quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Hoje vou responder à questão do José Rodrigues dos Santos

No Telejornal de hoje o JRS colocou uma questão. 
O INE diz que a taxa de desemprego sido em termos mensais foi de
    Abril 2015 => 12,8%
    Maio 2015 => 12,4%
    Junho 2015 =>  12,4%
Então, a taxa de desemprego no 2.º trimestre de 2015 deveria ser (12,8%+12,4%+12,4%)/3 = 12,5%.
Então, como é possível o INE ter anunciou para o 2T2015 uma taxa de desemprego de 11,9%?

Primeiro. 
Os 12,8%+12,4%+12,4% são taxa "corrigidas" da sazonalidade. Os dados "verdadeiros" são:
    Abril 2015 => 12,9%
    Maio 2015 => 12,1%
    Junho 2015 =>  12,0%
Então, deveria dar (12,9%+12,1%+12,0%)/3 = 12,3% (e não 11,9%)!

Segundo.
A taxa trimestral não é obtida pela média dos 3 meses mas é o valor do meio do intervalo.
Então, deveria ser 12,1% (e não 11,9% mas já estamos muito próximo).

Terceiro.
A diferença de 0,2 décimas vem da metodologia do cálculo da população activa.
O número de pessoas desempregadas é "observado" mensalmente mas a População Activa só é "observada" a cada trimestre.
Desta forma, a população activa mensal não é a mesma da população activa trimestral.
No caso, a população activa mensal é estimada como sendo (série não publicada pelo INE)
    Abril 2015 => 5128 milhares
    Maio 2015 => 5127 milhares
    Junho 2015 =>  5108 milhares
Cuja média dá (5128 + 5127 + 5108)/3 = 5121 milhares
Mas, em termos trimestrais, a população activa é estimada como sendo 5201,2 milhares
Como pela metodologia trimestral é estimado que existem mais pessoas activas (+1,6%), a taxa de desemprego vem diminuída nesta proporção:
  12,1%/(1+1,6%) =11,9%

Voila, como viste, não é nenhum bicho de 7 cabeças.

Mas o que é a taxa de desemprego?
Os esquerdistas pensam que uma taxa de desemprego de, por exemplo, 11,9% que dizer exactamente que em cada 100 pessoas activas, exactamente 119 estão à procura de emprego mas não é nada disso.
Isto tem a ver com uma teoria económica.

Vamos à teoria.
Vamos supor que continuamente há pessoa que perdem o seu emprego porque:
1) A empresa despede-o porque pensa que o salário pago é maior do que o trabalhador merece.
2) O trabalhador despede-se porque o salário que recebem é menor que o trabalhador pensa merecer.
Depois de estar no desemprego, o trabalhador começa a procurar um novo emprego e a empresa um novo trabalhador.
Porque o trabalhador não encontra imediatamente o emprego que quer e a empresa não encontra imediatamente o trabalhador que procura, o processo de ajustamento vai demorar tempo, são areias na engrenagem do mercado.

É um sistema de procura duplo.
Se só acompanhamos a taxa de desemprego é porque a "taxa de lugares vagos" contém a mesma informação que a "taxa de desemprego" e há mais trabalhadores que empregadores.

O que traduz a taxa de desemprego.
É uma estatística que, em média, anda nos 7%.
Quando vem uma crise, aumentam os despedimentos porque as empresas têm que se ajustar à nova realidade económica. Os esquerdistas chamam a isto (no governo do Passos Coelho) destruição de emprego
Diz o Galamba que aquela perda de 320 mil empregos que as estatísticas mostram no tempo do Sócrates não foi destruição de emprego! chamam-lhe antes reestruturação da economia!
Então, motivado pela "areia na engrenagem" a taxa de desemprego fica acima dos 7%.
Quando a economia melhora, a taxa de desemprego começa a descer.

É só isso.
É um bocado como o indicador de combustível do nosso carro.
Se o depósito leva 32 litros, quando fizemos 350 km e o depósito indica 1/2 não quer dizer que podemos fazer mais 35km com a gasolina que temos no depósito mas apenas que temos menos gasolina que quando marcava 3/4.
É uma medida aproximada para a realidade de termos mais ou menos combustível no depósito.
A taxa de desemprego é uma estatística que, juntamente com o PIB, as exportações, as taxas de juro, a actividade turística, etc., dá aos agentes económicos informação sobre o evoluir da economia.

E o número em concreto?
Oh pá, não quer dizer nada.
Os esquerdistas andam muito aflitos com a taxa de desemprego ser 11,9% ou 12,1% mas não vale a pena porque essa diferença não traduz nada de significativo.
Será como termos o colesterol a 189 ou a 195, não dá nada de diferente.
O que interessa é a evolução em grandes números.
Em Janeiro de 2013 estava a taxa de desemprego em 17,9% e chegamos a Junho de 2015 com 12,0%, menos 3 centenas de milhar de desempregados.
O que interessa é a magnitude na ordem das centenas de milhar de desempregados e não nas décimas, no Ti coiso estar desempregado ou 10 mil que estão a estagiar, isso é tentar vender banha da cobra.

Um abraço Zé e obrigado por me teres citado num dos teus livros.

Pedro Cosme Vieira

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