terça-feira, 16 de junho de 2015

O sucesso dos últimos 4 anos

O Cavaco está com o gás todo.

O Ex.mo Sr. Presidente da República Portuguesa (o respeitinho fica bem) foi à Bulgária dizer que "há regras que não podem deixar de ser respeitadas, há procedimentos que todos têm de seguir e não podem ser abertas excepções para nenhum país" o que foi uma marretada de todo o tamanho na cabeça do Varoufakis (e na do nosso António Costa).
Mas será que os nossos últimos 4 anos foram mesmo de sucesso?
Aqui deixo a entrevista que dei a uma aluna de um curso pós-graduação em jornalismo (Sara Silva).
Um balanco do ajustamento da economia Portuguesa 2011-2015
14 de Junho 2015
Entre 2005 e 2011, 6 anos de governação socialista, a nossa economia viveu com um enorme desequilíbrio face ao exterior. Assim, neste período cada português endividou-se 150€/mês face ao exterior, uma família típica de 4 pessoas endividou-se em quase 45 mil €. Este endividamento entrou na nossa economia pelo défice público e pelo crédito bancário à habitação. Naturalmente que o endividamento massivo nos dava uma sensação de riqueza que não existia mas que era insustentável porque dependia de um crescente endividamento externo. Em 2011, tornou-se obrigatório dar inicio a um processo de ajustar da nossa economia que teve que passar pela adequação do nosso nível de consumo à nossa capacidade produtiva.
Decorridos 4 anos esse ajustamento foi um sucesso porque, começando com um défice externo de 150€/pessoa, no primeiro trimestre de 2015 a nossa economia conseguiu um superávite de 25€ por pessoa.
Tudo o resto que se discute na comunicação social como o ajustamento do défice público, as privatizações, a reforma da Segurança Social, apesar de mais apelativo, são marginais relativamente ao que era imprescindível fazer e que era o terminar do constante aumento do endividamento externo.
Será que havia alternativa ao ajustamento denominado por “Austeridade”? Não porque o financiamento externo acabou em meados de 2010. Se houvesse alternativas o Eng Sócrates não teria, em princípios de 2011, cortado em 10% os salários dos funcionários públicos nem o Prof. Teixeira dos Santos teria pedido ajuda às instituições europeias e ao FMI.
Fig. 1 – Evolução do nosso endividamento face ao exterior 2005:2015.
Acabou a entrevista.
O que irá agora acontecer à Grécia?
O Estado Grego vai deixar de pertencer à Zona Euro mas isso não quer dizer que os gregos deixem de pertencer. Tudo indica que vai ser adoptado um roteiro semelhante ao que eu sempre defendi (ver) acabando a Grécia no estado actual do Kosovo (circula lá o euro mas não têm voto no BCE nem a dívida pública do Kosovo é aceite como garantia).
Como vai ser o terceiro memorando.
1) As instituições europeias irão garantir, sem acordo do Estado Grego, que os depósitos bancários continuarão denominados em euros (no caso de um banco se tornar insolventes, até 100 mil €).  
2) O Estado terá que se amanhar como puder. Se quiser contratar mais funcionários públicos, subir pensões, abrir canais de televisão pública, etc., terá que arranjar forma de o pagar. Se quiser aumentar o Salário Mínimo para 50000€/mês, que aguente com os subsídios de desemprego como puder.
3) As dívidas do Estado Grego aos privados, hoje, a dívida a 10 anos está a ser transaccionada a 0,33 (por cada 1,00€ de dívida, as pessoas estão a aceitar 0,33€) o que traduz que vai arder na grande medida.
As dívidas às instituições vão ficar congeladas mas a capitalizar juros até um futuro em que a Grécia tenha mais condições de a pagar.
Estará a economia Grécia assim tão mal?
Não.
Realmente em 2008, a Grécia endividava-se face ao exterior em cerca de 15% do PIB (e nós em 10% do PIB) mas, desde meados de 2012, a sua economia está equilibrada face ao exterior (linha a vermelho da Fig. 2). Em 2013 tem um superávite de 0,6% do PIB e 0,9% do PIB em 2014 (Portugal teve 1,4% e 0,6%).
Assim, apesar de a Grécia ter uma taxa de desemprego muito elevada pela má cabeça de não quererem descer os salários nominais, o ajustamento face ao exterior foi um sucesso.

Fig. 2 – Evolução do endividamento grego face ao exterior 2005:2015 (a linha a vermelho traduz o equilíbrio).

A saída grega do Euro não será nenhuma catástrofe.
Como as contas com o exterior estão equilibradas, se o governo não seguir a ideia do Mugabe ou do Maduro de que o défice público e o salário mínimo resolvem os problemas da economia e que isso pode ser financiado pela emissão de moeda, não vai acontecer à Grécia nada de extraordinariamente mau.
E a nós, depois de uns dias de mar bravo, vamos voltar ao normal.

Pedro Cosme Vieira

2 comentários:

Carlos Neves disse...

Com a Grécia a ficar com o Euro a circular será previsível um efeito semelhante à dolarização da Argentina...

Fernando Gonçalves disse...

O nosso presidente fala em cumprir regras,quais delas?as que a França nem a Itália cumprem?A teimosia da Europa em não flexibilizar com a Grécia apesar de se verificar o desastre social(as contas nacionais são para quem?para a europa ou para a vida das pessoas?)das políticas seguidas,vai levar a consequências geopolíticas que não são insignificantes,mas compreendo que a Europa não queira recuar para não perder a razão,mas pronto,axo impressionante não emprestarem a taxas próximas de zero,só querem ganhar à custa dos devedores,como a Alemanha,que ganhou muito com isso.A Alemanha so quis que a ajudassem a ela quando estava na lona,enfim,é muito fácil seguir o Establishement da Europa,como faz o professor,só ver o lado dos credores.

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