quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O embate Passos Coelho Vs António Costa

Eu queria que o Passos esmagasse o Costa.

Quando vemos um debate televisivo sobre futebol, todos nós queremos que a pessoa que defende o nosso clube do coração consiga arrasar a concorrência.
Também ontem, porque estou totalmente convencido de que o Passos Coelho é a pessoa certa para liderar o próximo governo, muito mais do que estava em 2011, queria que o António Costa saísse de lá de gatas.
Mas, pensando bem, não interessam os resultados dos debates, o que interessa são os golos e as vitórias, chegar ao fim do campeonato com mais pontos que a concorrência.
Também no debate de ontem, em termos eleitorais, não interessa se o Costa gaguejou muito ou pouco, se os números estavam certo ou errados, se o Passos Coelho foi brando ou bravo. O que interessa é que no próximo dia 4 de Outubro o PSD+PP tenha mais votos que o PS.
 
Lembram-se de quando o Benfica precisava de empatar no Dragão?
Não podia cometer erros defensivos e, porque cometeu um, perdeu o campeonato.
As últimas sondagens dizem que o PSD+PP está 5,6 pontos à frente do PS (ver, Aximage), o PSD+PP com 38,9% e o PS com 33,3%, o que, a concretizar-se, implica que o PSD+PP vai ter mais 15 deputados que o PS (e menos 14 que a maioria absoluta).
Então, no debate, o Passos também só precisava de empatar, manter a solidez defensiva sem cometer nenhum erro.
 
Fig. 1 - E, ao minuto 92, Jesus ajoelhou.
 
Como fazem nos países desenvolvidos.
Houve quase unanimidade nos comentadores da TV de que o Costa foi o vencedor do debate mas isso não interessa para nada. Nos países desenvolvidos, depois do debate fazem uma sondagem onde perguntam "Em função do que viu no debate, mudou a sua intenção de voto?"
Aqui, como somo parolos, ficamo-nos pelos comentadores como se fossem oráculos.
 
O que seria uma derrota do Passos?
Hoje circular uma frase bombástica do estilo "Passos Coelho vai cortar Pensões em 1000 milhões €".
Dando uma volta pelos jornais, não vemos nada, não houve nenhuma frase em que os esquerdistas se pudessem agarrar.
Público = "Passos defende obra feita, Costa ataca com programa do PS"
DN = "Debate com Passos volta a dar rumo a Costa"
JN = "Sete educadoras em tribunal por maltratarem crianças"  e, com menos destaque, "Muito passado pouco futuro"
CM = "Lula convence Sócrates nos milhões da PT" e, com menos destaque, "Costa bate passos no debate"
Jornal i = "E o grande vencedor do debate foi Sócrates"
Destak = "Comprometidos"
 
O Passos Coelho tinha uma mensagem.
O PS de 2015 é o mesmo PS de 2005-2011, com as mesmas políticas e as mesmas caras, e isso já sabemos no que dá, vai-nos levar novamente à bancarrota.
 
O Costa teve que jogar à defesa.
O PS de agora é diferente do PS de 2005-2011.
O nosso programa de governo foi feito por 12 sábios.
 
Mas meteu os pés pelas mãos
O PSD é que chamou a TROIKA.
 
E esticou-se numa ideia errada
Eu amortizei dívida na Câmara de Lisboa.
 
O Passos contra-atacou.
1-O António Costa, apesar de ser contra a privatização da ANA, vem dizer que amortizou dívida da Câmara quando isso só foi possível porque recebeu 260 milhões € exactamente da privatização da ANA.
2-Olhe que não, olhe que não, quem chamou a Troika foi o Teixeira dos Santos e o Catroga só falou 1 hora com eles.
 
Acabou tudo empatado.
Penso eu mas não sei se houve algum efeito no eleitorado. E nesse caso, mantém-se a sondagem que dá o PSD+PP à frente nas intenções de voto. Exactamente, se a tendência tem sido de perda da vantagem do PS, na última semana, a coisa afundou e o PSD+PP passou a ter uma vantagem de 15 deputados.
 
Fig. 2 - Evolução da diferença nas intenções de voto entre o PS e o PSD (ver, dados de origem)
 
Os efeitos podem ter sido de vários tipos
Mudanças de um voto (entre os 2 partidos)
    Ia votar  => Vai votar
             PS => PSD+PP
   PSD+PP => PS
 
Mudanças de meio voto (de e para a abstenção ou para os micro partidos sem acento parlamentar).
    Ia votar  => Vai votar
             Nada => PSD+PP
        PSD+PP=> Nada
             Nada => PS
            PS => Nada
 
Mudanças de um quarto de voto (de e para um mini-partido, CDU e BE).
    Ia votar  => Vai votar
             Mini => PSD+PP
        PSD+PP=> mini
             Mini => PS
            PS => Mini
 
Mas, como não sou oráculo, não sei dizer se existiram.
 
O PSD+PP só precisa de ganhar por um voto.
Sendo que a maioria absoluta parece impossível, será suficiente o PSD+PP ter mais um voto que o PS porque o PS não vai conseguir formar governo com o PCP nem com o BE e os outros não vão ter deputados.
Ganhando o PSD+PP com 96 deputados e o PS com 95 deputados, o PS entra em confusão total, o Costa demite-se e arranjam muito provavelmente o Assis para secretário geral. Nessa altura, vai ser possível arranjar um governo encabeçado pelo Passos Coelho com apoio parlamentar de parte do PS e pensado para dois anitos.
Depois, entre outubro de 2017, teremos a "segunda volta" das eleições.
 
Fig. 3 - Jogar para o empate porque não é preciso melhorar nada, basta que fique tudo como está.
 
Pedro Cosme Vieira

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