistão e o Bangladesh), da Austrália e Nova Zelândia.
A França sente-se cada vez no meio de nada. As ex-colónias estão com muitos problemas (Norte de África e Médio Oriente) pelo que tenta na Grécia uma cartada.

Michel Sapin.
O ministro das finanças francês tem, nas últimas horas, repetido (juntamente com o Varofaquis) que vai haver acordo com a Grécia mas nenhum dos dois diz quem vai dar o braço a torcer. Se é a Grécia que chama o Gasparzinho para ser ministro das finanças grego, se é a França que abre os cordões à bolsa e resgata o Varofaquis por sua conta e risco ou, finalmente, se é a Sr.a Merkel que vai abrir o cordão à bolsa dos alemães.
Tenho a certeza que ambos estão a pensar na última hipótese, que a Alemanha vai avançar com a massa, mas, vendo que o ministro das finanças alemão diz, do alto da sua cadeira de rodas, que não tem esperança em que haja acordo e a Sr.a Merkel nem se dá ao trabalho de dizer nada, o horizonte grego está  cada vez mais e mais negro, vem ai a bancarrota não demora muitos dias.

Mas o Holland que lhes dá a massa.
Apesar de a França estar com um nível de dívida pública já está acima de 2 000 000 000 000€ e sempre a crescer, 9 vezes a nossa dívida pública, podia com facilidade avançar com uns 100 000 000 000 € para salvar o Varofakis. Era só um aumentozito de 5% no total da dívida pública francesa, não era nada.
Vamos lá esquerdistas, vamos a fazer campanha para que o Holland avance com a massa e deixem o Passos, a Maria Luís e a Sr.a Merkel em paz pois não precisam destes neo-liberiais para nada.

Fig. 2 - Força Holland, vai de moto ajudar o Varofakis.

Será que, se o Costa fosse primeiro ministro metia dinheiro dos portugueses na Grécia?
É bom que lhe façam essa pergunta antes de votarem nesse esquerdista.

É mais uns dias.
Lá vão ter que pegar no meu road map da saída do euro e aplicá-lo à Grécia. 
Bye Bye Grécia.
Bye Bye esquerdistas e o seu "outro caminho" o badalado "caminho do crescimento e do emprego".

Bye Bye TAP.
Na Ciência Económica existe uma situação teórica (em que o custo unitário de produção é decrescente com a dimensão da empresa) em que, ceteris paribus (mantendo tudo o resto constante),  haver uma só empresa no mercado (um monopólio) é melhor para as pessoas que haver duas (ou mais) empresas (concorrência). 
Esta foi a justificação usada pelo Salazar para a Lei do Condicionamento Industrial (os monopólios do antes do 25-de-Abril-de-1974) e é usada hoje pelos esquerdistas para justificar a existência de empresas públicas deficitárias, em particular, a guerra pela manutenção da TAP como empresa pública.

Mas essa ideia está completamente errada.
Porque, uma vez que só exista uma empresa no mercado, os trabalhadores vão sugar a "renda do monopolista". Prova de que isso acontece é que as greves são exactamente nas empresas públicas monopolistas, na TAP, CP, ANA, etc., etc., etc.

Querem saber qual é a melhor solução para a TAP?
A TAP não vale a ponta de um chavo, não vale um tostão furado, só dá prejuízo atrás de prejuízo.
Então, se Portugal der a TAP pelas dívidas, temos que ficar todos contentes.
Desta forma, a melhor solução não é dar 10% nem 20% aos funcionários da TAP, é dar-lhes 100% e eles que rebentem com aquilo, que metam lá o PC e as suas comissões de trabalhadores e que vão para o Inferno com aquilo.
Mas o que eles querem é 20% pois sabem bem a TAP como está não a aguentam nem 6 meses. Querem é 20% acreditando que os donos dos restantes 80% se vão esforçar para que a TAP funcione e eles a mamar os salários chorudos.

Fig. 3 - Vermo-nos livres da TAP o mais rapidamente possível.

Fui dar uma vista de olhos ao Brasil.
O meu amigo Jorge, colega cego do judo, foi passar um mesito com os sogros ao Brasil.
Por causa disso lembrei-me de ir ver ao Banco Central do Brasil as estatísticas do Saldo da Balança Corrente que quantifica o endividamento dos brasileiros face ao exterior.
Não fiquei muito admirado porque já há anos que previ esta evolução (O Brasil vai ser uma grande potência mas em sonho) mas os números são enormes.
O Brasil está-se a endividar 8 000 000 000 € por mês face ao exterior. Cada brasileiro, novo ou velho, homem ou mulher, endivida-se 40€/mês face ao exterior.
Actualmente, a Grécia, a Rússia e o Brasil são os grandes riscos da economia mundial.

Fig. 4 - Balança Corrente brasileira 1995_2015 (dados, Banco Central do Brasil)

Vão ter que aguentar.
Amigos brasileiros, depois de anos a prometerem-vos que a "repartição da renda" iria ter um efeito enorme no crescimento da economia, que os "baixa renda" iriam gastar o dinheiro todo em bens de consumo e que o consumo é o motor do crescimento económico, começa a vir o resultado: taxas de juro na casa dos 15%/ano.
Aguentem que em 1520 o Fernão Magalhães também aguentou a comer carne de foca e de pinguim e consta que sabe pior que lamber aquele óleo preto que sai do cárter do motor dos nossos carros.

Fig. 5 - Anda lamber um bocado de óleo do cárter.

Pedro Cosme Vieira

2 comentários:

Rodolfo disse...

Bom dia professor. Em termos de produção, uma empresa maior consegue ser mais eficiente, mas em termos de distribuição, esse é um caso totalmente diferente.

Pedro André Seabra da Silva disse...

Com empresas low cost, que futuro esperas da TAP? O paradigma das transportadoras mudou e a TAP já passou a validade. Para quê adiar o sofrimento se os trabalhadores e sindicatos podem recorrer à eutanásia?

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