terça-feira, 25 de agosto de 2015

O António Costa e a extinção dos dinosauros

O quê?

Vai já começar por dizer que só posso estar (eu, o autor indeterminado deste texto) maluco talvez por ter apanhado muito sol na cabecinha. É que não é possível a uma pessoa no seu juizo perfeito encontrar uma ligação entre o António Costa, aquele que ainda há uns meses todos pensávamos que seria, em Outubro, o Primeiro Ministro do XX Governo Constitucional, e a extinção dos dinaussauros, 65 milhões antes de Cristo.

A questão dos Dinossauros.
Baseado na ideia de que, algures no passado, Deus tinha criado todos os seres vivos de uma só vez, tornava-se difícil compreender o porquê de existirem ossos enormes espalhados um pouco por todo o Mundo. O mais certo era que esses enormes animais, por não caberem na Arca que o Noé construiu, morreram na Grande Inundação dos tempos bíblicos.
Com a Teoria da Evolução das Espécies de Darwing de 1859 (ver), começou-se a entranhar a ideia que a vida começou num caldo de moléculas orgânicas que evoluíram ao longo de mais de mil milhões de anos. 
Nesse mundo pré-biótico, as moléculas orgânicas, uma vez formadas, nunca mais seriam destruídas porque, por um lado, não havia oxigénio que as oxidasse e, por outro lado, não havia seres vivos que as metabolizassem. Então, formadas por descargas eléctricas, foram-se acumulando nos oceanos e evoluindo (como o vinho dentro da garrafa) e, num processo que durou quase dois mil de milhões de anos, apareceram primeiro as proteínas autoreprodutivas (os priões como o que causa a Doença de Alzheimer), depois as proteínas RNA e DNA (os vírus) e, finalmente, células. 
A partir das células, a vida explodiu dando origem por evolução a toda a multiplicidade de seres vivos que existem e que existiram.

Os animais apareceram e desapareceram.
A Ciência não quer chegar a acordo sobre as causas da extinção dos dinausauros porque a explicação é muito simples: os animais foram evoluindo, apareceram animais mais competitivos e os que existiam, acabaram por desaparecer.
É como as empresas. Se olharmos para, por exemplo, os Bancos, nos últimos 10 anos desapareceram o BPP, o BPN e o BES enquanto que outros se mantiveram vivos. E o BPN até evoluiu para o BIC e o BES para o Novo Banco.
Claro que podemos pensar que foi um cataclismo (a Crise do Subprime) que levou à morte do BPP, BPN e BES, mas não foi nada disso. 
Será como dizer que, porque a grande maioria das pessoas morre deitada, a principal causa da morte é as pessoas terem a mania de se deitar. 

O meteoro.
Exactamente. As pessoas querem acontecimentos dramáticos, um meteoro com 10 km de diâmetro que atinge a Terra a alta velocidade, libertando a energia de mil milhões de bombas atómicas de Hiroxima.
Claro que cair-nos em cima da cabeça uma calhau com 10 km de diâmetro era capaz de fazer muitos estragos, mas, comparando com a Terra, não passaria de um tiro de pressão de ar contra um elefante.

Fig. 1 - Um meteoro com 100 km de diâmetro, com um volume 1000 vezes maior que o meteoro que dizem que levou à extinção dos dinausauros, em comparação com a Terra que tem 12742 km de diâmetro é apenas aquele pontinho amarelo no canto superior esquerdo.

A velocidade do meteoro.
Se um corpo for deixado livre nos confins do Sistema Solar, irá atingir a Terra com uma velocidade de 42,1 km/s. Imaginando que o meteoro já vinha a passear pelo espaço com alguma velocidade e que, por causa da gravidade, foi acelerando rumo à Terra onde chegou à velocidade de 50km/s.
Imaginando um densidade média de 6kg/dm3, o meteoro de 10km de diâmetro teria 3,14E25 J de energia cinética.
Para termos ideia desta quantidade de energia, daria para cobrir todo o planeta com bombas atómicas idênticas à de Hiroxima distantes umas das outras 3,2m (500 mil milhões de bombas atómicas).
Lembrando os danos que houve em Hiroxima, com uma dessas bombas a cada 3,2m, naturalmente, tudo o que havia à superfície da Terra seria aniquilado.

O problema é que o meteoro colidiu num só ponto da terra.
Na figura 1 mostro graficamente um meteoro com 100 km de diâmetro. Pela desproporção já ficamos a imaginar que o dano não poderia ser nada parecido com o explodir de uma bomba atómica a cada 3,2m!
Imaginemos o meteoro a chegar à Terra a 50km/s.
Demoraria 0,2 segundo a atravessar a atmosfera pelo que o ar não teria possibilidade de escapar. A pressão seria tal que o ar solidificaria à frente do meteoro.
Depois, chegaria ao Mar (muito mais provável que cair em terra sólida) que, com uma profundidade de 5 km, demoraria 0,1 segundos a ser atravessado. Naturalmente, a água à frente do meteoro não teria tempo para escapar comportando-se também como um sólido. Depois, a rocha seria recortada como quando uma bala de alta velocidade atinge um elefante, fica só um furinho.
Então o meteoro, o ar e a água solidificados à sua frente e a rocha recortada seriam injectados para o interior da Terra à velocidade de 50km/s.

O vento, o tsunami e o vulcão.
Ao contrário do que se poderia imaginar à partida, o meteoro vai causar um vácuo na atmosfera, no mar e na crusta mas de dimensão nada comparável com a multiplicação de um explosão nuclear por 500 mil milhões de vezes.
E só haveria um vulcão de grandes dimensões se o interior da Terra estivesse pressurizado, o que não é o caso. Por esse furo com 10 km de diâmetro e muitos quilómetros de profundidade seria inicialmente preenchido com água do mar e, depois, lentamente, o magma iria subir até atingir o fundo do mar.

E o que aconteceu à energia?
Dissipou-se no interior da Terra e, por isso, dizem os catastrofistas que o interior da Terra aqueceu o que levou ao aparecimento de vulcões por toda a Terra.
A Terra tem 5,972E24kg de massa. 
Para elevar a temperatura do Basalto um ºC são necessários 840J por kg.
Então, enfiada a energia do meteoro no interior da Terra, enfiadas as 500 mil milhões de bombas atómica pelo c... acima da Terra, o seu interior iria aumentar a sua temperatura em 0,006ºC.
Isso não me parece nada significativo.

Aviso que.
Ninguém faz ideia do que aconteceria se um corpo com 10km de diâmetro chocasse a 50km/s contra a Terra.
É certo que a atmosfera se comprimiria até ficar sólida (os 10 km de ar ficariam compactados em 10 m de ar sólido) e a água do mar também ficaria sólida. Mas, depois, o meteoro teria que comprimir um volume dentro da Terra capaz de o acomudar a uma velocidade de 150 vezes a velocidade do som.
Ninguém sabe como tal seria possível de acontecer.
Até poderia acontecer que, tal como no bilhar, o meteoro fosse devolvido ao Espaço à mesma velocidade com que chocou na Terra, fazendo ricochete.

Não se imagina.
Nem ninguém quer saber porque o que interessa é um acontecimento espectacular, justificar a crise grega com a Sr. Merkel, a nossa Austeridade com o Passos Coelho, a falência do BPP, do BPN ou do BES com a acção de um homem qualquer.

O António Costa é o Meteoro da política.
Quando em 25 de Maio de 2014, o PS ganhou as eleições europeias com 31,46% e o PSD+PP tiveram 27,21%, um avanço de 4,25 pontos percentuais, o Seguro bem gritou que foi uma grande vitória mas, o António Costa, veio logo dizer que "foi poucochinho."
Então, dizendo 
"Estou naturalmente disponível para liderar" o PS e "garantir um Governo sólido em Portugal" (Jornal de Negócios), 
toda a gente pensou que estava a chegar o meteoro que iria levar à extinção do governo do Pedro Passos Coelho e do Paulo Portas.
Mas a questão que se coloca hoje é que o Meteoro Costa, enquanto acontecimento espectacular, causou dano nas cabeças em que caiu em cima, na do Seguro e dos seus aliados, excluindos das listas para deputados mas, de facto, foi muito poucochinho, os tais 0,006ºC, para levar à extinção do governo Passos+Portas.

O que dizem as sondagens?
Juntando todas as sondagens publicadas desde que o António Costa assumiu a liderança do PS, em média, o PS consegue 2,4 pontos percentuais acima do PSD e a tendência é de diminuição ligeira.
Em Novembro a diferença estava próxima dos 3 pontos percentuais mas tem-se reduzido e já esta nos 2 pontos percentuais.
Apanhasse o meteoro ter hoje o poucochinho do Seguro, os tais 4,25 pontos percentuais de vantagem face ao PSD+PP.

Fig. 2 - Diferença entre o PS e o PSD depois de o António Costa assumir-se chefe do PS (dados: legislativas2015)

Até pode ser.
Que no dia 4 de Outubro, quando sairem os resultados, o Costa seja devolvido à mesma velocidade com que entrou para liderar o PS.

A gajas boas.
Para quem está de férias, não vale a pena eu meter aqui fotografias de gajas boas quando têm ai milhares de milhões à mão de semear.
Esta comparação com a mão não foi muito feliz.

Fig. 3 - Esta bonita senhora veio da Líbia, de papo virado para o ar, a dar aos braços e com 350 refugiados em cima!
Por falar nos refugiados.
Se, como está previsto, entrarem este ano 1,2 milhões de refugiados na Europa Ocidental, como Portugal tem direito a 3,52%, vamos receber 39000.
Se imaginarmos que temos 70 mil cidadãos portugueses de etnia Roma (i.e., ciganos) ... que são tão mal tratados ...

Estive a fazer um estudo.
Como devem saber, tive problemas no meu emprego na Universidade do Porto porque, contrariamente a todos os outros seres humanos do Mundo, dizem que eu sou racista, o único.
Então, estive a fazer um pequeno estudo.
A Universidade do Porto tem 31 mil alunos. Se houvesse integração e um esforço para abraçar as nossas minorias étnicas, teria que ter 0,7% de ciganos, 217 alunos.
Imaginam quantos alunos ciganos frequentam a Universidade do Porto?
E professores ciganos?

Tudo a ZERO.
A única pessoa que pode, com alguma imaginação, cair na classe do cigano, sou eu.
Imaginam se o Magnífico Reitor, a Comissão de Ética, os Conselhos Pedagógicos ou Científicos, os Directores de Escolas se preocupam ou preocuparam alguma vez com isso?
"Eles não querem." Eles, querem dizer, o ciganos.
Foram muitas vezes muitas pessoas visitar colégios particulares mas pensam que alguma vez foi feita uma visita a um acampamento cigano ou foi organizado o "dia aberto ao cigano" no sentido de cativar potenciais alunos dessa etnia para frequentar a Universidade do Porto?
NUNCA.
Mas não são nada, nada, mesmo nada racistas.

Mas é fácil resolver o problema dos 39000.
O Bloco de Esquerda tem 6830 membros, cada um vai receber 6 em sua casa (ou talvez, por serem esquerdistas verdadeiros, recebem-nos na barraca onde vivem) e já está o problema resolvido.
Até podem meter os 6 a dormir na mesma cama que eles são magrinhos.

Pedro Cosme Vieira

3 comentários:

Lura do Grilo disse...

Não fiz as contas para confirmar mas julgo que a velocidade não seria 50 km/h mas sim cerca de 12 km/s (a velocidade de escape).

José José disse...

Há quem partilhe a sua opinião de que o meteorito ou asteróide que caiu em Chicxulub não causou o extinção dos dinossauros. Uma das investigadoras que mais se distinguiu nessa tese é a Gerta Kellen. Se tiver curiosidade pode ler umas coisas muito interessantes aqui:
http://massextinction.princeton.edu/chicxulub/12-conclusions-%E2%80%93-based-30-years-research
Mas o que é que aconteceu para isso ter sucedido? Bom para além da sugestão que ela dá, há outras... Uma delas é a propagação de doenças feita através dos insectos (e naquela altura havia uns bem grandes). Há um livro muito engraçado (pelo menos na minha modesta opinião) sobre isso: What Bugged the Dinosaurs? Insects, Disease, and Death in the Cretaceous; George Poinar, Jr. & Roberta Poinar.
Vem isto a propósito de - para mim - o António Costa se parecer mais uma mosca verde, já naquela altura do Outono que faz adivinhar o Inverno, do que um corpo celeste...
Quanto aos migrantes a solução de os entregar à guarda dos rapazes e raparigas do BE parece-me boa. Como não vale a pena sobrecarregá-los, julgo que no denominador podíamos adicionar mais uns socialistas tipo Galamba e afins, mais uns pseudo-humoristas, e baixar o número para 4 por «voluntário de acolhimento».
E se os marcianos vierem à Terra e trouxerem alguns dinossauros com eles, tenho a certeza que serão alunos a quem será mais fácil transmitir conhecimentos, do que aos meninos do turbante que nos tocarem em sorte.
Aproveito para agradecer que não tenha deixado de escrever quando o quiseram amordaçar, e manifestar-lhe que gosto muito da forma humorística mas rigorosa, como fala de Economia no seu blog.

Económico-Financeiro disse...

Estimado Grilo,
A velocidade de escape da Terra é de 11,2 km/s mas a velocidade de escape do Sol de um corpo que está à superfície da Terra é de 42,1 km/s.
Os 50 km/s é um valor limite superior sendo que o mínimo seriam na ordem dos 12km/s.
Obrigado pelos comentários,
pcv

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