segunda-feira, 1 de junho de 2015

O Syriza português (o PS) vai ganhar as eleições.

Os credores acreditam que, em Outubro, o Costa vai ganhar as eleições. 
Como toda a gente diz desde 2010, a nossa situação é idêntica à grega mas com um ano de atraso.
Pensando que isso é verdade olhei para a evolução das taxas de juro gregas. O que observei foi que, 4 meses antes do dia das eleições, as taxas de juro da dívida pública começaram a subir. Até meados de Setembro de 2014 a taxa de juros a 10 anos estava nos 6%/ano e subiu até os 11,3%/ano do dia das eleições, Desde essa altura, a taxa de juro tem oscilado em torno deste valor (ver Fig. 1).

Fig. 1 - Evolução das taxas de juro gregas a 10 anos nos meses anteriores à eleição do Syriza

E em Portugal?
Desde que os "12 Sábios do PS" apresentaram a sua estória da carochina a que chamaram "enquadramento macroeconómico para 2015-2019", as taxas de juro começaram a subir. Bem sei que me chamaram à atenção para o facto de também terem subido noutros países mas isso apenas traduz que a estória (juntamente com a Grécia) é um problema com impacto no Mundo.
Então, olhando para o gráfico das nossas taxas de juro a 10 anos, o padrão é o mesmo que observamos antes do Syriza ganhar o que indica que a maioria dos nossos credores acredita que o Syriza português (o PS do António Costa) vai ganhar as eleições legislativas de Outubro 2015.
A previsão é que no dia do anúncio dessa vitória, a nossa taxa de juro a 10 anos já esteja nos 3,8%/ano.

Fig. 2 - Evolução das taxas de juro portuguesas a 10 anos e previsão (minha) até ao dia das eleições

E o que traduzem esses 3,8%/ano?
É muito dinheiro.
Portugal deve aproximadamente 230 mil milhões €.
Se a taxa de juro voltar aos 1,7%/ano de Março/Abril 2015, o encargo com juros será de 3,9 mil milhões € por ano.
Se a taxa de juro passar para os 3,8%/ano (como o gráfico parece indicar), o encargo com juros salta para 8,7 mil milhões € por ano.
Para reduzirmos a dívida pública a 60% do PIB em 35 anos (-2pp/ano), uma taxa de juro de 1,7%/ano obriga a um superávite primário de 0.83% enquanto que uma taxa de juro de 3,8%/ano obriga a um superávite primário de 2.83%.

Serão mais 2% do PIB de austeridade, mais 19 mil milhões €.
O "fim da austeridade" anunciado pelo Syriza português vai obrigar, nos 4 anos do mandato, a mais 19 mil milhões € de austeridade que a "austeridade para além da Troika" do Passos Coelho + Portas.
Durante o mandato do Costa cada português vai ter que aguentar um "roubo" de 1900€.

E será que o povo aguenta?
Aguenta, aguenta, são só uns míseros cortes de 40€/mês em cada cabeça, 160€/mês numa família de 4 pessoas. 
E o Tribunal Constitucional até vai tecer rasgados elogios a esse cortes do Costa..

Pedro Cosme Vieira.

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