terça-feira, 26 de janeiro de 2016

As expectatias racionais, a eficiência de mercado e a crise que vivemos

Acabei de ler um artigo interessante no Negócios.

O autor, Federico Fubini - Project Syndicate (25Jan2016 p.33), critica o facto de as teorias económicas que estavam em "vigor" em 2006 serem exactamente as mesmas teorias económicas que estão em "vigor" hoje, depois de acontecer uma crise económico-financeira de grande dimensão.
Em particular, Fubini critica duas teorias (relacionadas), a das Expectativas Racionais (que Fubini atribui erradamente a Robert Lucas, 1975, mas cuja proposta original se deve a Jonh Muth, 1961) e a sua consequência nos mercados financeiros, o conceito de Mercados Eficientes de Eugene Fama, 1969. 
O que são as Expectativas Racionais.
O indivíduo, limitado pela sua capacidade de cálculo, a informação disponível, o tempo e todas as demais restrições, prevê o futuro da melhor maneira que é capaz.
Isto não quer dizer que vai prever o futuro exatamente como ele vai acontecer mas apenas que não consegue, dada a restrições, fazer melhor do que faz.
Por exemplo.
Eu tenho a possibilidade de apostar no Totobola. As expectativas Racionais dizem que vou escolher os resultados que me dão maior possibilidade de ganhar (ninguém joga para perder). Pensando eu que, por exemplo, a probabilidade de o Sporting ganhar à Académica é de 95%, como quero ganhar e fazer uma tripla não compensa, vou apostar no 1.
As Expetativas Racionais dizem que quem joga faz o seu melhor para ganhar
Será que me posso enganar e o Sporting perder?
Concerteza que sim mas o julgamento quanto a eu me ter enganado tem que ser feito hoje, a priori, com a informação que eu tenho e a minha capacidade de cálculo e não depois do jogo, a posteriori.
E por eu saber que me posso enganar é que só atribuo 95% de probabilidades à hipótese de o Sporting ganhar.

No crédito bancário.
Vamos supor que o Banco em 2006 tem 1000 clientes do tipo A e 1000 clientes do tipo B em que a probabilidade de o cliente do tipo A pagar é prevista (em 2006) como 99,9% e a probabilidade do cliente do tipo B pagar é prevista (em 2006) como 99,0%, previsão feito da melhor forma possível.
O que o banco está a prever é a probabilidade e não que um cliente concreto vai ou não pagar.
Como o banco quer receber, em média, uma taxa de juro de 2,000%/ano, vai ter que cobrar uma margem para cobrir os caloteiros.

Taxa de juro a aplicar a um cliente do tipo A (um spread de 0,102pp)
100%*(1+2,00%) = 99,9%*(1+x) => x = 2,102%/ano

Taxa a aplicar a um cliente do tipo B (um spread de 1,030pp)
100%*(1+2,00%) = 99,0%*(1+x) => x = 3,030%/ano

Um cliente classificado como tipo B vai pagar um spread 0,928pp relativamente ao cliente do tipo A para cobrir o risco acrescido de algum deles (previsto como 10 em 1000) não pagar.

Quando em 2010, se verificou que 100 clientes do Tipo B não pagaram.
Não quer dizer que o Banco poderia, em 2006, fazer uma previsão melhor mas apenas que, com a informação que sabemos hoje, houve uma concretização adversa.
O modelo de previsão vai ser melhorado com a nova informação mas em 2006 essa informação não existia e, agora, não é possível voltar ao passado e refazer as previsões.
Se eu acreditava que o carro cabia entre a árvore e o muro e, depois, não coube, o meu carro fica amassado e já não há nada a fazer. Para a próxima já sei mas é só para a próxima.
Com expetativas racionais não há lugar para arrependimento nem para os remorsos.
Porque é muito importante o trabalho de Muth.
Porque a Ciência Económica precisa saber o que as pessoas pensam hoje quanto ao que vai acontecer no futuro para conseguir prever o que vão fazer hoje.
Por exemplo, hoje estive a falar com uma colega minha que tem potencial para se unir comigo. Se eu antecipasse que, no futuro, ela me vai infernizar a vida, já nem tinha falado com ela.

Tinha-me posto a fugir à máxima velocidade possível.

Também, se o Banco previsse que 10% do clientes do tipo B não iam pagar, ter-lhes-ia imposto uma taxa de juro maior (um spread de 12,333pp).
100%*(1+2,00%) = 90,0%*(1+x) => x = 13,333%/ano
Se queriam, queriam, se não queriam, façam boa viagem.
O que diz em concreto o Lucas Jnr.
Que não vale a pena os governos fazerem políticas económicas expansionistas porque o seu efeito no crescimento económico é zero.
Isto custa a aceitar por parte dos esquerdistas que se querem agarrar ao que o Keynes disse em 1936. Mas, cada vez mais, a evidência é no sentido de que a políticas económicas expansionistas só levam a mais dívida pública para pagar no futuro.
Isto era verdade em 2006, é verdade em 2016 e será verdade quando, em 3016, em for velhinho.
Senão, qual foi impacto no nosso crescimento económico dos défices do Sócrates/Teixeira do Santos?
Uma dívida colossal e nada de crescimento.
E porque é que agora, com o Costa+Centeno, vão dar resultado?
Não vão.
O que diz de concreto o Fama.
Que o que é barato tem gato.
Diz que quem nos oferece uma taxa de juro mais elevada é porque tem um risco superior de nos espetar o calote.
Se olhamos para o carro A que custa 13000€ e vendeu 10 milhões de carros e o carro B que custa 10 il € e vendeu 1 milhão de carros, diz o Fama que o mercado indica que compensa comprarmos o carro de 13000€ pois a diferença no preço vem acompanhada por uma melhoria na qualidade.
Relativamente ao mercado financeiro, se olharmos para uma acção do Millenium BCP (cotada a 0,0375€) e para uma acção da Jerónimo Martins (cotada a 12,250€), 1) as cotações traduzem o valor da empresa agora, dada a informação disponível agora e, que 2) se quisermos investir 1000€, tanto faz comprar 26667 acções do BCP como 82 acções da Jerónimo Martins pois a cotação já traduz todos os problemas das empresas (apenas dependente do perfil de risco do investidor). 
Isto era verdade em 2006, é verdade em 2016 e será verdade em 3016.
Concluindo, a expectativas racionais vão-nos acompanhar até à nossa morte. 
O erro está em haver quem pense que as ER afirmam que os agentes económicos conseguem prever na perfeição o que vai acontecer no Futuro.
Os agentes económicos conseguem maximizar na perfeição a sua utilidade e os mercados são capazes de condensar na evolução das cotações toda a informação relevante sobre o fundamentos económicos porque a medida da Perfeição não é Deus mas apenas o Homem, o perfeito é o melhor que conseguimos fazer dadas as nossas limitações.
Em terra de cegos, "ver bem" é saber usar a bengala.
(Desculpem que o texto deve ter muitos erros ortográficos porque não consegui passar o spelling e eu não consigo escrever em erros Assim que o possa fazer, prometo que faço)

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