sexta-feira, 29 de maio de 2015

Estive a ler o "programa de governo" do PS

Aquilo é muito chato.

Quando olhei para o relatório notei que todas as páginas dizem "Documento de Trabalho - 20 de Maio" o que é mesmo característico do António Costa: quando afirma alguma coisa quer sempre ter a certeza de, no futuro imediato, poder afirmar o seu contrário.
Mas a conselho da minha amiga APA, antes de começar a ler, fiz um find.


Quantas vezes aparecem as PPPs e as "rendas excessivas"?
Aparece uma referência às parcerias público privadas mas relacionada com a saúde e nada de "rendas excessivas". 

"Avaliar as experiências hospitalares existentes em regime de parceria público-privada (PPP) explicitando as suas vantagens e inconvenientes de modo a introduzir melhorias corretoras ou revisoras;" (p.40)
Tantos anos a malhar que o Passos não fazia nada às "rendas excessivas" das PPPs (assinadas no tempo do Sócrates e das quais, eventualmente, resultam os 30 milhões falados) para no programa do governo não aparecer nada sobre as PPPs na energia nem nas auto-estradas, as tais das "rendas excessivas".
Nada , absolutamente nada.
Será que, afinal, o PS está a querer dizer que o Passos Coelho acabou com todas as "rendas excessivas" que o Sócrates criou nas PPPs?
Só pode ser isso ou incompetência na análise ou na capacidade de vir a fazer coisas.


Depois, lá comecei a leitura.
É um texto melhor que o "relatório dos 12 sábios do PS" porque não está sempre a malhar que "o governo do PSD-PP foi o pai e mãe da crise, a causa única e primordial de todos os males que afligem cada um de nós, desde as dores de costas até ao esquecimento de reposição do papel higiénico."

"Oh Passos pá, anda cá a correr trazer-me um rolo do papel higiénico pois, por tua causa e do teu governo de direita, esqueci-me de o repor. Mas peço-te que não mandes o Portas pois estou literalmente com as calças na mão."


Parecesse-se muito com o filme "12 Macacos" mas ao contrário.
No filme "12 Macacos" um homem do futuro vem ao presente para tentar levar uma cura de voltar ao futuro.
No filme  "12 sábios do PS", um homem veio do passado e está no presente para tentar levar todo o pais de voltar à doença do passado.

Bruce Willis veio ao presente para mandar para o futuro uma cura para o Mundo.


Até à página 110 é um país desgraçado que vai ser uma maravilha.
Só fala em expansão e melhoria. Parece mesmo um concerto de violino tocado por um anjo.
Melhoria de tudo e de mais alguma coisa 
  1 - Da democracia
  2 - Da governação
  3 - Da defesa
  4 - Da segurança interna e a política criminal
  5 - Da justiça
  6 - Da administração pública
  7 - Da regulação dos mercados
  8 - Da autonomia das regiões autónomas
  9 - Da descentralização
Mas não se fica por aqui, ainda vem o segundo round
  1 - Do SNS
  2 - Do sucesso escolar
  3 - Do ensino de adultos
  4 - Do ensino superior
  5 - Da demografia
  6 - Da reabilitação urbana
  7 - Da qualidade de vida
  8 - Do mar
  9 - Do Interior
  10 - Do Ambiente
  11 - Da agricultura
  12 - Da inovação
  13 - Da cultura
  14 - Da ciência e tecnologia
  15 - Na inovação e internacionalização das empresas

António Costa veio ao presente para trazer do passado uma doença para Portugal.

Qualquer um assinaria isto tudo de cruz.
Isto é uma maravilha que qualquer candidato a qualquer coisa, desde o Garcia Pereira até à Manuela Ferreira Leite e ao Alberto João Jardim, assinavam sem pestanejar.
Se eu fosse o candidato, para ser perfeito só acrescentaria que, uma vez eleito, iria acabar com a guerra e a fome no Mundo. O problema desta promessa é que, provavelmente, teria que desfilar em biquíni.

Sendo eleita, vou acabar com a fome e a guerra no Mundo.

E, agora, vem a melhor parte.
Estes melhoramentos todos não custam sequer um euro ao orçamento e ainda permitem poupar 900 milhões € todos os anos.
Dizem que o combate ao insucesso escolar vai permitir poupar 600 milhões € por ano e o combate às infecções hospitalares permite poupar mais 300 milhões € por ano (p.10).
É isso mesmo, o acabar com o insucesso escolar e com as infecções hospitalares não só não vai custar nada como ainda vai permitir poupar 900 milhões € por ano.


Já sei porque o Sócrates está preso.
É exactamente por ter desbaratado 5400 milhões € (6 ano x 900M€/ano) em insucesso escolar e em infecções hospitalares que, sem qualquer custo, poderia ter acabado.
Eu penso que isto vai ser feito com um decreto-lei com apenas duas linhitas:
Decreto -Lei XXX/2016
Artigo 1.º - A nota mínima nos testes das escolas públicas é de 10 valores.
Artigo 2.º - As actuais "Infecção Hospitalar" passam a ser classificadas como "Hospitium Contagione".


Mas os fulanos que escreveram isto são mesmo cabeças de vento.
Será que não lhes passou pela cabeça que poupar os 600 milhões € no ensino implica despedir 7500 professores e mais não sei quantos auxiliares?
É que a principal despesa do ensino são os salários dos professores pelo que, se acabarem as 150000 reprovações anuais (referidas na p.10), haverá poupança porque serão menos 7500 turmas e, por isso, 7500 professores e não sei quantos auxiliares despedidos.

Será que não lhes passou pela cabeça que poupar os 300 milhões € na saúde implica despedir 3500 médicos e mais uns quantos enfermeiros?
É que a principal despesa da saúde são os salários pelo que, se acabarem as infecções hospitalares, haverá menos não sei quantos internamentos e consultas, por isso, terão que ser dispensados 3500 médicos e enfermeiros?

A menos que os professores, médicos, enfermeiros e auxiliares fiquem na mesma no seu "posto de trabalho" a coçá-los mas, nesse caso, não haverá qualquer poupança.

E "poupar" não será retirar dinheiro da economia?
Os do PS têm dito repetidamente que o Passos Coelho destruiu 300 mil postos de trabalho porque reduziu a despesa pública (cortou salários e pensões) e aumentou os impostos.
Até já chegaram a dizer que a Economia está a crescer por causa dos chumbos do Tribunal Constitucional não terem permitido o Passos Coelho retirar o que queria.
Mas agora, cortar estes 900 milhões vai retirar dinheiro à economia e, por isso, além dos 11 mil postos de trabalho directos que vão ser destruídos, ainda vão ser destruídos mais uns 40 mil indirectos.

Mau, os do PS estão de cabeça perdida.
Estou mesmo a ver que o Costa vai negar tudo e passar a anunciar que vai aumentar o insucesso escolar e as infecções hospitalares. É que isso gera empregos e de qualidade, para licenciados e mestres.

Na P. 111 vem um cheirinho da Segurança Social
Até à página 110 trata-se de um país que está muito mal mas que, por 24 desejos concedidos pela Fada Madrinha, logo se transforma na Terra da Maravilha.
Depois, chega-se à página 111 onde o Costa entra com a política pura e dura.


16 - Garantir a sustentabilidade da Segurança Social 
O primeiro parágrafo é politica dura e pura porque mais não é que um chorrilho de mentiras.
Vejamos o primeiro parágrafo:

"Com a reforma realizada em 2007, o governo do PS retirou o sistema público de Segurança Social da zona perigosa em que a direita o havia deixado cair e deu um passo fundamental para reforçar a sua sustentabilidade a longo prazo. Por este motivo, o sistema de pensões ficou de fora do programa da troika, que não viu necessidade de tomar medidas de reforço de sustentabilidade da Segurança Social."


Mas quem governou entre 1995 e 2007?
Nos 12 anos que antecederam 2007, o PS governou 9 anos. Entre 1995 e 2002 esteve lá o Guterres e entre 2005 e 2007 o Sócrates.
Como é possível dizer que a direita meteu a SS numa zona perigosa quando quem esteve a governar foi o Guterres e o Sócrates?
Os será que, para o António Costa, o Guterres e o Sócrates são a direita?

E o que diz a Troika?
Bem sei que ninguém leu nem vai ler o Memorando de Entendimento assinado pelo Sócrates (do PS). Prova disso é que o Ricardo Costa, Irmão do António Costa, disse ainda ontem que "não diz lá nada ou quase nada sobre a Segurança Social" mas isso é totalmente mentira. Vejamos o que lá está escrito e  o que o Sócrates assinou em princípios de 2011:

1.11 Reduce pensions above EUR 1,500 according to the progressive rates applied to the wages of the public sector as of January 2011, with the aim of yielding savings of at least EUR 445 million;
Afinal os cortes nas pensões não foi por vontade do Passos mas sim uma imposição do Sócrates. 

1.12 Suspend application of pension indexation rules and freeze pensions, except for the lowest pensions, in 2012;
1.21 Apply personal income taxes to all types of cash social transfers and ensure convergence of personal income tax deductions applied to pensions and labour income with the aim of raising at least EUR 150 million in 2012.
Afinal aumentar os impostos sobre as pensões não foi a "agenda neo-liberal" do Passos + Portas mas sim uma coisa que o Sócrates assinou em 2011.

1.29. ix) Maintain the suspension of pension indexation rules except for the lowest pensions in 2013
1.30 iii) taxation of all types of cash social transfers and convergence of personal income tax deductions for pensions and labour income: EUR 150 million;

Afinal, o Sócrates acordou que os cortes seriam para continuar.

Só aqui estão explicítos cortes de 595 milhões€ de cortes por ano.
Mas se quantificarmos o impacto do congelamento das pensões (no período 2011-2013 a taxa de inflação acumulada foi de 6,8%), o congelamento traduz-se num corte na ordem dos 850 milhões €.
Então, somando as parcelas todas para todos os anos, o Sócrates acordou com a Troika que nos 3 anos do programa de ajustamento haveria cortes totais de 2800 milhões € nas pensões.
595 x 3 + 850 =   2650 milhões €.

Afinal, o Sócrates comprometeu-se em cortar 2650 milhões € nas pensões.
Se isto não dizer nada, o que seria se dissesse.
É o jornalismo que temo.

Na SS o Costa também vais tudo resolver.
Com "avaliação rigorosa", "confiança no sistema", "estudos transparentes" e mais impostos sobre as empresas e sobre os ricos.

A Maria Luís disse que iria cortas 600 Milhões €.
Mas o Costa disse "eu não vou cortar nada, vou congelar".
Mas congelar durante 4 anos equivale a cortar 1500 milhões € no poder de compra das pensões enquanto que a Maria Luís disse que "só" iria cortar 600 milhões €.
E os cortes do PSD+PP não são novos cortes mas "apenas" a passagem a definitivo dos cortes que actualmente existem.
Afinal, o Costa promete cortar bastante mais que os 600 milhões€.

Depois, voltamos à Fada Madrinha.
Mais cosas que vão ser melhorar sem qualquer custo.

17 - A justiça fiscal
18 - A pobreza
19 - A igualdade
20 - A língua portuguesa
21 - A posição de Portugal nas comunidades portuguesas

E é só isto? Faltam as Contas do Estado.
Esta técnica de inundar as pessoas com pormenor é muito interessante pois evita que as pessoas vejam que falta o principal, as Contas do Estado.
Quer-se melhorar tudo mas nunca se diz o deve e o haver.
Escreve-se muito para não se dizer nada sobre o que é importante, quanto vão ser as receitas e quanto vão ser as despesas do Estado.
Como é que alguém pode dizer que vai reforçar o Estado Social, o Serviço Nacional de Saúde, o Sistema Público de Ensino e mais mil e um coisa e, ao mesmo tempo, diminuir os impostos?
Este texto faz-me lembrar a história de um mágico.

Uma história interessante sobre a WW2.
Em 1940 as forças aliadas conquistaram o porto de Tubruque que fica na Líbia, quase na fronteira com o Egipto.
Foi uma conquista importantíssima porque retirou a principal linha de abastecimento aos alemães na Batalha do Norte de África e abriu a possibilidade de abastecimento às tropas aliadas.
O problema é que o porto era todas as noites bombardeado pelos alemães que vinham da Itália.
Como medida desesperada foi pedida ajuda a um mágico famoso da altura, especialista em esconder coisas.
Chamaram-no com a missão de esconder o porto de Tubruque.
Acham que isso seria possível?

Era impossível mas o homem conseguiu mesmo!
E usou a técnica do António Costa: esconder com informação.
Desenho a poente da cidade uma linha com lâmpadas semelhante ao desenho das principais estradas de Tubruque. Depois, quando avistavam os aviões alemães apagavam as luzes da cidade e acendiam as do meio do deserto.
Como os aviões alemães voavam a grande altitude para não serem atingidos pelas anti-aéreas (e não havia GPS), quando pensavam que estavam a bombardear o porto de Tubruque, estavam a bombardear um pedaço de areia.

Com umas filadas de lâmpadas (a vermelho), o mágico escondeu o porto de Tubruque (as bombas passaram a cair nas cruzes pretas).

O Costa usou 133 páginas de pormenores.
Mas coisas totalmente maradas, são só merdas, atrás de merdas.
Alguém quer saber que o Costa vai

"Melhorar a articulação e a partilha de informação entre as todas as entidades com informação sobre os veículos ou os seus proprietários e condutores e as forças de segurança;" (p.21)?

"O PS pretende lançar um novo programa SIMPLEX que, à semelhança dos anteriores, promova a melhoria do relacionamento dos cidadãos com a Administração Pública e a redução de custos de contexto para as empresas. Desse programa constarão, designadamente, novos balcões únicos onde será possível tratar de diversos assuntos do quotidiano, organizados de acordo com as necessidades dos utentes, como um balcão único para questões respeitantes a veículos, ou o Balcão Único do Emprego." (p.26)?

"O lançamento do projeto “Sobre Rodas”, que disponibilize, num só ponto eletrónico, a informação e todas as transações e procedimentos relativos à emissão e revalidação de cartas de condução, abate de automóveis, registo de veículos, inspeções, pagamento do imposto de circulação, bem como procedimentos relativos a contraordenações, incluindo o pagamento, a identificação do condutor e a apresentação de defesa e de pedidos de pagamento em prestações, de suspensão de sanção acessória e de registo de infrações do condutor." (p.27)?

"A eficiência na utilização dos recursos passa ainda pela forma como nos deslocamos. Em especial nas cidades, é preciso, por um lado, incentivar a partilha de meios de transporte e a utilização de veículos menos poluentes (como os veículos elétricos) e, por outro lado, tornar o transporte público mais atrativo, favorecendo a intermodalidade e a complementariedade com meios suaves de transporte (como a bicicleta). Deste modo, será possível reduzir o congestionamento urbano e alcançar uma mobilidade mais eficiente, proporcionando maior conforto, rapidez e qualidade de vida com um menor consumo energético. Em síntese, uma mobilidade sustentável." (P.88)?

"Promover o desenvolvimento dum sistema universal e integrado de pagamento de mobilidade (Cartão da Mobilidade), através do qual o cidadão possa aceder a todos os serviços de transportes públicos, estacionamento, portagens, aluguer de veículos em sistemas partilhados ou carregamento de veículos elétricos;" (p.93)?

São 133 páginas disto e pior.

E como estão as contas da Segurança social?
Aquilo está completamente falido.
As contas para 2015 (RelOE2015, p. 109) indicam que a TSU é mais que totalmente esgotada pelas pensões:
     TSU (Contribuições e quotizações) => 14 346 milhões€
     Pensões                                      => 15 421milhões€

Mas depois ainda há muita coisa para a SS pagar com a TSU, pelo menos
   Subsídio desemprego e apoio ao emprego => 2 064 milhões€
   Subsídio por doença                              =>392 milhões€
   Complemento Solidário para Idosos        => 199 milhões€
Estas 7 verbas somam "apenas" mais         => 2 655 milhões€

Só considerando estas verbas, a SS já tem um défice de quase 4000 milhões€.

As contas totais da Segurança Social.
Tem uma despesa total 24 364 milhões €.
Tem uma receita (sem transferências do OE) de 16060  milhões €.

Para poder pagar as suas contas a SS precisou em 2015 de ir buscar aos impostos (IVA, IRS, ISP, etc.) 8304 milhões €.

Se o Costa diz que a SS portuguesa tem as contas equilibradas, só pode classificar a Grécia como um país com finanças públicas sólidas.

Por falar na Grécia.
Lembram-se que os esquerdistas gregos diziam que em 4 meses de "ponte" conseguiriam reverter a austeridade e iniciar o caminho do crescimento, emprego e prosperidade?
Pois já passaram os 4 meses e nada.
Melhor dizendo, aprofundaram o caminho da austeridade, da depressão, desemprego e pobreza.
E isto tudo porque acreditavam que iam melhorar o Mundo apenas porque o anunciavam.

Então Varofaquis, achavas que eu era a tua fada madrinha? Leva Fodi, leva o tal reforço do SCP.
E tu Costa, também vais levar Fodi.

Pedro Cosme Vieira

15 comentários:

Fernando Gonçalves disse...


Interessante o professor não considerar que qualquer poupança traduz eficiência,que se essa poupança levar a se precisar de menos professores e médicos em contrapartida esse dinheiro pode ser canalizado para outras áreas mais eficazes,necessidades de saúde física e mental é o que não falta neste país,sobretudo com a governação desastrosa que o país teve nos últimos anos.O Sócrates gastou muito?Sim,porque a Europa tb o mandou gastar.Só o professor defende este governo,nem o Rio,nem a Manuela Ferreira Leite ou o Bagão Feliz,ao que parece todos sociais democratas(pois,sociais democratas,não ultra liberais democratas)assinam em branco sobre este governo,e a maioria deles nem tem interesses políticos neste momento,tirando o Rio que quer ser presidente.A troika mandava cortar x ou aumentar Y nos impostos,duma maneira ou outra o governo ainda ia mais longe,isso é que era ser um bom aluno,o bom aluno português pobre e honrado.Nada de afrontar os interesses dos países ricos da europa,afinal esta Europa é mais deles do que nossa,a Alemanha beneficia mais da Europa que o Sul da Europa,eles vivem com os nossos gastos,com os automóveis que lhes compramos afinal.E a segurança social?se o desemprego não fosse tanto nem os salários estivessem em saldo não haviam problemas,mas mais:a politica social da segurança social(pensões não contributivas e outros subsídios sem comtrapartida contributiva)não deve ser incluída nas contas da segurança social para efeitos de financiamento.Se eu como trabalhador desconto 34.75% do meu salario para a segurança social é como contrapartida dum contrato em que terei uma pensão de reforma no futuro,não para ações sociais,para isso pagamos IRS,IRC,IVA,taxas,etc;Se falarmos em cortar nas pensões ou salários para o professor ta-se bem,é assim que deve ser,mas taxar em heranças ou nos ricos,cai o carmo e a trindade,não se pode,isso é expropriação,etc.Se alguém afirma que os salários são baixos,la vem a ladainha que são as regras de mercado,mas se um empregador oferece condições de vergonha para um emprego então só porque há desemprego pensa-se que alguém tem de aceitar isso,isto é,pode haver uma curva de procura de fator trabalho,mas não uma curva de oferta de fator trabalho,que estabelece um salario de reserva a partir do qual se está disposto a trabalhar.Que eu saiba o mercado deve ser nos 2 sentidos,se os empresários não querem pagar mais que X,os trabalhadores tb têm o direito de não abdicarem receber menos de Y,mesmo que estejam desempregados.O grande problema foi ter nascido tanta gente nos anos 60 e 70,nisso os nossos pais e avos fizeram mal,esse fato desvalorizou o trabalho.Atualmente os jovens metem travão na natalidade,e já se levantam vozes "i que não vai haver escravos no futuro".Esta é de fato uma sociedade hipócrita,um capitalismo podre e ganancioso,que mais há a dizer?

Pedro Alexandre disse...

Caro Fernando Gonçalves,

Dizer que o governo foi além da troika é daquelas conversas que não fazem sentido e só se cai à primeira, à segunda só cai quem quer.

Pena que este governo seja um desastre em termos de comunicação, o que aconteceu foi um governo que além de ter um buraco nas contas, alías como o Passos aqui disse no observador:(http://observador.pt/especiais/passos-coelho/) teve que fazer face ao desemprego insustentável que vinha dos tempos do guterrismo-socrático.

Quanto à SS o professor assegura que hoje pagasse impostos para pagar as pensões do estado, isto não é sustentável, talvez seja minimamente sustentável se o estado privatizar a SS convergindo de forma justa as pensões publico/privado com os descontos e reduzir substancialmente a despesa publica e fazer uma reforma da constituição.

Cumps

Tiago disse...

Mais um óptimo post :)
Gostaria, no entanto, que o professor respondesse ao comentário do Fernando Gonaçalves, pois coloca algumas questões pertinentes :)

Económico-Financeiro disse...

Estimado Tiago,
O comentário do F.G. tem muita coisa.
1) Aumento da produtividade (eficiencia) passa por produzir o mesmo com menos recursos (o que implica despedimentos) ou produzir mais com os mesmos recursos (não havendo poupança).
Naturalmente, a redução nos custos na educação e na saúde para produzir o mesmo serão positivos mas implicarão despedimentos que o Costa nega. Se não houver despedimentos, não poderá haver poupança.

2) Não haver comentadores a defender o Passos Coelho é porque isso não chamaria ouvintes. E os comentadores são meia dúzia de pessoas. Onde estão as greves contra o governo? Onde estão as manifestações contra a austeridade? Tirando os dos transportes (TAP, Metro), o povo está convencido que o "caminho da austeridade" é o único caminho possível.

3) Taxas os ricos não leva a lado nenhum porque não há ricos. É a velha estratégia medieval de atacar os outros, as minorias, de cobrar impostos aos outros, nesse tempo eram os judeus a causa de tudo e agora os esquerdistas dizem que são os ricos.

4) Só parte da TSU é para pensões, 20% do salário, e não os 34.75% (que vão apra o subsídio de desmprego e para outras coisas). descontar 20% durante 40 anos para termos uma reforma durante 20 anos, dá uma pensão igual a 50% do salário médio. Não há dinheiro para mais, seja o Costa, o Passos ou a Nossa Senhora de Fátima a governar a SS.

5) O capitalismo pode ser imperfeito (tal como a democracia) mas não existe alternativa.

6) Nós vivemos numa economia livre em que tanto podemos ser trabalhadores como patrões. O Carlos Martins (da Martifer) foi meu colega de residencia universitária onde éramos todos uns falidos (viviamos à custa do Estado). Hoje o Carlos é patrão de milhares de trabalhadores e eu sou empregado por conta do Estado.
Se os trabalhadores de uma empresa acharem que sabem tudo e que estão a ser explorados pelo, então criem uma cooperativa a ver se os seus salários enquantos patrões não vão sofrer um derrote.

pc

Fernando Gonçalves disse...

Há muitos ricos em Portugal,mais de 70000 que detêm mais de 1 milhão de euros, é o mesmo que dizer 1 em cada 60 famílias clássicas,não me parece assim tão raro.Uma taxa de 0.3% na parte excedente de 0.5 milhão de euros e 0.5% acima de 1 milhão daria centenas de milhões de euros por ano.Como que não há ouvintes se o professor refere que o povo pensa que não há alternativa à austeridade?Professor,os trabalhadores serem empreendedores?Como,se a banca so financia as grandes empresas,e há falta de capital próprio.Eu acredito no capitalismo,mas não neste,num justo que não seja dominado pelo capital,em que não hajam possibilidades de fugas fiscais(acabar com todos os paraísos fiscais do mundo,e quem não aceitasse ficava embargado comercialmente,bastava um acordo entre os maiores blocos do mundo),em que os países se entendam e acabem com taxas de IRC escandalosas de 10 ou 15% de IRC para lucros de milhões,em que se taxem as transações bolsistas reduzindo assim os movimentos meramente especulativos,em que os empresarios que recorram a estagiários têm de empregar 1 em cada 2,por terem beneficios.Depois sim,o mercado funcionará com justiça em que aquilo que cada um ganha não resultar de favorecimentos e da sua posição priveligiada.

Pedro Alexandre disse...

Caro Fernando Gonçalves,

Os salarios são definidos em função da produtividade, se a produtividade aumenta numa empresa os salarios aumentam, a produtividade é a capacidade de uma empresa produzir mais gastando cada vez menos em fatores de produção, os esquerdistas é que querem fazer crer que há uma tentativa dos patroes de reduzir salários, há é uma tentativa de ter margens de lucro que diminuem com os aumentos abusivos do SMN e os aumentos de impostos.

Como o professor já disse, um euro retirado ao capital é um euro retirado em investimento e em produtividade, sem investimento a oferta de emprego é cada vez menor e a procura também.

Infelizmente não existe uma economia flexivel o suficiente no país para que isso aconteça de forma eficaz, se não houvesse regras excessivas que em vez de proteger geram mais injustiças, o excesso de impostos e até a imposição de um SMN todos ficávamos a ganhar numa economia com mais competição e produtividade.

Cumps

Económico-Financeiro disse...

Estimados Pedro Alexandre e Fernando Gonçalves,
1 - O Estado só pode tributar os rendimentos que não são capazes de "fugir com o rabo à seringa." Os trabalhadores não podem fugir ao IRS, a gasolina não pode fugir ao ISP, as vendas podem fugir ao IVA, as casas não podem fugir ao IMI. Já as pessoas com mais de 1 milhão€ são como a enguia.
E Portugal também explora este fenómenos ao dar isenção de IRS aos reformados do Norte da Europa que queiram vir viver para Portugal.
Além disso, esses 1 milhão€ já pagam impostos (IMI, mais valias, IRC, etc.) e é capital necessário às empresas.

2 - Bem sei que dá uma certa dor de chifre ver pessoas sem aparente capacidade acima da nossa a ficar ricas. Mas o progresso da economia faz-se com essas pessoas e não com as empresas públicas.
Vejamos os Estaleiros Navais de Viana do Castelo que estiveram anos com os emrpegados ao alto, sem fazerem nada, sem nenhuma encomenda e que, agora, os novos donos têm andado por esse mundo a concorrer a coisas a ver se arranjam o que fazer. É que doi-lhes no bolso.

3 - Os salários não são uma decisão dos governos pelo que o Passos Coelho só pode ser acusado de "baixar salários" por mentecaptos esquerdistas. É que até nos Funcionários Públicos foi o Sócrates que cortou os 10%.
Basta ver o Chaves e o Maduro que, ao tentarem subir os salários da Venezuela, apenas destruiram o país. E o Brasil não anda muito longe disso.
O salário é como o preço da cereja, se há muito o preço baixa e, se baixa, os empregadores contratam mais pessoas porque isso dá-lhes lucro. É que o preço da cereja é o salário do agricultor que a cultiva e apanha.

1ab,
pc

Pedro Alexandre disse...

Exatamente professor, atacar os ricos porque criam desigualdades não resolve o problema de um país, isso é conversa sem sentido dos esquerdistas, a riqueza só se gera com o nível de bens e serviços que um país é capaz de produzir.

Distribuir riqueza só aumentado o capital, com muita poupança e investimento no país, e isso não se aumenta tirando a quem tem mais só porque tem mais, mas sim promovendo uma economia sem setores protegidos e promovendo o mérito e o lucro.

Cumps

Emanuel Marques disse...


Os salarios são definidos em função da produtividade, se a produtividade aumenta numa empresa os salarios aumentam.

Gostava de saber que patrões são esses que quando a produtividade aumenta aumentam também os salários dos seus trabalhadores.

Deve haver trabalhadores muito ricos, pois é só ver os lucros de muitas empresas....

Qualquer dia viramos Angola, o "pequeno" recebe 200 dólares....o "grande" investe 200.000 milhões na Efacec...





Pedro Alexandre disse...

Caro Emanuel Marques,

Os salarios estão sempre sujeitos a variações, se a produtividade de uma empresa for muito elevada, os salarios médios também serão maiores, a empresa poupa em recursos e investe mais garantido mais postos de trabalho e melhores condições de trabalho.

Os esquerdistas é que julgam que se ganha mal porque é objetivo dos patrões terem lucros maiores, mas vivemos numa economia de mercado, que tem muitas limitações, mas se for de facto concorrencial os salarios são uma mais valia e não algo que os trabalhadores têm que garantir com regras atrás de regras.

A Alemanha há bem pouco tempo não tinha SMN, e talvez seja por isso que o desemprego lá seja residual e a produtividade é exelente, lá o salário mais baixo era mais do dobro do nosso SMN, porque lá não há setores protegidos nem falta de capital!

Cumps

Emanuel Marques disse...


Caro Pedro,

"Os esquerdistas é que julgam que se ganha mal porque é objetivo dos patrões terem lucros maiores

Junta-se a "fome" com a "vontade de comer": os esquerdistas julgam que os trabalhadores ganham mal e os direitistas julgam que os trabalhadores ganham bem.

Pedro Alexandre disse...

Caro Emanuel Marques,

Não confunda o que eu disse, nós não temos salários demasiado elevados no país, antes pelo contrário, temos uma economia atrasada, pouco produtiva e com isso se aumenta as desigualdades.

As desigualdades não se combatem aumentando salários, ter uma economia vista do lado da oferta e não da procura é melhor do que ter uma economia sem capital que se quantifica pelo baixo número de empregos e por fracos níveis de produtividade e competitividade, isso é meio caminho para regressar a uma quarta bancarrota.

Cumps

Fernando Gonçalves disse...

Caro Pedro Alexandre,algumas correções:

o salário não é o realmente o valor da produtividade marginal do trabalho,essa lei é meramente teórica,porque na prática o salário resulta da lei entre a oferta e a procura,e o que se considera em termos de modelo é que a curva da oferta reflete a produtividade do trabalhador.Nada mais falso,é artificial dizer-se que um trabalhador que ganha 50000 euros tem um trabalho que vale 50 vezes mais que um de 1000 eur,não é possível medir realmente o valor do trabalho.Dadas as qualificações de alguém,o seu salario vai depender do jogo entre a procura e a oferta,daí a existência legal do salário mínimo que é uma instituição para evitar abusos de mercado a ponto de permitir salários demasiado baixos.Claro quês se estivermos num pais rico a existência de salario mínimo já tem pouca utilidade,mas dizer-se que acabar com o salário mínimo vai levar ao crescimento económico é inverter a ordem do desenvolvimento dos países.Por mais produtivo que um trabalhador seja se houver muita gente com as mesmas qualificações,o seu salário vai ser MUITO MAIS BAIXO QUE A UTILIDADE DO SEU TRABALHO.Os neoliberais têm a mania que o mercado tem uma capacidade auto-reguladora total,nada mais falso,basta relembrar o que foi a grande depressão dos anos 30 que se arrastava sem fim e o papel que aí teve a corrente keynesiana para inverter o rumo da economia.Mas eu sei que a FEP já quase nem fala no keynesianismo segundo ouvi falar,se é verdade então é pena,no meu tempo era uma instituição neutral,hj é enviesada para a Direita.O livro "o capital no século XXI",livro que tenho lido com muito prazer explica realmente muitas coisas.Mas pronto,para os neoliberais toda a teoria se resume a "o Deus Mercado",e pronto.Mas a economia está muito longe de ser uma ciência exata.Quando sair da faculdade ainda só vai compreender uma % pequena da realidade.

Fernando Gonçalves disse...

Errata: no meu cometário anterior referi por lapso que a produtividade era aderida nos modelos pela oferta,quando pretendia referir pela procura de trabalho.

Emanuel Marques disse...

Estimado Pedro e Fernando,

...vocês (perdoe-se-me a familiaridade) e as teorias económicas...

...já que falam de "ECONOMIA ATRASADA"...será que a temos por causa dos salários baixos ou por causa dos salários altos ?

P.S.: e nem me refiro ao que ganhava o (um!!) vereador de câmara marco antónio costa, vice do Psd, há 20 anos atrás.....porque desse soubemos agora. Falo dos outros que ainda falta saber...só eu conheço alguns (sanguessugas da economia).



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