sexta-feira, 24 de julho de 2015

A Terra não é o Kepler-186f e Portugal não é a Grécia

Esta semana descobriram um planeta semelhante à Terra. 

É ligeiramente maior, um pouco mais velho, tem uma pressão atmosférica e uma gravidade um pouco superiores mas, em termos de potencial para ter seres vivos, é bastante semelhante com o nosso planeta.
Mas o que estão a pensar é "o que é que isso me interessa?"

O Universo é muito grande e vazio.
Esse planeta está a uma distância tal que se nós telefonássemos para um amigo desse planeta, só daqui a 1400 anos é que o telefone tocava e, a "pessoa" atendendo, só passados outros 1400 anos é que ouviríamos, "Está lá? És o meu amigo terráqueo?"
Imaginemo-nos há 1400 anos atrás, no ano 615 DC. Estaríamos hoje a receber na nossa caixa de correio os e-mails que alguém nos enviou "há segundos" e dos quais só receberia a nossa resposta no ano 3415 DC.

Fig. 1 - Menina, cuidado que vai ser atacada por um boobsucker, o ser vivo mais inteligente de Kepler-186f.

E se enviássemos uma nave a esse planeta?
Vamos imaginar que conseguíamos construir um foguetão que atingisse 1% da velocidade da Luz. Nesse caso, para enviar o meu carrito (com 875kg) a esse Kepler- 186f, seriam precisas, para uma eficiência de 25%, 1 milhão de toneladas de combustível líquido H2+O2.
Teríamos que fazer um foguetão com 70 metros de diâmetro e 700 metros de altura, o que seria "apenas" 350 vezes o tamanho do maior foguetão existente (10m de diâmetro e 100m de altura). Seria maior que o maior super-petroleiro jamais construído, metido ao alto e com o fogo aceso no Cartão Único.

Mas pronto, vamos imaginar que conseguíamos.
Se não houvesse curvas pelo caminho, o meu carrinho chegaria ao Kepler-186f no ano 142015 DC.
Nessa altura, "receberia" um telefonema a dizer "O teu carro chegou em ordem" mas que só ouviria no ano 143415 DC.

Vamos imaginar que os de lá ...
tinham "detectado" a nossa existência por causa das explosões nucleares de 1945.
Só daqui a 1330 anos é que, de facto, o clarão nuclear chega lá e, se nessa altura mandarem imediatamente um OVNI à velocidade da Luz, só chegarão cá no ano 4745 anos.

Fig. 2  - Realmente, não lhe interessa para nada terem descoberto o tal Kepler- 186f.

O discurso do Cavaco Silva.
Falou exactamente 10 minutos e quis dizer apenas duas coisas.
1) As eleições vão ser no dia 4 de Outubro o que, sendo feriado no dia 5 de Outubro, vai fazer com que quem se está nas tintas para as eleições não vá votar. Desta forma, na campanha eleitoral os partidos vão ter que convencer o eleitorado de que é fundamental ir votar.

2) Não vai dar posse a um governo que não tenha maioria absoluta no Parlamento.
O mais certo é que, no dia 4, a vitória seja por maioria relativa. 
Um partido terá no máximo 100 deputados (quando precisa de 116 para ter a tal maioria absoluta "exigida" pelo Cavaco) e o derrotado também andará ai próximo. 

Se ganhar o PSD+CDS.
O António Costa vai-se demitir e o Cavaco Silva vai convidar o Passos Coelho para formar um novo governo.
O PS vai encontrar fazer um congresso para eleger o novo líder, o que demora tempo, e depois começam as negociações.
O processo vai-se arrastar meses e meses.

Porque será que o António Costa ficou tão desagradado?
Porque o Costa sabe que vai ter uma vitória à moda do Seguro e, armando-se em cavaleiro valente, vai dizer que avançar com um governo minoritário.
O Cavaco até o pode convidar a formar governo mas, chegados os nomes à sua mesa sem os tais 116 deputados por trás, vai mandá-lo dar um volta. Vai ser o famoso "veto de gaveta": vai aguardando sentado.
Como o Costa é teimoso como um burro ou burro como um teimoso, o processo vai demorar meses e meses e o homem a grelhar.
Não sei o que vai fazer o Passos Coelho mas é provável que se mantenha à frente do PSD enquanto for Primeiro Ministro.

E no entretanto?
Vão pensar "ai meu Deus que vamos ficar meses e meses sem governo" mas não é nada de muito grave pois a Bélgica esteve 541 dias sem governo e não aconteceu grande mal ao Mundo (nem à Bélgica).
O Passos Coelho vai continuar a governar, certo que num governo de gestão e sem Orçamento de Estado (terá que governar em duodécimos).
Ter um governo de gestão não é em nada diferente de ter um governo em minoria que, a qualquer momento, pode cair com um Voto de Censura.

No entretanto, vem o Durão Barroso.
Em Janeiro de 2016 serão as eleições presidenciais.
Fontes bem colocadas disseram-me que o Durão Barroso se vai candidatar e que vai ganhar a Presidência da República. 
Podem pensar "mas isso não é possível saber porque só na Rússia e noutras tiranias é que se sabem os resultados das eleições antes destas acontecerem." 
Bem, como vivemos num país livre, cada um pode pensar o que quiser.
É certo que o Passos Coelho vai ficar lá até finais de Janeiro de 2016

Fig. 3 - Eu é que sou o verdadeiro candidato da Esquerda. À minha beira, comunista dos quatro costados do PCTP/MRPP, esse Póvoas e a de Belém não passam de meninos de coro.

Como foi a Execução Orçamental?
Para o Passos Coelho, está tudo a correr bem.

Dizem os esquedistas "Caiu tanto que agora só pode melhorar"
Mas na Grécia, onde a economia já tinha caído 27% (enquanto que nós caímos 7%), em 2015 vão cair mais 4% por causa das varofaquices.
Pode sempre cair mais e Portugal está a subir, está a aumentar o PIB, a diminuir o desemprego, o défice público está a cair.

O défice público.
Se não contarmos com os juros, no primeiro semestre houve um saldo positivo de quase 560 milhões de euros que ainda é um valor pequenino (0,65% do PIB) mas que já não se conseguia há muitos anos.
Depois, juntando os juros, o DP desceu um bocadinho (desceu 390 milhões €, 0,5% do PIB) relativamente a 2014. ainda está bastante longe dos 2,7% mas está a descer aos pouquinhos, estamos num ajustamento "com mais tempo e mais dinheiro".
Os juros é muito dinheiro (4506 milhões €, 45€ por cada português) mas é o custo a pagar pelos défices socialistas do Guterres e do Sócrates. Além disso, esses governantes endividaram o Estado com taxas de juro muito elevadas (a nossa taxa de juro média está na ordem dos 4,1%/ano quando, hoje no mercado, está nos 2,5%/ano).
Por este andar, vamos ficar acima dos 3% mas não é possível em ano de eleições fazer melhor. E a Sr. Schauble já disse que podia ser assim.

Afinal, a Austeridade acabou.
É que a despesa pública aumentou (ligeiramente) o que traduz que "o fim da Austeridade" prometida pelo PS já está a acontecer com o CDS+PSD.

E o que tem a Grécia a ver com Portugal?
Nada.
Na Grécia continuam em discussões do "isto não funciona" enquanto deseperam pelo terceiro resgate e, no entretanto, a economia vai caindo e o desemprego aumentado.
É esse o caminho de pressão junto das instituições defendido pelo António Costa.
E, no fim, além da queda do PIB e o crescimento do desemprego, virá mais austeridade.

Fig. 4 - Se o Tsipras dissesse como o Passos Coelho disse "Adoro as medidas da Troika, vou tomar disto ao pequeno almoço, almoço e jantar" talvez a taxa de juro grega descesse dos actuais 11,5%/ano para os 2,5%/ano de Portugal.

Pedro Cosme Vieira

2 comentários:

Chilavert disse...

Professor só uma correcção:
Nos 7 anos de Governação de Guterres a divida publica desceu dos 60% para 50% do PIB.

Apesar de ter sido co responsavel junto com o actual Presidente da Republica por ter permitido o desmantelamento de grande parte do nosso aparelho produtivo(que tanta falta faz hoje em dia), no particular da divida não tem quaisquer responsabilidades.

Rodolfo disse...

Outra correcção: Os satélites não gastam tanto combustível nas viagens interplanetárias (basicamente usam um sistema que 'rouba' energia de rotação às planetas e assim aceleram). E os que vão para bastante longe usam energia nuclear como fonte de energia para funcionarem, como o último que foi para Plutão.

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