sexta-feira, 10 de abril de 2015

Faltam 6 meses para as eleições

O tempo passa depressa.

Lembro-me do dia 5 de Junho de 2011 em que fui votar no Passos Coelho porque, enquanto exerci o meu dever, o pára-brisas do meu carrito estalou. 
Nesse dia estava muito calor e, talvez por causa disso, o vidro deu de si.  
Nessa altura Portugal estava em total bancarrota e parecia que os astros me estavam a dizer que as coisas iriam de mal para pior.
Ainda andei dois anitos com o vidro estalado mas, no entretanto, tive que substituir, primeiro, o vidro porque chumbou na inspecção e, finalmente, o próprio carro porque rebentou a correia de transmissão. 
Por as eleições terem sido antecipadas (o Sócrates demitiu-se quando ficou sem dinheiro para gastar), em vez de o mandato durar os normais 4 anos, vai durar mais 4 mesitos.

São os 4 meses que a Grécia pediu.
Interessante que, dos 4 meses do "plano ponte" acordado com "as instituições", já passaram 2,5 meses e os gregos ainda não fizeram nada do que se propuseram fazer e, por causa disso, não receberam mais nenhum reforço de verbas.
Sim, reforço pois continuam a receber as verbas acordadas com a Troika para 2015 via emissão de dívida pública de curto prazo que o BCE aceita como colateral. 
Por exemplo, aqueles 450 milhões € entregues esta semana ao FMI vieram de 1000 milhões € "adiantados" ao sistema bancário pelo BCE (e que já estavam acordados desde 2010, com revisões).
Vamos supor que o Varofakis tinha dito "não pagamos ao FMI" então, não teria recebido os 1000 milhões € do BCE.

Mas vamos aos 6 meses que faltam ao Passos Coelho.
Estes meses serão de campanha eleitoral. Mas é uma campanha estranha porque não existe oposição ao governo. 
Isto já parece a campanha angolana com a diferença de os elementos da "nossa" oposição não estarem enfiados na cadeia legal mas sim na cadeia da falta de ideia. 
A única coisa que o António Costa (o nosso "líder" da oposição) consegue fazer em termos políticos é dizer "eu estou disponível".

Que é feito do "outro caminho"?
Onde andará o caminho do bater o pé à Sr.a Merkel, de nos unirmos aos gregos para rasgarmos o Memorando de Entendimento e para corrermos com a Troika daqui para fora?
Onde andará o "caminho do crescimento e do emprego" que vai rebentar com a "espiral recessiva" da "política austeritária dos neo-liberais de direita que governam Portugal"?
Onde andará o caminho que "vai inverter a destruição do Estado Social e o empobrecimento dos portugueses levados a cabo pelo Passos mais o Portas"?

Ontem estive a falar um colega meu esquerdista (com o PM).
Que, como sempre, veio com uns chavões tipo "a politica fiscal tem um multiplicador-elasticidade no produto maior que um pelo que uma expansão da despesa pública terá como efeito um crescimento acelerado do produto, da receita fiscal e, consequentemente, uma redução do desemprego e do peso da dívida pública."
O meu outro colega PS perguntou "mas não foi isso que tentou o Sócrates e que redundou na bancarrota?"
E eu ataquei ainda mais forte, "oh pá, deixemos Portugal e o Sócrates porque são pequenos de mais para mim. Olhemos para os gajos da Venezuela, do Brasil, de Angola e da Rússia que precisam lá de ti urgentemente porque estão a cortar na despesa quando, dizes tu, tem que aumentar. Afinal esses esquerdistas são neo-liberais camuflados perigosíssimos, vais ser mais famoso como conselheiro económico destes comuna que os fulanos neo-liberais da Escola de Chicago que ajudaram o Boris Yieltsing a desmantelar a URRS. De certeza que vais ser prémio Nobel da Economia."
"Como assim" disse ele todo surpreendido.
- Então não é que Cuba, Brasil, Angola e Rússia, em resposta à quebra dos preços do petróleo, entraram em austeridade quando deveriam, como dizes, fazer exactamente o contrário, despesa pública com fartura como fez o nosso Sócrates + Teixeira dos Santos em 2008-2010? Estou a ver que, é por causa da austeridade que a economia destes países está em crise e não o contrário. Avança para lá e com força. Vais ser recebido como o Yuri Gagarine quando retornou do Espaço.
Mas aí, veio a questão fulcral.
"Bem, vê-se bem que não percebes mesmo nada de economia" - disse o tal esquerdista - "É que estas políticas só dão resultado em países desenvolvidos como, por exemplo, na Alemanha."

Ora grande caminho.
Ora uma teoria económica que se diz capaz de acabar com a pobreza dos países mas que, afinal, só é eficaz nos países ricos e contra-producente nos pobres! É como aqueles tratamentos de combate às rugas da pele anunciados na TV que só se aplica a moças com menos de 25 anos.
Eu até já posso anunciar que tenho uma erva especial que faz os bois crescer até aos 10000kg sobe a condição desses bois serem acinzentados e de raça "elefante africano."
Também posso garantir que quem comer um pão diariamente durante 100 anos morrerá com mais de um século de vida.

Mas vamos aos números.
Nestes últimos 4 anos muita coisa aconteceu e podemos usar muitos números para medir o desempenho do governo do Passos Coelho mas o mais informativo é a Balança Corrente. Depois vou ainda mostrar o emprego e, por fim, as exportações.

A Balança Corrente.
Mede as nossas contas com o exterior.
Se somarmos o dinheiro de tudo o que exportamos mais as transferências que recebemos e subtrairmos o dinheiro de tudo o que importamos e transferências que enviamos, temos o saldo da Balança Corrente que, sendo negativo, traduz que nos estamos a endividar face aos exterior.
No tempo em que o Sócrates foi primeiro ministro, nos 75 meses entre Abril de 2005 e Junho de 2011,  Portugal endividou-se face ao exterior em 99423 milhões €, uma média de 125€/mês por cada português. Isto traduz que, nestes 75 meses, em média, cada família de 4 pessoas, endividou-se 500€/mês face ao exterior.
No tempo do Passos Coelhos como primeiro ministro, os 43 meses entre Julho de 2011 e Janeiro de 2015, Portugal emprestou ao exterior (reduziu o seu endividamento) em 8253 milhões €, uma média de 18€/mês por cada português. Isto traduz que, neste 43 anos de austeridade, cada família poupou 72€ face ao exterior.
Nos últimos 24 meses cada português está a poupar 36€/mês face ao exterior.

Fig.1 - Evolução do nosso endividamento face ao exterior (dados: Banco de Portugal)

Isto é um resultado notável.
No espaço de poucos meses, cada família deixou de se endividar 500€/mês e passou a poupar 150€/mês o que pareceu uma redução no nível de vida de 650€/mês.
Mas é esta redução no endividamento face ao exterior (e não à quebra nada economia) que dá a sensação de aperto à carteira dos portugueses. É isto que reduziu o nosso nível de vida.
Naturalmente, todos viveríamos melhor se fosse possível endividarmo-nos face ao exterior para todo o sempre pensando que "o pagamento das dívidas é uma brincadeira de crianças" (Sócrates). 

Mas houve destruição de 15% do emprego.
Foi toda a parte da economia que vivia do crédito, a construção civil e tudo que lhe estava ligado.
Mas essa destruição começou em 2008 e não em 2011 quando o Passos entrou (ver, Fig. 2). No dia em que tomou posso já se tinham auto.destruído 7,5% dos empregos e os esquerdistas diziam que era da crise internacional. No tempo do Passos, auto-destruíram-se mais 7,5%.  
O desemprego só não aumentou 15 pontos porque muitas destas pessoas eram Ucranianos que trabalhavam na construção civil e que foram para a Polónia que está com grande crescimento económico (foi o que aconteceu ao marido da Vira, a minha antiga empregada) e outra parte foram portugueses que partiram para Angola e para a Europa. 
A boa notícia é que o emprego tem vindo a recuperar, a economia já recuperou 1 emprego em cada 6 perdidos no período 2008-2013.

Fig. 2 - Destruição do emprego atingiu 15% relativamente ao nível de 2002-2008 (dados: INE)

E temos as exportações.
Considerando os preços de 2012, nos primeiros 6 meses de 2008, exactamente quando as nossas exportações atingiram o seu máximo, exportávamos 3265 milhões € por mês.
Com a crise do sub-prime, no ano seguinte as exportações desceram 30% para 2300 milhões € por mês.
No entretanto foram recuperando e actualmente já representam mais de 4000 milhões € por mês.
Em tendência, as exportações hoje estão 30% acima do valor de 2008 o que traduz a transformação da nossa economia especialisando-se nas actividades em que temos vantagens comparativas.

Fig. 3 - Evolução relativa das exportações portuguesas a azul (dados: INE)  e série alisada (a castanho)

A linha de tendência indica que as exportações estão agora com dificuldades em crescer. O problema de Angola se ter rendido à austeridade e também o Brasil, vai colocar nos próximos meses dificuldades às nossas exportações. Mas não podemos olhar para a taxa de variação e esquecer que cresceram 30% relativamente a 2011 e 60% relativamente a meados de 2009.

Até tu, esquerdista francês!
O primeiro ministro francês, o Manuel Valles, veio a Lisboa dizer bem das políticas do Passos Coelho.
Só disse estar de acordo quando a "somos amigos e socialistas" mais nada.
Coitado do Costa, até dá pena. Até se assusta com as jornalistas.

Aquele comuna, o Póvoa do Varzim é um leão (de papel, felizmente).
É um esquerdista perigoso porque, propondo-se a uma eleição, diz que não aceita a legitimidade democrática do Passos Coelho e do Portas.
Disse o comuna "se eu fosse Presidente, obviamente o Passos Coelho não se teria lá aguentado nem um ano."
Mas o Passos Coelho foi eleito pelo voto livre e consciente do povo português.
Cá temos outro chavista que, se fosse presidente em vez do Cavaco, não só teria demitido o Passos Coelho como lá teria metido de volta o Camarada Sócrates.
Afinal, o que este homem dava era carcereiro em Évora!

Fig. 4 - Queremos cá o Póvoa do Varzim que até o esfolamos vivo.

Será que vai avançar a coligação PSD+CDS?
Tive uma informação de que só ainda não avançou porque o Passos Coelho está à espera das sondagens.
As sondagens dizem que uma coligação PSD+CDS é ganhadora mas o Passos Coelho é de opinião de que não vale a pena ganhar se for para ter apenas uma maioria relativa.
Então, se as sondagens não derem alguma probabilidade de o PSD+CDS terem maioria absoluta, o PAssos é de opinião que cada um deve ir por si e dar a vitória (de Pirro) ao PS. Nessa altura o Costa vai à sua vida e quem vier pode fazer uma coligação com o Portas.
É que em democracia é preciso haver soluções de governação.
Depois, as políticas desse PS com uma vitória à tangente será igual à dos esquerdistas grego: não há dinheiro, não há vinho nem mulheres da vida.

Um abraço,

Pedro Cosme Vieira

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