segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Custou mas valeu a pena ter lutado

Esta legislatura foi muito difícil.

Apesar de o governo estar fundado numa maioria absoluta confortável de 17 deputados e de, no fim, ter sido a segunda mais longa na história do pós-25-de-Abril (entre 5/6/2011 e 4/10/2015 foram 1582 dias), foi muito difícil aguentar porque, principalmente na primeira metade, a contestação interna do PSD e as constantes manifestações e sondagens negativas transmitidas na comunicação social foram enormes.
A qualquer lado que os membros do governo fossem, havia manifestações com palavras de ordem muito desagradáveis, desde "Está na hora, está na hora de o governo se ir embora" até "Ladrões, trafulhas, vigaristas, vai estudar Relvas".

Os membros do governo eram vistos como um grupo de malfeitores

Mas eu lutei sempre.
Uma máxima oriental é "luta mesmo que não tenhas esperança na vitória" e eu lutei muito para que o PSD+PP pudesse vencer as eleições. 
Gastei horas e horas a consultar bases de dados, ler relatórios, ver as contas de orçamentos, estudar as propostas políticas onde se inclui o famoso estudo dos 12 macacos. E transformei todo esse trabalho em textos combativos, capazes de desmontar a ilusão esquerdista de que haveria outro caminho (encabeçado pelo PS) para resolver o pântano financeiro (em que esse mesmo PS nos deixou em 2011) em que vivemos.
Talvez o meu contributo tenha sido pequenino (convenci a minha mãe a "votar no Portas" e a minha vizinha a "votar no Marinho e Pinto" ...), não mais que a tentativa de matar um elefante usando um palito.
Mas, o meu pequeno grau de areia mais milhares de outros graus de areia acabou por contribuir para que a "gigantesca onda vencedora" que o Costa representava acabasse, derrotada, contra a areia da praia.

Portas na Direita e Passos na Esquerda

Os resultados foram 2 graus melhores do que eu antecipava.
Há uns 30 meses atrás, eu concentrava a minha luta diária na meta de o PSD+PP ter mais um deputado que o PS. Apenas mais um e já cantaria vitória.
O tempo foi passando, as manifestações e greves estarem a diminuir de de intensidade indicavam-me que algo estava errado na mensagem de derrota catastrofistas do governo passada na comunicação social.
As sondagens davam o PS a ganhar mas por margem pequena até que começaram as "tracking pools"(Católica/RTP1 e Intercampus/TVI) a dar vantagem para o PàF.

Previ uma vitória de Grau 4.
A melhor sondagem que consegui construir indicava que o PSD+PP iria ter uma vitória de Grau 4 da Escala em 7 graus do Poucochinho. Quer isto dizer que  iria ter pelo menos mais um deputado que a soma PS+ BE + Pequenos ou, como houve inversão BE/CDU, que a soma PS+ CDU + Pequenos.
Este resultado já está garantido:

O PSD+PP = 99 +5 = 104 deputados
Que é maior que
PS+ CDU + PAN = 85 + 17 + 1 = 103 deputados

Mas, com os resultados dos emigrantes, pode ser uma vitória de Grau 5 ou 6 ...
Se 3 dos deputados forem para o PàF e 1 para o PS (como é normal) a vitória do PSD+PP será quase de Grau 6 da escala do Poucochinho:

O PSD+PP = 3 + 99 +5 = 107 deputados

Que não só é maior que (Grau 4)
PS+ CDU + PAN = 1 + 85 + 17 + 1 = 104 deputados

Como também é maior que (Grau 5)
PS+ BE = 1 + 85 + 19  = 106 deputados

E igual a (Grau 6 pois tenho dúvida que o PAN seja de esquerda)
PS+ BE + PAN = 1 + 85 + 19 + 1 = 107 deputados

Dois graus que fazem toda a diferença

Porque será a vitória de Grau 6 muito maior que a vitória de Grau 4?
Porque assim, para o PS poder sonhar a formar governo, tem obrigatoriamente que conseguir um entendimento com o BE e a CDU, aliança impossível de acontecer.
Nunca, jamais, em tempo algum o PCP/CDU apoiará um governo onde estiver o BE (e, para mais, o BE com mais deputados ) porque isso será condenar-se ao desaparecimento.

Foi por esta informação que o Costa esteve à espera até às 22h40 ...
Se já se sabia pelo menos desde as 20h que o PS tinha perdido, o Costa poderia ter logo aparecido a dizer "perdemos".
Mas o Costa é como a lapa, agarra-se quanto pode a qualquer pedra que pareça poder salva-lo. Então, os "pensadores" costistas começaram a lançar a ideia (na Sexta-feira pela boca do Júdice) de que o Costa teria condições para "encabeçar um governo de unidade à esquerda."
Mas a necessidade de meter a eléctrica Catarina Martins e o calmo Jerónimo do Sousa no mesmo saco mostrou-se logo ser uma missão impossível.

O Costa tentou, até ao últimos segundo, agarrar-se fosse ao que fosse

A legitimidade eleitoral do Passos Coelho.
Os esquerdistas afirmam que o PàF tendo tido 38,6% dos votos expressos e válidos traduz que 63,17% dos eleitores rejeitam as políticas do actual governo de direita.
Mas essa leitura é incorrecta.
Por iluminação do PSAS, grande politólogo que tem estudado como a vontade das pessoas se traduz em resultados eleitorais, temos que chamar a abstenção a jogo para avaliar os resultados eleitorais.
Já no dia 28 de Setembro (e mais na sexta-feira) se sabia com certeza que o PàF iria ganhar as eleições. Em todas as sondagens publicadas o PàF estava confortavelmente à frente do PS e distante da maioria absoluta.
Reparemos que a média das sondagens era de 38,8% para o PàF (e o resultado foi 38,6%) contra 33,3% dp PS (e o resultado foi 32,38%).
Então, quem se absteve sentiu-se confortável com estes resultados, a "maioria silenciosa" não votou porque se sentiu confortável com a maioria relativa do PàF.
Então, temos que ler que, nos 9,4 milhões de eleitores inscritos, 35% votaram contra a Direita, 21% votaram a favor e 44% "votaram" (não votando) que se conformavam com um governo minoritário da Direita.
Na conclusão, 35% são contra o "governo da Direita" e 65% a favor ou "tanto dá".

Mas a derrota do PS teve custos para mim.
Tive muitas horas de trabalho mais isso também me enriqueceu.
O pior foi a perseguição de que fui vítima.
Os esquerdistas usaram instituições e dinheiros públicos na tentativa de me silenciar.
Usando fundos das instituições públicas de que são dirigentes, sob a capa da defesas das virgens inocentes, os esquerdistas perseguiram-me e atacaram-me.
No tempo do Salazar usavam-se os potenciais "crimes contra a segurança interna e externa do Estado" para perseguir que ousava discurdar. No tempo actual, os esquerdistas usam-se dos "potenciais crimes contra o prestigio da instituição".
Mas eu só pensava "Tenho que aguentar pois há países em que as pessoas desaparecem e onde, mesmo assim, há quem diga Não?"

Só espero que isso tenha acabado ontem às 20h.
Espero que, agora que a derrota do PS e de toda a esquerda está conhecida e é estrondosa, esses  fascistas desfarçados de "homens de esquerda" desistam de me ameaçar e perseguir usando as instituições públicas de que são dirigentes.
É o mínimo que se exige à hidra encabeçada por quem tornou público ser vítima de sensura ("41 anos depois do 25 de Abril, a censura está de regresso a Portugal") mas que tudo fez (mas esperemos que não mais faça) para que eu me calasse.

Essa tentativa de me silenciar.

As presidenciais.
O mais provável é o discurso de ontem ter sido o lançamento do Costa para as presidenciais.
O Costa, muito estranhamente, despiu a roupa de esquerdista e repudiou "um união negativa [com a CDU e BE] que não seja uma alternativa viável de governo".
Se, apenas dias antes, tinha dito que não viabilizava um orçamento do PSD+PP, já veio falar de consenços e de responsabilidade política, o que me fez lembrar o discurso do Cavaco que ele tanto atacava ainda na sexta-feira.
Sendo que o Costa já sabia há muitos dias de que ontem seria derrotado (só não sabendo se seria o Grau), usou esse tempo para negociar dentro do PS a sua manutenção como Secretario Geral mais uns dias para, assim, poder fazer o anúncio da sua candidatura a Belém sem o carimbo "Derrotado" marcado na testa.
Digo que o Costa não sabia o Grau da derrota porque, sendo eu quem dava as informações mais fiáveis e credíveis, não consegui avançar para além do Grau 4.

Atenção que o Costa não está morto, vai-se re-inventar

Pedro Cosme Vieira

6 comentários:

Francisco disse...

O meu agradecimento e apoio pelo excelente trabalho de esclarecimento e pedagogia que vem fazendo.
Francisco

Joel Vicente disse...

Pedro, julgo que já tinha dito anteriormente mas peço que a voz ou a mão não lhe doa e continue a proporcionar-nos seus artigos educativos. Durante estes meses acompanhei aqui de Oxford os seus artigos, números, estatísticas e valores que também a mim me ajudaram a tomar uma decisão de voto aquando fui a Portugal votar. Gosto também dos seus artigos de culinária, venham mais! Abraço, Joel

Lura do Grilo disse...

Parabéns, Professor. Segui com atenção as suas contas embora já tenha esquecido esses métodos estatísticos.

Estar na academia com esquerdistas não deve ser fácil: o supremacismo dessa gente é doentio e vingativo.

Jmarvao disse...

Um grande obrigado PCV pela força, determinação, e inteligencia a desmascarar o grande logro. Só quem ousa levantar a vós é que sente que estamos mesmo numa ditadura disfarçada de esquerda.

Muitos parabens pelas analises brilhantes e pleo excelente trabalho a analisar dados e desmascarar o logro esquerdista.

Um abraço e muita força para continuar.

Pedro Alexandre disse...

Caro Professor,

Mais um bocadinho e era uma maioria absoluta que eu nunca acreditei mas foi por "poucochinho" como o Costa disse uma vez e depois perdeu por um bocadão nas legislativas.

Enfim acho que está tudo dito, o Costa não tem as minimas condições para continuar mas melhor ainda, talvez daqui até ao orçamento haja eleições e o PSD ganha a maioria novamente.

Cumps

vazelios disse...

Obrigado Professor!

O seu grão de areia enxeu a praia.

Continue, cá estaremos.

Abraço

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code