sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O "acordo" esquerdista é só a metade

O António Costa apresentou as linhas gerais dos acordos dos esquerdas.
O "acordo" anunciado pelo António Costa só tem uma perna pois contém medidas agradáveis que implicam diminuição da receita fiscal e aumento da despesa pública mas não tem a outra perna, nada diz sobre como esse buraco vai ser financiado.

Corte na receita fiscal
   1) IVA da eletricidade descer de 23% para 13% => - 400 milhões € por ano de receita.
   2) IVA da restauração descer de 23% para 13% => - 200 milhões € por ano de receita.
   3) Acabar com a sobretaxa de IRS => - 760 milhões € por ano
   4) Acabar com a Contribuição Extraordinária de Solidariedade => - 100 Milhões por ano €.
Subtrai 700 milhões € por ano à receita fiscal

Aumento na despesa pública
   5) Acabar com os cortes nos salários dos funcionários públicos => + 600 milhões € por ano.
   6) Descongelar as pensões => + 1000 milhões por ano.
Aumenta 1600 milhões € por ano à despesa pública

Só nestas 6 medidas, o buraco é de 1700 milhões € por ano.
É o tal pontinho que o Jerónimo diz ir dos 3% do PIB para os 4% do PIB.
O problema é que o défice não vai poder aumentar "um pontinho" pelo que ...

Onde está a outra perna do acordo?
Onde é que os esquerdistas acordaram que estes 1700 milhões € por ano vão ser retirados?

O problema do acordo dos esquerdistas vai ser a prótese que vai financiar as medidas agradáveis.

Provavelmente.
O Costa não disse que o IVA da eletricidade irá passar dos 23% para 13% mas, se aquando do aumento foi um berreiro total, uma prova da violência das políticas neo-liberais radicais da direita, concerteza que foi um esquecimento.
Também esquecimento foi a re-nacionalização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo e a anulação da concessão do Metro, dos STCP e da privatização da TAP. 

Salário mínimo?
Afirmou taxativamente "600 euros no fim da legislatura ... um aumento no poder de compra de 10% ao longo da legislatura".
Estas duas coisas são iguais se a taxa de inflação for de 1,95%/ano mas, a diferença para a previsão do BCE também só dá uma diferença de 7€ (subindo 10%, prevê o BCE que os 505€ com mais 10% reais sejam 593€ em 2019).
Isto é extraordinariamente exagerado, altamente destruidor da nossa economia, muito pior que o buraco de 1 % do PIB nas contas públicas.
Nos 900 mil trabalhadores que actualmente ganham o SMN, traduzirá uma despesa acrescida das empresas em 1500 milhões € por ano, em termos reais de 800 milhões € por ano.

Cavaco, contamos contigo.
Como o Marcelo não passa de um catavento, o melhor será Vossa Excelência começar a pensar numa personalidade capaz de o substituir na Presidência da República.
Não haverá por ai ninguém melhor que o Marcelo?
Uma pessoa que os tenha no sítio . 

 
Quanto ao acordo dos esquerdistas, marretada em cima e das fortes

Desculpem por ter sido machista (e não marxista).


Uma pessoa que as tenha no sítio!

Pedro Cosme Vieira

8 comentários:

Jorge Gaspar disse...

Ele pode usar o dinheiro que a Albuquerque diz existir para uma qualquer eventualidade.

Económico-Financeiro disse...

Estimado Jorge Gaspar,
Essa questão é pertinente.
O problema é que o dinheiro que está no cofre não entra nas contas do défice.
Comparando com a contabilidade das empresas, existem as "contas de balanço" e as "contas de exploração". O dinheiro pedido emprestado que está no cofre está nas "contas de balanço" e o défice é calculado nas "contas de exploração".
Seria como considerarmos como lucro da empresa o crédito dos fornecedores.
Um abraço,
pc

Jorge Gaspar disse...

Não sei se não conseguem aldrabar as contas do défice, e fingir que não utilizam o dinheiro guardado em cofre. É que ninguém sabe qual é esse valor. Se forem cerca de 16 mil milhões, apenas precisam de retirar 10%. E ainda dá para aguentarem algum tempo a subida dos juros.
Não sei se é possível dizerem que a receita de impostos é maior que o esperado e que a despesa é menor, mas não me parece algo impossível. se for possível, conseguem utilizar o dinheiro em cofre. Essa história do dinheiro de parte para qualquer eventualidade, ainda vai ser a sorte do Costa.

ADM disse...

J Gaspar, já se percebeu que voce é limitado...

Caro Cosme, ese fulano com os no sítio teve 38% de votos há menos de 1 mês. A última sondagem dava-lhe 40%. Portanto só lhe faltam 10%.

É obvio, não é ?

Portuendes disse...

O Costa deve estar à espera de vender o NB (nem que seja por tuta e meia) para poder encaixar o valor da venda nas contas do défice (se aumentaram uns 4% ao défice de 2014 também, caso venda, diminui os mesmos 4% em 2016). Doutra forma, o défice vai para os 6 ou 7, independentemente do que diga o excel do Centeno!

Económico-Financeiro disse...

Vejamos aas sondagens.
No dia 23 de Setembro, quando todas as outras sondagens davam o PàF à frente do PS com 6 pontos, a Eurosondagens ainda teimava no PS com 36% e a PàF com 35,5%.
No dia 4 de Outubro, o PàF ganhou com 38,8 pontos contra 32,4 do PS.
Atendendo a este inviesamento à esquerda da Eurosondagens (ou incompetência), agora o PàF tem + 3,4pp (está nos 44,3%), claríssima maioria absoluta, e o PS estará com menos 3,6pp (estará nos 28,9%), claríssima derrota que o indicado pela Eurosondagem.
Esta sondagem é apenas uma encomenda para ajudar o Costa.
O que eu queria ver era uma sondagem da Católica!

Se estes dados fossem verdade, o Costa pedia a todos os deputados do PS, BE e PCP que renunciassem ao mandato para obrigar à marcação imediata de novas eleições legislativas já com uma coligação esquerdista pré-eleitoral.
Um abraço,
pc

Jorge Gaspar disse...

"Caro Cosme, ese fulano com os no sítio teve 38% de votos há menos de 1 mês" ADM, limitado, eu? Certo.

Pedro, a sondagem do CM dá o mesmo resultado da do expresso, e não acredito que o Costa ou o PS ou qq um dos outros partidos queiram concorrer a eleições com o mesmo programa ou coligados.

Eu continuo a achar que não haverá nenhum governo de esquerda, porque não existe nenhum acordo, porque nem BE nem PCP querem estar no governo, nem pretendem estar 4 anos a ser a base de apoio do PS e por último o Cavaco não pode permitir que o PS governe com um "possível" apoio dos outros 2 ou 3, com um possível "acordo".

Mas continuo a achar também que chegando lá, o Costa se pode aguentar mais tempo devido ao dinheiro que a Albuquerque diz existir em cofre.
Pode inclusivé deixar derrapar o défice, usando esse dinheiro para contrariar a necessidade de dívida e a subida de juros.
O problema não é isso demorar 1 mês ou 1 ano, o problema será quando o dinheiro acabar, voltar a aplicar cortes nas pensões e f.p. Voltará o Passos para aplicar os cortes novamente?

Portuendes e nesse caso, o Jerónimo aceita a privatização do NB? Pareceu-me ver qualquer coisa sobre o fim das privatizações na lista deles.

O ADM não, não faltam 10%. Falta bem menos para a maioria absoluta e não é pelo facto da sondagem ter sido realizada pela eurosondagem. Mas para se chegar á maioria é preciso haver eleições e em 4 meses é possivel destruir-se mais de 4 anos.

Não tenho dúvidas que nas contas do Centeno está o dinheiro que existe em cofre.

ADM um abraço e obrigado





Judge Dredd disse...

Sobre o programa à esquerda vou deixar aqui a minha opinião.
Receita fiscal:
- Afinal o IVA da electricidade não vai descer, a tarifa social é que vai ser mais abrangente.
-Sobre o IVA da restauração e tendo em conta a continua descida da remuneração dos depositos a prazo(já está abaixo dos 0,5% ao ano), neste momento nem faz sentido baixar o IVA mas dado que é promessa deveria ser progressiva de forma a não castigar muito a receita fiscal.Eu diria 21% em 2016, 20% em 2017 19% em 2018 e 18% em 2019
-Sobre a sobretaxa uma eliminação em 2 anos é demasiado agressiva portanto eliminar a sobre taxa nos 4 anos da legislatura parece mais logico.
- O mesmo se aplica a CES

Sobre a despesa
-Sobre as pensões e os salarios sinceramente concordo com a reposição de tudo pela seguinte razão:
O cidadão comum trabalhador não tem repsonsabilidade na incompetencia de quem nos governou durante 30 anos, que não perceberam que era necessario um ajuste na formula do calculo de pensões de forma a acomodar a crescente esperança media de vida da população.
Tambem não são responsaveis pela mesma incapacidade do executivo de elaborar uma tabela salarial da função publica justa e sustentavel.
Como tal esse dinheiro é devido ás pessoas tem que ser pago( nem que as remunerações dos cargos eleitos tenham que descer 40 ou 50%).

Existem outras medidas que gostaria de ver aprovadas como por exemplo a imposição de tecto das pensões.
Para mim a pensão máxima não poderá exceder 12x o valor do IAS.
Como podem calcular 90% da população aprovará a ideia.

Sobre as privatizações o professor já tinha identificado o problema e dado uma solução e eu concordo com ela que é vender os "activos" de forma parcial.Se tivesse sido feita tambem com o BPN ter se ia poupado quase 10 mil milhoes ao erario publico.

OS transportes deverá ser feito tambem um acordo para a privatização da Metro e da CP.

O problema é que a Esquerda é que é demasiado gulosa e quer tudo ao mesmo tempo.

Vamos ver o que sairá mas é concerteza o maior desafio de sempre para os partidos à esquerda.

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