segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O Costa, o défice de 2015, o Ébola e outras coisas

Qual será o défice público de 2015?

Em 2014, não considerando o Novo Banco e outras coisas irrepetíveis, o défice público foi de  4,1% do PIB (7074 milhões € em 173044 milhões€).
Na execução até outubro 2015, o défice está menor em 1209 milhões de € o que, mantendo-se esta tendência de redução de 121 m€/mês, vamos acabar 2015 com um défice de 5624 milhões €. 
Assumindo para 2015 um crescimento nominal do PIB de 2,0% (1,5% de crescimento real mais 0,5% de inflação), tal traduzirá que vamos fechar 2015 com um défice de 3,2% do PIB.


Não interessa o conto de fadas do cenário macroeconómico dos 12 sábios do PS.
Isso foi conversa para fazer campanha eleitoral. Agora, é preciso pegar nas contas da execução orçamental de 2015 e reduzir, no mínimo, o défice em 0,6% do PIB. Parece que foi este o número negociado pelo Passos Coelho com as instituições europeias.
Então, o défice de 2016 não poderá ficar nada acima dos 2,6% do PIB, com certeza absoluta, sem deslizes.

Mas há o anunciado crescimento do PIB!
Se em 2016 o PIB crescer 2,0%, o que já será 0,4pp acima das melhores previsões das instituições internacionais, pela divisão Défice/PIB, o défice diminuirá automaticamente em 0,1 pontos percentuais. Então, o Costa terá que consolidar (cortar na despesa ou aumentar nos impostos) pelo menos 910 milhões € (de 3,2% para 2,6%).

E, infelizmente agora, em 2010-2014 não existiu Espiral Recessiva.
A economia sofre de uma coisa que se chama Simetria. Quer isto dizer que, se a austeridade do Passos Coelho que entre 2010 e 2014 conseguiu reduzir o défice público de 11,2% do PIB para 4,2% do PIB esteve associada com uma contracção do PIB de 6,5%, então temos

    Elasticidade no PIB do défice = 6,5/11,2 = 0,58.

Este número irá ser aplicado agora que se anuncia aumento do défice público.
Então, o resvalar +0,7% de défice que o Costa quer impor nas contas públicas apenas conseguirá aumentar o PIB em 0,58*0,7% = 0,4% do PIB relativamente à previsão do Passos Coelho e apenas em 2016 (não se repete em 2017 ...). 
Foi este valor que eu meti ao prever 2,0% de crescimento para 2016.

Se o Costa diz que vai reverter tudo ...
Onde é que vai buscar a massa para pagar os aumentos no meu salário e demais funcionários públicos, das pensões, abonos de família, redução do IVA da restauração e mais 910 milhões €?

Mas as instituições europeias ...
Sei de fonte limpa (uma femme da menage) que as instituições europeias vão obrigar o Costa a orçamentar uma redução no défice não só nos 0,6 pp acordados com o Passos Coelho mas ainda mais metade do desvio de 2015, o que vai de 2,7% aos 3,2% o que traduz cortes adicionais de 450 milhões €.
Assim, o Costa vai ter que orçamentar para 2016 austeridade no valor de 1350 milhões €.

Daqui, conclui-se que ...
Não vamos ter OE2016.

Quando terão nascido Adão e Eva?
Os antigos,verificando que cada mulher tinha mais do que 2 filhos, conjecturaram que, andando para o passado, chegariamos a um tempo em que só haveria dois seres humanos, Adão e Eva.
Se há 10000 anos havia 15 milhões de pessoas e há 60 mil anos apenas 400 pessoas, Adão e Eva foram dadas à vida por Deus há 100 mil anos!
Entre nós e a Criação existiram apenas 3500 gerações.

Mas como se sabe que há 70 mil anos só havia 400 humanos?
O método científico tem grande poder de descobrir coisas.
Vamos começar por partes.

Primeiro,  os individuos de uma espécie têm variabilidade genética. Quer isto dizer que eu sou fisicamente diferente dos outros porque os meus genes são uma combinação diferente da combinação que forma cada uma das outras pessoas existente no Mundo. Vamos, por exemplo, olhar para o "Tipo Sanguíneo" que pode ser de reacção A, B, 0 ou uma combinação destes 3. O nosso grupo sanguínio tem a ver com o grupo sanguíneo dos nossos pais.

Segundo, se o gene não se revelar, a sua percentagem na população é estável ao longo do tempo. 
Por exemplo, hoje 97% das pessoas têm o gene HbA (Hemoglobina A) e 3% têm o gene HbA2 (aproximadamente). Então, sendo o gene HbA2 recessivo, 17% da população mundial tem pelo menos um desse gene no seu DNA.
Como o gene HbA2 apareceu por uma mutação, como a proporção deste gene na população se manteve estável ao longo do tempo porque ninguém sabe se o tem ou não, então ocorreu quando havia apenas 6 pessoas no Mundo!
No caso do factor RH+ (o antigéneo D), pela distribuição da prevalência do gene mutante, conclue-se que  a mutação aconteceu na população basca (no Norte da Espanha) e migrou dai com a colonização.
   Bascos => 60% tem pelo menos um gene D+
   Europeus => 40% tem pelo menos um gene D+
   Africanos => 3% tem pelo menos um gene D+
   Indios e Asiáticos => 1% tem pelo menos um gene D+

Sendo que a motação ocorreu já depois de os humanos terem chegado à Europa, então, o número de pessoas que havia nessa altura na Europa seria de 2,5 pessoas

Terceiro, mas existe a "limpeza genética".
De facto, a mutação que deu origem ao gene HBA2 não aconteceu quando havia 6 pessoas no Mundo e na Europa a mutação não aconteceu quando havia 2,5 europeus porque, em termos estatísticos, quando existem poucos individuos (por exemplo, 100), a probabilidade de, pelo acaso estatístico fenómeno estatístico, uma mutação (que corresponderia a 1% da população) pode passar a ser 17% da população (como acontece com o Hb Ab).

Mas, o que é certo
Olhando para a distribuição das variações nos genes, a humanidade veio de África, um grupo de pouco mais de 100 pessoas entrou na Asia há cerca de 70 mil anos e, depois, há cerca de 40 mil anos, veio outro grupo também com pouco mais de 100 pessoas para a Europa.
Da Ásia, migrou também um pequeno grupo para a Australia e, depois, Nova Zelandia, e outro pequeno grupo para a América do Norte e, depois, do Sul.
Incrivel como em 70 mil anos, essas 400 pessoas deram origem às 7300 000 000 que existem actualmente.

Ver, Stanley H. Ambrose (1998), Late Pleistocene human population bottlenecks, volcanic winter, and differentiation of modern humans, Journal of Human Evolution, 34, 623–651.

Será pior o Ébola ou o Aquecimento Global?
O Ébola é muito grave porque é muito contagiosa, mata uma percentagem de 40% dos infectados (até agora, 11340 mortos em 28638 contaminados) e  ainda não acabou. No entanto, a infecção parece controlada já que, de 200 casos por dia verificados há um ano atrás, actualmente há 3 casos por dia. Talvez mais um mesito e a coisa acaba, por agora!

  Evolução do número de novos casos de Ébola (ver, fonte dos dados)

Pior seria o Arrefecimento Global.
Claro que muitas pessoas estão preocupadas com o aquecimento global mas, de facto, não é um problema muito grave.
Haverá terras baixas que ficarão inundadas mas talvez a vastidão do Canadá e da Sibéria se tornem produtivas em termos agrícolas.
Gravíssimo seria o nosso planeta arrefecer 2.ºC. Toda a planífice americana deixaria de produzir trigo!

Pedro Cosme Vieira

3 comentários:

LexDesenhos disse...

Boa noite,
Recebeu o meu email?

Jorge Gaspar disse...

Cá para mim o Pedro está a colocar finalmente em causa a teoria do aquecimento global antropogênico. Já não era sem tempo. Uma pessoa a morrer de frio para não pagar um balúrdio de electricidade e aqueles cabrões em Paris numa vida faustosa a dar lições moral, e a discutir formas de nos tornarem a todos mais pobres e por conseguinte mais enregelados. Ao que o mundo chegou

Francisco disse...

Apoiado, Jorge Gaspar. Tenho saudades do blogue "Mitos Climáticos".

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