sexta-feira, 22 de maio de 2015

Eficiência à Pareto e os imigrantes 3

A entrada de refugiados pode ser bom para todos.

Depois de terem interpretado os meus postes no sentido de eu ser racista (mais do que eles próprios), esforcei-me por mostrar que a entrada massiva de refugiados/trabalhadores de África ou da Ásia (baixa qualificação) numa economia tem riscos mas que também pode pode ser vista como uma oportunidade para a economia receptora.

Mostrei no primeiro poste (ver o poste
Que a entrada incondicional de refugiados irá reduzir o salário de mercado dos trabalhadores portugueses. Naturalmente, inicialmente o desemprego aumentará mas,  quanto mais flexível (mais rapidamente descer o salário), mais rapidamente o desemprego vai para o seu nível de equilíbrio.  Quantifiquei mesmo (usando um modelo calibrado) que a duplicação no número de trabalhadores numa economia levará a uma queda de 20% nos salários (no curto-prazo), perda parcialmente compensada pelo aumento da rentabilidade do capital.
Por "entrada incondicional" quero dizer que os refugiados têm os "mesmos direitos" dos portugueses.

O meu resultado é pessimista.
Como a entrada com "igualdade de direitos" causando prejuízo aos trabalhadores portugueses (que, juntamente com os seus dependentes, forma a maioria do eleitorado), o nosso egoísmo não permite a entrada.

Mostrei no segundo poste (ver o poste
Que a entrada com condições (com "desigualdade de direitos") em Portugal (e na Europa) dos refugiados pode ser em simultâneo boa para nós portugueses e para os imigrantes.
Pelo nosso lado (dos trabalhadores portugueses), começamos por impor as condições necessárias para que a entrada dos refugiados não nos cause prejuízo. Estimei que será suficiente que os refugiados paguem uma sobretaxa de TSU de 10% sobre os rendimentos auferidos.
Pelo lado dos refugiados, se vierem (podendo ficar onde estão) aceitando as nossas condições, revelam que, mesmo com "desigualdade de direitos", a entrada no nosso país é positiva para as suas vidas.
Também mostrei (com dados de Israel) que a entrada de trabalhadores não aumenta a taxa de desemprego (a velocidade de ajustamento depende da flexibilidade do mercado de trabalho) e pode mesmo permitir a exploração de "economias de escala".

O meu resultado é optimista.
Este meu resultado dá esperança aos desafortunados do Mundo. Mediante um contrato à Coase, é possível uma economia receber os refugiados e todos ficarem a ganhar.
Mas esta solução obriga a que os esquerdistas deixem o discurso hipócrita do "somos todos iguais" para, usando depois o argumento "humanista" do "não temos capacidade para lhes dar o que els merecem", barrar-lhes a entrada e deixa-los a morrer na "terra deles".

Fig. 1 - Macau foi uma Zona Franca criada em território arrendado pela China qem 1557 e em que Portugal era o Estado de Bandeira. Hoje é a região do Mundo com maior nível de vida (5x o nosso  poder de compra)

Mas, nos comentários, surgiram "problemas para além das questões económicas."
Supondo que Portugal aceitava 20 milhões de refugiados.
A argumentação foi que (amigo Louçã, estas ideias não são minhas, são dos meus queridos leitores e eu não vou fazer nenhum juízo de valor sobre elas pois não sou um esquerdista retórico):

Com o "contrato dos 10%" (mais 20% sobre o aumento dos juros, rendas e lucros) ficamos todos numa situação económica melhor mas ficamos em minoria dentro do nosso país.
Como os refugiados têm religião, língua e cultura diferentes das nossas que quererão transmitir aos seus filhos (previsionalmente, muitos) a prazo, quando os filhos adquirirem direito de voto, desaparecerá o Portugal que conhecemos actualmente. 

Vou então resolver este problema.
Se já respondi à questão económica, agora tenho que responder à questão da potencial "invasão cultural".
Penso que a minha solução (copiada um pouco de Macau e Hong -Kong com aplicação do conceito de extraterritorialidade) é uma forma boa para ambas as partes (portugueses e refugiados) sendo que se alguém tiver outra solução, peço que avance com ela para enriquecer a discussão.

As Zona Francas.
Um pouco por todo o mundo existem Zonas Francas pelo que devem responder a um problema económica concreto.

Fig. 2 - A Autoeuropa de Palmela é uma Zona Franca.

O problema que resolvem.
Vamos supor uma empresa japonesa que funciona no Japão onde tem 1000 trabalhadores, compra matérias primas um pouco de todo o mundo, paga impostos no Japão e vende para os Estados Unidos.
Esta empresa não nos afecta em nada mas, se a atraíssemos para Portugal, mesmo que não pagasse impostos, teríamos lucro na parte em que contrataria trabalhadores portugueses e compraria bens intermédios localmente.
Uma Zona Franca, ZF, permite que a empresa estando fisicamente em Portugal, responda perante uma legislação especial (que lhe dê, por exemplo, isenções fiscais).

O que nós ganhamos com isso?
Se a empresa estando no Japão não nos dá qualquer benefício, estando no nosso território mas dentro de uma "redoma de vidro" onde não conseguimos cobrar impostos nem mandar em nada parece que não nos dará qualquer lucro.
Mas dá pois, motivado pela proximidade, a empresa japonesa vai precisar contratar trabalhadores portugueses e adquirir bens e serviços locais.
Assim, Portugal tem benefícios indirectos.

Como funciona uma Zona Franca.
Em termos de bens é  micro-país "meio estrangeiro" encravado dentro de Portugal.
Os bens com destino à ZF que vêm do Resto do Mundo e os bens com destino para o Resto do Mundo atravessam Portugal em contentores lacrados que não são controlados nem pagam impostos.
Existe, como se fosse outro país, uma alfandega para controlar os bens que saiem da ZF para Portugal e, sendo caso disso, são cobrados impostos alfandegários.

As pessoas que saiem da Zona Franca não são controladas.
É só "meio estrangeiro" porque a generalidade da legislação portuguesa aplica-se ao território da ZF. Em particular, as empresas localizadas na ZF apenas podem contratar trabalhadores que tenham visto de trabalho (working permit) em Portugal e têm que obedecer à generalidade da legislação nacional onde se inclui o Código do Trabalho.
Se, por exemplo, a empresa japonesa quiser contratar 100 trabalhadores marroquinos (ou japoneses), terá que garantir que têm autorização de residência em Portugal. Por outro lado, se um trabalhador matar outro dentro da ZF terá cometido um crime em Portugal, sendo julgado num tribunal português segundo a lei portuguesa e, uma vez condenado, cumprindo a pena numa cadeia portuguesa.
Como existe esta restrição sob as pessoas, não é necessário a alfandega controlar os passaportes à das pessoas que saiem da ZF.

E não seria possível dar as mesmas condições a todas a firmas portuguesas?
Não porque isso teria um impacto (negativo) muito grande na receita fiscal.
Avaliado que a empresa japonesa nos causa benefício, tem que ser desenhada uma isenção fiscal suficiente para a atrair para cá (por exemplo, uma isenção total de IRC).
Mas a aplicação da isenção total de IRC a todas as empresas portuguesas teria um impacto em termos de redução da receita fiscal na ordem dos 5 mil milhões € por ano.

Segmentação do mercado fiscal.
A ZF vai permitir "segmentar" o "mercado de impostos" sendo cobrada uma taxa mais elevada às empresas que não podem deslocalizar-se e uma taxa mais baixa às que se podem deslocalizar.
Aplicando o trabalho "equilíbrio de corpos sólidos" do Pareto, a taxa de imposto terá que ser menor nas empresas em que a "elasticidade da mobilidade" for maior.
Se a elasticidade da mobilidade da empresa A é 1 quer dizer que por cada aumento de 1% no IRC, a empresa desloca 1% da sua actividade para o exterior.
Para maximizar a receita de IRC as taxas terão que ser diferenciadas:
Vejamos um exemplo com 4 empresas em que cada uma facturação de 10000€ e tem uma margem de lucro de 10% sobre a facturação.
Se a taxa de IRC for igual para todas as empresas, a taxa que maximiza a receita de IRC é de 33% que é de 500€. O nível de actividade é de 15000€.

Empresa  elasticidades  IRC(fixo)    deslocaliza
A    =>         1      =>      33%      => 33%
B    =>        1,5     =>     33%      =>  50%
C    =>         2      =>      33%      =>  67%
D    =>        10     =>      33%      =>  100%

Se a taxa de IRC for variável, a receita fiscal será de 566€ e o nível de actividade no país de 20000€.

Empresa  elasticidades  IRC(variável)  deslocaliza
A    =>         1      =>      50%         => 50%
B    =>        1,5     =>     33%         =>  50%
C    =>         2      =>     25%         =>  50%
D    =>        10     =>      5%         =>   50%

Fig. 3 - Fui-me embora porque na Holanda as pens são deste tamanhinho.


Extraterritorialidade.
No caso dos navios e dos aviões (e das embaixadas) existe extraterritoriedade que é um estatuto muito mais forte que o das Zonas Francas "normais".
A extraterritorialidade faz com que no interior do navio (ou do avião) não se aplique a legislação do país onde ele se encontre mas sim a legislação do Estado de Bandeira.
Por exemplo, um navio de uma empresa portuguesa registado no Panamá poderá ter marinheiros das filipinas sem working permit português pois no interior do navio aplica-se a lei do Panamá que não se importa com isso.
Se um filipino matar um malaio a bordo do navio, mesmo que esteja atracado no Porto de Lisboa, será julgado no Panamá, sob a lei do Panamá e cumprirá pena no Panamá.

Os navios e os aviões são zonas francas "fortes".
Quando um navio (ou um avião) entra num país, a entrada e saída de bens são tratados como entradas e saídas do Panamá (do Estado de Bandeira). Desta forma, o trânsito de bens entre o navio e países terceiros em contentor fechado não são controlados (nem tributados).
Acresce que os passageiros também são tratados como se tivessem residência no Panamá, precisando mostrar o passaporte e ter visto de entrada no país onde o navio está atracado.
Também se uma criança nascer a bordo do Navio, legalmente terá nascido no Panamá.
O interior do navio goza de extraterritoriedade.

O interior do navio (avião) não é uma democracia.
O interior do navio (do avião ou da embaixada) é uma ditadura absoluta em que o Rei Sol é o capitão da embarcação (ou o embaixador).
Apesar de os passageiros serem residentes do navio (ou do Avião), não podem votar para eleger o capitão nem fazer um referendo à rota.
Uma vez registado o Capitão pelo dono da embarcação em acordo com o Panamá, as outras pessoas a bordo do navio só têm que obedecer ou atirarem-se ao mar.

Vamos então à minha solução.
Eu meti, finalmente, o meu pedido à Presidente da Assembleia da República para Portugal me permitir receber os refugiados que eu quiserem.
É um modelo semelhante ao contrato de arrendamento de Macau (de 1557) e Hong-Kong (de 1899).

A ZF será uma empresa privada.
Artigo 1.º) O Estado Português concede ao requerente um território para que possa aí instalar uma Zona Franca, ZF, capaz de dar acolhimento a refugiados sem distinção da sua origem nacional ou qualquer outra condição.
Artigo 2.º) A ZF é uma entidade empresarial.
Artigo 3.º) O território terá que ser adquirido ou arrendado pela entidade promotora da ZF.

A ZF é um misto entre um navio e uma embaixada.
Artigo 4.º) O território da ZF mantem-se como parte integrante do território de Portugal.
Artigo 5.º) O território da ZF tem um estatuto de extraterritorialidade relativamente a Portugal semelhante, com as necessárias alterações, ao espaço interior de um navio (CNUDM III).
Artigo 6.º) Portugal concessiona o território à ZF por 100 anos, renovável por períodos consecutivos de 25 anos.
Artigo 7.º) No caso de Portugal não pretender renovar o contrato de concessão tem que avisar a ZF com pelo menos 20 anos de antecedência.
Artigo 8.º) A ZF terá um Estado de Registo.
Artigo 9.º) As leis e convenções internacionais em vigor no território da ZF serão as leis e convenções internacionais em vigor no Estado de Registo que terá obrigatoriamente que transcrever para a ordem jurídica interna da ZF todas as directivas europeias. 
Artigo 10.º) O Estado de Registo da ZF está dependente da aceitação por parte de Portugal.

O importante é aproveitar o livre comérico com a UE.
Artigo 11.º) Apesar do estatuto de extraterritorialidade relativamente a Portugal, a ZF é parte integrante da Zona Euro (pertença subsidiaria de Portugal) com quem mantém liberdade de movimento de bens, serviços, capitais e pessoas (relativamente aos residentes no Espaço de Schengen).

Agora vem a resposta ao "problema cultural").
Artigo 12.º) Os residentes da ZF e os seus descendentes são Cidadãos Ultramarinos do Estado de Registo (situação juridica comparável à da “British Overseas Citizenship”) o que traduz que, relativamente a Portugal, ao Espaço de Schengen e à UE, os cidadão da ZF são estrangeiros não residentes.

Questões sem grande importância.
Artigo 13.º) Os cidadãos da ZF têm o direito de a abandonar para qualquer país ou território que autorize a sua entrada.
Artigo 14.º) A ZF tem como línguas oficiais o Português e o Inglês.
Artigo 15.º) A ZF pagará ao Estado Português uma renda anual de 1000€/ha/ano actualizável anualmente à taxa de inflação.
Artigo 16.º) O Estado Português compromete-se a facilitar a ligação da ZF às infra-estruturas europeias, entre outras, às auto-estradas, portos, aeroportos e redes eléctrica, de abastecimento de água e de telecomunicações.
Artigo 17.º) O Estado Português compromete-se a emitir salvo-condutos para todos os cidadãos da ZF que pretendam deslocar-se de e para zonas internacionais e países terceiros.

E o que acontece no fim dos 100 anos?
Artigo 18.º) Findo o contrato de concessão, o território usado pela ZF terá que ser devolvido livre de residentes.
Artigo 19.º) A ZF compromete-se a acumular anualmente reservas financeiras no valor mínimo de 10% do seu PIB para, na eventualidade de não haver renovação do contrato de concessão, ser possível a ZF pagar os custos da recolocação dos seus cidadão noutro país.

Eu penso que resolvi à "questão cultural" levantadas nos comentários.
As pessoas e os seus filhos serão "naturais ultramarinos" do Estado de Bandeira (que poderá ser, por exemplo, o Panamá)  o que traduz que usarão passaportes do Panamá para poderem sair da ZF. Assim, apesar de estarem em território que pertence a Portugal (tal como o navio pertence a um português) serão residentes do Panamá (o hipotético Estado de Bandeira).
Naturalmente, também poderão ser cidadão do país de naturalidade mas haverá casos em que isso não será possível não só por nenhum país os reconhecer como seus cidadão como por desorganização administrativa.

E há ainda a questão do "facto consumado."
Depois de estarem na ZF, cria-se um facto consumado em que é impossível mandar as pessoas para outro lado qualquer. A constituição obrigatória de reservas foi a solução que imaginei para ser possível, no caso de não renovação da concessão, de os descendentes dos actuais refugiados poderem, daqui a 100 anos, ser aceites noutro sítio qualquer.
É que o dinheiro abre muitas portas.
Juntando o dinehiro ao previsível aumento da escolaridade e riqueza da população da ZF, este problema não será um problema.
E daqui a 100 anos jé estaremos todos mortos e com os ossos já derretidos pela água da chuva.

Agora pedia-vos que subscrevessem a petição.
Tem lá um erro ou outro mas penso que é uma proposta equilibrada e que me vai fazer um homem rico e ainda ganhar o Prémio Nobel da Paz.
Depois disto ninguém pode dizer que Portugal não tem condições para abrigar os desgraçados que existem um pouco por todo o mundo.
Só 2 pessoas assinaram a petição (eu e outra) pelo que, se calhar, os portugueses não querem os refugiados cá. Ajude-me a ajudá-los.

peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT77218

Um bocadinho sobre o Equilíbrio de Nash e de Pareto.
O equilíbrio de Nash é quando ninguém quer mudar para melhor (se alguém mudar será para pior). Por causa disso, é um equilíbrio estável
O equilíbrio de Pareto é quando uma pessoa pode mudar para melhor mas vai prejudicar alguém. Assim, é diferente do de Nash onde ninguém quer mudar, sendo normalmente instável (requer auto-controlo).

Exemplo de equilíbrio de Pareto instavel (que não é equilíbrio de Nash).
Se todos nós fossemos sérios, não precisaríamos de ter fechadura nos automóveis (poupavamos essa despesa e o trabalho de fechar e abrir o carro). Este seria um equilíbrio de Pareto pois para alguém melhorar (roubar-nos o carro) nós piorávamos.
Mas, como sabemos, este equilíbrio de Pareto não é estável pois cada individuo tem incentivos para roubar o carro dos outros. Então não é um equilíbrio de Nash (não é estável).

Exemplo de equilíbrio de de Nash que não é de máximo social.
Em nossas casas o equilíbrio de Pareto é todos fazermos pouco barulho porque, apesar de perdermos liberdade, sabemos que o barulho perturba os vizinhos.
O equilíbrio de Nash será fazermos barulho quando nos apetece o que fará com que no nosso prédio seja uma barulheira toda a noite.

Fig. 4 - A Halle Berry é mesmo boa em equilíbrio em cima dos sapatos agulha (se calhar, falta uma vírgula a seguir a "boa").

Pedro Cosme Vieira

10 comentários:

António Pires disse...

Na minha qualidade de candidato a Presidente da República Portuguesa, assumido publicamente através de mensagens de apresentação da minha pessoa, que tenho vindo a enviar para alguns dos blogues mais visitados do ciberespaço lusófono, cumpre-me dar continuidade ao projeto de salvação da minha pátria exangue, espargindo sobre as mentes abertas dos meus fiéis seguidores raios de luz, transfigurados em palavras e ideias, que lhes hão de iluminar o caminho que os conduzirá à felicidade plena na Terra.

Dentro destes pressupostos, entendo que sou maior do que o Sol, pois a luz que essa estrela de classe média nos dá provém de reações termonucleares, não sendo mais do que um fenómeno físico de propagação de oscilações de campos eletromagnéticos, enquanto o ideal luminoso que eu quero espalhar por toda a parte é metafísico, abrangendo por isso os vastos mundos sobrenaturais.
Na república portuguesa que idealizo, a exploração de um nobre e pobre operário por um patrão rico e boçal só poderá ser encontrada em velhos calhamaços de Materialismo Histórico, cobertos de pó e teias de aranha, porque uma das primeiras medidas que o governo tomará, logo após ficar submetido à minha magistratura de influência de Presidente da República acabado de embuçar, será a abolição, por despacho, da expressão "classe operária" e demais termos que façam lembrar sofrimento da pessoa humana. No exato momento em que a existência legal dos operários cessar, cairá imediatamente, por via da lógica, a exploração a que esses filhos do proletariado estavam sujeitos. Assim, na prática, a lei da greve passará a ser letra morta, abrindo-se, no entanto, uma exceção de caráter humanitário para os miseráveis pilotos de avião da TAP que continuarão a ter direito de faltar ao trabalho sempre que sintam a ameaça, real ou imaginária, de o seu salário médio - que atualmente é de 8600 euros por mês! - não subir mais de 30 %.
Se as massas alienadas pelo futebol votarem em mim, prometo-lhes solenemente que antes que termine o lustro que começa em 2016 Portugal será um mandarinato onde todos os cidadãos republicanos terão o seu lugar ao Sol. Podem confiar em mim, porque foi com os pés bem assentes na terra que arrojadamente delineei o meu programa de candidatura, que pode ter alguns pequenos defeitos, praticamente impercetíveis e desprezáveis, mas que, no seu conjunto, e quando visto de longe, não é, seguramente, feito de castelos no ar.
Foi na China, onde durante mais de trinta anos estudei a língua, a caligrafia, a história, a filosofia, a religião e a ciência dessa antiquíssima civilização, que me surgiu a ideia, no meio do nevoeiro matinal severamente poluído de fumo espesso da cidade de Pequim, de transplantar para Portugal o modelo chinês de desenvolvimento, na versão do que dele pude entender estudando documentos oficiais escritos em mandarim e escutando atentamente as explicações de amigos orientais, também em mandarim, sobre o milagre económico chinês.
Como acho que os chineses não são mais do que nós, continuo com a firme convicção de que se eles podem crescer nós também podemos, assim tenham ambas as nações a mesma organização política e administrativa. É verdade que eles produzem e consomem mais arroz do que nós, mas na cortiça ainda não nos levam a palma.
Então, em Portugal, comigo ao leme da barca, abandonar-se-á a fórmula Um Homem-Um Voto, que já deu provas mais do que suficientes de que não funciona, substituindo-a pela fórmula Um Homem – Um Mandarim, significando que todos mandam e ninguém trabalha, ou por uma fórmula também de cunho oriental, mas mais ajustada ao caráter mediterrânico do povo português: Um Homem-Um Paxá.

Diz não ao Empobrecimento!

PCruz disse...

O que me admira é o facto de andar por aí sempre toda a gente a dizer que é necessário pensar "Out of the Box" para resolver os problemas (do país, das empresas, etc...), mas quando alguém contribui com verdadeiras ideias, simultâneamente originais e exequíveis, a maior parte desdenha e critica, e até ameaça, ao invés de apoiar ou sugerir melhorias!!

Assinei a petição!! :)

Fernando Gonçalves disse...

A ideia de tributação atrativa para as empresas é uma corrida para o fundo,no limite as empresas pagam poucos impostos em todo o mundo e quem fica sobrecarregado é o trabalhador.Caro professor,as pessoas não emigram na maioria das vezes para terem um salário melhor,mas sim porque simplesmente não têm cá trabalho.Seja para que trabalho for a procura é sempre maior que a oferta,até para atender numa loja,com baixos salários.O desemprego só não tende a descer na Europa porque apesar da liberdade de circulação há restrições que não ocorrem tanto como por exemplo nos estados unidos,como a questão da língua,assim como a questão cultural da família.Então que defende o professor:vamos aceitar imigrantes em massa e "obrigar"os nossos trabalhadores a sair do país,isso ou então aceitar salários de miséria,e mesmo assim quando há trabalho.O professor sabe muito bem que o seu trabalho estaria garantido,pois não devem haver muitos refugiados com a sua qualificação,essa é que essa.

Nuno Cruces disse...

O capitalismo é a procura do baixo custo e alto lucro. Quando aparecer uma sociedade igualitária em que os pobres vivam tão bem quanto na generalidade das sociedades que aceitam que o mercado é uma boa ferramenta para aumentar a eficiência da economia, vale a pena olhar para a alternativa. Até lá pedir aos outros que tenham custos mais altos e lucrem menos sem estar disposto a abdicar de aumentos de ordenado e a aproveitar as promoções no supermercado é só hipócrita.

Não serve de nada termos um IRC alto e queixarmo-nos que o Google leva os nossos engenheiros para a Irlanda pagando IRS lá.

Cityhunter disse...

Caro Professor,

Sou um leitor do seu blog, e quero apenas efectuar algumas correcções.

HK foi conquistada pelos ingleses. A parte "arrendada" dizia respeito apenas a parte norte da região de HK, essa foi arrendada em 1897 por um período de 100 anos.

Macau foi "oferecido" aos portugueses pela luta que tem feito contra os piratas do Mar do Sul da China.

E comparar a economia de Macau com qualquer outro país não é digno, porque as receitas deste pequeno território são provenientes dos casinos.

Cumprimentos,

Económico-Financeiro disse...

Estimado Cityhunter,
A História está sempre a ser reescrita ao favor dos vencedores e, realmente, durante muitos anos foi-nos dito (pelo Salazar) que Macau tinha sido oferecido a Portugal (e Goa tinha sido comrpada) mas hoje diz-se que foi arrendada em 1557.
a ilha de Hong-kong foi ocupada mas isso nunca foi reconhecido pela China.
Singapura também foi arrendada a um empresa e hoje é um país.
Hoje a História mete tudo no mesmo saco.

O que torna Macau "unico" não são os casinos mas ser uma "cidade-cidado". Quanto mais densa for a população de um território masi potencial tem para ser eficiente, descontando quanto o território tem recursos naturais valiosos como a Austrália ou a Arábia Saudita que, mesmo assim, concentram a população em algumas cidades.

Uma "zona franca" dentro de Portugal com grande densidade populacional tem todo o potencial para se tornar uma região rica.

Um abraço,
pcv

Fernando Gonçalves disse...

Conheco pessoas que emigraram porque os 500 eur de salário não chegava para pagar as contas,pessoas com formação superior que mesmo na sua área não recebiam mais que o salário mínimo.Eu não entendo que o professor confunda algo de muito básico:não é o fato de haver muita gente que leva ao progesso,o que leva ao progresso é a atração de pessoas para locais que já de si estão a progredir,que ao contrário de terem excesso de mão-de-obra têm falta de mesma.Se me disserem de importar trabalhadores em áreas muito especificas em que temos falta de profissionais,isso está bem,mas isso não ocorre na grande maioria dos casos.O professor tem um guia matematico que pensa que se aplica em todo e qualquer caso,a economia não é matemática,não se pode divorciar da historia,da filosofia,da sociologia.FARTO DE TECNOCRATAS que sujeitaram o pais ao experimentalismo que so deu borrada estamos nós,precisamos é de políticos com visão,multifacetados,e já agora de um presidente da republica que não seja uma moleta do governo.

Cityhunter disse...

Caro professor,

Concordo com o facto de os vencedores é que escrevem a história.

Eu nasci em Macau e conheço a história. A China nunca refutou o facto de Macau ter sido oferecido a Portugal. A "devolução" de Macau foi mais uma questão política. E quando ambas as partes afirmam a mesma história, dir-me-ia que a história teria que ter uma certa credibilidade.

E acredita, Macau viveu muita pobreza. Só quando se instalaram os casinos, primeiro pelo magnata Stanley Ho e depois da transição, em 2003, pelos gigantes mundiais é que Macau se viu o seu rendimento ampliar substancialmente. E isto porque, primeiro eram os milhares de jogadores de HK, e depois eram os milhóes de jogadores da China.

Não estou a por em causa a sua ideia. Simplesmente factos são factos.

Atentamente,
AN




Freedom Fighter disse...

Esse valor de 20% pode estar a ser sobrestimado:

http://johnhcochrane.blogspot.pt/2015/03/adam-davidson-on-immigration.html

Económico-Financeiro disse...

Estimado Freedom Fighter,
Nesse estudo (empírico) houve a entrada de 45 mil pessoas em idade activa numa população (da Florida) de 19 milhões (+0.23%).
Na minha estimativa há a entrada de 5 milhões de trabalhadores (que correspondem a uma população em idade acitva de 7.5 milhões) numa população de 10.5 milhões (+71,4%).
Se eu calculo (com estimativas de Lucas Jnr) que +71,4% de população em idade activa induz uma diminuição nos salários de 20% de Portugal, um aumento de +0.23% induzirá uma diminuição de 0.07% nos salários da Florida (niglegenciável).
Por isso, o que o Freedom vê nesse estudo é exactamente o que afirmo mas a minha escala é 300 vezes maior.
Um abraço,
pc

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