domingo, 3 de maio de 2015

Ontem, mais 3400

Enquanto o Louçã perdeu tempo a dar-me fama 
E o Bruno Nogueira a ler uma crónica (que me tornou ainda mais famoso) alegadamente humorística mas que não deve ter arrancado um sorriso a ninguém, mais milhares de alienígenas (não posso mais dizer -pi-alhada) deram às costas europeias. Só ontem, Sábado, foram mais de 3400 (ver). 
Além destes alienígenas que chegaram de barco, chegaram mais uns milhares de amarelados pela Mar Negro (vêm do Afeganistão e Paquistão, atravessam o Turquemenistão, o Mar Cáspio, entram no Azerbaijão, cruzam a Arménia, a Turquia e, finalmente, fazem-se ao Mar Negro para dar à costa na Bulgária e na Roménia).

Disse a minha irmã do meio.
Esse Bruno Nogueira falou de ti? Coitado dos fulanos que escrevem isso, não haverá ninguém interessante para esse Bruno falar, talvez o Portas, o Cavaco? Para irem buscar-te, um gajo totalmente desconhecido, é sinal que estão mesmo sem ideias, estão perdidos, daqui a nada estão na mata de Monsanto a "falar ao microfone" de quem passa para ganhar uns 2,50€. Se queriam gozar à farta com um professor, tinham aquele candidato à presidência, o Professor Não Sei Quê da Nódoa que tem muito mais graça do que tu.

Quanto custará ao Estado Português a Cidade para os alienígenas?
Esta questão é do Fernando Gonçalves e a minha resposta é simple:

NADA.
O FG está a imaginar custos porque quer pegar nos alienígenas que têm actualmente uma vida de miséria na sua terra (por exemplo, na Etiópia 50% das pessoas ganham, aos nossos preços, menos de 0,20€/hora de trabalho, não têm casa, estradas, água canalizada, esgotos, assistência média nem medicamentosa), uma vez aqui, têm que viver como Lords.
Na Etiópia morrem por dia 500 crianças por causas evitáveis, 180 mil por ano e nas nossas ex-colónias de Angola + Moçambique + Guiné-Bissau mais 750 por dia, 250 mil por ano (ver, Fig. 2). Nesses países podem morrer à vontade que não nos sentimos nada incomodados mas, caso desembarquem aqui, já não pode morrer mais nenhuma criancinha inocente. 


Fig. 1 - Que se f--am, são alienígena.

Lembram-se dos 70 sírios que vieram de Bissau?
Eram brancos, com elevada escolaridade e, sem qualquer dúvida, estavam a fugir de uma sangrenta guerra.
Os guineenses, talvez tendo pena deles e porque os sírios tinham bilhete da TAP e o avião estava meio vazio, mandaram-nos para cá para não correrem o risco de morrerem afogados (ver).
Foi um 31 e não me lembro de ouvir o Louça a abanar a cabela ou o Bruno Nogueira a dizer que o que os alienígena da Guiné-Bissau tinham feito um acto de humanidade.

Como isso não é possível, os alienígenas que se danem. 
O "Estado Social" que garante (na nossa Constituição) todos os direitos a todas as pessoas não pode dar nenhum direito a ninguém. Então, os alienígenas que fiquem lá onde estão e que morram como puderem.

Fig. 2 - Mortes anuais de crianças (<5 anos) na Etiópia e nas nossas ex-colónias por causas evitáveis (dados: Banco Mundial).

Mas a minha solução não é aplicar o "nosso" estado social.
É um estado onde a comunidade alienígena viverá com os recursos que conseguir gerar fruto do seu trabalho. Se na terra onde estão ganham 0,20€/h e não vejo a CGTP-In a ir para lá fazer comícios a dizer que é uma indignidade, se na Cidade houver quem lhes pague 1,00€/h já será um enorme incremento no seu nível de vida.
Quem vai pagar tudo desde estradas, passeios, escolas, hospitais, água e esgotos, recolha de lixos, bombeiros, imaginemos o que for, serão os alienígena com o fruto do seu trabalho.
A Cidade vai pagar a renda pelos terrenos, um preço pela água e pela emissão dos esgotos e dos lixos (por m3 e por tonelada) e, dentro dos muros, vai-se governar como Singapura ou Hong Kong se governam.
Os alienígenas pagarão um impostos qualquer a mim para eu poder pagar a renda do terreno. Depois, haverá mais impostos mas integralmente destiandos à governação da Cidade.
Em contrapartido, Portugal não prestará nenhum "apoio social" aos alienígenas.
Portugal tratará a Cidade como se de um país estrangeiro se tratasse, como durantes centenas de anos a China tratou Macau.

Vamos ao investimento.
Com mão de obra local (a 1,00€/h), uma célula (um apartamento ou um local de trabalho) ficará na ordem dos 20 mil€ (uma média de 250€/m2 de construção) o que dá, em termos de habitação, 6700€/pessoas e outro tanto em termos de locais de trabalho.
Imaginando um edifício com 1000m x 1500m x 12 pisos que em termos de espaço públicos estão separados por 120 m, haverá 1m2 de espaço público por habitante, o que tem um custo irrisório (100€).
Juntando as canalizações e fios eléctricos, a Cidade implicará um investimento nunca superior a 5000€ por habitante (e outro tanto para as áreas de trabalho).
Muitos do candidatos têm os 5000€ (que gastam actualmente na viagem ou a subornar os do SEF) mas não faltarão fundos de investimento localizados pelo Mundo fora, talvez em Paraísos Fiscais, para financiar a Cidade. 
Cada edifício e infra-estruturas implicam um investimento de "apenas" 3000 milhões €.
Para 50 milhões de pessoas será preciso um investimento de 500 mil milhões € (ao longo de 50 anos).

Fig. 3 - Se não fosse a Cidade, hoje teria as minhas piii como as da Dr.a Ferreira Leite

O custo do Estado Social.
Para um Spread de 2%/ano, amortização em 50 anos (a duração previsional do edifício), os 5000€ implicam uma prestação de 13€/mês. 
Se acrescentarmos o custo da renda, água, electricidade e um apoio se necessário ao nível da ajuda humanitária da ONU aos refugiádos, cada pessoa terá um "custo social" de 30€/mês que será suportado pela Cidade com os impostos que cobrar aos alienígenas que ai viverem.
E mais nada, quem quiser mais que se desenrasque.

E o custo das estradas?
Dentro da Cidade, dada a densidade, as estradas serão mínimas.
Quanto às ligações Europa, os camiões e os autocarros usarão as nossas auto-estradas onde pagarão portagem o que será positivo para os concessionários. Havendo necessidade de fazer mais umas auto-estradas de ligação, os veículos pagarão portagens suficiente para amortizar o investimento. 
Assim, por esta parte também não haverá qualquer custo para Portugal, ainda recebe IVA nas portagens.

E do que vão viver as pessoas?
Da liberdade do comércio e da proximidade com o espaço económico da União Europeia.
Apenas peço liberdade de circulação de bens e de capitais.
Quem quiser viver na Cidade poderá trabalhar, importar e exportar bens e colocar as suas poupanças onde quizer mas apenas poderá viajar de volta ao seu país (ou a um terceiro país que lhe permita a entrada).
Entre os alienígenas haverá  empreendedores que criarão empresas capazes de dar emprego às pessoas. Essas empresas importarão matérias primas e bens em curso de fabrico e, com eles e a mão de obra local, produzirão bens e serviços para serem consumidos localmente e para exportação. Além disso, haverá empresários de toda a UE que aproveitarão este espaço economico para deslocalizar actividades de mão de obra intensiva que actualmente são executadas, por exemplo, na China.

Por isso.
Se o Estado Português me arrendar 1000km2 de território e me deixar total liberdade para receber lá os alienígenas que o quiserem, garanto que posso receber todos os que actualmente tentam entrar na Europa e que isso, além de ser benéfico para os portugueses, também será benéfico para os alienígenas e não implicará nem 1€ de custo ao nosso querido país.
"E eu só prometo o que posso cumprir." (Costa, mas não me acredito mesmo nada que me vá repor o corte no salário que o Sócrates fez).

Hoje é o dia da Liberdade de Imprensa.
A liberdade é os outros não terem o direito de fazer qualquer juizo de valor sobre o que nós dizemos ou escrevemos.
Haverá para aqueles filhos da piiii que mataram os cartonistas francese acção mais desprestigiante do que fazer um desenho do piiii? Mas a liberdade diz que teriam que aguentar.


Pedro Cosme Vieira

10 comentários:

jorge gaspar disse...

Fdx professor, ja chegou á capa do I e tudo.
Quem é que anda a querer fazer de si Cristo?

Nunca vi tanta mediatização de um gajo qualquer que ninguém conhece de lado nenhum.

Quando tal deixo de comentar aqui. Ainda me espetam também na cruz.

Isto faz me lembrar o "De roma com amor" do Woody Allen, quando a personagem representada pelo Roberto Benigni se torna famosa sem saber porquê.

Eu acho que isto é tudo por causa daquelas eleições que o Pedro quase ganhava com 0 votos.

Emanuel Marques disse...

Força!
É preciso continuar a desmascarar os "cabeças de vento".
É preciso dizer, demonstrar, que aquilo que têm dito, têm feito, continuadamente ao longo do tempo, apenas nos levou à lástima de País que temos actualmente.

rollingsnowball disse...

Fazem logo citações erradas na capa. Com um destaque na capa destes não tarda muito, espero, teremos a ocupar a capa o direito de resposta. Aguardo por ele.

LF disse...

Força prof! Continue a ensinar esta Pátria viúva. Aqui aplica-se bem a internacionalizada frase: "Os cães ladram e a caravana passa"

Tiago disse...

Muito bom!

Fernando Gonçalves disse...


E a Justiça?e a segurança Pública?ou deixavamos aquilo tudo a ser governado pela lei da selva?e depois dos investimentos feitos quem garante que uma vez produtivos não abandonassem o local?se é assim tão rentável porque raio não vemos as grandes empresas a fazerem grandes investimentos por essa áfrica fora,fosse na terra,fosse na indústria,ou nos serviços?Professor,há coisas que só o Estado pode fazer,que são criar condições ao investimento.Enquanto essas condições não existirem as empresas não investem,porque os benefícios seriam para quem viesse atrás,são as chamadas externalidades.Ou seja,isso de fornecer ou arrendar um espaço e agora governem-se não existe,não há terra de minguém.

Alvin Toffler disse...

Ena, ena, temos um tuguinha que vai resolver os problemas do 3° mundo, os quais foram gerados pelas grandes superpotências.
Que maravilha !
E é um fiho do Estado Social, olha se não fosse (não se perdia mesmo nada).
Para finalizar, qualquer pessoa com 2 dedos de testa, teria percebido que quando se mexe na merda, mais mal cheira!
O Sarkosy e seus muchachos derrubaram o Kadhafi, o Ben Ali e o Mubarak, sem pensarem que a merda se ia espalhar por toda a Europa.
Caro prof. o seu caso é idêntico, você é vítima da sua teoria, nada mais.

Pingos, pinceladas e pontos disse...

Huuuuummmmmmmmmmm...

Verbe être
Présent de l'Indicatif
Je suis
Tu es
Il est
Nous sommes
Vous êtes
Ils sont
...
Isabel Afonso

Green_Fashion disse...

E não é que no meio da figura de monstro que lhe pintaram, encontro um blog com alguma genialidade?

Já me apercebi que é assumidamente politicamente incorrecto.

Se deixasse cair essa aura do politicamente incorrecto tinha aí um exercício fantastico de economia e de cidadania.

A constituição de um estado de integração de cidadãos para a europa. com monitorização social, mas um lugar onde poderiam adquirir cidadania europeia, depois de terem um papel para serem integrados na europa. Acho genial.

Claro que tinha que ser um sistema em que as barreiras de ascensão fossem ultrapassaveis.

Unknown disse...

Só o colapso economico nos pode salvar.
Quanto mais depressa esta merda rebentar mais depressa os inertes dos povos acomodados ao estado social e a viver de dinheiro emprestado vao perceber que vao ter de esgravatar do chão minhocas e ervas se quiserem comer.
E aí se lhes aparecer um destes "migrantes" pela frente até o comem à dentada.
"eles" estão a tentar por todas as forças e mios que isto não rebente... mas isto TEM E VAI rebentar
Eu só espero é que ainda seja no meu tempo para eu gozar o prato !

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