quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A sequela Costa - Seguro

O que vemos hoje entre Costa e Passos Coelho já aconteceu entre Costa e Seguro. 

Em 29 de Janeiro de 2013 o DN anunciava que "o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, será candidato a Lisboa e à liderança do PS" (ver, DN). 
O Seguro acabou por aceitar e cumprir tudo o que o Costa lhe impôs (ladrar mais) e este recuou um pouco para, pouco mais de um ano depois, o Costa lhe meter uma facada nas costas com a famosa frase "foi poucochinho" (ver, Negócios).
E no que deu a estratégia do Costa? 
Deu na derrota eleitoral do PS na noite de 4 de Outubro.

Antes rei por um dia do que príncipe toda a vida.
O Costa é mesmo assim. 
Mesmo que o Passos Coelho diga que "o governo do PàF vai fazer tudo o que está no programa eleitoral do PS", para o Costa não será suficiente pois, tal como o Santana Lopes em Julho de 2014, o Costa quer ser primeiro ministro nem que seja por um só dia. Assim, estamos apenas a ver uma sequela do combate entre o Costa e o Seguro mas em que agora as "vítimas" principais são o Passos Coelho e o Paulo Portas.

Vou dar cabo do governo neoliberal, austeritário de direita

O que estarão a fazer o Passos Coelho e o Portas.
Parecem desanimados mas é estratégico, já se estão a preparar para as novas eleições. 
Como nunca haverá um acordo por parte do Costa, têm que convencer as pessoas de que se estão a esforçar, que se disponibilizam a ouvir o que o PS pretende mas sem mostrarem grande sede de poder, sem gritaria nem tensão pois o povo gosta de calma. 
O Costa já só se vê a ser empossado pelo Cavaco Silva. Na sua mente, será a maior humilhação que jamais alguém conseguiu impor a um adversário político, pior que a derrota que o Boris Yieltsin impôs ao Mikhail Gorbachev quando o obrigou, em direto na TV, a entregar-lhe a mala com os códigos das armas nucleares.
Estão a imaginar qual iria ser o discurso de tomada de posse do Costa no Palácio de Belém?

O Costa iria dizer "Estou aqui para ajudar o Cavaco a sair com dignidade." (ver, Correio da Manhã24Jul2015)

Mas eu já tive acesso ao discurso do Cavaco Silva.
O Cavaco Silva vai dar posse ao Passos Coelho deixando ao PS o ónus de o mandar abaixo votando alinhado com o BE e a CDU.
Caso isso aconteça, já tive conhecimento do discurso que o Cavaco Silva vai fazer ao país:

"Na campanha eleitoral nenhum partido trouxe à discussão pública a possibilidade de, verificada uma maioria relativa da PàF, poder vir a formar-se um governo com o apoio parlamentar do PS, BE e CDU. Compete ao Presidente da República nomear o Primeiro Ministro e, mesmo não fazendo nenhum juízo de valor sobre um governo formado por partidos que, individualmente, foram derrotados nas eleições, esta solução governativa não pode avançar que não depois de haver novas eleições legislativas em que essa possibilidade fique clara no Espírito dos eleitores. 
Por estar limitado na capacidade de dissolver a Assembleia da República, nada mais farei, o atual governo ficará em funções até que, depois do dia 4 de Abril de 2016, o meu sucessor possa decidir o que deve ser feito para o melhor de Portugal e para os portugueses."

Vejam como a lógica do Costa é perigosa.
Diz que o governo recebe a sua legitimidade dos deputados pelo que, havendo uma maioria de deputados que apoiem o governo, este terá toda a legitimidade democrática.
Mas esquece-se, por um lado, que quem nomeia o Primeiro Ministro é o Presidente da República e que o Parlamento apenas tem o poder de veto. 
Assim, se o Cavaco não lhe der posse, nunca poderá ser Primeiro Ministro.
Por outro lado, abre uma discussão perigosa para si próprio  pois, ao afirmar que o que conta são os votos dos deputados e não de um partido ter ficado à frente ou atrás nas eleições, cada deputado  passará a ter liberdade de voto podendo, assim, votar como bem entender contrariando a decisão dos órgão dirigentes do partido por cujas listas se candidatou.

E o Marcelo?
As sondagens da TVI do dia 4/Out/2015 disseram que: 
     Prof. Marcelo => 49,3%
     Maria de Belém => 17,0%
     Rui Rio => 15,1%
     Prof. Nóvoa => 10,1%
     Neto => 1,4%
     Outros e brancos => 7,0%
Ora, se somarmos Marcelo + Rio (que não vai avançar pois não gosta de derrotas), teremos 64,4%votos nos "candidatos da direita".
Não tenho a certeza sobre o que o Prof. Marcelo irá fazer como PR, mas, atendendo a uma sondagem do Jornal de Negócios, não vai dar posse ao Costa sem novas eleições:

Sondagem d'Jornal de Negócios publicada no dia 13 de Outubro de 2015
Passos Coelho como Primeiro Ministro => 52,5%
     PSD + PP + PS => 32,1%
     PSD + PP => 20,4%

António Costa como Primeiro Ministro => 36,3
     PS + BE + CDU =>26,6%
     PS + BE => 5,9%
     PS => 3,8%

Sem opinião =>11,2%

Onde vai dar o atual frenesim do Costa?
Vai dar numa derrota.
Seja do Costa porque parte dos deputados do PS se vão revoltar contra a ideia do PS apoiar a moção de rejeição ao governo do Passos Coelho proposta pelo BE e pela CDU, seja do PS nas eleições legislativas de Maio de 2016.

Pedro Cosme Vieira

2 comentários:

Carlos Neves disse...

não perca muito tempo com isto...
o velho o burro e o rapaz não irão longe...

Jmarvao disse...

Obrigado PCV por mais este excelente post.

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