terça-feira, 21 de julho de 2015

Os taxistas têm os dias contados

Hoje vou falar dos selfcars e das sondagens para as legislativas.

Dentro de 5 anos, a profissão de taxista vai desaparecer.

Nos últimos tempos uma empresa, a UBER, apareceu no mercado de transportes públicos de passageiros em concorrência com os Táxis. Mediante uma aplicação de telemóvel, o passageiro contrata o aluguer de um carro qualquer que não tem licença para transportar passageiros.
Naturalmente, como a actividade de transporte de passageiros obriga a haver um alvará, a actividade da UBER tem sido repetidamente declarada ilegal.


Qual será a lógica de os Táxis não serem livres?
Vamos supor que existe uma empresa com capacidade para produzir 1000 unidades por dia de um determinado produto e que actualmente apenas consegue vender 800 unidades por dia.
O lógico será pensar que, como esta empresa ainda tem capacidade disponível, em termos económicos o eficiente será o Estado proibir que possam aparecer outras empresas.
Mas isso não corresponde à verdade por duas razões:
1 => Vende apenas 800 unidades por dia porque o preço é muito elevado. Havendo mais empresas, o preço vai diminuir e a quantidade procurada aumentar.
2 => Havendo empresas em concorrência, como o preço é menor, cada uma vai ter que arranjar formas mais eficientes (com custo menor) de produzir e também inovar na qualidade do produto.

Fig. 1  - Are you talkin' to me?


O monopólio.
A falta de concorrência (o monopólio) é bom para quem vende mas mau para quem compra.
Naturalmente, para os actuais taxistas o bom é que haja o mínimo possível de concorrência.


Fazendo uma pequena conta, dá 0,40€/km.
Em termos de custos, temos:
1) Em combustível são aproximadamente 0,08€/km (7l/100km a 1,12€/l).
2) Em veículo são aproximadamente 0,08€/km (20mil€ a amortizar em 250milkm)
3) Em manutenção e seguro são mais 0,04€/km.
Considerando que apenas metade dos quilómetros são pagos (todas as viagens são se retorno), dá 0,40€/km.
A tarifa dos táxis urbana são 3,25€ mais 0,47€/km o que, para um trajecto de 5km, dá 1,12€/km.
A tarifa não urbana são 3,25€ mais 0.94€/km o que, num trajecto de 10km, dá 1,27€/km.
Então, em média, no que pagamos pelo táxi, cerca de 2/3 são para remunerar coisas que não o custo do serviço.


Hoje estive a falar com um taxista.
O Adriano é meu colega de judo. Tem 61 anos mas disse-me hoje que trabalha 13h/dia (das 8 da manhã às 10 da noite com intervalo de 1 h para almoço) excepto nos dias em que tem judo em que só trabalha 9 horas.
Mas o importante que soube, no Porto os taxistas trabalham à comissão de 40% (reformados) ou 35% (mais os descontos para a Segurança Social).
Então, numa corrida urbana de 5km,
Preço => 5,60€
     Custo em combustível e veículo => 2,00€ (36%)
     Motorista => 2,24€
     IVA => 0,34€
     Lucro resultante do alvará => 1,00€


Não são precisos mais táxis porque pouca gente anda de táxi.
Mas se houver muita concorrência, a tarifa vai descer aproximando-se do preço de custo.
Imaginemos que a tarifa desce para qualquer coisa na ordem dos 0,40€/km (sem retorno). Por exemplo, 4 pessoas num percurso de 10km (sem retorno), cada uma terá que pagar 0,50€.
Neste caso, o número de clientes irá aumentar substancialmente porque este preço é competitivo com transportes públicos mais massificados (autocarro, metro e comboio). 
Penso mesmo que muitas pessoas deixarão de ter automóvel próprio.


Mas não é a UBER que vai acabar com a profissão de taxista.
Pois a própria UBER também vai acabar pois apenas existe enquanto o aluguer de carros para transporte de passageiros for ilegal.
Quando esta proibição acabar, vão surgir milhares de empresas a replicar o modelo de negócio da UBER o que fará diminuir a margem de lucro até zero.


O "problema" é o selfcar (o nome é proposto por mim).
O self-driving car da Google (ver) são micro-carros que andam por sua conta e risco e que têm apenas 2 botões, um pequenino (branco) e um grande (vermelho).
A vantagem deste design (e não a adaptação de outro veículo qualquer) é que tem tem uma visão de 360º (diz a Google que será melhor de controlar).
A pessoa diz para onde quer ir, carrega no botão branco, e o veículo segue caminho a uma velocidade máxima de 40km/h.
Em caso de emergência, a pessoa carrega no botão vermelho e o carro pára.

Fig. 2 . O self-driving-car da google tem capacidade para 2 pessoas à larga


Dentro de 5 anos, já os veremos na estrada.
Esta tecnologia tem tanto potencial que existe um "livro branco" sobre o impacto que terá na sociedade americana.
Os principais impactos vão ser:

1) Diminuição dos acidentes.
Tem o potencial para reduzir os acidentes automóveis em mais de 90%.
Nos USA há 5,5 milhões de acidentes por ano dos quais resultam mais de 30 mil mortes e um prejuízo correspondente a 2% do PIB.
Como 93% dos acidentes são devidos a falha humana, o uso de sensores e computadores com menos falhas que a distracção humana, poderá haver uma redução na sinistralidade em mais de 90%.


2) Diminuição do congestionamento e do consumo de combustível
Como vai ser possível a interpretação automática da informação fornecida pelo outros veículos, os selfies poderão circular mais próximos duplicando a actual capacidade de tráfego das estradas.


3) Diminuição do número de veículos.
Nas horas de ponta, altura em que mais veículos circulam, só 1 em cada 6 veículos é que está a ser utilizado (diz o tal Livro Branco). Como os selfcars podem ser partilhados, haverá menos necessidade de veículos.


O Livro Branco traça um cenário em que poderá vir a haver 115 milhões de selfcars a circular só nos USA.


Como vão funcionar os selfcars.
Vai haver um mercado tipo bolsa com negociação electrónica.
Os donos dos selfcars registam-se no mercado que será um computador.
O computador vai receber pedidos dos passageiros, encaminha-as para os selfcars, recebe deles propostas (preços), re-envia-as para os viajantes que escolhem uma das propostas.


A intermediação será feita pelo telemóvel.
1) Entramos numa aplicação do telemóvel que acede ao computador que materializa a "bolsa de selfcars" e dizemos onde estamos e para onde queremos ir (usamos as coordenadas no GPS).

2) A "bolsa" comunica com os selfcars e os que quiserem (os mais próximos) enviam intantaneamente a sua proposta de preço e a localização de volta à "bolsa".
Cada selfcar terá uma regra definido pelo seu proprietário, por exemplo, "0,30€ por quilómetros percorridos desde onde está o selfcar até ao local de destino passando pelo local de recolha do passageiro mais 0.50€".

3) A "bolsa" organiza as propostas, calcula o tempo de espera e envia a informação ao passageiro.

4) O passageiros escolhe de todas as propostas a que considerar como a melhor oferta e carrega na tecla correspondente do telemóvel para dizer qual a proposta que aceita.

5) O computador diz ao selfcar escolhido que o negócio foi aceite e este arranca para o local de recolha do passageiro.

6) O preço é descontado da conta do passageiro.

 Fig. 3 - Carrego na tecla 2 e, passados 3 minutos, chega o meu selfcar pelo qual vou pagar 1,49€

Também haverá excursões em que os Super-Dragões pedem 1000 selfcars para irem ver um jogo de futebol a Guimarães.


Qualquer pessoa poderá ter um selfcar.
E tanto poderá te-lo na garagem para uso exclusivo como poderá lançá-lo para o mercado à procura de passageiros.
No mercado haverá pessoas que têm um selfcar e empresas que têm centenas ou milhares de selfcars.

Agora as legislativas.
Peguei nas sondagens todas que existem por ai e juntei-as numa folha de Excel.
Aquilo oscila um pouco mas, em termos de tendência central, a coisa está bastante estacionária o PS nos 37,2% e o PSD+CDS nos 32%.
Posso mesmo afirmar que, se fossem agora as eleições, o PS teria 98 deputados e o PSD+CDS 84 deputados.
Assim, parece que, ganhando o PS, vamos ter um governo à Tsipras, o António Costa a governar com o apoio do PSD + CDS e metade do PS (a ala mais direita).


Fig. 4 -Meta análise baseada nas sondagens publicadas (ver)

Pedro Cosme Vieira

1 comentários:

Lura do Grilo disse...

Em Venezuela, há muitos anos (mais de 30) o táxi deslocava-se num percurso escolhido pelo taxista e ia recolhendo e deixando passageiros neste percurso: não havia o luxo de um táxi para uma pessoa e qualquer pobre tinha sempre transporte.

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