quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O que fazer para salvar os "caucasianos"?

Esta semana fui convidado para ir às Caldas da Rainha.

Recebi um e-mail da Rebeca para ir às Caldas falar sobre como a "entrada de povos" põe em causa a viabilidade de "manter uma certa elite europeia e caucasiana no nosso país".
Declinei o convite que muito me honrou por causa da distância.
Não vou fisicamente mas, em Espírito, aqui vai o que eu penso sobre o assunto.

Em termos genéticos, somos todos Namibianos. 
Em termos biológicos, tal como todas as raças de cães têm origem nos lobos cinzentos (Canis lupus), hoje existe um forte consenso na ciência de que todas as raças humanas têm origem nos humanos africanos (Homo Sapien).
Apesar de a Euro-Ásia (Europa e Médio Oriente) ter sido habitada entre 300 mil e 40 mil anos atrás  pelo Homo Neanderthalensis (o Homem das Cavernas), o Homo Sapiens é uma espécie invasora (e não a evolução do Homo Neanderthalensis) que apareceu pela evolução a partir do Homo Heidelbergensis que era nada mais nada menos que o "pai" do Homo Nearderthalensis que ficou a viver em África.
Se compararmos com uma família, o Homo Heidelbergensis vivia na região SUL-Ocidental da África (actual Namíbia, Botsuana, Angola, Zâmbia, Zimbabué, África do Sul) e teve um filho que, há 300 mil anos, abandonou a casa do pai para vir viver para a Europa e Ásia menor  (o Homo Neanderthalensis). O Homo Heidelbergensis continuou a viver na Namíbia e, muitos anos mais tarde, teve outro filho que, há uns 50 mil anos, decidiu seguir as pegadas do irmão mais velho e rumar à Europa e ao resto do Mundo (o Homo Sapien). 

Local de origem e rota migratória da Humanidade

Quem serão os caucasianos?
Eu não conheci o meu avô paterno (morreu 10 anos antes de eu ter nascido) mas, vendo uma vez uma fotografia dele, a sua cara era exactamente a mesma que a do meu tio Adriano.
Todos nós somos ligeiramente diferentes dos nossos pais e dos nossos irmão mas encontramos sempre um parente mais ou menos afastado que é parecido connosco.
Durante a migração dos Homo Sapiens para Norte, as comunidades eram muito pequenas, afastadas entre si e isoladas. Se não era o isolamento geográfico era o conceito de beleza, os que tinham orelhas grandes passaram a ser considerados bonitos penas pelos também de orelhas grandes. Por causa disto e pela necessidade de adaptação a meios ambientes diferentes (muita luz vs. pouca luz), as comunidades foram divergindo em termos de aspecto. 
Divergiu o aspecto e divergiram as línguas.

Vamos às raças humanas.
No Egipto antigo as raças humanas eram divididas em Líbios (branco de barba pobre) Sírios (branco de barba farta), Núbios (negro de barba fraca) e Egípcios (morenos de barba fraca). 
Se pais branco de barba farta (Sírio) tivessem um filho moreno de barba fraca, o seu filho seria um egípcio.

Um líbio, um núbio, um sírio e um egípcio, representados na tumba de Seti I.

Na idade média, 
em Portugal as raças eram quatro, a raça pura (os brancos católicos) e três raças impuras (os judeus, os mouros e o pretos).

No Séc. XIX 
veio a ideia de classificar tudo em termos científicos, ao que a própria espécie humana não escapou (Essai sur l'inégalité des races humaines). Assim, atendendo ao aspecto físico e, principalmente, a cor, a humanidade foi dividida em três grandes grupos:
1) Caucasianos
2) Mongóis
3) Negroides.

E o que serão os caucasianos?
Estranhamente, é um grupo muito vasto e diverso pois inclui não só as populações da Europa, desde os morenos algarvios até aos brancos escandinavos, como também os magrebinos (Norte de África), corno de África (etíopes), Médio Oriente e Ásia central e do Sul.

Os caucasianos são os "originários" não só da Europa como também de vastas áreas da África e da Ásia

Os islâmicos são caucasianos!
Não só os árabes como os marroquinos, turcos, afegãos e paquistaneses são caucasianos pelo que, quando as pessoas se referem a "população caucasiana" de facto querem dizer outra coisa qualquer.

Eu tenho muitas dúvidas.
Como já referi, na minha infância vivi numa aldeia na qual, ao fundo do campo dos meus pais, havia um pequeno ribeiro com dois açudes em pedra maravilhosamente bem feitos. Com a minha curiosidade, cansei-me de perguntar aos meus vizinhos quem tinha feito aquelas obras e todos me disseram "os antigos".
Há pouco tempo dei de frente com um testamento do ano de novecentos e tal, de há mais de 1000 anos, no qual um desses moinhos eram doados.
Extraordinário como há mais de 1000 anos, quando aqueles açudes foram feitos, tudo aquilo era tal e qual como agora mas as pessoas eram outras, na minha aldeia falava-se principalmente árabe.

Gosto de saltar 1000 anos no tempo. 
Gosto de dar um salto de 1000 anos para o passado olhando para aqueles açudes e imaginando as pessoas que, nesse tempo, cultivaram aqueles campos. Mas também, também gosto de fazer um salto de 1000 anos para o futuro, altura em que os açudes ainda ali estarão mas que as pessoas serão outras.

Como seremos daqui a 1000 anos?
Qual será o nosso aspectro físico, que língua falaremos, seremos muitos ou poucos, haverá religião, em que trabalharemos as pessoas (ainda faremos sapatos?), como serão os meios de transporte, será que o aquecimento global nos vai transformar numa floresta tropical e será que os açudes da minha aldeia vão, finalmente, desaparecer sob o Mar que já terá subido mais de 100m? 

Será que, daqui por 1000 anos, ainda haverá frango de churrasco?

Eu estou pessimista.
Daqui por 1000 anos eu, todas as pessoas que conheço, com todos os que já me aborreci ou por quem tenho amizade, já estaremos mortos, as nossas carne já terão apodrecido, os nossos ossos já terão sido dissolvidos pela água da chuva. Nessa altura, não só eu não me lembrarei de nada como ninguém se lembrará de nada do que eu fui há 1000 anos atrás.
Os açudes até podem continuar lá, mas mais ninguém fará ideia de que, um dia, eu brinquei por ali.
Talvez as ruelas das nossas cidades ainda sejam as mesmas mas ninguém saberá, e nós muito menos pois já estaremos totalmente mortos, que, um dia, passamos por ali.

E como serão os portugueses?
Actualmente cada mulher europeia tem 1,5 filhos. 
Apesar de a tendência ser de diminuir (e de nós estarmos com 1,23), vamos supor que esta fertilidade se mantém nos próximos 1000 anos e que, em média, as mulheres têm os filhos com 33 anos.
Então, daqui a 1000 anos, a nossa população de 10,5 milhões de pessoas estará reduzida a 1800 pessoas! vamos estar reduzidos à população da minha aldeia.
Lisboa, que hoje tem 550 mil pessoas, terá 100 habitantes, será um lugarejo.
A população da União Europeia, actualmente com 500 milhões pessoas, estará reduzida 85 mil pessoas.

Se a fertilidade portuguesa se mantiver nos actuais 1,28 filhos por mulher (dados, Banco Mundial), daqui a 1000 anos, nós, os actuais 10,5 milhões de portugueses, estaremos reduzidos a 6 pessoas!

Os migrantes também vão acabar.
Em toda a parte do mundo a fertilidade está a diminuir.
Comparando a década de 1960 para 2013,
Na China caiu de 6,0 filhos por mulher para 1,6.
Na Índia caiu de 6,8 filhos por mulher para os 2,5.
Nos USA caiu de 3 filhos por mulher para 1,8.
Em Portugal caiu de 3,2 filhos por mulher para 1,3.
Em África é a única zona onde tem caído mais lentamente, caiu de 6,7 filhos por mulher para 5,0.

As Zonas de onde vêm os migrantes.
Na Síria caiu de 7,5 filhos por mulher para 3,0.
No Afeganistão caiu de 7,7 filhos por mulher para 5,1.
No Iraque caiu de 6,9 filhos por mulher para 4,0.

A fertilidade na Síria, Afeganistão e Iraque está a descer rapidamente (dados, Banco mundial, média nos 3 países).

Agora o meu conselho de política.
Vamos supor que a Rebeca pensa que os portugueses de daqui a 1000 anos devem ser bastantes e parecidos consigo.
Não vale a pena fazer manifestações contra a entrada dos imigrantes, afundar barcos ou construir muros. A História ensinou-nos que fizeram a Grande Muralha da China e que isso não deu resultado nenhum.
A única coisa que pode fazer é ter 20 filhos e incentivar todas as mulheres que fazem parte do grupo de pensadores que fundou a ter também 20 filhos.
Bem sei que vai pensar "mas isso custa muito a criar" mas não é bem verdade.
Primeiro, se em África os criam com 25€ por mês, cá ainda será mais fácil porque a escola e o apoio médico é gratuita e, para quem tem 20 filhos, mete-os num infantário onde não vai pagar nada.
Segundo, se não os puder criar, abre-lhes a porta e Segurança Social toma conta deles.
Terceiro, como dizia a minha mãe, Deus protege quem tem muitos filhos.

Sendo que imagino a Rebeca assim, terei todo o gosto em ajudá-la a fazer as 20 criancinhas e ainda lhe dou 150€/mês para a criação dos nossos filhinhos (por cada um!).

O problema é se os seus (nossos) filhos não têm filhos!
Se, ao longo das próximas 30 gerações, os filhos, dos filhos dos filhos dos seus filhos decidirem não ter filhos, o seu sacrifício em ter e criar 20 crianças será deitado ao lixo.
Mas, quantos mais tiver, maior é a probabilidade de , pelo menos um deles, pensar da mesma maneira e também ter 20 filhos.

Já os estou a imagina, parecidinhos com a mãe e a dizer "Papá, papá, olha a lula que saiu do meu nariz é caucasiana"

Mas, de facto, não sei como será o Mundo daqui a 1000 anos.
Talvez até, depois de recolhidos gâmetas, as crianças nasçam numa chocadeira, às centenas ou milhares de cada vez.

Pedro Cosme Vieira

3 comentários:

Rodolfo disse...

Pouco importa quem eles são, professor. Importa é a cultura (ou diferenças de cultura). Por alguma razão não deixamos os estrangeiros votar no nosso sistema democrático, sem que vivam durante alguns anos cá. É precisamente porque são de culturas diferentes, e têm de se 'habituar' à nossa cultura.
Por alguma razão também, as nações foram evoluindo mantendo uma coesão cultural no seu núcleo. Se foi preciso esta coesão para prosperarem, não será algo desafiador dizer que as nações possam ser 'multiculturais'?

umquarentao disse...

BANDALHEIRA: pessoal que não se preocupa com a construção duma sociedade sustentável (média de 2.1 filhos por mulher)... critica a repressão dos Direitos das mulheres... todavia, em simultâneo, para cúmulo, defende que... se deve aproveitar a 'boa produção' demográfica proveniente de determinados países [nota: 'boa produção' essa... que foi proporcionada precisamente pela repressão dos Direitos das mulheres - ex: islâmicos]... para resolver o deficit demográfico na Europa!?!?!
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AUTARCAS EM GRAVE DESLEIXO
Uma riqueza que as regiões/sociedades não podem deixar de aproveitar
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-» Muitas mulheres heterossexuais não querem ter o trabalho de criar filhos... querem 'gozar' a vida; etc;
-» Muitos homens heterossexuais não querem ter o trabalho de criar filhos... querem 'gozar' a vida; etc;
CONCLUINDO: é uma riqueza que as sociedades/regiões não podem deixar de aproveitar - a existência de pessoas (homossexuais ou heterossexuais) com disponibilidade para criar/educar crianças.
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---» Já há mais de dez anos (comecei nos fóruns clix e sapo) que venho divulgando algo que, embora seja politicamente incorrecto, é, no entanto, óbvio:
- Promover a Monoparentalidade - sem 'beliscar' a Parentalidade Tradicional (e vice-versa) - é EVOLUÇÃO NATURAL DAS SOCIEDADES TRADICIONALMENTE MONOGÂMICAS...
{ver blogs http://tabusexo.blogspot.com/ e http://existeestedireito.blogspot.pt/}
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P.S.
Tal como eu explico no blog «http://tabusexo.blogspot.com/» - o Tabu-Sexo não se tratou de um mero preconceito... foi, isso sim, uma estratégia que algumas sociedades adoptaram no sentido de conseguirem Sobreviver... leia-se: o Tabu-Sexo tinha como objectivo proporcionar uma melhor Rentabilização dos Recursos Humanos da Sociedade... leia-se, o verdadeiro objectivo do Tabu-Sexo era proceder à integração social dos machos mais fracos!!!
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P.S.2.
Uma sociedade/região, para sobreviver, precisa de (como é óbvio ) possuir a capacidade de renovação demográfica.
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P.S.3.
Existem autoridades de sociedades/regiões (que estão sem capacidade de renovação demográfica) em desleixo:
- não monitorizam/motivam/apoiam uma riqueza que não podem deixar de aproveitar -> a existência de pessoas (homossexuais ou heterossexuais) com disponibilidade para criar/educar crianças.
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P.S.4.
Mais, existem autoridades de sociedades/regiões (que estão sem capacidade de renovação demográfica) que são cúmplices de 'globalization lovers' nazis.
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P.S.5.
Existem 'globalization-lovers' (UE-lovers e afins) em todo o lado... a mim, pessoalmente, não me faz diferença nenhuma... ok, mas, agora... os 'globalization-lovers' que fiquem na sua... desde que respeitem os Direitos dos outros... e vice-versa!
-» Nota 1: Existem 'globalization-lovers'... e existem 'globalization-lovers' nazis (estes buscam pretextos para negar o Direito à Sobrevivência das Identidades Autóctones).
-» Nota 2: Nazismo não é o ser 'alto e louro', bla bla bla,... mas sim... a busca de pretextos com o objectivo de negar o Direito à Sobrevivência de outros.
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P.S.6.
Uma NAÇÃO é uma comunidade duma mesma matriz racial onde existe partilha laços de sangue, com um património etno-cultural comum.
Uma PÁTRIA é a realização de uma Nação num espaço.
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Anexo
Quando se fala no (LEGÍTIMO) Direito à Sobrevivência de Identidades Autóctones [nota: Inclusive as de 'baixo rendimento demográfico'... Inclusive as economicamente pouco rentáveis...] nazis made-in-USA - desde há séculos com a bênção de responsáveis da Igreja Católica - proclamam logo: «a sobrevivência de Identidades Autóctones provoca danos à economia...»
[nota: os nazis made-in-USA provocaram holocaustos massivos em Identidades Autóctones]
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É preciso dizer não ao nazismo democrático e sim ao SEPARATISMO, isto é: é preciso dizer não àqueles que pretendem determinar/negar democraticamente o Direito à Sobrevivência de outros.
[ http://separatismo--50--50.blogspot.com/ ]

Pedro Renner disse...

O processo da globalização está em marcha à muito e é imparável, a não ser por um fenómeno cataclísmico.
O seguinte documentário - “How many people can live on planet earth” - traz mais divagações a acrescentar às suas:

https://www.youtube.com/watch?v=aGZfQCwSXJE

Bom trabalho.

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